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Leandro Vilar

terça-feira, 17 de maio de 2011

A Paraíba e os "ouros brancos"

Neste texto falarei um pouco da produção açucareira e algodoeira paraibana, a qual tivera uma grande importância para a economia da colônia, no império e na república. Durante as primeiras décadas do século XX, a Paraíba chegou a ser a maior produtora de algodão do país, e no passado ela chegou até mesmo a fornecer a principal produção algodoeira para exportação do império. Além de ter sido por alguns anos o segundo maior produtor da colônia e um dos maiores do mundo.

O “ouro branco” chamado açúcar

Hoje em dia, o açúcar não é um dos gêneros alimentícios mais caros, mas não tão barato como o sal, todavia, nos séculos XVI e XVII, açúcar era um artigo de luxo, somente a burguesia e a elite conseguiam comprar açúcar de boa qualidade, as sobras ou o açúcar de pouca qualidade era dado ao restante da população que tivesse condições de comprar. Em alguns locais da Europa, dá um quilo de açúcar, era um presente bem caro, já que até então o mesmo não era produzido na Europa (o açúcar começou a ser produzido em grande escala na Europa por volta do século XIX, sendo este extraído das beterrabas), assim comprar açúcar, era algo caro devido às distâncias de onde este vinha, e ao mesmo tempo era algo bem lucrativo para quem produzia e comercializava.

A cana-de-açúcar é originária da Ásia, de uma região que hoje compreende a atual Índia. Cristovão Colombo fora o primeiro a trazer ao Novo Mundo as primeiras mudas de cana de açúcar, contudo o cultivo açucareiro só iria ocorrer de fato, por volta de meados do século XVI em diante. O Brasil por muito tempo seria o principal produtor de açúcar do mundo, e Pernambuco no século XVII seria o maior produtor e exportador de açúcar do mundo. Posteriormente a Pernambuco vinha à Paraíba, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo etc. Os Estados Unidos, Cuba, Haiti, e outras ilhas nas Antilhas também passaram a produzir açúcar.

No caso da Paraíba no ano de 1586 um ano após a fundação da Capitania Real e da cidade de Nossa Senhora das Neves (atual João Pessoa) fora concedido por carta de sesmaria terras ao longo do rio Tibiry (hoje localizado no município de Santa Rita), ali se estabeleceu o primeiro engenho da capitania, o Engenho El-Rei. As terras aos arredores do Tibiry eram férteis e bem fáceis de serem regadas, um local ideal para a produção açucareira, fato este que posteriormente 90% dos engenhos da capitania se encontravam nesta região, a qual se encontra alguns quilômetros da costa.

Mapa das regiões geográficas da Paraíba: Zona da Mata ou Litoral - 1; Agreste - 2; Brejo - 3; Cariri ou Borborema - 3; Sertão ou Alto Sertão - 4


“Em águas, ares e fertilidade é esta Capitania uma das regiões mais saudáveis do Brasil, e em todos os tempos têm sido populosa e bem povoada pelos naturais da terra, chamado Potiguares”. (HERCKMANS, 1911, p. 9).
Basicamente, os engenhos paraibanos se encontravam nas regiões chamadas Zona da Mata, Brejo e uma parte do Agreste, todavia, a maioria dos engenhos ficava localizada na Zona da Mata, a poucos quilômetros do mar. Este fato deveu-se principalmente a questão do lento processo de exploração português para o Oeste, por quase dois séculos, os portugueses ficaram restritos ao litoral do Brasil, de Norte a Sul.
No século XVII o holandês Elias Herckmans fora incumbido por Mauricio de Nassau de realizar um levantamento das condições econômicas, naturais e sociais da Paraíba, já que a mesma desde 1634 se encontrava sob a posse da Holanda. A Paraíba, Pernambuco (nesse caso incluindo os atuais territórios de Sergipe e Alagoas) estavam sob a posse dos holandeses que haviam derrotados os portugueses e conquistado as vilas do Recife e Olinda. Assim, Nassau queria um levantamento dos recursos que dispunha das áreas conquistadas.
Herckmans em seu relatório exalta a fauna e a flora paraibana, e aponta a fartura da terra e do cultivo do açúcar, o qual naquela época estava em decadência, devido ao fato de que os portugueses após terem perdido a guerra contra os holandeses, destruíram e queimaram armazéns e engenhos. Devo ressalvar que neste tempo ter um engenho era algo bem caro, nem todo proprietário possuía condições financeiras de construir um engenho, de comprar uma centena de escravos, plantar, colher e transportar o açúcar, já que o mesmo não era refinado na colônia, o açúcar partia do Brasil ainda bruto e era refinado principalmente em Amsterdã na Holanda, por isso o interesse dos holandeses deterem o controle desta lucrativa fonte.

Herckmans aponta em seu relatório que a Capitania Real da Paraíba possuía cerca de 20 a 22 engenhos, dos quais alguns haviam sido destruídos pelos próprios proprietários ao invés de entregá-los aos holandeses, contudo os que ainda se encontravam em funcionamento, alguns pertenciam ainda a proprietários portugueses e outros já pertenciam a proprietários holandeses. Dentre os engenhos citados, estava o Três Reis, São Gonçalo, Santo André, Engenho Inobi, Engenho Novo, Engenho Paul. Alguns destes engenhos se encontram hoje em ruínas e outros ainda são abertos a visitações, tendo as estalagens conservadas.

