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Leandro Vilar

terça-feira, 5 de março de 2013

Conhecendo os Celtas

Falar a respeito de como era a vida, as estruturas sociais, as leis, as estruturas de governo, a religião dos celtas, etc., é uma tarefa difícil, pois os celtas não foram um povo único em si, mas sim um conjunto de povos ligados pela língua céltica e alguns outros costumes, os quais viveram na Europa antiga, posteriormente sendo assimilados pelos romanos e seu império. A respeito disso, trato melhor desse assunto em Os Povos Celtas

A proposta desse texto de agora é falar a respeito de como alguns desses povos, especialmente os gauleses e os irlandeses foram retratados na História e como eram seus modos de vida, suas estruturas sociais, políticas, religiosas, judiciais, etc. Embora, houveram outros povos, mas devido ao fato dos mesmos não terem possuído um alfabeto escrito mais elaborado (com exceção dos irlandeses), e posteriormente terem sido assimilados pela cultura romana, as melhores fontes que temos sobre seus costumes advêm de historiadores gregos, romanos e irlandeses, sendo no caso dos irlandeses, estes são descendentes de tribos celtas-bretãs que se estabeleceram na Irlanda por volta do século VI a.C. 

Para não deixar o leitor de primeira viagem em confusão, os Povos Celtas eram basicamente divididos em:
  • Tribos Gaulesas
  • Tribos Celtiberas
  • Tribos Bretãs insular (bretãos, irlandeses e escoceses).
  • Tribos Gálatas
Mapa retratando a máxima extensão dos territórios dos Povos Celtas no século III a.C. 
Vale ressaltar que embora sejam chamadas de tribos gaulesas e assim por diante em respeito aos demais casos, havia várias tribos vivendo nas Gálias, pois o uso do termo gaulês referia-se como um gentílico genérico para designar qualquer celta que habita-se as Gálias, não necessariamente referia-se em se dizer que ele pertenciam a um povo gaulês em si, pois nas Gálias houveram mais de trinta tribos gaulesas. E cada tribo se reconhecia como sendo um povo próprio. 

A aparência dos celtas

Uma questão interessante diz respeito de como era a aparência dos celtas, nesse caso os melhores relatos que possuímos dizem respeito aos gauleses, as tribos celtas que habitavam a vasta região chamada de Gália ou Céltica que hoje corresponde em grande parte ao atual território da França, embora que no passado a Gália fosse bem mais extensa. O historiador e geógrafo grego Políbio (203-120 a.C) descreveu algumas características dos celtas, provavelmente ele teve acesso a retratos falados, pois algumas tribos celtas chegaram a atacar o norte da Grécia no século III a.C., antes de serem expulsas para a Ásia Menor. 

Políbio nos conta que os gálatas (termo também utilizado para se referir aos celtas) eram guerreiros fortes e bravos, tinham uma estatura mais alta do que dos gregos, e um porte físico mais acentuado; possuíam a pele mais branca, e entre seu povo era mais comum haverem pessoas de cabelos louros e olhos claros, pois em geral os gregos antigos e os romanos eram na maioria morenos e de olhos escuros. A estatura média dos homens era em torno de 1,60 a 1,65. Acredita-se que os gauleses tivessem um estatura média de 1,75, daí entre os romanos, os mesmos irem até as Gálias buscarem escravos para serem gladiadores, pois eram mais altos e mais fortes, algo que os germanos também se equiparavam. 

Estrabão, Diodoro de Siculo, Plínio entre outros historiadores, geógrafos e estudiosos gregos e romanos, também compartilham dessa similaridade. Nesse caso, eles diziam que as mulheres celtas eram mais altas do que as mulheres romanas e gregas, e muitas eram louras e até mesmo havia algumas ruivas. Porém, a ressalva que deve ser feita aqui, é o fato de que como os celtas se espalharam pela Europa, em alguns casos, seus traços físicos mudaram devido a miscigenação com outros povos. Por exemplo, os celtiberos, as tribos que viviam na Península Ibérica, não seriam tão iguais aos gauleses, eles seriam mais morenos e teriam olhos escuros. Por sua vez, os gálatas que viviam na Ásia Menor, mas que também eram celtas, possuíam suas diferenças, por terem se miscigenado com povos do Oriente Médio. 

Cópia romana da estátua grega O Gaulês Agonizante, esculpida no século III a.C, para simbolizar a vitória da colônia grega de Pérgamo sobre os gálatas. A estátua é uma das representações mais antigas conhecidas acerca da aparência dos celtas da Galícia.


