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Leandro Vilar

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A história por trás de Assassin's Creed

A série Assassin's Creed produzida pela Ubisoft e lançada em 2007, introduziu ao mundo dos videogames uma trama que envolvia ficção, fantasia e fatos históricos, em torno de uma disputa entre a Ordem dos Assassinos e a Ordem dos Cavaleiros Templários, pelo domínio de artefatos místicos, chamados de Pedaços do Éden


Simbolo da Ordem dos Assassinos.

"Trabalhamos na Escuridão para servir a Luz. Nós somos Assassinos"

"Nada é verdade. Tudo é permitido"

A Ubisoft baseada em outra série famosa, Prince of Persia, se valeu da ideia de juntar os movimentos baseados no parkour, vistos em Prince of Persia, com movimentos de luta de assassinos profissionais. Diferente da outra série onde os movimentos são bem mais ousados e até mesmo surreais, em Assassin's Creed eles são mais condizentes com a realidade embora exista lá os seus exageros, mas jogo é jogo. E somando-se a isso, o contexto histórico onde a trama se baseia. Nesse caso, a proposta deste texto é comparar e falar acerca de alguns fatos históricos e personagens históricas ao longo dos três principais jogos da série, já que a mesma conta com jogos derivados do ramo principal, algumas histórias em quadrinhos (comic books), cinco livros, duas animações e um filme curta-metragem. 

Aviso: Os fatos, personagens e datas aqui mencionados revelam spoilers do enredo dos jogos. Se você tem interesse de jogá-los, e não quer saber da história, não prossiga. 

A verdadeira Ordem dos Assassinos:

Embora a série misture ficção com fatos históricos, a Ordem dos Assassinos não é uma invenção da Ubisoft, mas uma seita que realmente existiu na Ásia medieval. Sendo assim, falarei um pouco da Ordem que em grande parte ainda hoje pouco se conhece sobre sua história e organização, pois assim como toda sociedade com segredos, seus membros deveriam manter o sigilo.


A Ordem foi criada por volta de 1090 pelo árabe Hassan ibn Sabbah Haimiri (1034-1124), após este conquistar a fortaleza de Alamut localizada nas Montanhas Elbourz ao sul do Mar Cáspio, na Pérsia (atualmente Irã). Alamut ("Ninho da Águia") tornou-se a sede da Ordem dos Assassinos (1090-1256), criado por Hassan. Mas, antes de prosseguir é preciso entender alguns motivos que levaram este muçulmano a criar uma irmandade de assassinos. 



Vista das ruínas da fortaleza de Alamut, Irã. A fortaleza foi a sede da Ordem dos Assassinos de 1090 a 1254.
Hassan nasceu em Qom, um importante centro de peregrinação xiita na Pérsia (atual Irã). De fato, a população era predominantemente xiita, ramo mais radical do Islamismo, porém, alguns membros da família de Hassan eram ismaelitas, uma doutrina de origem xiita que preconizava a defesa da sucessão hereditária do imã (líder espiritual) Ismael, que supostamente seria o "Sétimo Profeta"

No Islamismo credita-se seis grandes profetas: Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Maomé (Mohammed). Os profetas foram os homens que receberam "a palavra" de Deus (Alá), ou seja, os seus ensinamentos. Após a morte de Maomé grande parte dos muçulmanos concordam que não houve nenhum outro profeta digno de menção, mas um pequeno grupo xiita passou a defender a legitimação de Ismael como verdadeiro profeta de Alá. 


“Um desafio mais direto aos abácidas veio de movimentos ligados a outro ramo do xiismo, os ismaelitas. Suas origens não são claras, mas parecem ter começado como um movimento secreto sediado primeiro no Iraque e no Kuzistão, no sudoeste do Irã, e depois na Síria. Apoiavam a pretensão do imanato de Isma’il, filho mais velho de Ja’far al-Sadiq, reconhecido por grande parte do xiismo como o sexto imã. Isma’il morreu em 760, cinco anos antes de seu pai, e a maioria dos xiitas acabou reconhecendo seu irmão Musa al-Kazim (m. 799) como imã. Os ismaelitas, porém, acreditavam que Isma’il tinha sido irrevogavelmente nomeado sucessor do pai, e que seu filho Muhammad se tornara imã depois dele. Afirmavam que Muhammad voltaria mais cedo ou mais tarde como o mahdi, enviado para revelar o significado secreto da revelação corâmica e governar o mundo com justiça”. (HOURANI, 1991, p. 53-54). 

O ismaelismo teve influência sobre a conduta de Hassan ibn Sabbah no futuro, porém, antes dele vir se tornar um homem influente, Hassan foi enviado ao Egito para estudar. Não se sabe quanto tempo permaneceu ali, mas sabe-se que passou anos se dedicando a estudar o Alcorão, como também filosofia grega e outros saberes filosóficos e religiosos. Vivendo no Cairo, Hassan se tornou amigo do príncipe Nizar (1045-1097), um dos filhos do califa Al-Mustansir (1029-1094), líder do Califado Fatímida (909-1171). 

Com a morte de Al-Mustansir, Nizar seria o herdeiro ao trono, porém o vizir (primeiro-ministro) Al-Afdal Shahanshah (1066-1121) conseguiu afastar Nizar do trono, e nomeou como herdeiro o seu irmão mais novo Ahmad al-Musta'li (?-1101). Pelo fato de ser uma criança, Ahmad estaria sob o controle do vizir que atuaria como regente até a maior idade do príncipe, contudo Nizar decidiu reagir e confrontar Al-Afdal contando com a ajuda de Hassan, mas ambos foram derrotados, e Hassan decidiu abandonar de vez o Egito e se dedicar a suas ações na Pérsia, pois a fortaleza de Alamut já estava sob seu controle a cinco anos. 

Hassan ibn Sabbah
Porém os seguidores de Nizar que acreditavam no direito hereditário ao trono do califado fatímida, passaram a ser chamados de nizars, e Hassan se tornou um nizari. E mesmo após a morte de Nizar, Hassan ainda manteve a ideia do direito de Nizar ao trono, ao mesmo tempo, passou a se aproximar cada vez mais do ismaelismo, chegando ao ponto de dizer que havia sido escolhido para realizar uma nobre missão no mundo. Alguns relatos sugerem que Hassan alegava ser a "reencarnação" de Ismael, o problema é que no Islamismo não há a ideia de reencarnação, daí tal hipótese ser questionada como plausível. Hassan começou a pregar suas próprias ideias sobre o Islamismo de vertente xiita ismaelita, conseguindo reunir adeptos que compartilhavam das suas ideias e crenças. Marco Polo (1254-1324) escreveu em seu livro intitulado O Livro das Maravilhas um pouco a respeito da Ordem dos Assassinos. No livro, Polo falara de um líder que se autoproclamava Cheike el Djebel ("O Velho da Montanha"), título que Hassan teria adotado e que seus sucessores também teriam adotado. Porém, Marco falara que o líder que vivia em Alamut chamava-se Aladino, logo, não sabemos se ele referia-se a Hassan ou algum de seus sucessores, pois Aladino talvez fosse um apelido ou epíteto. 

Hassan começou a reunir um grupo de homens, oriundos das classes mais baixas: órfãos, ladrões, assassinos, camponeses, foragidos, criminosos, etc., qualquer homem com aptidão para lutar e disposto a se dedicar de corpo e alma ao credo da Ordem. Marco Polo em seu relato nos fala que o Velho da Montanha apresentava em seu palácio uma "jardim de delícias", com muita comida, bebida, mulheres e luxo, alegando que aquilo era um pequeno vislumbre que eles teriam no Paraíso. 

Se eles servissem com dedicação a Ordem, quando morressem seriam levados diretamente ao Paraíso, pois Alá lhes perdoaria os pecados. Embora não tenhamos garantias acerca do relato de Marco Polo, tal ideia não é fantasiosa, pois se pegarmos o discurso dos cruzados, veremos que havia algo de similar entre os dois discursos, pois no caso dos cruzados, a Igreja prometia que todo aquele que servisse nas Cruzadas, seria perdoado de todos seus pecados, ficando livre de ir para o Inferno. 

Hassan decidido a combater todos aqueles que se opunham a ele, assim como combater a ameaça dos fatímidas, dos abássidas e dos muçulmanos sunitas (vertente oposta ao xiismo), começou a enviar seus Assassinos para vários locais, atuando pela Pérsia, Iraque, Síria, Arábia, Egito, etc. Não temos detalhes de informações sobre a atuação da Ordem, há relatos vagos de ataques a príncipes, vizires, imãs, senhores, ricos comerciantes, políticos, etc., mas sabe-se que diferente do que se ver na série de jogos, os Assassinos não andavam vestidos com uma túnica branca, a mesma era usada apenas enquanto estavam em Alamut, pois tal traje chamava muito a atenção, logo, os Assassinos preferiam se disfarçar, de forma a se esconder em meio a multidão. 

Por mais de um século os Assassinos agiram pelo Oriente Médio, ceifando vidas com suas adagas (o uso da lâmina oculta "hidden blade" é uma invenção do jogo), espadas, flechas, venenos e outras técnicas de assassinato. Os Assassinos agiam pelo interesse do Mentor da Ordem, seja por motivos políticos, econômicos, religiosos, sociais ou pessoais de seu senhor. 

Um fato a se mencionar, diz respeito a origem da palavra assassino. Existe duas principais hipóteses: a mais difundida foi que a palavra assassino viria de haxixe (também conhecido como maconha), o qual tais homens fumavam esta erva alucinógena que os fariam "enxergar o Paraíso", daí serem chamado de haschichiyun ("fumadores de haxixe"). 

Porém, os historiadores contestam essa hipótese apontando que a palavra assassino viria da palavra asasiyun, que significaria "fiéis aos fundamentos". Neste caso aos fundamentos da seita difundida por Hassan. Nota-se que ambas as palavras são bem parecidas na pronúncia, algo que teria confundido os europeus em seus relatos, pois o uso do termo haschichiyun como origem de assassino, aparece em relatos europeus e não nos relatos árabes. 

A Ordem chegou a possuir várias fortalezas inclusive na Síria, local onde se inicia a história do jogo. Contudo, no ano de 1256, Hulagu Khan (1217-1265) um dos netos de Genghis Khan, levou seu exército sobre a Pérsia, Iraque e outras terras vizinhas, subjugando a Ordem dos Assassinos com a destruição de Alamut. Com a destruição da sede, a ordem começou a se desestruturar e chegou ao fim. Na história dos jogos, a Ordem não teve fim em 1256, mas ainda continua atuando nos dias contemporâneos. 

Introdução:

A história do jogo inicia-se no ano de 2012, com o Assassino americano Desmond Miles (1987-2012), o qual estava algum tempo foragido da Ordem. Desmond nasceu em uma comunidade de Assassinos chamada A Fazenda (The Farm), localizada em Black Hills em Dakota do Sul. Sua mãe morreu ainda cedo, e Desmond ficou sob os cuidados de seu pai, William Miles o qual lhe impusera um árduo treinamento que acabou levando Desmond a tentar fugir e assim o fizera. Anos depois, ele foi encontrado trabalhando como um bartender no bar L'Horizon em Paris, onde a poderosa multinacional Abstergo Industries o sequestrou. A Abstergo possui vários laboratórios, empresas, e outros investimentos principalmente nas áreas de tecnologia e biotecnologia. Assim, sua maior criação foi o sistema chamado Animus



Basicamente o Animus consiste numa tecnologia que consegue projetar ao usuário a oportunidade de vivenciar a memória de seus ancestrais através da realidade virtual, sendo esta memória acessada através do DNA, o qual de alguma forma preserva as lembranças através da linhagem sanguínea.   

É revelado posteriormente que a Abstergo está sob o controle da Ordem dos Templários, a mesma ordem criada na Idade Média, que diferente do que se pensava não foi extinta no século XIV, mas passou a agir nas sombras, mantendo seus objetivos de dominação mundial. Em um dos laboratórios da Abstergo, Desmond conhece o cientista Warren Widic (?-2012) e sua bela assistente Lucy Stillman (1988-2012), a qual cuida da operação do Animus

Desmond, Lucy e Widic durante uma sessão do Animus
Sem saber das reais intenções de Widic, Desmond acaba caindo na sua conversa em se ajudá-los a procurar um antigo artefato chamado de Maçã do Éden, um dos Pedaços do Éden. Para descobrir a localização de tal artefato, ele teria que reviver as memórias de seu antepassado por linhagem paterna, um Assassino sírio chamado Altaïr ibn La-Ahad (1163-1257), filho de Umar e de Maud

Assassin's Creed (1191)

Retornando as memórias de Altaïr, Desmond retorna para a Idade Média, no ano de 1191 na Terra Santa, em meio ao período da Terceira Cruzada. Altaïr era um dos melhores Assassinos da Ordem na Síria, contudo seu renome o levou a soberba. Após falhar em uma missão em reaver um artefato, Rashid ad-Din Sinan (?-1191) chamado de Al Mualim (O Mentor), designou que Altaïr reaver-se o artefato e procura-se por nove alvos, além de investigar as ações dos Templários pela Terra Santa, os quais procuravam pela Maçã do Éden. A fim de recuperar sua honra perante seu mentor e a ordem, ele aceita a missão e parte numa caçada aos alvos, viajando desde a fortaleza de Masyaf, à cidade portuária de Acre, a Sagrada Cidade de Jerusalém e a capital da Síria, Damasco. Na história entre as personagens históricas retratadas estão o rei da Inglaterra, Ricardo, Coração de Leão e o sultão Saladino

Altaïr Ibn La-Ahad
Contexto histórico:
Primeira Cruzada

As Cruzadas se iniciaram no ano de 1096 por decreto do papa Urbino II, sobre as alegações de combater os infiéis (assim como se referiam aos muçulmanos), de se retomar a cidade de Jerusalém e a Terra Santa as quais estavam em posse dos judeus e dos muçulmanos, impedir que os árabes avançassem pela Europa, e que mais pessoas fossem convertidas ao Islamismo. O papa recorreu a ajuda de vários nobres e senhores feudais da Europa, para que unidos partissem em marcha por este nobre ideal. 

Em meio a tais alegações, a Igreja prometia a aqueles que lutassem na Cruzada o perdão por todos os seus pecados, e a garantia de salvação, já que os mesmos estariam lutando em nome de Deus. A Primeira Cruzada durou de 1096-1099, sendo considerada uma das mais bem sucedidas ou a mais bem sucedida, já que as demais fracassaram em muitos pontos. Além destes motivos sugeridos, as Cruzadas também se constituíram sobre interesses econômicos, políticos, sociais e até pessoais. A conversão de novos cristãos e a conquista do Império Bizantino e outros territórios sob o domínio dos árabes também fora cogitado ao longo das oito Cruzadas empreendidas entre os séculos XI ao XIII. 

A Primeira Cruzada ou Cruzada dos Barões fora comandada pelos nobres Adhemar de Monteil, Hugo de Vermandois, Godofredo de Bouillon, Boemundo da Sicilia, Roberto II e Raimond de Saint-Gilles. Os cruzados passaram por Constantinopla em 1096, libertaram algumas cidades que estavam sob o domínio árabe na Ásia Menor (atualmente Turquia) e adentraram a Terra Santa, realizando batalhas entre 1098 e 1099, sendo que em 1099 Godofredo de Bouillon conseguira libertar a cidade de Jerusalém. 


Ordem dos Hospitalários

Fora durante a Primeira Cruzada que fora criada a Ordem de Malta ou Ordem dos Hospitalários (oficialmente Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta) incumbida de proteger e ajudar os cristãos e as forças dos cruzados pela Terra Santa e posteriormente em outros lugares. O nome hospitalário deu origem a palavra hospital, sendo associado como um lugar onde se tratavam os feridos das batalhas. No jogo a personagem de Garnier de Naplouse (?-1192) é retratada, sendo que na época de fato Garnier fora grão-mestre da ordem entre os anos de 1190 e 1192. Garnier é um dos nove alvos de Altaïr.


Bandeira da Ordem de Malta ou Ordem dos Hospitalários.