Os holandeses permaneceram vinte anos no Brasil até serem derrotados e expulsos em 1654, assim Portugal conseguiu recuperar suas possessões no Brasil, Angola, Costa da Mina etc, as quais haviam sido tomadas pelos holandeses. Com o retorno das capitanias capturadas para o governo português, estas abandonaram a organização administrativa holandesa, a qual não fora ruim, mas satisfatória em alguns aspectos, e retornaram a antiga administração portuguesa, a qual sofria com problemas de falta de organização. Todavia a produção açucareira se mantivera, porém os holandeses deram o troco aos portugueses. Em 1661, fora assinado entre as duas nações um tratado pondo fim aos seus conflitos, já que a Holanda pretendia atacar novamente o Brasil. Então já que a mesma havia perdido de vez seus domínios nas terras brasílicas, os holandeses decidiram se tornarem concorrentes dos portugueses, assim os holandeses fundaram nas regiões das Antilhas (várias ilhas na América Central) seus próprios latifúndios açucareiros, não tardou que o açúcar holandês passasse a ser preferível do que o português devido ao menor custo de compra, já que os holandeses sagazmente reduziram a tributação cobrada por este, logo a produção açucareira do Brasil começou a decair.

“No que diz respeito ao Nordeste brasileiro, a crise do século XVIII é de longa duração, tendo raízes em 1650-1660, com o declínio das exportações do açúcar. A queda de produção e a dos preços de açúcar brasileiro decorrem da instalação dos holandeses nas Antilhas, que gerou, a partir de então, o regime de concorrência, quebrando, dessa forma o monopólio dos portugueses”. (OLIVEIRA, 2007, p. 81).

“Terminada a guerra holandesa, na Capitania da Paraíba não ficou ‘pedra sobre pedra’, sendo parecer de João Fernandes Vieira, governador da Capitania da Paraíba desde 1655, de que só com muito esforço se poriam, em breve tempo, a funcionar as fortificações destruídas”. (OLIVEIRA, 2007, p. 82).

Em 1663, dos vinte engenhos que haviam antes de 1654, apenas nove estavam funcionando, e mesmo assim os senhores de engenho enviavam pedidos a Coroa pedindo por auxilio financeiro ao Rei. Estes pedidos continuaram a ser enviados até depois de 1700, como forma de combater o prejuízo econômico causado na lavoura canavieira, passou-se a aumentar a exportação de couro e carne bovina e do algodão, todavia o cultivo algodoeiro só iria ganhar destaque na economia cerca de 50 aos depois, algo que será visto mais a frente.

Se por um lado a produção açucareira havia diminuído apenas para um pouco mais de 100 caixas ainda nos fins do século XVII, tal produção aumentaria razoavelmente nos idos do século seguinte, mesmo assim ainda não era bastante para recompor a crise que a capitania vivenciava. Outro problema que de certa forma colaborou para as finanças paraibanas, fora o decreto do Rei de que a carga paraibana deveria ser transportada para o porto do Recife e de lá seguir viagem para Portugal, junto com o comboio pernambucano. Por um lado, isso gerava um atraso para o escoamento da produção e por outro, como alega o Capitão-mor da Paraíba, João da Maia da Gama em 1704, os pernambucanos não aguardavam a chegada do carregamento paraibano e partiam antes, assim o carregamento corria o risco de ser saqueado por piratas na travessia do Atlântico, ou ficaria resguardado no porto até a partida do próximo comboio, correndo o risco do açúcar estragar até lá.

“D. João V, acolhendo a representação do Capitão-mor da Paraíba, resolve pelo Decreto de 30 de novembro de 1724 que em todos os anos partam regularmente daqui os comboios para o porto de Pernambuco em o primeiro de março, e partam dele para este porto em primeiro de agosto’”. (OLIVEIRA, 2007, p. 87).

Na tabela abaixo se pode ver a receita e as despesas da capitania até o ano de 1754, quando no ano seguinte por tal condição levou o Marquês de Pombal em 1755 a decretar a submissão administrativa da Paraíba ao governo de Pernambuco, nesse caso, o governo paraibano teria que prestar contas diretamente a Pernambuco, a qual ficara responsável pelo controle das verbas enviadas para a capitania. Na tabela pode se ver como a economia da capitania estava desequilibrada, demostrando claramente que a capitania vivenciava uma crise financeira, que durou vários anos.

FONTE: Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa. Tabela retirada do livro A Paraíba na crise do século XVIII: subordinação e autonomia (1755-1799).
Nesses cinqüenta anos que transcorreram no século XVIII, houve uma grande marcha de pessoas para a região das Minas devido a descoberta de ouro, ainda nos fins do século passado, assim o pólo econômico da colônia deixara a região açucareira do norte (ainda não se utilizava a palavra nordeste para se referir a esta região) para a região mineradora, a qual passou a ser conhecida como Minas Gerais. Com isso, uma grande leva de escravos fora levada para lá e ao mesmo tempo muitos homens com suas famílias deixaram suas terras na tentativa de enriquecer trabalhando nas minas de ouro. Isso gerou para a produção canavieira no caso da Paraíba uma falta de mão-de-obra escrava para trabalhar nas lavouras de cana, e quanto aos homens pobres livres, estes deixaram as lavouras de algodão e a pecuária para tentar a sorte no sul. Fatores, estes somados a alguns prejuízos causados por secas durante este qüinqüênio, as dívidas que se acumulavam e os prejuízos com a lavoura açucareira, não deram outra opção ao primeiro-ministro português o Marquês de Pombal a tomar medidas drásticas.