Outro aspecto notável da fisionomia desses povos eram os cortes de cabelo e no caso dos homens da barba e dos bigodes. Os relatos romanos e gregos contam que era comum entre os homens celtas deixarem os cabelos ficarem longos, além disso, alguns tinham cabelos encaracolados, cacheados e até mesmo chegavam a fazer tranças. O uso de bigodes era comum entre muitas das tribos que formavam esses povos, geralmente os chefes deixavam os bigodes ficarem bem grandes, como forma de se destacarem socialmente. 

O uso de cavanhaque era comum, já a de uma barba mais espessa e longa, era reservado mais aos idosos ou aos druidas. Normalmente os homens faziam a barba, mas mantinham os bigodes. Além disso, os relatos antigos dizem que os homens e as mulheres costumavam passar uma espécie de óleo para untar os cabelos e deixá-los puxados para trás, embora hoje alguns historiadores contestem se isso realmente era uma prática dos celtas, ou foi um mal entendido que os gregos e romanos interpretaram.



A respeito dessa aparência dos celtas, tais aspectos reforçavam a noção que os romanos e os gregos tinham deles como bárbaros, mas principalmente os romanos. Entre os romanos era normal e até mesmo uma conduta social, os homens manterem os cabelos curtos e a barba feita, embora que entre os plebeus houvessem homens que usassem bigodes e barba, mas os cabelos longos não eram habituais entre os romanos. Para eles, a aparência dos celtas ajudava a corroborar sua ideia de serem bárbaros. Homens que deixavam os cabelos crescer e não se barbeavam com regularidade, não tinham aspecto de "civilizados".



O vestuário


A forma como os celtas se vestiam fora inicialmente uma outra maneira para conceber nestes por parte dos romanos e dos gregos a identidade de bárbaros. Homens e mulheres usavam túnicas (léine) geralmente feitas de linho ou de lã. No caso dos nobres alguns chegavam até mesmo a usarem roupas de seda, produto este vindo da Ásia Menor. Dependendo do lugar as túnicas poderiam ter mangas curtas, longas ou não terem mangas. As túnicas dos homens iam até a altura dos joelhos, já as das mulheres eram mais longas, chegando aos tornozelos. 


As túnicas eram presas por um cinto ou cinta (criss). Homens e mulheres também usavam uma pequena capa (brat) geralmente feita de lã e em formato retangular. Além dessas capas curtas eles também usavam capas longas e outros tipos de tecidos nos quais usavam para formar capas ou laços nas roupas, os prendendo com alfinetes feitos de bronze. As mulheres também usavam vestidos e no caso dos homens esses também usavam calças (bracae). Os celtas calçavam sandálias e sapatos. Políbio diz que os celtas usavam roupas coloridas, diferentes das roupas unicolor geralmente usadas pelos romanos e gregos. 

No caso dos trajes militares, pelas descrições que temos de Políbio, Dionísio e Estrabão, a maioria dos guerreiros celtas (pelo menos os que lutaram na Itália), usavam apenas calças e sandálias. Alguns usavam as capas curtas, mas  em geral lutavam sem camisa (claro que durante épocas frias, eles usariam blusas). No caso dos líderes, esses ou se trajavam iguais a seus soldados, ou usavam túnicas, calças, e até mesmo cotas, além de elmos. Em alguns casos os soldados também usavam túnicas e calças, e num caso mais específico, os gaesatae (lanceiros) lutavam nus. 



Desenho retratando guerreiros celtas da Gália.

Estrabão e Diodoro relatam que os celtas gostavam de usar adornos como braceletes, anéis, colares, brincos e broches. No caso dos homens, estes usavam braceletes feitos de bronze, ferro, ouro ou prata, além de usarem anéis e colares, sendo que em especial havia um colar chamado torque, no qual era apenas usado pelos homens, sendo feito geralmente de ouro, bronze e as vezes de ferro e prata. Os historiadores acreditam que o torque seja de influência asiática, pois os persas utilizavam colares similares, possivelmente os celtas devem tê-lo visto a partir de algum povo do leste europeu que tinha contato com os asiáticos. Os homens não tinham costume de usarem brincos.



As mulheres também usavam diademas. No entanto, posteriormente as mulheres também passaram a usar o torque, como atestam tumbas de rainhas ou mulheres nobres que foram sepultadas utilizando tal colar. Além disso, sabe-se que o torque também era retratado como sendo um adorno utilizado pelos deuses celtas. 

Um torque em ouro. Os torque eram colares usados apenas pelos homens celtas de algumas. Embora que nem todos os povos celtas faziam uso dele. 