Ordem dos Templários

Após a Primeira Cruzada, fora criada em 1118 a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, conhecida também como Ordem do Templo ou mais comumente como Ordem dos Templários. Originalmente a ordem tinha como obrigação, proteger e garantir a segurança dos cristãos que realizavam peregrinações à Jerusalém após 1099, quando os cruzados a reconquistaram dos muçulmanos, e também garantir a ordem e a paz na cidade e suas redondezas. Posteriormente os templários voltaram para a Europa e se espalharam por vários reinos, em seu retorno, voltaram ricos, devido as saques e pilhagens feitos, indo em contradição com a tendência de serem "pobres cavaleiros". A ordem oficialmente durou por quase duzentos anos, sendo extinguida oficialmente no ano de 1312. No século XIV os templários não eram apenas um grupo rico, mas com muita influência politica, religiosa e social, isso atiçou a inveja de alguns como fora o caso do rei de França, Filipe IV, o Belo

Posteriormente o papa Clemente V (1305-1314) acusou os templários pelos crimes de heresia, usura, sodomia, adoração ao Diabo, etc. Assim numa sexta-feira 13 de 1307, os cavaleiros templários começaram a serem perseguidos, presos e assassinados. Na série Assassin's Creed, diz que os templários não foram totalmente extintos, alguns de seus membros fugiram e se esconderam, se ocultando da História, agindo pelas sombras. No jogo o grão-mestre da Ordem dos Templários era Robert de Sablé IV (?-1191), o qual de fato foi grão-mestre, tendo sido eleito em 1190. Robert é um dos nove alvos de Altaïr. 


Cruz da Ordem dos Templários. Nesse caso, tal cruz também é o símbolo de São Jorge da Capadócia, de onde os templários tiraram inspiração. 


Segunda Cruzada

A Segunda Cruzada (1147-1149) se dera principalmente em resposta ao fato de que os árabes haviam atacado e conquistado a cidade de Edessa em 1144. São Bernardo persuadiu o papa Eugênio III a decretar uma nova cruzada, e assim este o fizera. A Segunda Cruzada contou com a liderança do rei francês Luís VII e o imperador Conrado III do Sacro Império Romano-Germânico. A Cruzada conseguiu chegar até a Ásia Menor e a Terra Santa, mas acabou fracassando. Damasco não fora conquistada e Edessa o objetivo inicial nem ao menos fora tentado. Os cruzados abandonaram a batalha antes de tentarem reconquistar Edessa. 


Terceira Cruzada


Saladino
Anos depois em 1189 fora decretada pelo papa Gregório VIII a Terceira Cruzada (1189-1192), o motivo principal fora o fato de que em 1187, até então Jerusalém ainda se encontrava sob o domínio da Igreja e dos cristãos, mas neste ano o influente e poderoso sultão do Egito e da SíriaSaladino (1138-1193), derrotou as forças cristãs de Jerusalém e a reconquistou para o domínio muçulmano. Saladino há quase vinte anos vinha travando batalhas contra os Estados Latinos no Oriente Médio, tais estados haviam sido fundados durante a Primeira Cruzada, porém Saladino não aceitava que os cruzados continuassem massacrando os muçulmanos, usurpando suas terras e riquezas. Assim ele empreendeu uma série de confrontos contra os cruzados, algo que ficou conhecido como Jihad (Guerra Santa). Em resposta aos ataques dos exércitos de Saladino e a tomada de Jerusalém, fora decretada a Terceira Cruzada a qual também ficou conhecida como a Cruzada dos Reis, devido ao fato de que os três mais poderosos reis da Europa na época decidiram seguir para a Terra Santa e confrontar Saladino. Assim, seguiram, o rei da Inglaterra Ricardo, Coração de Leão (1157-1199), o rei de França Filipe Augusto (1165-1223) e o imperador germânico Frederico Barbarossa (1122-1190). 

"O papado teve parte secundária nessa expedição; estava em uma de suas fases de fraqueza; e a cruzada foi mais principesca, cavalheiresca e romântica de todas. As acrimônias e asperezas religiosas eram mitigadas pela galanteria cavalheiresca que por igual dominava tanto Saladino quanto Ricardo (Coração de Leão). O apaixonado do pitoresco e do romântico pode ir buscar nos romances desse período o perfume da época. A Cruzada salvou o principado de Antioquia por algum tempo, mas não conseguiu retomar Jerusalém. Os cristãos se conservaram-se, entretanto, senhores da costa Palestina". (WELLS, 1960, p. 78). 


Ricardo, Coração de Leão
Frederico Barbarossa com seu exército conseguiu vencer algumas batalhas na Ásia Menor, mas enquanto estava a caminho de Jerusalém, o mesmo tinha a pretensão de chegar antes dos outros reis e libertar a cidade, mas em 1190 acabou morrendo afogado enquanto atravessava um rio na Cilícia (hoje compreende o território da Turquia). Em 1191 Ricardo e Filipe conseguiram depois de várias tentativas frustradas conquistar a cidade de Acre, mas desentediamentos entre os dois reis, somados a problemas de saúde e problemas na França, levaram Filipe a abandonar a cruzada e retornar para o seu reino. Devido a uma doença que contraíra, Filipe ficou cego de um dos olhos. Assim, Ricardo fora o único que restara e continuou a combater os exércitos de Saladino, até que após vários embates e derrotas para ambos os lados, mas principalmente para os cruzados, em 1192, Ricardo assinou uma trégua com Saladino, o mesmo aceitou e a cruzada fora encerrada. Na trégua, Saladino permitiu que os cristãos tivessem acesso aos locais sagrados em Jerusalém e outros locais da Terra Santa e que mantivessem alguns de seus domínios na região. Ricardo continuou a tentar realizar outras conquistas pela costa do Mediterrâneo em alguma de suas ilhas, mas acabou morrendo em uma batalha no sul da França em 1199 enquanto retornava para a Inglaterra. 


Ordem Teutônica

Em 1191 fora fundada a Ordem dos cavaleiros teutônicos de Santa Maria de Jerusalém, Ordem Teutônica ou Cavaleiros Teutônicos. A ordem fora criada ainda durante a Terceira Cruzada na cidade de Jerusalém, porém apenas em 1198 fora oficialmente reconhecida pelo papado. Em 1809, o imperador Napoleão I tentou extingui-la mas a mesma conseguiu sobreviver e ainda hoje existe, mas não como ordem militar. Os cavaleiros teutônicos usavam vestes brancas e uma cruz preta, e assim como os templários possuíam funções de defesa, administração e ataque. Muitos dos membros eram nobres e quando a mesma transferiu sua sede para a Europa, novos membros advindos da nobreza de outros países como a Áustria, Prússia e Rússia se associaram a ordem. No jogo, o cavaleiro Sibrand é o grão-mestre da ordem. De fato Sibrand fora grão-mestre entre os anos de 1190 e 1192, sendo também um dos nove alvos de Altaïr. 

Cruz da Ordem Teutônica
Quarta Cruzada

A Quarta Cruzada viria a ser travada dez anos depois, durando de 1202 a 1204, sob a prerrogativa inicial de conquistar o Egito e de lá partir-se para retomar Jerusalém e a Terra Santa, mas acabou mudando de objetivo, e em 1204, Constantinopla fora conquistada e o Império Bizantino quase chegou ao seu fim. Esta fora a última grande vitória dos cruzados. A Quinta (1217-1221), Sexta (1228-1229), Sétima (1248-1250) e Oitava (1270-1272) cruzadas foram decepcionantes e totais fiascos. 

Assassin's Creed II (1476-1499)

Dando continuidade a sua missão, Desmond no final do primeiro jogo descobriu alguns segredos a respeito da Abstergo Industries, da Maçã do Éden, do Clã dos Assassinos, da missão dos Templários, entre outros. Agora nesta continuação Desmond Miles, está sendo perseguido pela Abstergo por ter descoberto muita coisa. Desmond acaba sendo ajudado por Lucy a qual com o apoio de Rebecca Crane e Shaun Hastings, integrantes da Ordem dos Assassinos, conseguem retirar Desmond e Lucy do prédio da Abstergo.


Shaun Hastings e Rebecca Crane.
Continuando sua missão a procura da localização dos Pedaços do Éden, Desmond acaba sabendo que a Maçã do Éden estaria escondida em algum lugar na Itália, levada por um descendente de Altaïr. Assim, Desmond volta a viver as memórias de um antepassado da Itália renascentista, Ezio Auditore de Florença (1459-1524), em italiano, Ezio Auditore da Firenze.


Retrato de Ezio Auditore de Florença, século XV.
Diferente de Altaïr o qual já era um Mestre Assassino, Ezio era apenas um adolescente de 17 anos, o qual arranjava confusão nas ruas e era filho de uma rica e influente família florentina. Ele era filho do banqueiro Giovanni Auditore (1436-1476) e de Maria Auditore (1432-1504); era o segundo filho de quatro irmãos, sendo o mais velho Federico (1456-1476) e o mais novo Petruccio (1463-1476). Além deles, ele possuía uma irmã, três anos mais nova, chamada Claudia (1461-?).  



O pai e os irmãos de Ezio acabaram sendo vítimas de uma conspiração que os delatara como supostos traidores do Estado, os levando a serem enforcados. Ezio, sua mãe e irmã conseguiram escapar e posteriormente foram se abrigar na Villa Auditore em Monterriggioni, local chefiado pelo seu tio, Mario (1434-1500). Enquanto residia sobre a proteção de seu tio, Ezio ficou sabendo acerca da Ordem dos Assassinos, da sua longa luta contra os Templários desde a Idade Média; do legado de Altaïr o qual através de um Codex escondeu ensinamentos da Ordem. Ezio passa a ser guiado e instruído pelo seu tio, e decidi procurar as páginas deste Codex, assim como descobrir os responsáveis pela morte de seu pai e irmãos, como também tentar descobrir o planos dos Templários, os quais procuravam pela Maçã do Éden. 

O jogo se desenvolve ao longo de 1476 a 1499, passando pela República Florentina (Reppublica Fiorentina), a Sereníssima República de Veneza (Serenissima Reppublica de Venezia), a Toscana, a estrada pelos Montes Alpinos, Forlí na Romagna, a Vila Auditore em Monteriggioni, na Toscana, residência de seu tio Mario Auditore e na cidade eterna de Roma


Comuna de Monteriggioni, Toscana, Itália. No jogo a comuna tornou-se o lar de Ezio após sua saída de Florença. 
O jogo também trata de muitos aspectos tanto da arquitetura da renascença como das obras de arte, além de algumas curiosidades históricas sobre estes lugares, sobre os monumentos e as personagens históricas retratadas, sendo algumas destas, Leonardo da Vinci (no jogo, amigo de Ezio e de sua família), Nicolau Maquiavel, Caterina Sforza, Lourenço de Médici, Rodrigo Borgia, Jerônimo Savonarola entre outros. 

Contexto histórico:

Entre 1476 e 1499 muita coisa aconteceu pela Itália, então falar dos acontecimentos que ocorreram entre este período implicaria em um extenso texto, porém farei aqui um apanhado geral com base no jogo, fazendo menção a alguns acontecimentos históricos mencionados na trama. Nessa época, a Itália vivenciava o Renascimento, logo artistas de toda a parte da península (a Itália não era um país, mas sim um conjunto de cidades-Estados) viajavam para os centros artísticos e culturais a fim de estudarem artes e "ciências". Nesse caso as cidades como Florença, Veneza, Milão, Siena e Roma, eram um destes centros. Esse fora o caso de Leonardo da Vinci (1452-1519), saído da pequena cidade de Vinci, fora estudar arte em Florença com o mestre Andrea del Verrocchio. No jogo, Leonardo já possui seu próprio ateliê e trabalha tanto como pintor e inventor, de fato sua utilidade para Ezio se dará mais por conta de sua inteligência e curiosidade por equipamentos e máquinas. 

Em contra partida, para quem não possuía vocação para as artes, poderia se tornar comerciante, banqueiro ou político, já que o comércio floresceu muito neste tempo, logo, cidades como Florença, Veneza e Gênova era importantes centros comerciais, políticos e culturais. Tal fato era bem visível em Florença, onde a Família Médici, uma família de ricos banqueiros controlava a cidade.


A Conspiração dos Pazzi (1478)

Os Pazzi eram uma importante família de banqueiros de Florença, os quais planejaram um golpe de Estado para retirar a família Médici do poder. em 26 de abril de 1478, durante a missa dominical, Lourenço de Médici (1449-1492) acompanhado de sua esposa, filhos e de seu irmão Juliano de Médici (1453-1478), e alguns amigos seguiram para a Catedral de Santa Maria del Fiore, a principal da cidade, os Pazzi atacaram. Juliano acabou sendo assassinado, mas Lourenço, sua esposa e filhos conseguiram escapar. Rapidamente a guarda subjugou os traidores, e não tardou para que a tentativa de assassinato se espalhasse pela cidade, e os Pazzi começassem a ser perseguidos. Os que não morreram na ocasião, tiveram que deixar Florença para evitar lixamento da turba enfurecida que era a favor do governo dos Médici. Além dos Pazzi, os Salviati (família de banqueiros que representavam os negócios papais em Florença) e provavelmente o papa Sisto IV estiveram envolvidos em tal trama, pois o papa não gostava da política de Lourenço, o qual não era totalmente condicente com a política papal imposta por Sisto IV. No jogo, Ezio ajuda a proteger Lourenço da perseguição 

Lourenço além de ser banqueiro era o chefe de Estado da República Florentina, além de ter sido um dos mais importantes mecenas da renascença tendo patrocinados artistas como Leonardo, Michelangelo e Botticceli. Seu gosto pela poesia e as artes, favoreceram a difusão artística em Florença, embora Lourenço fosse um homem esbanjador, e quase arruinou a fortuna da família e seu banco. 

O ataque a Forlí (1488)

Caterina Sforza
A cidade de Forlí na Romagna era governada pelo duque Girolamo Riario (1443-1488) sobrinho do papa Sisto IV, o qual também teria contribuído na Conspiração dos Pazzi. Riario era casado com Caterina Sforza (1462-1509) mulher de temperamento audacioso, a qual lhe dera vários filhos. Em 1484, Girolamo e Catarina atacaram o Castelo de Santo Ângelo em Roma, a fim de obrigar o Colégio de Cardeais a elegerem um membro da família Sforza para o papado, pois seu tio, Sisto IV havia falecido naquele ano. Mas a tentativa fracassou, e isso sujou o nome do casal. Quatro anos depois em Forlí, Girolamo foi assassinado pelos irmãos Orsi, Checco e Ludovico, além de alguns de seus filhos terem sido sequestrados. Catarina e outros de seus filhos conseguiram escapar, e posteriormente os Orsi foram encontrados e mortos. Catarina passou a assumir o controle de Ímola e Forlí como condessa, decidida a garantir o futuro da sua linhagem, pois seus filhos ainda eram crianças. No jogo, Ezio segue em companhia Maquiavel para Forlí, a fim de ajudar Catarina a resgatar seus filhos, derrotar os Orsi e recuperar o controle da cidade. Maquiavel na série é um membro da Ordem dos Assassinos, embora que na realidade ele não chegou a participar desse incidente. Ezio acabou desenvolvendo uma paixão secreta por Catarina.


A censura religiosa de Savonarola (1494-1498)


Girolamo Savonarola
Girolamo Savonarola (1452-1498) foi um monge e padre dominicano, bastante intelectual, mas que acabou se tornando cego para a fé. Savonarola acabou desenvolvendo a ideia de a sociedade italiana de sua época estava corrompida pelo paganismo retratado nas artes, que os valores cristãos estavam se desvirtuando, que o humanismo afastava os homens de Deus. Em 1481 ele foi enviado para Florença a fim de realizar pregação, acabou entrando em conflito algumas vezes com Lourenço de Médici o qual não era a favor do conservadorismo de Savonarola. Ele acabou indo embora da cidade, e anos depois retornou em 1489. Em 1490, os sermões do Irmão Savonarola como era conhecido, atraiam multidões para a Igreja de São Marcos, ele passou a ler muito o Apocalipse, alegando que o "Juízo Final" estavam próximo, pois a depravação da sociedade era sinal desse tempo. 

Savonarola passou a atacar o governo de Lourenço, acusando sua ostentação, seu apego ao materialismo, aos prazeres mundanos, a imoralidade nas artes que deturpava os valores cristãos. Passou a atacar os religiosos que não seguiam seus votos, a criticar o pontificado de Alexandre VI (Rodrigo Bórgia), dizendo que o Vaticano havia sido corrompido pela nefasta influência do papa espanhol, que os cardeais eram hipócritas e depravados. Alegou que a invasão do rei francês Carlos VIII, era um sinal enviado por Deus para castigar o povo pecador de Florença e da Itália. Carlos VIII estava interessado em tomar o Reino de Nápoles, mas acabou falhando e retornou doente de sífilis para a França. 