“Antes da subordinação, uma das representações enviada ao Rei foi a do Capitão-mor da Paraíba, Luiz Antônio de Lemos de Brito, contra os poucos recursos que havia nessa Capitania, apontando também meios de tirar dela algum proveito”. (OLIVEIRA, 2007, p. 105).

Nesse período tanto o Brasil sofria em parte com problemas econômicos, como Portugal também vivenciava crises internas, quando o rei D. José I assumiu o trono em 1750 se deparou com um Estado desorganizado e financeiramente fraco. Mesmo com a descoberta das minas de ouro nos fins do século passado, a cobiça da Corte e o desperdício, levaram a uma crise das finanças. As minas tiveram um auge curto, de cerca de um pouco mais de 30 anos, na segunda metade do século havia um declínio visível na produção aurífera. Assim, para tentar contornar tais problemas, o rei escolheu Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal como seu primeiro-ministro. Pombal ficou conhecido por ter ao longo de seu mandato (1750-1777) realizado uma série de reformas em vários setores do Estado português, reformas boas ou não, fora ele que conseguira manter Portugal nos eixos. E fora com essa autoridade e liberdade concedida pelo monarca, que em 29 de dezembro de 1755, o primeiro-ministro decretou oficialmente a submissão e anexação da Capitania Real da Paraíba a Capitania de Pernambuco, como diz o seguinte decreto:
“Dom José, por graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves daquém e de além mar em África senhor da Guiné etc. Faço saber a vos Governador e Capitão General da Capitania de Pernambuco que por se ter conhecido os poucos meios que há na Provedoria da Fazenda para sustentar um governo separado fui servido por resolução de vinte e nove de dezembro próximo passado tomada em consulta do meu Conselho Ultramarino extinguir o dito governo da Paraíba que acabado o tempo do governador atual fique esta Capitania sujeita ao governo dessa de Pernambuco pondo-se na Paraíba um capitão-mor com igual jurisdição e soldo ao que tem o Capitão-mor da cidade de Natal do Rio Grande do Norte. De que vos aviso para que assim o tenhais entendido. El Rei Nosso Senhor o mandou pelos Conselheiros dos seu Conselho Ultramarino abaixo assinados e se passou por duas vias. Caetano Ricardo da Silva a fez em Lisboa a vinte e nove de dezembro de mil setecentos e cinqüenta e cinco. O Secretário Joaquim Miguel Lopes de Lavre a fez escrever. Antônio Freire de Andrade, Antônio Lopes da Costa. Cumpra-se e registre-se na Secretária deste Governo. Recife, dezenove de fevereiro de mil setecentos cinqüenta e seis. Rubrica. (OLIVEIRA, 2007, p. 106).

A anexação não viria a dá certo como fora esperado pelo Rei e Pombal, os problemas econômicos ainda se manteriam, problemas com as secas, que atingiriam não apenas a Paraíba, mas outras capitanias causariam mais prejuízos para a colônia e a Coroa, além disso, haveria desavenças entre o governador da Paraíba com o de Pernambuco devido a questões legais e financeiras, que levavam os governadores paraibanos a escrever ao Rei solicitando o fim da anexação devido que o governo pernambucano estava sendo corrupto e negligente. De fato, em alguns casos isso fora verdade.

“Em relação aos interesses da Paraíba, a subordinação dava agora maior margem para as delongas da administração pernambucana. É que a Provedoria de Pernambuco continuava com o velho hábito de não remeter, à Paraíba com regularidade, o produto da arrematação da dízima, sendo para isso preciso expedirem-se freqüentes ordens reais”. (OLIVEIRA, 2007, p. 110).
Umas das soluções encontradas pelo Marquês de Pombal fora a criação da Companhia Geral de Comércio de Pernambuco e Paraíba em 1756. Mesmo tendo durado até 1780, quando fora fechada por D. Maria I, a companhia não rendera os lucros esperados, diferente da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Posteriormente as implicações com a anexação ainda era enviadas a Coroa, e nos fins do século já na década de 80, após o fim do governo pombalino, muitos dos políticos paraibanos alegavam que já era hora de por fim a este decreto, a produção agrícola de açúcar e algodão estava contribuindo mesmo de forma lenta a recuperação das finanças da capitania, como pode ser visto na tabela abaixo, acerca das receitas e despesas do governo. Notariamente, na tabela pode-se ver um equilibrio pequeno entre a receita e a despesa da capitania, mostrando que durante e após o fim da anexação a economia ainda esta instável e continuava em crise.
Tabela retirada do livro A Paraíba na crise do século XVIII: subordinação e autonomia (1755-1799).
Em 1797 o então governador da Paraíba Fernando Delgado Freire de Castilho inicia um relatório sobre as condições econômicas, estruturais e sociais da capitania e enviou este relatório a Rainha, apontando que a anexação já não era mais necessária, devido ao fato de que as finanças da capitania conseguiam cobrir as despesas. Por outro lado, Castilho aponta que a demora da recuperação se deve a fraudes na legislação comercial, a corrupção, a saqueadores que roubam os carregamentos nas estradas, a falta de segurança para as lavouras dos pequenos e médios proprietários que não possuíam dinheiro para contratar capangas para a vigília, ele também aponta questões ligadas a decisões tomadas pelo governo de Pernambuco que ao invés de ajudar, só fazia piorar as condições.