No caso dos romanos, o fato dos celtas usarem calças era algo que lhe condizia com a identidade de bárbaros. Pois os povos que viviam nas orlas do Mediterrâneo não tinham o costume de usarem calças, eles usavam túnicas, saias, etc. Logo, era atribuído pelos romanos apenas os povos que viviam para o interior do continente o fato de usarem calças e nesse caso, para eles todos esses povos eram bárbaros. E o ato dos gaesatae lutarem nus, era ainda mais um indício para os romanos que tais homens eram bárbaros.

Organização social

Júlio César em seu Comentários sobre a Guerra da Gália, escreveu que a população gaulesa se dividia em três classes: os druidas, os quais formariam uma espécie de classe sacerdotal; os cavaleiros (equits) que seriam os nobres; e os plebeus, os quais seriam o restante da população. Evidentemente César fizera essa descrição julgando os gauleses a partir da ideia de divisão social que ele possuía dos romanos. 

Entretanto a divisão social dos gauleses e dos demais celtas não fora tão diferente assim como César supôs. A respeito da realeza muito se desconhece, sabe-se que reis celtas foram predominantes entre as tribos insulares (bretões, irlandeses e escoceses) porém entre os gauleses, celtiberos e gálatas, pouco se conhece a respeito de reis e rainhas. Acredita-se que por volta do século IV a.C os reis celtas das tribos do continente, foram substituídos por uma aristocracia que conquistou poder através da guerra e da posse de terras, pois entre os celtas nunca houvera uma identidade nacional de um Estado unificado, na realidade o que chamamos de Gálias, Celtiberia, Bretanha, Galácia, etc., eram regiões onde habitavam várias tribos celtas e cada tribo possuía seu líder. 

Mas embora se desconheça a existência de uma realeza celta antiga, pois na Irlanda, ilha na qual a tribo dos bretões colonizou, chegaram a se formar pequenos reinos como o próprio Powell (1974) atesta. De qualquer forma a estrutura social dos celtas era baseada no patriarcalismo e em núcleos familiares (fine), pois muitos dos celtas viviam em vilas ou em aldeias, pois as cidades celtas ainda eram poucas. Havia também a existência de fortes ou fortalezas, essas eram mais comuns na Gália. As vilas célticas na Irlanda eram chamadas de túath, onde cada um possuía seu líder e de certa forma cada família possuía direitos e deveres. Em alguns casos, o túath poderia conter um forte, onde viveria a nobreza ou a família aristocrata governante. 


Ilustração de uma aldeia celtibera.

No caso dos celtas-irlandeses, cada família de um túath era responsável por cada membro de sua família. Se algum membro da família comete-se algum tipo de crime ou desfeita, era atribuída a culpa a toda a família e a mesma deveria providenciar a punição do culpado ou a recessão sobre os danos. Além disso, Powell diz que entre os celtas independente de sua posição social, existia o chamado "preço de honra" (lóg n-enech), onde era medida a dignidade desse indivíduo e sua fortuna, pois a fortuna de um homem era algo importante em algumas sociedades celtas, pois embora um homem pudesse ser justo e honesto, ele deveria possuir uma fortuna razoável para se ver em uma posição confortável em sua sociedade. 


Para se entender melhor essas questões sobre a estrutura social dos celtas, a mesma basicamente poderia ser dividida nas seguintes classes, embora houvesse diferenças entre alguns povos celtas:
  • Druidas
  • Nobreza
  • Aristocracia 
  • Plebe
  • Escravos
Os druidas como será visto mais especificamente a frente, formavam uma classe ou grupo ligado as questões religiosas mas também a tradição, estando ligados a questões políticas e judiciais, embora nota-se que os druidas necessariamente não cuidassem de questões do governo propriamente. A nobreza advinha de antigas linhagens as quais chegaram a se ramificar, gerando outras tribos; por sua vez a aristocracia poderia ser formada tanto por nobres ou por famílias que ganharam poder através da guerra ou por alianças. Os plebeus seriam o restante da população, agricultores, pastores, artesãos, comerciantes, soldados, etc., por fim havia os escravos. 

Entre os celtas havia também a prática da clientela (célsine), prática esta também realizada pelos romanos, porém no caso dos celtas a clientela era diferente. Enquanto entre os romanos, os clientes (céle) eram plebeus que procuravam oferecer seus serviços a um patrício ou a fim de pagarem alguma dívida se sujeitavam ao trabalho para essa pessoa, ao mesmo tempo, os clientes romanos perdiam o direito a propriedade e tinham o direito de liberdade restrito. No caso dos celtas a clientela não seria uma "prestação de serviço" como visto entre os romanos, mas sim uma aliança. Plebeus e aristocratas poderiam ser clientes de outros aristocratas, nobres e até de plebeus, no caso de plebeu para plebeu. 