Com a morte de Lourenço em 1492, seu filho Piero de Médici não conseguiu se manter no poder e acabou tendo que deixar a cidade para não ser morto pela oposição. Em 1494 Savonarola aproveitou a derrocada dos Médici e a fragilidade do governo florentino para impor uma censura religiosa. Embora o Vaticano tenha retirado dele de realizar sermões, Savonarola desobedeceu as ordens do papa, e continuou a pregar. Por quatro anos, suas ideias conservadoras e exaltadas influenciaram parte da população florentina, levando até mesmo a se queimar livros e pinturas, a se perseguir hereges, a se confiscar objetos de luxo, etc. 

Em suas pregações nesta época, ele começou a dizer que era um emissário direto de Deus, que o Senhor havia falado com ele, e que o fim dos dias estava próximo, e o povo de Florença deveria se redimir de seus pecados para serem perdoados no Juízo Final. Savonarola acabou sendo preso em 1498, foi torturado e queimado na fogueira como um herege. No jogo, Ezio e Maquiavel atuam para combater a "loucura" do monge, além do fato, que na trama do jogo, o monge roubara a Maçã do Éden que estava de posse de Ezio. 


Assassin's Creed: Brotherhood (1499-1507)

Dando continuação a missão de Ezio, em Assassin's Creed: Brotherhood, Ezio partira para o coração da Itália, Roma, lá ele, confrontara o papa Alexandre VI (Rodrigo Bórgia), o qual havia se revelado como Grão-mestre da Ordem dos Templários e o responsável por todas as conspirações vistas no jogo anterior. Tendo falhando em reaver a Maçã que estava com Rodrigo, Ezio acaba tendo que adiar seu confronto com o papa, e é ajudado pelo seu tio a deixar Roma. 

Posteriormente na Villa Auditore, essa é atacada pelo exército de Cesare Bórgia (1475-1507) filho do papa. Além de Cesare, sua irmã, Lucrécia Bórgia (1480-1519) comparece ao cerco. Ezio, sua mãe, sua irmã, Catarina Sforza e parte da população da vila conseguem fugir, mas Mario Auditore acabando sendo morto. Depois do ataque a Monterrioggini, Ezio decide retornar a Roma e confrontar os Bórgia, mas descobre que a outrora gloriosa capital do Império Romano estava em decadência. Para poder confrontar os Bórgia, Ezio precisara da ajuda de velhos e novos amigos, reunindo o apoio de ladrões, mercenários, milicianos, prostitutas, etc., formando uma Irmandade de Assassinos em Roma. 

Ezio Auditore (centro) e a Irmandade dos Assassinos de Roma.
Basicamente o jogo se desenrola em Roma, porém ele também se desenrola na Vila Auditore em Monteriggione, e em algumas missões e lembranças, Ezio viaja para Florença, Veneza, Nápoles, Nera, Navarra, etc. Além de mudanças gráficas e nos movimentos, outras novidades foram a introdução de novas invenções de Leonardo da Vinci, a possibilidade de se recrutar homens e mulheres para entrarem para a Irmandade, além do fato de designar missões para seus aprendizes a fim de torná-los Assassinos. O jogo também permite administrar o esconderijo e alguns negócios em Roma, já que devido a destruição da Vila Auditore a qual era administrada no jogo anterior, o esconderijo em Roma a substituiu.

Contexto histórico: 


Papa Alexandre VI
Em 1492 o espanhol Rodrigo Bórgia (1431-1503) havia sido eleito papa, assumindo como o papa Alexandre VI. A Família Bórgia, já havia eleito um papa anteriormente, Afonso Bórgia (1378-1458) fora o papa Calisto III (1455-1458). Assim, o cardeal Rodrigo dispunha deste seu legado, e a forte influência que sua família havia conquistado na Itália especialmente em Roma. Mesmo sendo um homem da Igreja, Rodrigo havia se casado, tivera algumas amantes e quatro filhos. O fato de um papa possuir esposa e filhos não era novidade na época, embora os dogmas da Igreja defendessem o voto de celibato a todos os religiosos. O pontificado de Alexandre VI fora marcado por alguns escândalos, dentre os quais o fato de que o papa se valeu de seu titulo a fim de conseguir altos cargos para vários membros de sua família, inclusive seu filho César (Cesare em italiano), o qual se tornou cardeal aos 17 anos. Além de ser acusado de nepotismo  ele também fora acusado de corrupção e outros crimes. Posteriormente ao lado do filho César passou a cooperar e dá apoio ao filho em suas campanhas de conquista na Itália, César abandonou o cargo de cardeal (fora o primeiro cardeal a fazer isso) e se dedicou ao exército e a politica, era tido como um homem inescrupuloso, ambicioso e violento. Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel chegaram a trabalhar por alguns meses para Cesare.


Cesare Bórgia 
A ambição de Cesare era tão grande que ele chegou a planejar a morte de seu irmão Juan Bórgia, e assim assumiu o seu lugar no comando das forças do papado. Posteriormente, Alexandre VI o nomeou capitão-general dos exércitos dos Estados Papais. Cesare, também chegou a se casar com a princesa Charlotte d'Albret (1480-1514), com quem tivera uma única filha, chamada Louise. Charlotte, era irmã do rei da França, Luís XII, assim, Cesare através desse casamento firmou uma aliança com os franceses. Tornou-se duque de Valência na Espanha, além de ter recebido outros títulos nobiliárquicos. Não obstante, Cesare também contraiu na época a chamada "nova doença" ou morbus gallus (doença francesa), posteriormente chamada de sífilis. Muitos homens e mulheres foram contagiados pela "nova doença" que se espalhou entre os soldados franceses do Reino de Nápoles, daí chamá-la de "doença francesa". 


Lucrécia Bórgia
Se por um lado Cesare comandava suas próprias ações e ambições, ao ponto de se unir aos franceses e depois aos espanhóis para conseguir o que queria, Lucrécia, por muito tempo fora manipulada pelo seu pai, ela chegou a se casar três vezes, sendo que dois casamentos foram por interesses políticos, propostos pelo seu pai. Embora tenha possuído três maridos, Lucrécia tivera casos com vários amantes, era tida como uma mulher esnobe, impetuosa e arrogante. Alguns historiadores da época suscitaram que ela teria um caso com César. De qualquer forma, Lucrécia acabou morrendo em 1519 após o parto de seu oitavo filho. Os Bórgia tiveram uma profunda participação e importância para a história italiana de 1492 a 1507, período este que Maquiavel agia como diplomata tentando evitar novos conflitos para Florença, e ao mesmo tempo recrutando homens para o exército florentino e tomando importantes decisões para a guerra. Leonardo da Vinci até então era protegido dos Sforza em Milão, mas quando o ducado fora invadido e conquistado pelos franceses, Leonardo passou a viver em outras cidades, até retornar para Florença. As Guerras Itálicas assim como se chamou este período que durou vários anos, fora marcado por constantes batalhas, invasões, traições, conspirações, assassinatos. Maquiavel escreveu muitos de seus livros tendo como base este cenário, o próprio Príncipe é uma resposta as ações destes líderes.  

Sobre o assunto veja também: 
César Bórgia: o homem que inspirou o Príncipe de Maquiavel
A Itália de Maquiavel

Assassin's Creed: Revelations

A história do jogo se passa em duas linhas temporais, o período de Ezio e o de Altaïr, então para isso dividirei as explicações acerca do jogo e dos fatos históricos baseado nestas duas temporalidades.

Época de Ezio (1511-1512)

Desde a derrota dos Bórgia, o Mentor Ezio Auditore ainda continuou ligado a Ordem dos Assassinos treinando outros homens e mulheres a seguirem o Credo. No entanto em 1510 ele decidiu realizar uma viagem de auto-descobrimento, a fim de procurar respostas sobre seu antepassado Altaïr e respostas para outras perguntas próprias. Assim, Ezio no ano de 1511 chegou a fortaleza de Masyaf, lá ele foi capturado pelas tropas do capitão templário Leandros, no entanto, Ezio descobrira algo importante.


Os Templários investigavam uma maneira de abrir a Biblioteca de Altaïr, mas essa era trancada por cinco chaves. Em suas investigações iniciais, Ezio descobre que as chaves foram levadas pelos irmãos Polo para Constantinopla, assim ele decidi ir para Constantinopla o coração do Império Otomano.

Em Constantinopla, Ezio passa a ser ajudado pelos Assassinos da cidade, cujo líder é Yusuf Tazim (c. 1467-1512), além de contar com a ajuda do jovem príncipe Solimão, do velho navegante Piri Reis e da bela e intelectual Sofia Sartor, além de contar com a ajuda de mercenários, ladrões e das ciganas. Em suma, a história do jogo se desenrola em Constantinopla, onde Ezio parte na busca de encontrar as cinco chaves, além de tentar impedir um complô entre alguns otomanos e remanescentes do Império Bizantino, os bizantinos ligados aos Templários, os quais planejam conquistar a região. 


Ezio e Yusuf Tazim
Como o título sugere, nesse jogo que conta o final da saga iniciada por Ezio Auditore em Florença em 1476, a história promete trazer revelações muito importantes acerca do passado de Altaïr e do futuro de Desmond. Mas se ao mesmo tempo alguns mistérios são revelados, outros acabam surgindo, após Ezio adentrar a Biblioteca de Altaïr. 

Outro fato novo nesse jogo é que diferente dos dois jogos anteriores onde o jogador podia comprar obras de artes de famosos artistas da renascença italiana, em Revelations, a arte ainda continua, mas não na forma de imagens, mas sim em palavras. O jogador pode através de livrarias comprar livros de famosos autores desde a Antiguidade até a era moderna. São obras de escritores, poetas, historiadores, filósofos, viajantes, geógrafos, etc. 

Uma das novidades para o jogo, é o uso da lâmina bico de águia, uma adaptação da lâmina oculta desenvolvida pelos Assassinos turcos, o qual além de permitir novos movimentos de ataque, permite que Ezio utilize as tirolesas para se locomover pela cidade, pois diferente dos jogos anteriores onde se podia cavalgar, neste jogo, não se pode cavalgar. Além dessa lâmina, Ezio também pode usar o para-quedas inventado por Leonardo, algo já visto no jogo anterior. Contudo, outra grande novidade em quesito de equipamentos é o uso e confecção de diferentes tipos de bombas. Se nos jogos anteriores usava-se singelas bombas de fumaça, neste jogo, Piri Reis ensina como confeccionar diferentes tipos de bombas: bombas de fumaça, mal cheiro, explosiva, venenosa, espinhos, moedas falsas, etc.

Ezio diante do capitão templário, Leandros.
Época de Altaïr (1189-1257)

As histórias de Altaïr consistem em flashbacks em dados momentos de sua vida, revelando o que aconteceu após o final do primeiro jogo e as escolhas e fatos que ocorreram com Altaïr até o fim de sua vida. Toda vez que Ezio consegue uma das chaves, ele libera uma memória de Altaïr. 

Altaïr e sua esposa Maria.
No jogo é revelado que Altaïr se casou com uma inglesa chamada Maria e com ela tivera dois filhos Darim e Sef;  e por outro lado mostra os problemas que ele teve que enfrentar a partir de sua rixa com outro assassino, chamado Abbas Sofian (1166-1247) antigo amigo de Altaïr que se tornou seu inimigo, após Altaïr dizer que o pai de Abbas cometera suicídio, mas Abbas nunca aceitou acreditar naquilo, e passou a nutrir um forte ódio e inveja por Altaïr, pois esse se tornara o Mentor. Em suma, os flashbacks dão um desfecho a vida de Altaïr, mas abrem para alguns mistérios deixados por ele no final de sua vida. Nesse caso, a história de Altaïr se passa totalmente em Masyaf.


Fortaleza de Masyaf, Síria. Na série consiste na sede da Ordem dos Assassinos do Levante.
Contexto histórico: 

Época de Ezio:
Os sultões

Sultão Bayezid II 
Em 1511 o Império Otomano era governado pelo sultão Bayezid II (1447-1512), filho de Mehmed II (1432-1481), o conquistador do Império Bizantino. Bayezid II sucedeu seu pai em 1481 tendo governado até 1512. Bayezid II empreendeu campanhas pelo leste europeu, tendo conseguido derrotar os moldávios, conquistando a Bósnia e a Croácia. No jogo, ele é apenas citado, e nesse caso, diz que o sultão estava em suas campanhas militares, enquanto seus dois filhos, Selim e Ahmet lutavam entre si para saber quem seria o herdeiro do trono, já que o pai deles estava doente e aparentava não viver muito mais tempo. Em 1512, o sultão Bayezid II com seus 65 anos, já enfermo ainda não havia escolhido o seu sucessor entre seus dois herdeiros, nesse caso, Selim (1466-1520) conseguiu conquistar o apoio dos janízaros, os quais ao mesmo tempo formavam a guarda real do sultão (eram seus soldados de elite) e detinham grande autoridade e influência política e social, já que os mesmos representavam uma hierarquia na sociedade otomana.

Selim tendo conquistado o prestígio dos janízaros conseguiu se eleger como próximo sultão independente da escolha que seu pai fizesse, embora que o mesmo tenha escolhido Selim como seu sucessor. Selim governou apenas oito anos, mas realizou um governo de guerras e massacres que lhe renderam a alcunha de o Terrível. Selim I como ficou conhecido manteve a paz com os cristãos, no entanto fora impiedoso com judeus e com os xiitas, tendo ordenado campanhas contra os xiitas que levaram a pelo menos 40 mil mortos. Assim como seu pai, ele também realizou campanhas de expansão do império, conseguindo conquistar a Pérsia (Irã), a Síria e o Egito entre 1516 e 1517. Posteriormente se tornou protetor das sagradas cidades de Meca e Medina.


Sultão Selim I, o Terrível.
Solimão, o Magnífico (1494-1566) como ficou conhecido no Ocidente, fora o sultão com o maior reinado da história do Império Otomano, tendo reinado por quarenta e seis anos. Solimão expandiu as fronteiras do império em direção a Europa, tendo conquistado Belgrado, a Ilha de Rodes e a Hungria, onde em 1526 entrou triunfalmente na capital do país. Em 1530 ele atacou Viena, mas fora derrotado, posteriormente  realizou campanhas contra os persas, além de enviar frotas que lutaram por todo o Mediterrâneo, chegando a confrontar os italianos, espanhóis, portugueses e ingleses. Assegurou a proteção e a ordem de seus domínios, empreendeu reformas na educação, na saúde, nas leis, na jurisprudência, no comércio, na economia, no exército, etc. Suas reformas lhe concederam a alcunha de o Legislador entre seus pares. No jogo, Solimão apresentado ainda jovem, não aparenta revelar ter sido um grande homem.

Sultão Solimão, o Magnífico.
Solimão depois de Mehmed II é considerado o maior e mais poderoso sultão otomano. Suas reformas garantiram a manutenção e a estabilidade do império por várias décadas. 
Piri Reis

Diferente de Solimão e Sofia os quais possuem uma maior participação e importância na trama do jogo, Piri Reis é um personagem secundário no enredo do jogo, embora tenha sido um importante cartógrafo na realidade, assim como é mencionado no jogo.


Piri Reis 
Hadji Muhammed Piri (1465-1554) ao longo de sua vida dedicou-se a Marinha Imperial Otomana, servindo em vários postos de comando, chegando a se tornar almirante (Reis), daí ser comumente conhecido no Ocidente como Piri Reis "Almirante Piri". No entanto seus maiores legados consistem em suas obras como geógrafo e cartógrafo. Piri Reis deixou vários trabalhos sobre geografia e cartografia, tendo escrito alguns dos mapas mais bem feitos e detalhados do século XVI e da História, dentre os quais mostram com eximia maestria as formas da Europa, da África e do litoral leste das Américas. Em 1513 ele lançou sua primeira versão do mapa-múndi e até o final de sua vida editou e complementou seu mapa-múndi e outros trabalhos. Seu livro mais importante é o Livro da Marinha (Kitab-i Bahriye) escrito entre 1521 a 1525. 


Mapa retratando a Europa, o Norte da África e a Ásia Menor tendo como foco o Mar Mediterrâneo. Piri Reis, 1515.