“O documento que Fernando Delgado Freire de Castilho analisa as condições da Capitania e, ao mesmo tempo, o que propiciaria o seu desenvolvimento sob um governo autônomo, contribuiu, sem dúvida alguma, para a idéia – um tanto amadurecida pela Rainha – da separação da Capitania da Paraíba da de Pernambuco. Datado de 9 janeiro de 1799 e enviado à Metrópole, em 17 do mesmo mês, D. Maria I expedia a Carta Régia, separando de Pernambuco não só a Paraíba, mas também o Ceará”. (OLIVEIRA, 2007, p. 129).

Após 44 anos de anexação e submissão a Paraíba retomava sua “independência”, porém o século XIX já não seria, mas o século do açúcar, mas começaria a ser o século do algodão.

Tabela retirada do livro A Paraíba na crise do século XVIII: subordinação e autonomia (1755-1799).

No século XIX, a Paraíba perderia sua posição de produtor de açúcar, para as províncias do Rio de Janeiro, Pará e Maranhão, posteriormente em São Paulo se plantaria açúcar (hoje o estado de São Paulo é o maior produtor de açúcar do país). Contudo o legado açucareiro paraibano não morreria, ele ainda esta vivo. Devo ressalvar que além de se utilizar a cana na fabricação do açúcar, algumas lavouras canavieiras geralmente de médio e pequeno porte produziam cana para a fabricação de rapadura, um doce típico do Nordeste, feito a partir do melaço da cana, e a aguardente, também conhecido como cachaça e pinga. Ainda hoje, existem indústrias especializadas na produção de rapadura e aguardente, mas no século XX o açúcar se tornará matéria de outro importante produto, mas antes de chegar a este ponto, tenho duas ressalvas para fazer.
Entre os anos de 1877-1879 e posteriormente em 1887-1889 o império fora atingido por terríveis secas, conhecidas como as Grandes Secas, as quais devastaram os sertões do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, em alguns lugares os danos foram maiores do que em outros. Tal acontecimento é um marco para a agricultura e a pecuária no Nordeste, por que fora a partir dos perjúrios causados por esta seca que finalmente o governo decidiu tomar medidas, desde então várias outras secas ocorreram, mas nenhuma medida eficiente havia sido tomada.

“Em fevereiro de 1877 se deu o primeiro alarme da seca que se aproximava, e automaticamente tiveram início as reivindicações dos governos e representantes provinciais. A situação financeira da província de Paraíba, como a de suas vizinhas, era péssima, pois a crise da economia nordestina provinha de há muito tempo, com a queda da cotação do seu principal produto, o açúcar, no mercado internacional, e a efemeridade do boom algodoeiro da década de 1860”. (FERREIRA, 1993, p. 61).

Com isso o imperador D. Pedro II enviou engenheiros, geólogos, geógrafos e outros estudiosos para estudar os problemas e propor medidas para se combatê-los, uma das medidas sugeridas fora a transposição do Rio São Francisco, algo que hoje em 2011 ainda esta em fase de desenvolvimento. Claro que se tentou em várias ocasiões levar a frente tal medida, mas o governo ao longo deste tempo vetou o projeto várias vezes.

Enfim, chegando-se aos fins do século XIX, já na fase republicana, outro fato importante para a história do açúcar na Paraíba fora a tentativa da criação do chamado engenho central, um predecessor das usinas açucareiras.

“A Paraíba participou da experiência do engenho central, o qual objetivava, por iniciativa do Estado, a implantação da divisão do trabalho na agroindústria do açúcar. O plantio da cana caberia aos agricultores e o fabrico do açúcar ficaria a cargo dos industriais. Haveria, assim, um uso mais eficiente dos fatores de produção, uma vez que cada agricultor investiria seus recursos na cultura da cana e os proprietários do engenho central concentrariam seus capitais na técnica de processamento. Todavia, só o setor industrial se modernizou; o agrícola continuou utilizando os métodos rotineiros”. (GALLIZA, 1993, p. 48).

O Engenho Central São João fora construído pela Companhia de Engenhos Centrais nas Províncias da Paraíba e Sergipe S. A. Diferente do que ocorreu em outras províncias, a Paraíba só tivera um engenho central, e sua sede se localizava no Rio de Janeiro.

O grande problema para a falência do projeto do engenho central fora a negação dos senhores de engenho em aceitar perderem os lucros em parte da produção, desde o cultivo até o refino do açúcar. Já que a proposta era que tanto o grande latifúndio como as pequenas e médias plantações enviassem a cana para as usinas para ser transformada em açúcar, porém o forte prestigio das oligarquias locais sufocou esta tentativa que durara poucos anos entre o fim do império e o começo da república.
Tabela retirada do livro Modernização sem desenvolvimento na Paraíba: 1890-1930.
Em contrapartida nesta época o açúcar era o terceiro produto de maior exportação do estado, em primeiro vinha o algodão e em segundo, o couro e a carne bovina. Além disso, já na segunda década do século XIX, o principal produto exportado no Brasil era o café que enriquecia os chamados "barões do café" do Oeste paulista.

