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Leandro Vilar

sábado, 10 de outubro de 2009

De Bruxa à Santa

O ano era 1429 em meio ao período da chamada Guerra dos Cem Anos (1337-1453) (na realidade a guerra durou 116 anos, mas ficou conhecida pelo nome de cem anos); guerra essa que era travada entre os reinos de França e de Inglaterra, pelo domínio de feudos, de territórios e pelo próprio trono de ambos os países, de qualquer forma, o ano de 1429 fora marcado quando uma jovem donzela de nome Joana d'Arc decidiu procurar o delfim (nome dado ao herdeiro do trono francês) Carlos VII (1403-1461), alegando que Deus a enviara até o o delfim em missão de salvar a França da Inglaterra; (mesmo que durante as campanhas de Joana d'Arc os franceses saíram vitoriosos, a guerra só teria fim mais de vinte anos depois). Com 16 anos de idade, Joana partiu em busca do delfim, ela acabou conseguido a ajuda de nobres senhores os quais concordaram em levar-la até a onde se encontrava o delfim; nesta época, Joana passou a se vestir como um homem, andar e a usar trajes militares. Ela teve o apoio de Poulengy e Jean Nouillompontnobre cavaleiros que ficaram convencidos pelas palavras que Joana lhes contou. Vale ressaltar que Joana disse em seu interrogatório que desde os 13 anos já ouvia vozes.


Pintura do século XVI retratando Joana como uma cavaleira.
Carlos VII rei da França
Joana chegou a cidade de Chinon, onde se encontrava o delfim Carlos VII, contudo, de inicio, muitos duvidaram da veracidade das palavras de Joana, e decidiram fazer um teste; reza a lenda que em meio a um salão de nobres, o delfim estava disfarçado, mesmo assim, Joana atravessou o salão e se ajoelhou diante dos pés do verdadeiro rei. Mesmo com tal fato, o delfim ainda fez ela passar por outros testes; de qualquer forma ainda nunca ficou muito claro, como foi que uma jovem camponesa de 17 anos, conseguiu convencer o delfim de França a nomeá-la General de todos os Exércitos de França, levando em se consideração de ela ser uma camponesa analfabeta, e ainda mais sendo uma jovem mulher? De qualquer forma, o delfim decidiu acreditar nas palavras de Joana e deu-lhe um exército. Sua primeira grande missão era libertar a cidade de Orléans do domínio inglês.

No Cerco a Orléans os franceses há meses vinham tentando expulsar os ingleses, e o pequeno exército de Joana em menos de um mês conseguiu a vitória tão esperada. Joana chegou em Orléans em 29 de Abril e expulsou os ingleses em 9 de Maio. Com a vitória francesa, Joana d'Arc passaria a ser chamada pelos nomes de A Virgem de Orléans ou a Donzela de Orléans.


Pintura retratando Joana liderando as tropas francesas no cerco de Orléans em 1429.
Depois da vitória em Orléans, Joana e seu exército vieram a participar de outros conflitos, dos quais sairam vitoriosos, e no ano seguinte em 17 de julho de 1430 o delfim Carlos VII fora legalmente coroado rei de França. Mesmo tendo cumprido a sua promessa de ter coroado Carlos VII como rei de França e de ter libertado várias cidades do julgo inglês, Joana ainda continuou a participar dos conflitos, e agora tinha cada vez mais o apoio do rei e de outros nobres, Mesmo assim, sua trajetória heróica fora curta. A Borgonha ainda era a principal aliada dos ingleses. Fato este que levou a Joana a enviar uma carta ao Duque de Borgonha para se pedir o fim da guerra.


O papa Martinho V coroando Carlos VII como rei da França. Ao lado deste pode-se ver Joana trajando armadura e ostentando a bandeira branca, símbolo pelo o qual ficou conhecida.
"Joana, a Donzela, deseja que estabeleças... longa, boa e segura paz com o rei de França... em toda a humildade vos peço, imploro e exorto a que não façais mais guerras no sagrado reino de França". (Trecho da carta de Joana d'Arc ao Duque de Borgonha), (HUBERMAN, 1986, p. 77).

Na primavera de 1430 quando tentava libertar a cidade de Paris dos borguinhões (aliados dos ingleses) essa acabou sendo ferida com uma flechada, mesmo assim isso não a fez de desistir da campanha. Logo em seguida ela tentou libertar a cidade de Compiègne, onde acabou sendo capturada pelos borguinhões. Joana fora levada como prisioneira para o castelo do Duque de Borgonha e posteriormente transferida para o castelo do Duque de Luxemburgo, o qual negociou a sua venda aos ingleses.