Sofia Sartor
Pouco se sabe sobre a história de Sofia Sartor, pelos relatos contidos em seu histórico no jogo, diz que ela nasceu em 1476 em Constantinopla sendo filha de venezianos, ainda cedo se mudou para Veneza onde viveu mais de vinte anos. Seu pai era um comerciante e um apreciador da Literatura, algo que Sofia herdou, e tal fato é explorado no jogo, já que a mesma ajuda Ezio a encontrar os livros escondidos por Nicolau Polo, onde alguns indicam a localização das chaves por ele escondidas.


Retrato de Sofia Sartor pintado por Albrecht Dürer em 1505.
Em 1505 com seus vinte e oito anos, seu pai contratou o famoso pintor Albrecht Dürer (1471-1528) um dos principais expoentes do renascimento na Alemanha para pintar um retrato de sua filha. Tal obra é a única imagem conhecida da mesma. Depois deste fato, alguns relatos apontam que Sofia teria passado a trabalhar em uma livraria do seu pai, após isso sua história é desconhecida.

Em Assassin's Creed Embers é revelado que Sofia se tornou a esposa de Ezio, com quem tivera dois filhos, Marcello e Flavia. A história de Embers se passa cerca de dez anos após os acontecimentos vistos em Revelations


Ezio e Sofia Sartor.
Época de Altaïr:


Os mongóis

Ao longo de algumas das memórias de Altaïr vividas por Ezio o mesmo fala sobre a ameaça dos mongóis vindos do leste asiático, um poderoso e sanguinário exército que destruía tudo pelo caminho. No jogo não há muita atenção aos mongóis, mas no século XIII, onde Altaïr faz seus relatos, ele diz que muitos Assassinos, inclusive ele próprio, foram para o Leste para combater os mongóis. Altaïr conta que ele, sua esposa e seu filho Darim passaram cerca de dez anos lutando contra os mongóis, na prerrogativa de assassinar Genghis Khan. 

Nessa época o Império Mongol ia do leste europeu à China, da Rússia à Pérsia, e até mesmo, os mongóis chegaram a invadir em campanhas mal sucedidas, o Japão, o norte do Vietnã, a Síria, Israel e o Império Bizantino. Iniciado em 1206 por Genghis Khan, o Império Mongol engoliria a Ásia e parte da Europa por quase um século. 

Os Polos

Em 1247, Altaïr confiou a Nicolau e Maffeo Polo a guarda das chaves que abriam sua biblioteca. Os dois irmãos se mudaram para Constantinopla onde abriram uma loja e esconderam as chaves pela cidade. No contexto histórico, Nicolau e Maffeo possuíam realmente negócios em Constantinopla e na Terra Santa, os dois entre a década de 1250 e 1270 do século XIII viajaram pela Ásia, chegando até a China e a corte do imperador mongol, Kublai Khan. Por volta de 1272, os dois irmãos voltaram a viajar para a Ásia, dessa vez levavam consigo o jovem Marco Polo, o qual tinha cerca de vinte anos na época.

Os Polos foram contratados pela Igreja a fim de levarem dois padres e algumas oferendas para a corte de Kublai Khan como forma de aproximar a Igreja do poderoso imperador mongol, senhor da Ásia. Os padres acabaram desistindo da viagem antes da metade do caminho, mas os Polos continuaram e chegaram a China, lá eles passaram a trabalhar para o imperador durante cerca de 16 anos, até que foram incumbidos de levar uma nova esposa para um dos sobrinhos de Kublai que governava na Pérsia. Inicialmente fora um dos irmãos de Kublai que pediu uma nova esposa, mas este acabou morrendo antes que os Polos chegassem. 

Durante sua prisão, Marco Polo relatou suas aventuras e seus serviços prestados ao imperador Kublai Khan para um escritor chamado Rusticiano de Pisa, o qual escreveu o livro sobre suas viagens, conhecido na época popularmente de Il Milione ou O Livro das Maravilhas: a descrição do mundo

Sobre o assunto veja também:
Os Mongóis

Assassin's Creed III (1753-1783)


Haytham E. Kenway
A história se inicia no ano de 1753, em Londres, onde Desmond revive as memórias de Haytham E. Kenway (1725-1781), filho de Edward J. Kenway e pai de Connor. Haytham segue até o Theatro Royal (atualmente o Covent Garden) para assistir The Beggar's Opera, uma ópera escrita por John Gay e bastante polêmica na época pelo seu teor político e social. Durante a ópera, Haytham encontra o seu mentor, Reginald Birch (1705-1757) que designa a missão para que Haytham encontre o alvo que está assistindo a ópera e lhe roube o colar. Quando Edward morreu em 1735, Birch se tornou o tutor de Haytham, tornando-se muito seu amigo e o introduzindo na Ordem dos Templários, algo que seu pai era contra. Após conseguir o misterioso colar, Birch designou que Haytham segui-se para o Novo Mundo, para as 13 Colônias Britânicas, indo a bordo do HMS Providence para a cidade de Boston, onde os Templários mantinham operações na região, lideradas pelo general Edward Braddock (1695-1755). Para auxilia-lo na procura de informações sobre a "Primeira Civilização", Haytham precisou formar um grupo que lhe auxiliasse na coleta de dados, sabendo que os povos indígenas provavelmente saberiam de algo acerca deste misterioso povo. Assim, Haytham reuniu alguns homens que se juntaram a causa dos Templários, sendo estes: Charles Lee (1732-1782), Benjamin Church (1734-1778), John Pitcairn (1722-1775), Thomas Hickey (?-1776) entre outros. 

A medida que a investigação de Haytham e sua equipe prosseguiam, o mesmo entrou em conflito com Braddock o qual estava envolvido na Guerra Franco-Indígena. Na ocasião, Haytham resgatou um grupo de Ka Nee-en Ka, mais conhecidos como Mohawk devido ao nome do rio do qual viviam próximo. Um dos integrantes que fugira do cativeiro era uma mulher chamada Kaniehtí-io (1731-1760), a qual posteriormente passou a ajudar Haytham e se tornou seu interesse romântico, tendo um filho com ele, do qual Haytham só viria a descobrir muitos anos depois, já que frustrado pelas suas investigações, ele deixou as colônias e retornou para a Europa (tal parte da história é narrada no livro Forsaken, chamado de Renegado no Brasil). 

A trama do jogo dá um salto, mostrando o jovem Ratohnaké-ton (1756-?) em sua infância, quando durante um incêndio ele acabou perdendo sua mãe. Os anos se passam e já como adolescente, a matriarca do clã pede que Ratohnaké-ton que procurasse a ajuda de um mestre que o treinasse e lhe revela-se os segredos da Ordem dos Assassinos. Ratohnaké-ton então parte até abandonada Fazenda Davenport, onde encontra o velho Mentor Aquiles Davenport (1710-1781) o qual se torna o mestre de Ratohnaké-ton, e lhe dá um novo nome Connor (homenagem ao seu falecido filho). O treinamento de Connor se inicia em 1770 e nos anos seguintes em seu combate aos Templários, ele se envolveria na Revolução Americana (1775-1783). 


Ratohnakéton/Connor Kenway
A história de Connor se desenvolve ao longo do século XVIII, um dos períodos mais conturbados da história colonial britânica e pré-estadunidense. Em meio a se tornar um Assassino e ter que combater os Templários que buscam pelo templo da "Primeira Civilização", Connor acaba também tendo que tomar partido nas guerras de independência e ao mesmo tempo ter que defender o seu povo da opressão, e descobrir o mistério por trás do templo da "Primeira Civilização". 

Entre os acontecimentos históricos que o jogo traz estão a Guerra Franco-Indígena (1754-1763), a Guerra dos Setes Anos (1756-1763), a Revolução Americana que vai de 1775 a 1783, além de também retratar algumas batalhas memoráveis como a Batalha de Lexington e Concord (1775), a Batalha de Monmouth (1778) e a Batalha de Cheasepeake (1781), além de retratar ou se referir a alguns acontecimentos históricos como, a Expedição de Braddock (1755), a festa do chá em Boston (1773), a Cavalgada de Paul Revere (1775), o Grande Incêndio de Nova Iorque (1776), o Dia da Evacuação em Nova Iorque (1783), etc. 

No jogo, basicamente a história se desenrola entre Nova Iorque e Boston, além do fato que Connor também visita outras cidades e vilas no interior dessas colônias como Lexington, Concord, Charlestown, como também participa de missões e batalhas no mar abordo do navio Aquila, o que inclui a caça ao tesouro do famoso pirata William Kidd (1645-1701) e o combate ao Templário Nicholas Biddle (1750-1778). 

Dentre as figuras históricas que ajudam Connor estão: George Washigton, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, Marquês de La Fayette, Israel Putnam, Samuel Adams, Paul Revere, John Hancock, Robert Newman, etc.

Além da envolvente história que aborda a Revolução Americana, o jogo trouxe algumas novidades como as batalhas navais, a mudança climática (neste caso o inverno), novos movimentos de luta (pois Connor é mais hábil com o machado do que a espada) e escalada, já que permite se escalar árvores e rochedos; a possibilidade de se caçar diferentes tipos de animais da fauna norte-americana, e vender suas peles ou fazer manufaturas; procurar pelas páginas do Almanaque do Pobre Ricardo (Poor Richard's Almanack) escrito por Benjamin Franklin, como também realizar missões para desbloquear algumas das invenções dele. 

De todos os jogos da série, Assassin's Creed III é o que possui a maior referência a fatos históricos e personagens históricos, totalizando mais de 15 acontecimentos e pessoas da História. 


Contexto histórico:

Guerra Franco-Indígena
(1754-1763)

Os ingleses possuíam treze colônias na América do Norte, no entanto disputavam outros territórios contra os franceses e os espanhóis, no caso dos franceses os mesmos promovidos por uma motivação expansionista do governo do rei Luís XV, se aliaram a algumas tribos indígenas como os Algonoquim, Albenaki, Mohawk, etc., que tinham os ingleses como inimigos e assim começaram a enfrentá-los a fim de conquistar territórios e recuperar outros. A guerra foi se desenvolvendo e dois anos depois a França acabou entrando na chamada Guerra dos Sete Anos.

Um dos acontecimentos marcantes desta guerra que é parcialmente retratado no jogo foi a Expedição de Braddock, ocorrida em 1755 consistiu no grande malogro desse general. O objetivo era capturar o Forte Duquesne sob o controle dos franceses. Entre maio e julho, Braddock marchou com seu exército de mais de dois mil homens pelas florestas de Maryland, Pensilvânia e Ohio, tendo a ameaça dos franceses que possuíam além do Duquesne o controle de outros fortes, como também a aliança com tribos indígenas locais. A jornada foi lenta e desgastante, além da falta de uma estrada propriamente, havia os problemas de se transportar os mantimentos e os pesados canhões, assim como os ataques de grupos indígenas que surgiam de repente no meio da floresta. A esforçada campanha de Braddock tivera fim em 9 de julho de 1755 na Batalha de Monogahela, onde embora estivesse em maior número, o exército de Braddock perdeu de forma humilhante e o próprio general foi ferido em combate, vindo a falecer alguns dias depois. Tal derrota foi bastante significativa para a Inglaterra, sendo uma das piores que sofrera no século XVIII.
General Edward Braddock
Curiosamente, alguns dos soldados que integravam as linhas britânicas estavam o jovem George Washington que se voluntariou para a campanha, e agiu como oficial representante de Braddock; Charles Lee, Daniel Boone (1734-1820) um famoso explorador que se tornou um herói popular e seus feitos beiravam o fantástico, pois lendas surgiram de suas façanhas. Boone aparece no jogo e designa algumas missões para Connor; Daniel Morgan (1736-1802) um importante estrategista durante a revolução, etc. 

Guerra dos Sete Anos
(1756-1763)

Enquanto a Guerra Franco-Indígena se desenvolvia na América, na Europa fatores políticos, econômicos e territoriais levaram a Áustria a qual era aliada da França a entrar em guerra contra a Prússia, na época governada pelo poderoso rei Frederico II. O principal motivo foi por questão política e territorial, pois a Áustria estava interessada em alguns territórios em posse da Prússia, como a Silésia. Os franceses decidiram apoiar os austríacos, logo por sua vez, os franceses também já se encontravam em guerra contra os ingleses na América. Mas a medida que os conflitos se desenrolavam, os aliados de França e Inglaterra foram sendo convocados para ajudar, pois a guerra não apenas mais estava ocorrendo na Europa e na América do Norte mais incidiu também nas colônias em África e Ásia, nesse caso os franceses passaram a disputar o controle da Índia contra os ingleses e os portugueses; por sua vez Portugal, como era aliada da Inglaterra entrou na guerra. 

A Rússia, a Saxônia, a Suécia e a Espanha decidiram apoiar os franceses e austríacos; por sua vez a Prússia e Hannover se aliaram aos ingleses e portugueses. Nesse caso, os russos, saxônicos, suecos, prussianos e hannovernses ficaram mais retidos a conflitos territoriais na Europa, por outro lado Portugal e Espanha expandiram a luta por suas colônias. O Brasil não chegou a ser palco propriamente desses combates, porém em África, os portugueses e espanhóis se confrontaram.

Em 1762 era visível que a guerra estava por terminar. A Inglaterra e a Prússia se mostravam como as grandes vitoriosas, sendo que os franceses e austríacos sofreram duras derrotas. Em 1763 fora assinado o Tratado de Paris, onde os ingleses, franceses e austríacos assinaram um acordo de paz, pondo fim a guerra. Os ingleses foram os mais beneficiados pois conquistaram o direito de dominar a Índia, receberam o Canadá e a Lousiana dos franceses e a Flórida dos Espanhóis, além de algumas ilhas no Caribe e feitorias no Senegal. Os franceses acabaram desistindo da Índia e focaram suas investidas no VietnãAinda no mesmo ano fora assinado o Tratado de Hubertsburg, entre os ingleses, austríacos e prussianos, onde a Polônia fora dividida entre a Áustria, Prússia e Rússia e outros territórios foram negociados também. 

Com o fim da guerra todas as nações estavam moralmente abaladas, e mesmo a Inglaterra tendo saído vitoriosa, as despesas com a guerra foram enormes, isso levou o Parlamento a tomar medidas para recuperar as finanças da nação e a produtividade de suas colônias. A solução encontrada, criação de novas taxas e o aumento dos impostos.


Antecedentes da Revolução
(1763-1775)

As medidas tomadas pelo governo britânico não tardaram em hostilizar os colonos na América. Em 1764 foram criadas a Lei do Açúcar e a Lei da Moeda. No caso do açúcar a lei elevava o imposto sobre o valor do produto e exigia que as colônias só poderiam comprar açúcar inglês produzido nas Antilhas, logo os mesmos eram proibidos e comprar açúcar dos espanhóis, portugueses e holandeses, e como o açúcar era necessário para a produção de outros tipos de alimentos, bebidas e até mesmo como moeda de troca para se comprar escravos, os comerciantes não se agradaram com essa subida no preço e limitação de mercado. 

A Lei da Moeda proibiu a emissão de papel-moeda nas colônias e congelou os preços de venda dos produtos coloniais na Metrópole. No ano de 1765, novas duas leis foram lançadas, Lei do Aquartelamento que obrigava os colonos a ceder abrigo e apoio aos soldados ingleses e a Lei do Selo, na qual obrigou que qualquer documento impresso nas colônias deveria conter o selo real que oficializava sua publicação, logo, ofícios, cartas, jornais, revistas, cartazes, comunicados  etc., deveriam conter esse selo, pelo contrário corriam o risco de serem vetados.

Página de um jornal apresentando a Lei do Selo promulgada em 1765.
A população entendeu como um abuso a Lei do Selo e como uma tentativa da Metrópole de controlar a liberdade de imprensa, logo movimentos pelo país surgiram como a formação do grupo Filhos da Liberdade e a convocação do Congresso da Lei do Selo (Stamp Act Congress), onde promoveram um boicote aos produtos ingleses, isso levou o Parlamento a revogar a lei no ano seguinte. Mas isso não bastou para inibir que o governo criasse novas leis para tributar os colonos.

"...logo no ano seguinte, 1767, quando Charles Townshend, Chanceler do Erário, conseguiu que o Parlamento aprovasse as chamadas Leis Townshend, lançando impostos para levantamento de receita sobre uma nova classe de artigos não tributados anteriormente. Os novos impostos foram tornados ainda mais indigestos com mais fortalecimento ainda da maquinaria de coleta e pela estipulação de que a receita levantada com a lei seria usada para pagar os salários das autoridades reais em serviços nas colônias". (SELLERS;MAY; MCMILLEN, , p. 59).