“A cana-de-açúcar, que representou, até a primeira metade do século XIX, um papel decisivo na economia da Paraíba, entrou em decadência com a retração dos mercados externos ao produto e com sua conseqüente desvalorização. Sua exportação, que em 1900, atingiu o valor de 916:767$000 réis, baixou para 665:396$000 réis, em 1905, e caiu para 386:789$000 réis, em 1910”. (GALLIZA, 1993, p. 47).

Tabela retirada do livro Modernização sem desenvolvimento na Paraíba: 1890-1930.
A partir de 1910 em diante os antigos engenhos serão substituídos por usinas de açúcar, contudo ainda haverá engenhos funcionando até pelo menos os anos 50, mas tendo a função apenas de cultivar a cana. Todavia, o açúcar voltaria a ter uma importância nacional nos anos 70, quando devido à crise do petróleo em 1973, o governo procurando formas de amenizar a grande dependência do consumo de petróleo decidiu investir em outros combustíveis, nesse caso o etanol.

Em 1975 o engenheiro Lamartine Navarro Júnior criou o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) o qual tinha como objetivo subsidiar empresas e proprietários a produzirem cana para desta transformarem em etanol a fim de abastecer a empresa automobilística. Claro que os antigos carros com motor a álcool possuíam suas desvantagens, mas hoje com os chamados motores flex tais desvantagens são supridas devido à compatibilidade entre a gasolina e o álcool. Todavia, o etanol como combustível não fora apenas uma saída, mas também uma forma de diminuir em parte a poluição já que o mesmo polui menos que os motores movidos a gasolina e diesel, mas hoje, os estudos com o chamado biodiesel sugerem um menor índice de poluição em relação ao álcool.

“No fim da década de 1970, o Governo Federal lançou o PROALCOOL – Programa Nacional do Álcool, que visava estimular o setor canavieiro do país através de incentivos oficiais para a produção de álcool em substituição à gasolina no abastecimento da frota nacional de veículos, em virtude da crise mundial do petróleo de anos antes. É esse projeto que impulsiona as usinas de cana dos estados da Paraíba e de Pernambuco a avançarem sobre novas áreas antes exploradas apenas pela agricultura de subsistência, seja com a compra e o arrendamento de terras diretamente para a plantação, seja estimulando proprietários rurais a produzirem para essas empresas”. (PALLITOT, p. 110).

Ainda hoje o PROÁLCOOL, se encontra ativado, e o Brasil é um dos maiores produtores de etanol do mundo, algo que os Estados Unidos tenta rivalizar produzindo etanol a partir do milho, todavia tal processo não é tão eficaz como do açúcar, garantindo ao país o interesse extrangeiro nessa produção.

Com isso, encerro o meu breve relato sobre um pouco da história açucareira na Paraíba e no Brasil, para quem tiver mais interesse consulte as bibliografias utilizadas.

O “ouro branco” chamado algodão

Diferente da cana de açúcar que não é originária das Américas, o algodão era uma planta que podia se encontrada naturalmente na Ásia, África e na América Central e do Sul. Alguns indígenas na região Andina como os incas, conheciam o algodão e produziam roupas com este, outros povos também conheciam as propriedades do algodão, mas seu cultivo no Brasil só começou por volta do século XVII, mas a produção algodoeira só terá uma importância significativa ao longo do século XIX.

No caso da Paraíba, as plantações algodoeiras se desenvolveram propriamente por volta do século XVIII nas regiões do Agreste, Cariri ou Borborema e no Sertão. Diferente do que costuma-se pensar a respeito do sertão o qual é tido como uma região inóspita e desértica, o sertão na realidade é uma região semiárida, com irregularidade nas chuvas, com rios perenes, vegetação escassa, rasteira, mas suficiente para abrigar uma vida nativa. Por incrível que possa parecer, tanto a pecuária nordestina como as lavouras algodoeiras se desenvolveram em regiões com estas características, e mesmo com estas debilidades e perigos devido as secas, o algodão paraibano por um tempo fora considerado um dos melhores do mundo.

“Quanto à mão-de-obra empregada nos algodoais, geralmente se distinguem duas fases que tem como divisor a extinção do tráfico em 1850. Antes, os dos de fazendas de algodão teriam empregado principalmente escravos nas suas lavouras (GALLIZA, 1979, p. 47). Depois, por causa da impossibilidade da reposição dos estoques, o escravo teria sido substituído pelo homem livre pobre, bastante numeroso em todo o ‘Nordeste’, principalmente nas regiões sem recursos como a Paraíba”. (MEDEIROS, 1999, p. 65).

A lavoura algodoeira se espalhou pelo interior da capitania devido ao fato de que o litoral era campo quase que exclusivo para o plantio dos canaviais, logo à medida que o gado ia avançando pelos sertões atrás de pasto (a pecuária nordestina por muito tempo fora extensiva, ou seja, o gado era criado livre, e assim a necessidade de se procurar pastos para alimentá-lo). Então com o desbravamento dos sertões, e após isso o estabelecimento de missões jesuíticas, comunidades e vilas, o algodão e outras culturas passaram a se estabelecer por estas regiões.