Sendo entregue aos ingleses teve inicio o seu julgamento o qual duraria alguns meses (se iniciou em janeiro de 1431 e terminou e maio). Neste tempo ela ficou presa em uma cela suja e escura, típica da época, e em muitos dos casos a réu nem chegava a comparecer ao julgamento devido ao fato de essa não ser chamada para ser ouvida. O julgamento de Joana d'Arc fora presidido pelo bispo de Beauvais, Pierre Cauchon. 


O bispo Pierre Cauchon interrogando Joana
Durante estes meses, ela fora acusada de crime de assassinato (por supostamente ter matado homens durante as batalhas), de heresia, de bruxaria (dizia que as vozes que ela ouviam era do Diabo e não de Deus). Ela ainda viria a sofrer por mais algum tempo na prisão, e teve até a oportunidade de ser libertada, devido ao fato do Duque de Luxemburgo fez tal condição em troca de ela parar de lutar contra os ingleses. Joana não aceitou tal proposta, disse que sua missão era libertar a França dos ingleses e seus aliados. 

Em 30 de maio de 1430, na cidade de Ruão, com apenas 19 anos de idade, Joana d'Arc fora condenada a morte na fogueira por crimes de heresia. Alguns diziam que a "bruxa" tivera o castigo que merecia; por outro lado reza uma lenda que diz que somente o coração de Joana não fora queimado, e tal fato seria um forte indicio de sua santidade. 


Pintura retratando Joana d'Arc prestes a ser queimada viva na fogueira, em 30 de maio de 1430 em Ruão.
Mesmo assim somente muito tempo depois é que Joana se tornaria uma santa. Em 1456 o Papa Calisto III, inocentou Joana de seus crimes, alegando que o julgamento fora inválido. Mesmo com tal afirmação da Igreja, a imagem de Joana como heróina ainda perduraria entre os franceses, mas a imagem de bruxa ainda seria motivo de chacota. O próprio William Shakeaspere a tratou como bruxa, o filósofo Voltaire consagrou uma obra a satirizando e a chamando de prostituta. Em 1909 a Igreja Católica beatificou Joana, e somente em 1920 praticamente quinhentos anos depois de sua morte, o Papa Bento XV a canonizou, passando a ser conhecida como Santa Joana d'Arc, Padroeira e heroína de França; O dia litúrgico de Joana é comemorado em 30 de Maio.

Oração a Santa Joana d'Arc:

"Ó Santa Joana D'arc, vós que, cumprindo a vontade de Deus, manifestada por vozes de anjos, de espada em punho, lançastes à luta, por Deus e pela Pátria, ajudai-me a perceber, no meu íntimo, as inspirações de Deus. Com o auxílio da vossa espada, fazei recuar os meus inimigos que atentam contra a minha fé e a Minha Pátria. Santa Joana D'arc, ajudai-me a vencer as dificuldades no lar, no emprego, no estudo e na vida diária. Que nem opressões, nem ameaças, nem processos, nem mesmo a fogueira me obriguem a recuar, quando estou com a razão e a verdade. Santa Joana D'arc, iluminai-me, guiai-me, fortalecei-me, defendei-me, Amém!".

NOTA: Parte da história das campanhas de Joana, é retratada no jogo Age of Empires II.
NOTA 2: Dentre as várias adaptações feitas ao cinema sobre a história de Joana, a mais famosa é o filme Joana d'Arc de Luc Besson (Jeanne d'Arc) de 1999, dirigido pelo famoso diretor francês Luc Besson. 
NOTA 3: Joana fora julgada por uma Inquisição Episcopal (presidida por bispos), pois na França, diferente de Portugal, Espanha e Itália, não houve uma inquisição nacional.

Referências bibliográficas:

DE YGARTUA, Maria Dolores. Juana de Arco: Generalisimo de dicisiete años, Madrid, Apostolado de la Prensa S. A, 1951.
HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem, Rio de Janeiro, LTC, 21 ed. 1986.
KOSMINSKY, E. A. História da Idade Média, Rio de Janeiro, Editorial Vitória, 1963.
DOM SERVILIO CONTIO Santo do dia. Ed. Vozes. p. 289-290.

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