As Leis de Towshend acabaram por serem revogadas em 1770. Mesmo assim o descontentamento das elites coloniais com o governo britânico crescia cada vez mais. Ainda em 1770, soldados mataram seis pessoas em Boston, durante um protesto de rua. Tal episódio ficou conhecido como o Massacre de Boston. E três anos depois ainda em Boston ocorreu o famoso protesto da Festa do Chá (Boston Tea Party). O protesto se deveu por causa da Lei do Chá aprovada no mesmo ano, onde obrigava as colônias a comprarem apenas chá da Companhia das Índias Orientais.

Litografia retratando a Festa do Chá de Boston, 1846.
Em 16 de dezembro vários membros dos Filhos da Liberdade haviam promovido passeatas e protestos por Nova Iorque, Filadélfia, Massachusetts e chegava a vez de Boston. Na ocasião, alguns colonos disfarçados como indígenas subiram a bordo dos navios que traziam os carregamentos de chá das Antilhas e jogaram as caixas no mar. Estima-se que pelo menos 45 toneladas de chá foram desperdiçadas. Em resposta o Parlamento promulgou as "Leis de Coação" ou "Leis Intoleráveis" como forma de punir os manifestantes, sendo que uma dessas formas era o fechamento do porto e a cobrança de indenização pela perda do carregamento de chá. 

Em setembro de 1774, foi convocado na cidade de Carpenter's Hall na Filadélfia um congresso ilegal, chamado de Primeiro Congresso Continental, no qual contou com representantes de doze colônias com exceção da Georgia. Nesse congresso as autoridades coloniais deliberaram pelo apoio a causa de Boston, pelos movimentos antibritânicos e as decisões a se tomar para se combater a opressão britânica sobre as colônia. Mesmo assim, alguns defendiam que o Parlamento tinha todo direito de intervir na economia e na política colonial, mas no fim acabou-se chegando a uma conclusão, a chamada Resolução Suffolk. Tal resolução se tornou um dos prenúncios para a revolução. Na resolução os membros decidiram boicotar os produtos britânicos; não importar, não consumir e não exportar. 

"No inverno e primavera de 1774-1775, os radicias começaram a implementar vigorosamente o plano revolucionário em todas as colônias. A drástica redução das importações de produtos britânicos demonstrou, rapidamente a eficácia da Associação como instrumento de guerra econômica, embora, com toda a probabilidade, mais importante ainda se mostrasse como meio de persuasão e coação pública". (SELLERS;MAY; MCMILLEN, , p. 63).

A Revolução Americana
(1775-1783)

Em março de 1775 a revolta já se tornava cada vez mais clara, quando em abril a situação eclodiu de forma violenta. Na madrugada de 7 de abril, Paul Revere (1734-1818) e William Dawes (1745-1799) partiram de Boston para Lexington e Concord a fim de avisarem Samuel Adams (1722-1803) e John Hancock (1737-1796) sobre a movimentação de tropas inglesas. Tal episódio ficou conhecido como a Cavalgada de Paul Revere, embora que além dele, outras pessoas como Dawes também atuaram para difundir a notícia e avisar o exército patriota da aproximação das tropas inglesas.


Retratação da Cavalgada de Paul Revere em 7 de abril de 1755. 
O aviso de Revere e dos demais surtiu efeito, pois em 9 de abril, as tropas inglesas confrontaram as tropas patriotas na Batalha de Lexington e Concord que acabou se espalhando para outras pequenas cidades, além de ter sido o primeiro conflito armado que de fato iniciou a Revolução Americana. Ainda em 1775 foi convocado o Segundo Congresso Continental, onde deliberou-se pela proclamação da independência; Thomas Jefferson (1743-1826) fori escolhido para redigir a declaração, e embora outros também tenham participado da composição desse documento, T. Jefferson foi seu principal idealizador.

Em 4 de julho de 1776 foi publicada a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, contando com os mais notórios burgueses e membros da elite colonial que participaram da ocasião e que assinaram a declaração.

Quadro retratando a reunião que aprovou a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Ao centro  diante da mesa pode-se ver Thomas Jefferson principal idealista da declaração.
Além de decretarem a aprovação da independência, a reunião do Terceiro Congresso Continental, também delegou ao fazendeiro e militar George Washington (1732-1799) para comandar as tropas americanas na guerra revolucionária. Washington na época possuía prestígio advindo de sua participação na Guerra Franco-Indígena e na Guerra dos Sete Anos. Embora que tal participação não lhe rendera boa experiência com a estratégia militar. Curiosamente, Washington perdeu mais batalhas do que ganhou, mesmo assim conseguiu assegurar a vitória dos Estados Unidos.  

George Washington. Político, militar, fazendeiro, um dos pais da pátria americana e primeiro presidente constitucional dos Estados Unidos da América.
Mesmo os ingleses estando em maior número, a distância que separava a Inglaterra dos Estados Unidos era um grande problema, pois atrasava o envio de suprimentos e tropas, e ao mesmo tempo parte da população americana era bem hostil aos ingleses e não lhe concediam apoio. Em 1778, o rei de França Luís XVI decidiu ajudar os americanos na guerra, o Marquês de La Fayatte (1757-1834) se tornou o principal general francês nessa guerra. Além dos franceses, algumas tribos indígenas, espanhóis, prussianos etc., se uniram a causa americana. 

Em 3 de setembro de 1783 os ingleses decidiram assinar um tratado de paz com os americanos e reconhecer oficialmente a sua independência. John Adams, Benjamin Franklin e John Jay foram os representantes americanos na ocasião, recebendo do rei inglês Jorge III e do Parlamento, o reconhecimento e o fim da guerra. 

Em 1787, foi aprovado pela Convenção Constitucional da Filadélfia a Constituição Americana a qual é a mesma até hoje, apenas vem sendo atualizada ao longo do tempo. Em 1789 o Congresso escolheu George Washington como o primeiro presidente constitucional dos Estados Unidos, pois de 1776 até 1789 haviam presidentes do congresso com o mandato de um ano. Washington governou até 1797, sendo que em 1790 ele escolheu o local que seria construída a nova capital do país, a qual se veio a se chamar Washington, D.C.  

Assassin's Creed IV: Black Flag (1715-1722)


Edward Kenway
No quarto capítulo da série principal, sendo o primeiro a se passar anteriormente a outro capítulo, pois nessa história vivemos as aventuras do Assassino e pirata Edward James Kenway, o pai de Haytham e avô de Connor, os protagonistas do terceiro jogo. Edward (1693-1735) nasceu em Swansea no País de Gales, sendo filho do agricultor Bernard Kenway e de Linette Hopkins. Posteriormente sua família se mudou para Bristol, mas a medida que Edward crescia, ele não se sentia confortável em seguir o ofício do pai. Seu espírito agitado procurava por emoção. Por volta dos 17 anos, Edward passou a namorar Caroline Scott uma mulher dois anos mais velha, que Edward ajudara em uma briga numa taverna. 

Posteriormente eles se casaram, mas o casamento não deu certo devido as inconstâncias de Edward e seu espírito aventureiro. Edward sonhava em ganhar fama e riqueza no mar, tornando-se capitão de um navio, no entanto, Caroline dizia que aquilo era muita pretensão de seu marido, e que ele deveria tentar outra coisa. Mas Edward discordou da esposa e disse que viajaria para as Índias Ocidentais, indo trabalhar como corsário e dentro de no máximo dois anos, ele retornaria. Caroline acabou engravidando, mas não contou a Edward, o qual foi embora para o Novo Mundo. A Caroline tivera uma filha, chamada Jennifer Scott, posteriormente rebatizada para Jennifer Kenway. Jennifer aparece nos relatos do livro Assassin's Creed: Forsaken

Em 1712 seguindo viagem abordo do navio do capitão Benjamin Hornigold (c. 1680-1719), um corsário britânico que por volta de 1714 passou para a pirataria, levando consigo parte da sua tripulação o que incluiu Edward. Em 1715, Edward se tornou náufrago do navio HMS Intriga, após o navio onde trabalhava afundar durante uma tempestade e uma batalha nas águas do Cabo Bonavista na parte oeste de Cuba. Antes do navio afundar ele viu um Assassino que acabou matando o capitão do HMS Intriga

Ao nadar até a praia, Edward se depara novamente com o Assassino, chamado Duncan Wapole (1679-1715). Os dois acabaram se desentendendo, e Wapole ameaçou matar Edward, mas tendo a sua arma falhado, ele foge, e Edward foi atrás dele, vindo a matá-lo e tomar sue traje e pertences. Posteriormente, Edward descobriria que Wapole pretendia trair a Ordem dos Assassinos, se debandando para o lado dos Templários. Ele descobriu uma carta endereçada ao governador Laureano Torres y Ayala (1645-1722) na época governador de Cuba e Grão-mestre dos Templários do Caribe. Wapole pretendia entregar importantes informações para o governador, assim como, um estranho frasco com gotas de sangue. 

Na tentativa de seguir para Havana capital de Cuba, Edward vasculha a região do cabo e se depara com um comerciante e pirata chamado Stede Bonnet (c. 1688-1718), o qual era mantido refém por alguns espanhóis. Edward salva Bonnet, e esse em agradecimento decide levá-lo para Havana. Na mansão do governador, Edward conhece outros dois templários, o francês Julien du Casse (1682-1715) e o inglês Woodes Rogers (1679-1732), os quais tramavam ao lado do governador Laureano os planos Templários na região, onde dizia principalmente respeito a se encontrar o "Observatório".

Para se encontrar tal local construído pela "Primeira Civilização" era necessário se encontrar primeiro um homem chamado "O Sábio" o qual era o único que sabia a localização do Observatório. O tal homem acaba sendo encontrado, mas numa noite os Assassinos invadem a mansão do governador e o Sábio aproveita para fugir, ao mesmo tempo que Laureano, Julien e Woodes descobrem a farsa de Edward e o enviam para um navio, para ser preso posteriormente.

Neste navio, Edward conhece um ex-escravo e agora pirata, chamado Adéwalé (1692-?), o qual se tornará seu grande amigo. Juntos eles libertam os demais prisioneiros e tomam o navio, o qual Kenway o rebatiza com o nome de Gralha (Jackdaw), e assim passa a se dedicar a pirataria. De fato, grande parte da história do jogo está mais relacionada as aventuras piratas de Edward Kenway e seus amigos, do que a disputa entre Assassinos e Templários, a qual por alguns anos Edward evitou em tomar partido.


Edward e seu navio, o Jackdaw
Nos anos que se passam entre 1715 e 1722, Edward segue uma vida de pirataria unido além de Benjamin Hornigold e Stede Bonnet, a outros piratas Edward Teach, mais conhecido como Barba Negra (c. 1680-1718), Calico Jack Rackham (?-1720), Charles Vane (1680-1720), e as mulheres piratas Anne Bonny (1700-?) e Mary Read (c. 1690-1721), sendo todos estes piratas de origem inglesa, com exceção de Anne que nasceu na Irlanda. 


Da esquerda para direita: Stede Bonnet, Benjamin Hornigold, Charles Vane, James Kidd, Barba Negra e Calico Jack. 
Hornigold, Thatch, Vane e um jovem pirata chamado James Kidd, o qual dizia ser filho do famoso pirata William Kidd, são os principais contatos e amigos de Kenway, já que Anny aparece anos depois e Calico Jack é um beberrão de pouca confiança. Enquanto Edward trabalha pela causa pirata entre as quais, assegurar a existência de uma "república" pirata na ilha de Nassau nas Bahamas, James Kidd que é um Assassino, tenta coabitá-lo a entrar na Ordem, mas Kenway reluta por vários anos, até que quando volta a encontrar o Sábio e descobrir do que se trata o Observatório, ele decide se engajar na Ordem.


Anne Bonny e Mary Read. 
O jogo até então possuía o maior mapa da série, superado pelo AC Unity, e provavelmente pelo AC Syndicate. Todavia, embora seja um mapa grande, a maior parte dele é água. O mapa tem como centro Cuba, e a aventura ocorre principalmente em torno da ilha cubana, ao norte tendo o arquipélago das Bahamas e o sul da Flórida, ao sul tendo a Jamaica, o Mar do Caribe com suas várias ilhas e a costa mexicana (na época ainda Nova Espanha). Para o leste ainda se pode ver o Haiti, inacessível no jogo. 


Mapa com as principais localizações do jogo Black Flag
Basicamente só há três cidades, Havana, Nassau e Kingston. Diferente dos outros jogos da série onde se visita mais cidades ou a trama se desenvolve em apenas uma única cidade, como o caso de BrotherhoodRevelations, Unity e Syndicate, a grande beleza em Black Flag não é a paisagem urbana, mas a natureza, brilhantemente trabalhada no seu visual, ainda melhor do que nos outros jogos. 

Mas além da novidade das batalhas navais e da vida pirata, o jogo também traz de volta a caça, dessa vez ampliada com a caça marítima de tubarões e baleias. A possibilidade de explorar navios afundados e localidades submersas, explorar ruínas maias e várias ilhas, já que estando de posse do Gralha, grande parte do mapa está quase livre, a não ser por determinadas localidades e a ameaça dos outros navios e dos fortes, que te obrigam a retroceder. 

Em termos de história, assim como AC I e Revelations, não há muitos fatos históricos transmitidos nos jogos, e Black Flag compartilha do mesmo, pois em AC I há o contexto da Terceira Cruzada, mas os eventos na história do jogo são em grande parte fictícios, sem inspiração no real, o mesmo vale para o Revelations e o Black Flag. No entanto, dos poucos acontecimentos históricos retratados nesse quarto jogo, estes dizem mais respeito a vida dos piratas históricos que nele são retratados. 

Contexto histórico: 


Introdução a pirataria

A pirataria existe desde os tempos antigos, surgindo nos locais onde houvesse grande fluxo de mercadorias e nas ricas cidades portuárias, e assim temos relatos de piratas no Mediterrâneo, no Mar Vermelho, na costa leste africana, na costa da Índia, nos mares da Indonésia, Malásia, China e Japão, até finalmente chegarmos a costa oeste africana e as Américas na Idade Moderna. 

Inicialmente pirata era o termo dado ao homem (pois há poucas mulheres que se tornaram piratas) que praticava crimes marítimos, de fato a palavra pirata vem do grego peiratès que significa ("aquele que busca fortuna no mar") e os crimes que eles cometiam eram vários: assalto, roubo, assassinato, contrabando, destruição de propriedade pública e privada, sequestro, extorsão, suborno, latrocínio, desrespeito as leis marítimas e outros tipos de leis, etc. 

Em essência os piratas eram foras da lei, pessoas que viviam uma vida de crimes em busca de riqueza e fama, embora fosse uma vida breve, pois muitos piratas morriam cedo ou quando entravam na pirataria já mais velhos, viviam pouco tempo. O perigo de tempestades, falta de mantimentos, doenças e os conflitos reduzia muito a expectativa de vida, mesmo assim, a pirataria atraiu muitos homens para essa difícil vida de crimes. 

No século XVI a pirataria começou a se tornar algo tão comum na vida dos marinheiros e das nações europeias que possuíam colônias ultramarinas como Inglaterra, Espanha, Portugal, França e Holanda, que tais países começaram a delegar cartas de corso autorizando tripulações a poderem saquear navios, vilas e cidades de outras nações. Assim surgiram os corsários


"Em contrapartida, os corsários, também chamados de gentleman pirate, constituíam-se, em sua maioria, por piratas que recebiam de seus soberanos cartas de corso ou cursus tendo liberdade para assaltar e aprisionar embarcações e povoações inimigas dos Estados pelo qual disponibilizavam seus serviços. Praticavam atos de guerra, não sendo vistos como simples bandoleiros do mar". (ROCHA NETO, 2009, p. 14 apud TAPAJÓS, 1960).

Sir Francis Drake (1540-1596) foi um dos corsários mais famosos da História, estando a serviço da Coroa Britânica, realizou longas expedições, trazendo para casa um grande tesouro, resultado dos saques cometidos em suas viagens. De fato, alguns piratas começaram a vida como corsários e vendo que não conseguiriam "crescer na vida", se debandaram para a ilegalidade, esse foi o caso de Edward Teach, que ficaria conhecido como o pirata Barba Negra. 