Algo que marcou o cultivo algodoeiro fora sua sensível fragilidade as secas que acometeram a Paraíba em várias ocasiões. Diferente da cana de açúcar a qual ficava resguarda pelo clima mais chuvoso do litoral, as lavouras de algodão e as criações de gado, sofreram muito com as constantes secas, mesmo assim conseguiram proliferar por muitos anos.

“A produção de algodão na Paraíba, entre 1798 e 1805 (com exclusão de do ano de 1803) foi de 74.740 quintais (OLIVEIRA, 1985, p. 147), ou seja, 298.960 arrobas, dando uma média anula de 42.708, 57 arrobas”. (MEDEIROS, 1999, p. 64).
Mapa com os principais pólos produtores de algodão no final do século XIX até a década de 20. Política e parentela na Paraíba: Um estudo de caso da oligarquia de base familiar.
No relatório do governador da capitania da Paraíba Fernando Delgado, como visto anteriormente, este apontou que a economia paraibana, estava ligeiramente regular, devido principalmente ao aumento da exportação de couro e carne bovina e do algodão. Porém será no século XIX que o algodão se tornará o “ouro branco” como esperado.

“Foi a partir da abertura dos portos do Brasil, em 1808, que o algodão realizou uma verdadeira revolução no Agreste, favorecida pela crise que as guerras napoleônicas provocaram na cultura das Colônias dos países em conflito”. (MEDEIROS, 1999, p. 65).

Além deste fato, outros dois fatores devem ser ponderados, primeiro, a Revolução Industrial iniciada na Inglaterra nas últimas décadas do século XVIII, a qual tivera a indústria têxtil seu principal expoente neste desenvolvimento tecnológico. Não obstante, após as Guerras Napoleônicas, a industrialização começou a se espalhar por outros países da Europa, como França, Alemanha e Bélgica. Segundo, as duas primeiras décadas do século XIX, a América Latina será marcada pelas lutas de independência das colônias, logo a produção ficará restrita por algum tempo até o fim destes conflitos, e o apaziguamento com as antigas metrópoles, já que as mesmas tentaram boicotar os produtos exportados das suas antigas colônias. Assim, terminado este período conturbado de revoltas, a industrialização crescerá na Europa, e chegará aos Estados Unidos, antes da década de 50 do século XIX. O Brasil, e outros países como Japão, Rússia e Itália vivenciaram a industrialização a partir da década de 60 e 70.

Será no começo na primeira metade da década de 60, que a produção algodoeira paraibana e de outras províncias, alavancará. Nesse período, os Estados Unidos da América, um dos maiores produtores de algodão do mundo, o qual era produzido principalmente nos estados do sul desde a época da sua guerra pela independência, entraram em divergência com a política dos estados do norte, logo uma guerra eclodiu. A chamada Guerra Civil Americana ou Guerra de Secessão (1861-1865) ocorrida durante o governo do ilustre presidente Abraham Lincoln, pôs o país dividido em duas frentes, onde o Norte tentava evitar a fragmentação do país e o Sul tentava sua independência. Devido aos problemas da guerra, o fornecimento de algodão fora drasticamente cortado para as exportações, com isso tanto os ingleses como outros países que necessitavam do algodão para suas indústrias têxteis, procuraram aumentar as importações de outros fornecedores, nesse caso o Império do Brasil.

Quando a guerra acabou em 1865 e anos depois após o país se recuperar dos prejuízos, os Estados Unidos fora retomando seu lugar como grande exportador algodoeiro, mesmo assim o algodão não perderia lugar de destaque no Brasil. Algo que será visto já no final do século XIX e no começo do século XX, durante o período da chamada Primeira República ou República Velha (1889-1930).

A história política paraibana entre os anos de 1892 a 1930 será marcada pelas disputas oligárquicas no estado, de um lado estarão as famílias ligadas a oligarquia Machado-Leal, a qual contava com Álvaro Machado e Valfredo Leal, e do outro lado estariam os Neiva-Pessoa, a qual contava com Venâncio Neiva e Epitácio Pessoa.

Durante a fase que compreende até o ano de 1912, quando a oligarquia Pessoa passa a exercer “controle” sobre o estado, a produção algodoeira sofria com os problemas de falta de estradas para escoar sua produção. As plantações que ficavam no Agreste tinham um maior acesso a estrada de ferro que sai da capital Parahyba e ia até Campina Grande, contudo as cidades que ficavam no Sertão não tinham acesso a essa ferrovia, e logo preferiam comercializar com o Rio Grande do Norte ou Pernambuco através de estradas que ligavam estes estados, assim parte da produção algodoeira paraibana se evadia para os estados vizinhos, prejudicando as finanças do estado. Não obstante, alguns comerciantes de Campina Grande preferiam vender seu produto no porto do Recife por acharem mais vantajoso os negócios, já que até então o porto de Cabedelo, ainda sofria com problemas de infra-estrutura, debilitando seu funcionamento em maior escala.

Epitácio Pessoa viu a oportunidade de utilizar estes problemas em sua campanha como forma de prometer soluções imediatas. Como construir uma estrada de ferro para o Sertão seria algo difícil (a região central do estado é ocupada por uma região serrana, chamada de Serra da Borborema, naquela época construir estradas de ferro que atravessassem estas serras era algo muito caro), assim Epitácio preferiu investir nas chamadas estradas de rodagem e na compra de caminhões, a fim de criar uma teia de vias que ligassem os distintos pontos do Agreste e do Sertão com as principais rotas do estado que conduziriam a produção algodoeira até o porto de Cabedelo.

“Em vez da locomotiva a vapor, os caminhões Ford tornaram-se os meios oficiais para integrar as cinco zonas da Paraíba com o empório litorâneo localizado em Parahyba-Cabedelo”. (LEWIN, 1993, p. 79).
Mapa com as estradas de ferro e rodovias na Paraíba durante a década de 20. Retirado do livro Política e parentela na Paraíba: Um estudo de caso da oligarquia de base familiar.
“Conquanto toda a República Velha mereça ser considerada como um período de grande crescimento para o ouro branco, a expansão linear do algodão alcançou uma alta espetacular na década de 1920. Mesmo durante a Primeira Guerra Mundial, quando foi interrompido o comércio com os mais importantes clientes da Paraíba – a Alemanha e a Grã-Bretanha -, o comércio costeiro em expansão compensou pela perda dos mercados externos”. (LEWIN, 1993, p. 88).

Epitácio Pessoa (1865-1945) ficou a frente do poder de 1912 a 1922, sendo que durante os anos de 1919-1922 governou como Presidente da República. A partir de 1922 até 1930 ele ainda possuiria forte influência na política estadual, mesmo vivendo há vários anos no Rio de Janeiro. A oligarquia Neiva-Pessoa chegou ao fim de fato em 1930, quando o sobrinho de Epitácio, João Pessoa, então presidente da Paraíba (nessa época o governador era chamado de presidente de estado), então candidato a vice-presidente de Getúlio Vargas, fora assassinado no Recife.

Contudo, mesmo com o fim da oligarquia Pessoa em 1930, durante estes anos que vão de 1912 a 1930 a produção algodoeira crescera muito no estado, houvera uma tentativa de modernizar a produção paraibana, mas tal modernização não se dera como o esperado, tanto o açúcar como o algodão ainda eram cultivados e colhidos de forma rústica, porém como fora visto com o açúcar, será na década de 20 que começaram a surgir as primeiras usinas de fato no estado, e no caso do algodão será fundado na cidade de Mamanguape, outrora centro produtor de açúcar, a maior fabrica de tecidos do estado e uma das maiores do país, a Companhia de Tecidos Rio Tinto (CTRT), fundada pelos irmãos suecos Frederico e Arthur Lungdren.

Tabela retirada do livro Modernização sem desenvolvimento na Paraíba: 1890-1930.
“Não obstante, o reconhecimento de que a Paraíba produzia o melhor algodão de fibras longas disponíveis no mercado mundial tem a ver diretamente com a questão da infra-estrutura. Visto que os algodoeiros arbóreos cresciam apenas nas duas zonas sertanejas, um sistema rodoviário estadual tornou-se indispensável para integrar essas zonas ao mercado internacional”. (LEWIN, 1993, p. 88).


Era evidente a qualidade do algodão paraibano, fato este que os Lungdren, donos da Companhia de Tecidos Paulista, levaram eles a desapropriar terras antes utilizadas para o cultivo da cana e terras indígenas para a construção da fábrica e da vila operária a qual acabou anos mais tarde se tornando uma pequena cidade. A fábrica começou a funcionar em 1924 e manteve-se em funcionamento até a década de 80. Nesse meio tempo, um dos principais problemas enfrentados principalmente nas décadas de 20 e 30 e posteriormente em 50 a 70 fora as manifestações indígenas, as quais acusavam de os donos da companhia de terem usurpado ou comprado de forma ilegal suas terras. Durante a década de 50 e o primeiro quinquênio da década de 60, haverá os movimentos rurais das Ligas Camponesas pelo país.

Hoje em dia muitas vilas e comunidades indígenas ainda se encontram pelos municípios de Mamanguape, Marcação, Rio Tinto e Baía da Traição, sendo tais municípios e alguns outros desmembramentos do outrora grande município de Mamanguape.

“A instalação da CTRT nas terras indígenas, a construção da fábrica e da cidade criaram uma estrutura de poder que enfeixou todos os aspectos da vida social nesta região durante mais de cinco décadas. A cidade de Rio Tinto é produto da fábrica, que com sua crescente demanda por terras, madeira e mão-de-obra transformou completamente o cenário da antiga sesmaria dos índios de Monte-Mor a partir da década de 1920”. (PALLITOT, p. 106).

Na década de 30 o algodão paraibano ainda estará no topo das exportações do país, depois disso sofrerá uma queda a qual perdurará até a década de 80, quando devido ao PROALCOOL, haverá um grande incentivo para a plantação de cana de açúcar, logo alguns fazendeiros que cultivavam o algodão deixaram de cultivá-lo para plantar cana. Todavia, outro ponto que marca a década de 80, fora as constantes ameaça da praga do bicudo-de-algodoeiro (Anthonomus grandis). Este besouro originário da América Central fora introduzido especialmente no Nordeste, o qual se revelou uma calamidade para as plantações de algodão. Alguns acreditam que a introdução deste besouro teria sido proposital.