Sir Francis Drake
Além do termo pirata, os termos bucaneiro e filibusteiro também foram usados na Idade Moderna como sinônimo para pirata, embora originalmente não significavam isso. 

"Quanto aos bucaneiros, a origem do termo vem do francês, boucaniers, designação para os primeiros colonizadores da ilha de Hispaniola ou Haiti, formados por homens que se dedicavam à caça de porcos e gado selvagem. Exportavam couro e carne moqueada no bouc, uma espécie de grelha usada para preservar a carne para a venda e consumo, técnica idealizada pelos selvícolas Arawak das Caraíbas. Estes colonos, que tiravam seu sustento através do boucan, passaram a ser conhecidos por bucaneiros. Eles não atendiam às leis e diretrizes dos governos vigentes". (ROCHA NETO, 2009, p. 14 apud TAPAJÓS, 1960).

"O termo flibusteiro não tem uma origem definida. Historiadores divergem sobre sua origem nas derivações do inglês; free-booters ou flyboats, ou do neerlandês; vlieboot ou vrij vuiter. Em ambas as línguas, os significados assemelham-se a barcos voadores, barcos rápidos ou navegantes livres. Independente da origem, os bucaneiros, ao manterem contato com piratas contrabandistas e mercadores, formaram um mundo à parte na ilha de Hispaniola, logo depois transferido para Tortuga". (ROCHA NETO, 2009, p. 14).

Uma característica bem conhecida da pirataria da Idade Moderna foi o uso das bandeiras negras, chamadas de "Jolly Roger". Não se sabe ao certo quando essas bandeiras surgiram e a origem do significado do seu nome, contudo, diferente do que se pensa hoje, na tradicional "Jolly Roger" com um crânio e duas tíbias, cada capitão pirata possuía sua própria versão, as vezes mais de uma versão. 

As bandeiras eram usadas para impor medo, daí exibirem ossos ou demônios. Não obstante, não significa que todos os navios a usavam comumente, pois tais bandeiras chamavam muita atenção, logo, os piratas evitavam de usá-las toda hora, e até mesmo roubavam bandeiras de países, a fim de se passar por um navio de determinado país. 


A "Jolly Roger" de Edward England, provavelmente a mais conhecida bandeira pirata. 
Embora os piratas fossem homens rudes e cruéis, não significa que fossem totalmente indisciplinados. Alguns capitães procuravam manter a disciplina e a boa conduta em seus navios, evitando apostas, bebedeiras e prostitutas abordo. Para manter a ordem, era designado afazeres para todos, e a desobediência era tratada com castigos corporais, em geral chicotadas nas costas. Embora o capitão fosse o líder, se ele agisse de forma que contraria-se grande parte da tripulação ou fosse opressor, ele poderia ser retirado do cargo através dos motim, e no seu lugar haveria uma eleição para se escolher o novo capitão. Em muitas vezes o capitão deposto, era deixado numa ilha, ou lhe deixavam nu bote com alguns suprimentos. Em casos mais graves, ele era morto e jogado ao mar. 

O fato de piratas usarem tapas olhos, pernas de pau, ganchos no lugar da mão decepada, papagaios, etc., não era algo comum, um ou outro fizera isso. Tais características se tornaram marcantes através da literatura a qual ainda no século XVIII começou a estereotipar principalmente os chamados "piratas do Caribe", que se tornaram a base para as fantasias e os personagens que conhecemos hoje em dia nas artes. 

A Era de Ouro da Pirataria
(século XVI ao XVIII)

A chamada Era de Ouro da Pirataria não foi apenas um período da Idade Moderna, mas um acontecimento local, especialmente localizado nas Índias Ocidentais, também conhecido como Novo Mundo e Américas. Entre os séculos XVI e XVIII as colônias americanas se tornaram o principal rendimento das metrópoles europeias, substituindo em parte o lucro gerado com o comércio das especiarias das Índias Orientais (Ásia). Por exemplo, a Espanha lucrou imensamente com a exploração do ouro e da prata advindos do Peru e do México, e por sua vez Portugal enriqueceu bastante com a produção açucareira no Brasil; de fato o Brasil se tornou no século XVII o maior produtor de açúcar do mundo, que na época era o "ouro branco". 


"A conquista do Novo Mundo e o contínuo tráfego de riquezas que trazia consigo, vieram a ser prontamente uma poderosa isca atrativa nas águas do Atlântico para pirataria do Mundo Antigo, que até então, havia tomado conta do Mediterrâneo e demais mares interiores. O brilho dos tesouros da América e das Índias prontamente atraíram bandoleiros dos mares dispostos a se apoderarem do botim que aquelas terras de domínios ibéricos extraiam. Logo, com a formação das primeiras frotas navais lusitanas na Índia, piratas franceses saqueavam a costa ocidental da África por volta do ano de 1504. Mais tarde, os interesses voltaram-se para as Antilhas, visando a dominação do comércio espanhol, o centro comercial da América. O El Dorado, atraía em larga escala navegadores de todo o Velho Continente. (ENCICLOPÉDIA Universitas, 1952). Galeões espanhóis carregados com um atraente botim de ouro e prata atraíam, como um poderoso imã, o interesse de bandidos para o desespero de alguns desavisados comerciantes". (ROCHA NETO, 2009, p. 12). 

Porém, a atuação dos piratas embora se deu em vários locais das Américas, suas ações se concentraram no Mar do Caribe, nas Antilhas e Bahamas, foi nesse local central do continente americano que a maioria dos piratas famosos atuaram em seus anos de crime, e até mesmo de forma legal, durante o corso. Sendo assim, ilhas como Cuba, Hispaniola (atualmente a ilha que abriga a República Dominica a e o Haiti), Jamaica, Porto Rico, Costa Rica, as Antilhas e as Bahamas foram os principais centros da ação dos piratas modernos, dos chamados "piratas do Caribe". 


Mapa retratando o Mar do Caribe, as Bahamas, as Antilhas, Cuba, Jamaica, Haiti, República Dominicana e outras localidades. Foco da atuação da pirataria no Novo Mundo.
“Os ataques dos piratas não se limitavam apenas as embarcações espanholas e portuguesas, atacavam também as povoações das desguarnecidas ilhas litorâneas. Os franceses apoderaram-se das várias pequenas Antilhas, praticamente abandonadas pelos ibéricos, como a parte norte do Haiti, conhecida até então por Hispaniola, além dos territórios de Dominica, Guadalupe, Marigalante, Martinica, Santa Lucia e Tortuga. Houve uma tentativa de expandir seus domínios mediante a fundação de uma colônia no Brasil, a França Antártica, não limitando suas atividades ao mar das Antilhas e proximidades. Os britânicos, dentre suas conquistas nos mares caribenhos estão os territórios: Antingue, Barbados, Bermudas, Montserrat entre outros. O conflito entre Espanha e Holanda deveu-se à luta pela independência desta última, onde diversas contendas eclodiram, cabendo a Holanda a posse dos territórios de: Curaçao, Tobago e Santo Eustáquio. (TAPAJÓS, 1960) Estas ilhas das Índias Ocidentais, segundo Charles Johnson, concentraram mais piratas do que em qualquer outra parte do mundo”. (ROCHA NETO, 2009, p. 13). 

“Por volta do ano de 1724, o inglês Charles Rivington, em Londres, publicou a obra: Uma história geral dos roubos e crimes de piratas famosos, de autoria do capitão Charles Johnson. A obra vendeu cerca de um milhão de exemplares, tornando-se um best seller repentinamente, ganhando um segundo volume no ano de 1726. Escrito de forma jornalística, Charles Johnson narra os feitos dos piratas mais famosos do Reino Unido, fato este que permaneceu a principal fonte de referência sobre os hábitos, costumes e comportamento dos bandoleiros de alto-mar do início do século XVIII”. (ROCHA NETO, 2009, p. 1). 

Ainda hoje a obra de Rivington, Uma história geral dos roubos e crimes de piratas famosos é uma das principais fontes para se estudar este período, embora deva ser lida com atenção, pois Rivington a escreveu de forma jornalística e não historiográfica, prezando por criar um enredo atrativo para leitor, mas sem se importar em garantir a veracidade e neutralidade perante os fatos. Os próprios produtores de Assassin's Creed IV chegaram a dizer que utilizaram essa obra como uma das fontes para escrever a trama do jogo. Entre 1650 e 1720 os mais notórios piratas da história viveram e realizaram seus crimes. De fato considera-se que a morte de Bartholomew Roberts (1680-1722) na África, encerrara a era de ouro da pirataria. Roberts ficou conhecido por ter ao longo dos seus quatro anos como pirata, ter assaltado mais de 400 embarcações, embora se conteste a veracidade de tais relatos. Outro proeminente pirata foi o Barba Negra que curiosamente também tivera uma carreira curta atuando entre 1714 e 1718. Diferente do que se pensa, Barba Negra não foi um dos melhores piratas que houve, sua fama se deve pela fama que se construiu após a sua morte, uma espécie de mitificação de seus feitos, onde até mesmo sugiram história inventadas para enaltecer seus atos. Embora Barba Negra não tenha sido tão grande assim, ele ficou conhecido por sua agressividade e temperamento esquentado. 

O ataque a Nassau anteriormente chamada de Charles Town, ocorrido em 1718, onde o capitão Woodes Rogers enviado pela Coroa Britânica para expulsar os piratas da ilha, pois Nassau se tornara o principal reduto da pirataria na região, terminando com a vitória dos ingleses. No jogo, tal fato histórico é retratado parcialmente.

A morte do Barba Negra na baía Ocracoke na Carolina do Norte em 21 de novembro de 1718 também é retratada no jogo, onde o infame pirata foi tomado de assalto pela tripulação do capitão Maynard, o qual conseguiu localizar o Queen Anne's Revenge o navio do Barba Negra. A tripulação foi quase totalmente executada, e no fim após ser alvejado Edward Teach morreu e sua cabeça foi cortada e levada para o governador da Carolina do Norte. 

A captura do pirata Barba Negra, 1718 a decisiva batalha do pirata Barba Negra e o capitão Maynard na baía de Ocracoke. Jean Leon Gerome Ferris, 1920. 
A prisão de Anne Bonny, Mary Read, Charles Vane e Calico Jack também aparecem no jogo, tendo esses quatro sido presos em 1719-1720, vindo Mary, Charles e Jack falecerem na prisão jamaicana em 1720. A ascensão de Bartholomew Roberts como pirata na ilha do Príncipe na costa ocidental africana, também é mencionada no jogo, embora de forma bem diferente da história real. 

Sobre o assunto veja também:
O Barba Negra
Piratas e Corsários na Idade Moderna

Assassin's Creed: Unity (1789-1794)


Arno Victor Dorian
Dessa vez a trama da série volta a abordar outra revolução, neste caso, a Revolução Francesa (1789-1799), embora que diferente de AC III, no qual a história se desenrola ao longo de todo o período revolucionário, em Unity, a história do jogo só compreende o começo da revolução, mais especificamente sua fase mais turbulenta. Neste jogo o protagonista é o Assassino franco-austríaco Arno Victor Dorian (1768-?) o qual se une a Ordem dos Assassinos e acaba se envolvendo nos acontecimentos que levaram a revolução. O começo do jogo como nos outros da série, consiste num tutorial. Este tutorial se passa na Paris medieval, mostrando o Grão-mestre templário Jacques De Molay (1244-1314), o qual rouba a Maçã a e Espada do Éden, do Templo. De Molay acaba sendo capturado, mas outro templário consegue esconder as duas Peças do Éden. Séculos depois, ainda continuando o tutorial, vemos um Arno criança, passeando pelo luxuoso Palácio de Versalhes em companhia de seu pai, o Assassino Charles Dorian (?-1776).

No ocasião, seu pai estava disfarçado em uma missão, por sua vez, Arno conhece Elise de la Serre, o amor de sua vida. O pai de Arno acaba sendo descoberto pelos Templários e é assassinado. Arno acaba sendo adotado por François de la Serre (1733-1789), Grande Mestre da Ordem dos Templários do Rito Parisiense. De la Serre sabendo do amor de Arno por sua filha, passa a usar o jovem para seus objetivos, pois ele não sabia que seu pai era um Assassino.

Anos se passam, e começa-se a história do jogo. Iludido por seu padrasto, Arno realiza várias missões para ele. Ao mesmo tempo que se magoa pela falta de reciprocidade de Elise com seu amor. No entanto, François de la Serre acaba sendo traído pela própria Ordem dos Templários e é assassinado. Arno e Elise perdem seu protetor. No caso de Arno ele acaba tendo problemas e é preso, sendo enviado para a Bastilha, antiga fortaleza transformada em prisão. Na Bastilha, Arno conhece um homem chamado Pierre Bellic, o qual diz ser um Assassino. Durante a invasão da Bastilha em 14 de julho de 1789, os dois aproveitam para fugir, e Arno é convidado por Bellic a se aliar a Ordem dos Assassinos. 


Arno e Elise.
Entrando na Ordem, Arno passa a desempenhar missões que acabam repercutindo no desenvolvimento da Revolução Francesa, recém-iniciada. Por outro lado, ele decide buscar os responsáveis pela morte de seu pai e de seu padastro, assim como, tentar evitar que Elise acabe morrendo em sua jornada de vingança. 

Arno nas suas missões acaba encontrando figuras históricas como o Marquês de Sade (1740-1814), Napoleão Bonaparte (1769-1821) e Maximilien de Robespierre (1759-1794). Todavia, enquanto a revolução prossegue de forma violenta nesses primeiros anos, Arno se depara que a busca por informações sobre a Primeira Civilização, estava a frente de um complô que se alastrava entre a própria Ordem dos Templários. 

O jogo trouxe gráficos adaptados aos consoles da atual geração, um mapa de Paris amplo e bastante detalhado. Novas mecânicas de movimentação, combate e inteligência artificial, novas armas como a Phantom Blade (uma mistura de lâmina oculta com besta), novas habilidades, etc. O modo multiplayer foi reelaborado, e uma das novidades é a possibilidade de se jogar o modo história (story mode) com mais três pessoas. Embora Arno seja o protagonista, agora ele poderá contar nas missões principais com o apoio de mais três Assassinos, controlados por outros jogadores. 



Todavia, os problemas de queda de frame, travamentos, bugs, glitches, personagens e missões sumindo, etc. Pesaram bastante contra o jogo, principalmente para a versão de computador. Além disso, embora a história tenha como plano de fundo a Revolução Francesa, tal fato não foi bem adaptado como no caso da Revolução Americana, resultando em reclamações por parte dos fãs de que a história de AC Unity, deixou a desejar. 

Contexto histórico:


Como esse post ficou extenso, e chegado o momento de falar sobre a Revolução Francesa, o qual é um tema longo, optei ao invés de escrever um resumo sobre o assunto, por os links dos três artigos que escrevi sobre a revolução. 


Assassin's Creed: Syndicate (1868)

Nesse sexto jogo da série principal, a trama se passa na movimentada, urbanizada e poluída Londres da segunda metade do século XIX. A Inglaterra é o berço da Revolução Industrial, e em 1868, é a nação mais avançada industrialmente do mundo. Fábricas surgem por todos os cantos, milhares de operários se sujeitam a exploração do trabalho, em jornadas diárias de no mínimo 12 horas, e sem dispor de direitos trabalhistas. O capitalismo torna-se aquilo que Marx previu: a opressão do homem pelo homem. E em meio a estes capitalistas industriais estão os Templários, os quais formaram um verdadeiro Sindicato sobre a cidade. Sindicato esse que possui contatos com o governo e a Igreja. 

Diferente de outros jogos da série onde só há um protagonista (exceto em Revelations que temos o Ezio e o Altaïr), em Syndicate jogamos com os irmãos gêmeos Jacob Frye (1847-?) e Evie Frye (1847-?), os quais se apresentam como os últimos descendentes de uma linhagem de Assassinos ingleses, a beira da extinção. Nesse ponto a trama do jogo se conecta com a história de alguns quadrinhos. Em uma carta escrita pelo Assassino Henry Green, em resposta ao assassino indiano Arbaaz Mir (personagem que aparece nos quadrinhos), o qual solicitava ajuda. Green infelizmente informa que a Ordem dos Assassinos em seu país estava destruída, havendo ele e mais dois irmãos em atuação. No caso, os Frye não poderiam ajudá-los no momento. 