Por fim, uma última questão que tenho a falar acerca do algodão na Paraíba nos dias de hoje diz respeito ao cultivo do chamado algodão colorido. Hoje o algodão já não é mais o “ouro branco” que fora, de fato, a terras utilizadas para o cultivo da cana são maiores do que para o cultivo do algodão.

O algodão colorido não é uma invenção brasileira, ele já era desenvolvido por outros povos, contudo o EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) na década de 70 começou a investir em pesquisas nas diferentes espécies de algodão, e logo propôs a possibilidade de se produzir algodão colorido (o termo colorido deve-se ao fato de que algumas plantas apresentam as flores de algodão em tonalidades de marrom e creme), as pesquisas se mantiveram pelos anos 80, revelando que o algodão colorido era mais resistente ao bicudo-de-algodoeiro. Todavia, hoje o algodão colorido é utilizado principalmente na produção artesanal, mas em seu cultivo este se revela não apenas mais resistente a algumas pragas, mas a seca, esboçam uma maior produtividade em sementes, fibras mais longas e resistentes, além de contribuir para outras questões ligadas ao cultivo da terra. Os municípios de Campina Grande, Patos e Monteiro, são alguns dos pólos desta produção. Hoje a Paraíba não é um dos maiores produtores de algodão, contudo é um dos maiores produtores de algodão colorido do Brasil e do mundo.

Com isso, encerro o meu breve relato sobre um pouco da história algodoeira na Paraíba e no Brasil, para quem tiver mais interesse consulte as bibliografias utilizadas.


NOTA: Rio Tinto ainda preserva lembranças da sua grande fábrica, como também possui a maior concentração de indigenas do estado, sendo estes do povo Potiguar.
NOTA 2: A Companhia de Tecidos de Rio Tinto, fizera a cidade crescer de tal forma, que alguns apelidaram a cidade de a "Manchester paraibana".
NOTA 3: Mauricio de Nassau fora o governador dos dominios holandeses entre 1637 a 1644, quando após desavenças com seus superiores, demitiu-se do cargo.
NOTA 4: Acreditava-se que os irmãos Lungdren, fundadores da companhia em Rio Tinto, fossem alemãs, e durante a II Guerra, acreditou-se que estes estivessem ligados ao nazismo.
NOTA 5: O primeiro engenho da Paraíba fora batizado de El-Rei em homenagem ao rei Felipe II, o qual governava tanto Portugal e Espanha, durante o período denominado de União Ibérica (1580-1640).
NOTA 6: Em 1777 o Marquês de Pombal fora demitido de seu cargo pela rainha Dona Maria I. O marquês passou o resto da vida, descansando em sua casa de campo.
NOTA 7: Napoleão Bonaparte, durante seu reinado (1804-1815), incentivou que tanto a França como outros países aliados e conquistados produzissem açúcar partir da beterraba, como forma de evitar de ter que se comprar açúcar das Américas, logo das colônias de seus inimigos (Inglaterra, Portugal e Espanha).  

Referências Bibliográficas:
OLIVEIRA, Elza Regis de. A Paraíba na crise do século XVIII: subordinação e autonomia (1755-1799). 2ª ed, João Pessoa, Editora Universitária, 2007. (Capítulos 3 e 4).
GALLIZA, Diana Soares de. O declínio da escravidão na Paraíba: 1850-1888. João Pessoa, Editora Universitária, 1979. (Coleção Documentos Paraibanos nº 9), (Capitulo II).
MEDEIROS, Maria do Céu; , Ariane Norma de Menezes (organizadoras). O Trabalho na Paraíba: das origens à transição para o trabalho livre. João Pessoa, Editora Universitária, 1999. (Capitulo I). (Coleção História Temática da Paraíba, v. 1).
VARELA, Francisco. A questão agrária e nacional e assentamentos rurais na Paraíba. 4ª ed, João Pessoa, Idéia, 2006. (Capitulo 3).
FERREIRA, Lúcia de Fátima Guerra. Raízes da Indústria da Seca: O caso da Paraíba. João Pessoa, Editora Universitária, 1993. (Capítulos II e III).
ALMEIDA, José Américo de. A Paraíba e seus problemas. 4ª ed, Brasília, Senado Federal, 1994. (Capitulo III).
CASTILHO, Fernando Delgado de Ferreira. Relatório sobre a capitania da Paraíba, 1799. PINTO, Irineu Ferreira. Datas e Notas para a História da Paraíba. João Pessoa, Editora Universitária, 1977. (Volumes I e II).
HERCKMANS, Elias. Descrição geral da capitania da Paraíba. João Pessoa, A União, 1982.
GALLIZA, Diana Soares de. Modernização sem desenvolvimento na Paraíba: 1890-1930. João Pessoa, Idéia, 1993. (Capítulos II e IV).
PALITOT, Estevão. Monte-mor: os potiguara e a Companhia de Tecidos Rio Tinto. In: _____________. Os potiguara da Baía da Traição e Monte-mor: história, etnicidade e cultura. João Pessoa, Dissertação (Mestrado), PPGS/UFPB, p. 96-169.
LEWIN, Linda. Política e parentela na Paraíba: Um estudo de caso da oligarquia de base familiar. Tradução André Villalobos. Rio de Janeiro, Record, 1993. (Capitulo II).

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