Os irmãos Evie e Jacob Frye. 
Antes de seguirem para Londres, Jacob e Evie vão atrás de dois Templários, chamados Ruppert Ferris e Lucy Thorne. Cada irmão apesar de poderem fazer missões em comum, algumas são específicas. Por exemplo, nesse começo que serve de tutorial também, Jacob vai atrás de Ferris, enquanto Evie vai a procura de Throne. Durante a missão para assassinar a ocultista Lucy Thorne, Evie se depara com o diretor David Brewster, o qual estava de posse de um dos Pedaços do Éden, porém, ele acaba explodindo durante o conflito. Antes de morrer, Brewster confessa que existe um outro pedaço, bem mais poderoso e que estava de posse do Grão-Mestre Templário Crawford Starrick, magnata que controla várias indústrias em Londres, além de ter negócios no submundo do crime. 

A par dessa notícia os Frye decidem por contra própria confrontar Starrick, então partem para Londres. Na capital inglesa eles se deparam não apenas com a imensidão daquela metrópole, mas com a extensão da influência dos templários, fora e dentro do mundo do crime. Com isso os Frye criaram uma organização criminosa chamada Rooks, para combater as gangues que estão sob influência dos Templários, especialmente a Blighters

A cidade de Londres está bem representada nesse jogo, inclusive o mapa é maior do que a Paris de Unity. Aqui é possível visitar os principais pontos turísticos e monumentos históricos da época como a Torre de Londres, o Palácio de Buckingham, o Parlamento, a Catedral de St. Paul, o Teatro Alhambra, o Banco da Inglaterra, o sombrio bairro de Whitechapel, cenário dos crimes de Jack, o Estripador em 1888, e até mesmo pode se visitar a casa de Edward Kenway, protagonista do quarto jogo da série. 

Em Syndicate percebemos algumas características de outros jogos da série retornarem como o uso de tirolesa, o uso de cordas para fazer rapel, o uso de facas de arremesso e bombas de fumaça,o uso de carruagens, apesar de que aqui torna-se mais recorrente usar carruagens para viajar pela cidade. O jogo também mantém uma jogabilidade similar com seu antecessor o Unity, apesar de trazer mudanças no modo combate, pois Jacob e Evie usam golpes de boxe, além de haver torneios de luta e brigas de gangues. No caso armas como o soco inglês e a faca kukri são algumas das novidades. Inclusive a possibilidade de usar boina e cartola ao invés do tradicional capuz, está disponível. Não obstante, o jogo permite que possa se alterar em se jogar com Evie ou Jacob quando quiser, com isso Evie torna-se a primeira protagonista feminina de um jogo de AC da série principal, já que a primeira protagonista de AC foi Aveline de Grandrapé, de um dos spin-off de AC III. 

Acerca da história que se passa em Syndicate, essa é breve e apesar de contar com vários personagens históricos como Karl Marx (1818-1883), a Rainha Victoria (1812-1901), o famoso escritor Charles Dickens (1812-1870), o naturalista Charles Darwin (1809-1882), o médico John Elliotson (1791-1868), a enfermeira Florence Nightingale (1820-1910), o empresário e inventor Alexander Graham Bell (1847-1922) entre outros, ainda assim, os fatos históricos são irrisórios na trama do jogo. 

Os irmãos Frye conversando com Charles Darwin. 
Como comentado por mim acerca do Unity, embora sua história se passasse na Revolução Francesa (1789-1799), muito pouco foi abordado da mesma. Em Syndicate o mesmo ocorre, pois o foco se dá em missões de teor fictício, no combate entre gangues, missões secundárias e o restabelecimento da Ordem em Londres. Mesmo as DLCs que trazem outros personagens históricos como Jack, o Estripador e o marajá Duleep Singh (1838-1893), expandindo a cronologia do jogo para a década de 1880 e 1890, ainda assim, são de conteúdo fictício. 

Contexto histórico

Elementos históricos em Syndicate são bem simplórios e até dificulta fazer uma análise como mostrada nos outros jogos. Nesse ponto, Syndicate lembra Brotherhood, Revelations e Black Flag por se valer de personagens históricos aplicados a histórias fictícias. Inclusive tornando alguns deles em vilões. Por exemplo, no jogo Jacob e Charles Darwin investigam a produção de um falso medicamento que está fazendo as pessoas adoecerem. Darwin atuando como inspetor de medicamentos? Então eles descobrem que o responsável pela fórmula desse xarope venenoso é o médico John Elliotson, o qual historicamente foi um renomado e respeitado médico e professor de medicina, mas no jogo tornou-se um criminoso aliado dos Templários. 

Devido a fatos históricos mais consistentes, achei melhor não ficar comentando a respeito da biografia dos personagens históricos presentes no jogo, os quais são muitos. Depois de AC III, Syndicate é o jogo que mais traz personagens históricos. Mas no que se refere ao contexto da época em que o jogo se passa, a Inglaterra como dito era a nação mais rica do mundo ainda naquele momento, sendo Londres a metrópole mais populosa e próspera da Europa, apesar de concentrar um elevado número de pobres e miseráveis, pois estamos falando de uma época que a cidade que contava com cerca de 2 milhões de habitantes, vivenciava problemas de infra-estrutura, saneamento básico, poluição, surtos de doenças como febre amarela, cólera, disenteria, fome, violência, desemprego, exploração do trabalho etc. Tais características em parte são apresentadas no jogo, algo que ele acerta bem em mostrar esse cenário dicotômico de Londres, fato esse comentado por Karl Marx e Charles Dickens, personagens presentes no jogo. 

Sobre o assunto, veja também:

Assassin's Creed: Origins

Previsto para final de outubro de 2017, o mais novo principal jogo da franquia, dessa vez retorna ao tempo novamente, mas um retorno bem grande se comparado a outros jogos da série. O protagonista é o Assassino egípcio Bayek. A data histórica na qual se passará essa história ainda não foi revelada, mas por algumas imagens, percebe-se o farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, além da presença de hoplitas gregos e gladiadores romanos, o que sugere que o jogo poderá passar em algum momento do Período Ptolomaico (305-30 a.C), ou até mesmo posteriormente, pois os romanos só tomaram controle do Egito a partir de 30 a.C. 

A proposta desse novo jogo é contar a origem da Ordem dos Assassinos. Historicamente a ordem verdadeira foi criada na Pérsia (atual Irã), mas para a trama dos jogos, os produtores decidiram remetê-la ao Egito Antigo. 

Trailer de Assassin's Creed: Origins



A série Assassin's Creed

Jogos principais:
  • Assassin's Creed (2007) - PS3, Xbox 360, PC, celular, etc.
  • Assassin's Creed II (2009) - PS3, Xbox 360, PC, Iphone OS, etc.
  • Assassin's Creed: Brotherhood (2010) - PS3, Xbox 360, PC, etc.
  • Assassin's Creed: Revelations (2011) - PS3, Xbox 360, PC, etc.
  • Assassin's Creed III (2012) - PS3, Xbox 360, Nintendo Wii U, PC.
  • Assassin's Creed IV: Black Flag (2013) - PS4, Xbox One, PS3, Xbox 360, Wii U, PC.
  • Assassin's Creed: Unity (2014) - PS4, Xbox One e PC. 
  • Assassin's Creed: Syndicate (2015) - PS4, Xbox One e PC.
  • Assassin's Creed: Origins (2017) - previsão para outubro
Jogos derivados (spin-offs):
  • Assassin's Creed: Altaïr's Chronicles (2008) - Nintendo DS, Iphone, etc.
  • Assassin's Creed: Bloodlines (2009) - PSP.
  • Assassin's Creed II: Discovery (2009) - Nintendo DS, Iphone OS, etc.
  • Assassin's Creed: Project Legacy (2010) - Facebook.
  • Assassin's Creed: Recollection (2011) - Iphone 4, Ipad 1 e 2, Ipod 4, etc.
  • Assassin's Creed: Multiplayer Rearmed (2011) -  Iphone 4, Ipad 2, Ipod 4, etc.
  • Assassin's Creed III: Liberation (2012) - PS Vita, PS3, Xbox 360 e PC.
  • Assassin's Creed: Pirates (2013) - Smarthphones e tablets.
  • Assassin's Creed: Freedom Cry (2014) - PS4, Xbox One, PS3, Xbox 360 e PC.
  • Assassin's Creed: Arena (2014) - jogo de tabuleiro.
  • Assassin's Creed: Rogue (2014) - PS3, Xbox 360 e PC.
  • Assassin's Creed: Memories (2014) - Smarthphones e tablets.
  • Assassin's Creed: Chronicles China (2015) - PS4, Xbox One e PC.
  • Assassin's Creed: Chronicles India (2016) - PS4, Xbox One e PC.
  • Assassin's Creed: Chronicles Russia (2016) - PS4, Xbox One e PC.
  • Assassin's Creed: Identity (2016) - Smarthphones e tablets.
Histórias em quadrinhos (comic books):
  • Assassin's Creed: Graphic Novel (2007) -  edição especial de colecionador
  • Assassin's Creed: vol. 1: Desmond (2009) - narra a história de Aquilus
  • Assassin's Creed: vol. 2: Aquilus (2009) - continuação da história de Aquilus
  • Assassin's Creed: The Fall (2010) - narra a história de Nikolai Orelov
  • Assassin's Creed: vol. 3: Acippiter (2011) - narra a história de Accipiter
  • Assassins Creed: The Chain (2012) - conclusão de The Fall
  • Assassin's Creed: vol. 4: Hawk (2012) - narra a história de Numa Al'Khamsin 
  • Assassin's Creed: vol. 5: El Cakr (2013) - continuação do volume 4
  • Assassin's Creed: Brahman (2013) - narra a história de Arbaaz Mir
  • Assassin's Creed:  Awakening (2013) - mangá baseado no quarto jogo
  • Assassin's Creed: vol. 6: Leila (2014) - continuação do volume 5
  • Assassin's Creed: series vol. 1: Trial by Fire (2015-2016)
  • Assassin's Creed: series vol. 2: Setting Sun (2016)
  • Assassin's Creed: Templars vol. 1: Black Cross (2016)
  • Assassin's Creed: The Last Descendants Locus (2016)
  • Assassin's Creed: Uprising (2017)
  • Assassin's Creed: Templars vol. 2: Cross of War (2017) 
  • Assassin's Creed: series vol. 3: Homecoming (2017)
  • Assassin's Creed: Reflections (2017)
Livros:
  • Assassin's Creed: Renaissance (2009) - baseado no segundo jogo
  • Assassin's Creed: Brotherhood (2010) - baseado na trama do jogo
  • Assassin's Creed: The Secret Crusade (2010) - baseado no primeiro jogo
  • Assassin's Creed: Revelations (2011) - baseado na trama do jogo
  • Assassin's Creed: Encyclopedia (2011) - material de toda a série até 2011
  • Assassin's Creed: Forsaken (2012) - baseado no terceiro jogo 
  • Assassin's Creed: Black Flag (2013) - baseado na trama do jogo
  • Assassin's Creed: Black Flag: Blackbeard: The Lost Journal (2014) 
  • Assassin's Creed: Unity (2014) - baseado na trama do jogo
  • Assassin's Creed: Underworld (2015) - baseado no sexto jogo
  • Assassin's Creed: Last Descendants 1 (2016)
  • Assassin's Creed: Last Descendants 2 - Tomb of the Khan (2016)
  • Assassin's Creed: Heresy (2016)
  • Assassin's Creed: The Movie (2017)
  • Assassin's Creed: Into the Animus (2017) - making off do filme
Filmografias:
  • Assassin's Creed: Lineage (2009) - filme curta-metragem
  • Assassin's Creed: Ascendance (2010) - animação
  • Assassin's Creed: Embers (2011)  - animação
  • Assassin's Creed (2017) - filme em live action
NOTA: Alguns dos personagens que morrem nos jogos não necessariamente foram mortos da forma como mostrado ou morreram de fato naquela data.
NOTA 2: Ibn La-Ahad significa "Filho de Ninguém". Embora que o pai de Altaïr também tivesse o mesmo sobrenome.  
NOTA 3: Em Assassin's Creed II e Brotherhood existem os enigmas chamados Object 16. Nesses fragmentos de memória, o jogador tem que decifrar códigos e e outros desafios, que incluem números, símbolos, pinturas, fotografias e imagens de fatos históricos, de personagens históricos, de obras de arte, etc. A decifração de tais enigmas leva a respostas acerca de A Verdade (The Truth). 
NOTA 4: O Object 16 foram pistas deixadas por outro Assassino conhecido como Número 16, o qual foi cobaia da Abstergo antes de Desmond ser capturado. 
NOTA 5: Nas histórias em quadrinhos, Desmond possui outro antepassado, o galo-romano Aquilus (?-259), o qual viveu na Gália (França) sob o domínio do Império Romano, durante o século III. 
NOTA 6: Na história em quadrinhos conta-se história sobre outros Assassinos como Jonathan Hawk, o qual revive a memória de dois antepassados Assassinos, o alemanni Accipiter na época de Aquilus; e o egípcio Numa Al'Khamsin no século XIV. Outro Assassino é Daniel Cross (1974-2012) que revive as memórias de seu antepassado russo, Nikolai Orelov (c. 1800-1928). Ano passado foi apresentado mais um Assassino, a atriz indiana Monima Das, que vive a memória de seu antepassado, Arbaaz Mir durante o século XIX. 
NOTA 7: O jogo Assassin's Creed III: Liberation originalmente lançado em 2012 para o PS Vita, e agora relançado em HD para o PS3, Xbox 360 e PC, narra a história da Assassina, Avelinde de Grandpré (1747-?) uma mulher negra filha de uma escrava com um francês. A história se passa em Nova Orleãs e terras vizinhas entre o período da Guerra Franco-Indígena e da Guerra dos Sete Anos. O marcante desse jogo foi o fato de ser o primeiro e ainda o único a ter uma mulher como protagonista. 
NOTA 8: Os nomes Altaïr, Ezio, Aquilus e Orelov, são variações da palavra "águia" ou alusões a "voo", nestas distintas línguas: árabe, italiano, latim e russo. Haytham significa "jovem águia". No caso do nome Accipter, esse significa falcão em latim. E no caso de Aveline, embora signifique avelã em francês, seu nome tem origem latina, vindo da palavra "avis", que significa ave.
NOTA 9: Altair é o nome da principal estrela da Constelação de Águia (Aquila). Além disso, Aquila é o nome do navio que Connor usa em AC III. 
NOTA 10: Cesare Bórgia foi o mais jovem cardeal eleito na história do Vaticano, tendo sido eleito em 1492 aos 17 anos. No entanto, além de ter sido o mais jovem cardeal, também fora o primeiro cardeal a renunciar ao cargo, tendo o feito por volta de 1498, deixando a vida de clérigo para se dedicar a política e ao exército.
NOTA 11: O escritor e cineasta irlandês Neil Jordan criou a série The Borgias baseada na vida dos Bórgias, especialmente durante o período do pontificado de Alexandre VI. A série foi exibida originalmente no Canadá em 2011, possuindo três temporadas (2011-2013).
NOTA 12: Devido ao grande número de fãs da série Assassin's Creed no Brasil, a Ubisoft Brasil em parceria de um estúdio de animação brasileiro, o PYX, nesse 7 de setembro, lançou um tributo em forma de uma paródia animada intitulada Desaventuras de Assassinos Brasileiros, onde um assassino é enviado para o Rio de Janeiro, para matar D. João VI no ano de 1812. Os produtores da série disseram que o Brasil possui boas histórias que poderiam serem exploradas em um próximo jogo da série.
NOTA 13: O livro Assassin's Creed: A Cruzada Secreta aborda os eventos vistos no primeiro jogo com Altaïr, além da história dos jogos spin-offs que ele participa. 
NOTA 14: O livro Assassin's Creed: Revelações além de abordar a trama do jogo homônimo, também conta fatos após o fim da missão de Ezio em Constantinopla e seu retorno para a Itália, mostrando o que se sucedeu nos anos seguintes até a sua morte. O livro engloba a narrativa vista na animação Embers
NOTA 15: No livro Assassin's Creed: Renegado o foco se dá sobre a história de Haytham Kenway, a partir dos relatos de seu diário. Connor só aparece no final do livro. Além disso, pelo fato de focar a história de Haytham narra-se vários eventos que não são mostrados e ditos no jogo. 
NOTA 16: A Ubisoft há alguns anos cancelou o projeto de dois livros que seriam escritor por Steve Barnes: The Invisible Iman e The Eye of Heaven. Ambas as histórias falariam de um novo Assassino criado para a trama dos livros. 
NOTA 17: Além de cancelar livros, também se cancelou jogos como Lost Legacy, Duel e Utopia. O primeiro seria lançado para o Nintendo 3DS sendo um spin-off que contaria uma aventura de Ezio em Masyaf, mas a ideia foi encorporada no Revelations; o segundo seria a proposta de um jogo de luta, e o terceiro foi cancelado em 2013, onde a ideia era se construir uma colônia de Assassinos na América do Norte, durante o século XVIII. 
NOTA 18: Em Assassin's Creed: Rogue o protagonista é Shay Patrick Comarc, um Templário. Da mesma forma que em AC III se joga com Haytham Kenway que também era um Templário, em AC Rogue, o foco se dará pela óptica dos Templários, onde Shay que anteriormente era um Assassino, acaba traindo a Ordem e passa a caçar os Assassinos. 
NOTA 19: A Ordem dos Assassinos é representada no episódio 5 da temporada 1 da série Marco Polo (2014), produzida pelo Netflix. Na trama do episódio, alguns Assassinos são contratados para matar Kublai Khan, então Polo decide investigar quem foi o contratante do crime.  
NOTA 20: O jogo Assassin's Creed: Chronicles será dividido em 3 capítulos, vendidos separadamente. Cada capítulo consiste numa história com um Assassino diferente, a qual se passa numa época diferente. A primeira história se passa na China do ano de 1526 com a Assassina Shao Jun, a última discípula de Ezio Auditore (originalmente tal jogo foi lançado como uma DLC de AC Unity, mas agora será lançado como parte do Chronicles). O segundo capítulo se passa na Índia em 1871, durante o domínio inglês. O protagonista é Arbaaz Mir, o mesmo que aparece nas hqs. Já o terceiro capítulo ocorre na Rússia do ano de 1918, sendo o protagonista Nikolai Orelov, o mesmo que aparece nas hqs. 

Referências Bibliográficas:
BOWDEN, Oliver. Assassin's Creed: Renascença. Tradução de Ana Carolina Mesquita, 4a ed, Rio de Janeiro, Galera Record, 2011. 
BOWDEN, Oliver. Assassin's Creed: Irmandade. Tradução de Edmo Suassuna, Rio de Janeiro, Galera Record, 2012. 
BOWDEN, Oliver. Assassin's Creed: A Cruzada Secreta. Tradução de Domingos Demasi, Rio de Janeiro, Galera Record, 2012.
BOWDEN, Oliver. Assassin's Creed: Renegado. Tradução de Domingos Demasi. Rio de Janeiro, Galera Record, 2012. 
DEFOE, Daniel. Uma história dos piratas. Seleção e edição de Luciano Figueiredo. Rio de Janeiro, Zahar, 2008. 
FRANCO JR, Hilário. As cruzadas. 6a ed, São Paulo, Editora Brasiliense, 1989.  
GARTEN, Juan de. Os Templários: Soberana Ordem dos Cavaleiros do Templo de Jerusalém. São Paulo, Traço Editora, 1987.
GRANDE Enciclopédia Larousse Cultural, v. 3, São Paulo, Nova Cultural, 1998. 
GRANDE Enciclopédia Larousse Cultural, v. 7, São Paulo, Nova Cultural, 1998. 
GRANDE Enciclopédia Larousse Cultural, v. 9, São Paulo, Nova Cultural, 1998. 
GRANDE Enciclopédia Larousse Cultural, v. 22, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
HOURANI, Albert. Uma história dos povos árabes. São Paulo, Companhia de Bolso, 1991. 
KARNAL, Leandro; PURDY, Sean; FERNANDES, Luiz Estevam; MORAIS, Marcus Vinicius de. Uma história dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São Paulo Contexto, 2007. (Capítulos 4 e 5). 
MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Tradução de Antonino Caruccio-Caporale, Porto Alegre, L&PM, 2009. pp. 156-172.
MOURRISSON, Cécile. Cruzadas. Porto Alegre, L&PM, 2008.
QUATAERT, Donald. O Império Otomano: das origens ao século XX. São Paulo, Edições 70, 2008. 
REINHARDT, Volker. Alexandre VI: Bórgia o Papa Sinistro. Tradução de Márcia da Costa Huber. São Paulo, Editora Europa, 2007.  
ROCHA NETO, Nelson. Piratas e Corsários na Idade Moderna. Monografia defendida no curso de História, Universidade de Tuiuti, Paraná, 2009. 
SELLERS, Charles; MAY, Henry; MCMILLEN Neil R. Uma reavaliação da História dos Estados Unidos: De Colônia a Potência Mundial. Zahar, Rio de Janeiro, 2008. (Capítulos 4 e 5).
WELLS, H. G. História Universal, vol. 3. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1966. (Capitulo XXXI: A cristandade e as cruzadas).
  
Referências Digitais:
UBISOFT, Assassin's Creed, 2007.
UBISOFT, Assassin's Creed II, 2009.
UBISOFT, Assassin's Creed: Brotherhood, 2010.
UBISOFT, Assassin's Creed: Revelations, 2011.
UBISOFT, Assassin's Creed III, 2012.
UBISOFT, Assassin's Creed IV: Black Flag, 2013. 

Postagens relacionadas:
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Os Bizantinos
Quem foi Marco Polo?
As viagens de Marco Polo
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Piratas e Corsários na Idade Moderna
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A Revolução Francesa: Liberdade
A Revolução Francesa: Igualdade
A Revolução Francesa: Fraternidade

LINKS:
Assassin's Creed - opening 
Assassin's Creed II - trailer 
Assassin's Creed: Brotherhood - trailer 
Assassin's Creed: Revelations - opening 
Assassin's Creed: Lineage - legendado em português 
Assassin's Creed: Ascendance (em inglês) 
Assassin's Creed: Embers - trailer 
Assassin's Creed - wiki (enciclopédia virtual da série) em inglês
Assassin's Creed Rogue - trailer dublado em português 
Assassin's Creed Unity - story trailer 

32 comentários:

Daniel disse...

Muito loka a esplicaçao

Myrthes disse...

Apenas uma humilde observação, pois as datas não estão batendo.
Esclareço:
o Papa Clemente VII (primeira crizada??) foi eleito Papa em 19 de novembro de 1523 e permaneceu até a data da sua morte, em 25 de setembro de 1534. Seu antecessor foi Adriano VI e seu sucessor Paulo III.
Já o Papa Gregório VII (terceira cruzada??) foi papa de 1073 até sua morte, em 25 de Maio de 1085. Seu sntecessor foi Alexandre II e seu sucessor Vítor III.

Leandro Raliv disse...

Suas observações estão corretas. Fora falta de desatenção minha não conferir duas vezes a numeração dos papas. Nesse caso o correto é, Papa Clemente V e Papa Gregório VIII. No caso de Clemente V, o cito em referência a excomunhão dos Cruzados, não a Primeira Cruzada.
Agradeço por sua observação e ponderação.

Elvis Kinucris disse...

Muito Obrigado por este ÓTIMO trabalho!
Estou jogando o AS II e lendo o livro no momento e estou adorando simplesmente TUDO!

o AS I foi realmente CANSATIVO e muito REPETITIVO, mas a satisfação pós termino do game é muito boa, começar o AS II do ponto EXATO onde se parou no I

Novamente, MUITO OBRIGADO pelo excelente post!

Leandro Raliv disse...

Não a de que. Que bom que essa postagem esta sendo útil para alguns. Aproveite a história do jogo, em Brotherhood ela irá melhorar.

Unknown disse...

Gosto muito da série, no momento estou jogando o Revelations. Encontrei este site porque não conheço bem a história deste período relatado no jogo. Suas explicações históricas foram muito bem relatadas. Fiquei a para de todo o universo de Assassis Creed.
Na minha opinião, a melhor franquia desta geração. Principalmente por conta da história desafiadora e instigante. Ótimo trabalho.
Quando sair o terceiro jogo da séria, aumenta este post para deixá-lo mais completo.
Seu site já está no meus favoritos.

Unknown disse...

Parabéns pelo ótimo post amigo !
Terminei o primeiro Assassin's Creed a pouco tempo e gostaria de saber mais sobre a história naquele tempo e seu texto ajudou bastante.
Valeu mesmo

Jonathan Stocker disse...

Muito com bom, gostei do conteúdo, explica muita coisa que nos jogos passam despercebido!!! Parabéns.

Unknown disse...

Incrivel, nunca encontrei texto tão bem escrito e tão explicativo sobre o contexto histórico dos games, meus parabéns

Leonardo Alves disse...

Já zerei toda a Saga e compreendo toda a história, mas estou curioso ainda, porque ao longo do jogo eu descobri coisas que podem ser interessantes para serem estudadas, como a primeira civilização, Adão e eva, a maçã do éden e muitos outros mistérios que o jogo tem, gostaria de saber o que realmente aconteceu na primeira civilização, você poderia fazer uma explicação.

Leandro Raliv disse...

Sobre isso ainda não posso lhe dar uma resposta, pois ainda não completei o terceiro jogo, e comecei a ler o livro Assassin's Creed: Forsaken. No entanto, quando eu tiver mais informações, poderei postar algo do tipo, pois devo lembrar que o foco desse texto é falar do conteúdo histórico e não necessariamente das histórias ficcionais apresentadas pelos jogos. Pois nesse caso, a série traz uma nova visão sobre Adão e Eva e o que poderia ter acontecido.

Gustavo Estevez disse...

Caro Leandro
Fantástico seu post!
Gostaria de sua autorização para publicá-lo em meu site (que ainda está em construção e será inaugurado no início de abril).
Tal publicação será devidamente creditada, inclusive constando o nome de seu blog.
No aguardo.

Leandro Raliv disse...

Gustavo Estevez seu site é sobre o quê exatamente? Sobre jogos, história, cultura pop, variedades, etc.?

De qualquer forma, posso permitir que a postagem seja compartilhada. Mas lembre-se que eu costumo mantê-la atualizada quando saí alguma notícia relevante sobre o assunto.

Quando o seu site ficar pronto, compartilhe o link conosco.

Estevez disse...

Muito obrigado pela autorização!
O nome do site é dicueca.com.br, e falará coisas sobre o universo geek e nerd, tais como filmes, video game, quadrinhos...

Assim que ele estiver no ar, te aviso!

Nat Nitro disse...

Excelente post, Leandro!
É uma pena que a saga Assassin's Creed se perdeu demais na fantasia com essas novas dlcs da Tirania do Rei Washington. Essa realidade paralela da dlc ficou tão estranha que ate parece ser Skyrim e a impressão é que a qualquer momento vai aparecer um dragão e o Connor vai mata-lo com um "fu ros dah"... So achei que ficou faltando mais conteudo sobre o AC Liberation que é excelente tambem, especialmente por causa da Aveline que é muito carismatica, pena que exclusivo pra psVita, por enquanto. E vai ai uma fofoca de bastidores da Ubisoft: parece que a proxima dlc do ACIII vai juntar o Connor e a Aveline em umas missões paralelas das duas tramas e vai ter um grande romance entre os dois nessa historia. Tai um belo easteregg que um dos designers da ubisoft deixou no tumblr pessoal dele um dia desses:
http://25.media.tumblr.com/tumblr_m9tkz0wNGL1rbvmmgo1_500.jpg
To na expectativa de ver esse lado Liberation do Connor e da Aveline nos proximos capitulos da saga...
Um grande abraço!
Nat.

Leandro Raliv disse...

Acerca de você falar sobre AC III: Liberation, por ter pouco conteúdo aqui, o fato são dois para responder isso: primeiro, ele me comprometi em apenas falar a história dos jogos principais, pois não joguei os jogos derivados; segundo, AC III: Liberation é exclusivo do PS Vita, eu não tenho um desses, e dependo de meu PC para jogar a série de Assassin's Creed. Daí de não me adentrar em mais detalhes acerca deste jogo e de outros jogos derivados, por falta de conhecimento dos mesmo.

Mas agradeço vosso comentário e esse possível easteregg. Por hora, aguardo AC IV: Black Flag

Estevez disse...

Caro Leandro

Conforme havia lhe informado previamente, meu blog já está no ar: www.dicueca.com.br

Irei publicar a primeira parte do seu post nessa quinta-feira, e o dividirei em 4 ou 5 partes (para ficar mais no perfil dos meus leitores)

Um grande abraço, e muito obrigado pela sua autorização.

dinoball disse...

Essa é a mini cultura do jogo que supera toda que passa na cabeça do Marcelo Rezende -_-

Pedro Valério Jr disse...

Podem me criticar, mas conheci o jogo agora, até comprei o 1 para conhecer bem o jogo. Só tenho que dizer uma coisa: EXCELENTE esse blog!!! Parabéns!!!

Pedro - Mogi Mirim - SP

Unknown disse...

Maravilhoso post! Assassin's Creed é uma grande franquia, a minha preferida.
Estou esperando ansioso por um aprofundamento na Era de Oura da Pirataria. Seria legal também falar um pouco sobre o DLC, Freedom Cry, com as origens da revolução Haitiana!

Leandro Raliv disse...

Estou pesquisando para me aprofundar acerca do contexto histórico do jogo, mas quanto a Revolução Haitiana (1791-1804), ainda vou dá uma olhada até onde posso fazer menção a esta, pois ainda não joguei a DLC. Contudo, tenho que ver até onde poderei recuar para encontrar as origens da revolução, pois os acontecimentos que contribuíram para a revolução começaram por volta do final da década de 1750, mas só vieram a ter impacto propriamente nos anos de 1780, ou seja, um bom tempo depois da história dos jogos. Porém, verei o que posso mencionar.

rodrigo disse...

Mas e o simbolo da série? significa o que? Parece um compasso.

Leandro Raliv disse...

Sua pergunta é pertinente, mas ainda não consegui descobrir o significado deste símbolo. Já andei olhando nos sites da Ubisoft sobre a série, mas nada de fazerem menção ao significado do símbolo da Ordem. De qualquer forma, ainda continuo as investigações e quando encontrar, porei o seu significado.

Rita Pádua disse...

Vai ter também dos próximos jogos da saga?

Leandro Raliv disse...

Sim. A medida que os jogos da série principal forem lançados, farei a atualização.

Contudo, não posto os jogos spin-offs e as hqs, pois na maioria eles são apenas ficção, e possuem pouca relação com fatos históricos.

Renan Souza disse...

Por que o assassin's creed rogue está sendo tratado como um spin off?

Leandro Vilar disse...

Renan Souza, os jogos principais da série estão relacionados ao personagem do Desmond Miles ou a suas memórias. O protagonista de AC Rogue não é um ancestral de Desmond, pelo menos não apresentado até agora, se vier a ser, eu atualizo a postagem.

Logo, os personagens que não são antepassados do Desmond, consistem em spin-offs, como a Aveline e o Adélawé.

Quanto a AC Unity, aí é um caso a ser avaliado. Pelo que pesquisei, o Arno não é um antepassado do Desmond, logo, isso sugere que se trate de um spin-off, no entanto, a Ubisoft informou que estão para começar um novo arco de histórias, encerrando a participação de Desmond e colocando outro protagonista em seu lugar.

O que implica em dizer que o Unity não seria um spin-off, mas parte da série principal, embora contanto com tais diferenças. Todavia, se ele for considerado um spin-off, ele será mudado de posição.

Antonio Oliveira disse...

Incrível ótimo trabalho 👏👏👏 parabéns

Ana Carolina Assumpção disse...

Adorei o seu post! Sou estudante do curso de História e muito fã da série, claro que o tema da minha monografia será sobre o jogo. As referências bibliográficas irão ajudar muito na minha pesquisa.

Forte Abraço!

Leandro Vilar disse...

Obrigado Ana Carolina. Neste caso coloquei bibliografia bem simples. Tenho outros livros que poderia acrescentar, mas como o intuito é apresentar o básico sobre o tema, optei em não colocar nada mais a respeito. Além disso, tenho que atualizar a postagem com o último jogo.

Ana Carolina Assumpção disse...

Leandro, você poderia me passar essa bibliografia por email?

Leandro Vilar disse...

Ana Carolina posso sim. Inclusive coloquei apenas bibliografia básica aqui. Se quiser posso recomendar outras obras também. No caso da Revolução Industrial, ainda não joguei o AC Syndicate, por isso não escrevi a respeito.

Me passe seu e-mail. Que te envio a bibliografia.