Nesse caso, a clientela era um acordo de ajuda onde um homem recorria ao apoio de outros para resolver determinada questão. Geralmente a clientela estava ligada a questões militares, no entanto, embora se fosse para prestar outro tipo de serviço, o cliente manteria seus direitos a propriedade e a liberdade, e terminado seu trabalho ele receberia uma recompensa ou pagamento. 

A clientela também poderia ser feita para saudar o "preço de honra" ou pagar uma fiança, dívida ou até mesmo um resgate. Powell conta que houve um caso que uma tribo de celtas atacaram os romanos na Província, região que os romanos conquistaram no sul da Gália, porém tal tribo fugiu, então os romanos cobraram de outra tribo celta que integrassem os culpados, mas devido a dívida de honra e as alianças entre tais tribos, ambas se puseram contra os romanos. 


A respeito da escravidão não se sabe muito a respeito de como essa procedera entre os diferentes povos celtas. Sabe-se que os gauleses comercializavam escravos com os romanos, mas geralmente os escravos eram prisioneiros de guerra, sendo estes provenientes de outros povos ou de tribos mais afastadas. 

A família

Pelo fato de viverem em tribos, os laços familiares eram bem mais próximos. A maioria dos celtas viviam da agricultura e da pecuária, logo toda a família ajudava na lavoura e no cuidado dos animais. Cada família possuía suas próprias propriedades que eram passadas hereditariamente. Sabe-se que na Irlanda, as mulheres também tinham direito a posse da terra, pois nos casamentos, as noivas possuíam parte do dote, sendo esse dote representado pelo seu direito por terras, embora fosse uma fração pequena, já era um progresso para o direito da mulher.


Além disso, como já fora dito, a sociedade era patriarcal, logo o chefe da casa era responsável por todos e pelo nome e honra de sua família em sua comunidade. Um fato a mencionar é que não se sabe ao certo se a propriedade da terra era coletiva ou privada, pois o direito de posse que as famílias tinham sobre a terra, era o direito de nelas trabalhar, mas não para acumularas e deixá-las "ociosas"; sabe-se também que a aristocracia parecia também não ter direito sobre tais terras, no sentido de a ela tais terras pertencerem. Mas ao mesmo tempo as terras não seriam coletivas, os historiadores acreditam que os celtas empregassem um sistema misto como visto entre alguns povos asiáticos.  


Numa tribo, cada família possuía suas responsabilidade; para via de exemplo, se houvessem artesãos, estes trabalhariam em sua especificidade, se houvessem soldados, estes serviriam, se houvessem agricultores e pastores, estes iam trabalhar no campo, e assim por diante. Todos possuíam deveres e direitos. No caso dos direitos, Powell aponta que as leis celtas eram transmitidas oralmente e eram debatidas pelos senhores de cada comunidade, em alguns casos, os druidas faziam a transmissão dessas leis, pois a eles estava associado a preservação e continuação dos saberes dos antepassados. Na Irlanda por volta do século V d.C, já existiam "escolas de Direito", onde os filhos da nobreza e da aristocracia iam estudar para se tornarem juristas. 


Um ponto interessante a mencionar que chamou a atenção de Júlio César fora o fato de que ele disse que os pais celtas não mostravam seus filhos publicamente a não ser que estes fossem maiores de idade. César não soube explicar isso. Porém, historiadores apontam que entre os irlandeses, pelo menos entre famílias mais abastadas, havia a prática de se enviar os filhos para viverem com pais adotivos, de preferência famílias mais ricas que as suas, de forma que pudessem conceder uma boa educação para seus filhos. 


Segundo Powell seguindo esse costume irlandês antigo, as mulheres viveriam na casa de famílias adotivas até os 14 anos, quando as mesmas retornavam para casa de sua família a fim de começar a se procurar um marido para ela. No caso dos homens, estes retornavam para o lar aos 17 anos, quando atingiam a maior idade. Porém Powell lembra que tal conduta não era unânime a todas as tribos e povos celtas, mas especificamente aos irlandeses.

Agricultura, pecuária e comércio


Basicamente os celtas viviam da agricultura e da pecuária, no entanto dependendo da região, eles poderiam ser mais agrícolas ou mais pecuaristas. Na Irlanda e na Escócia, os celtas eram mais pecuaristas devido ao clima frio destas terras, que prejudicava o cultivo de certas culturas. Os celtas costumavam criar vacas, cabras, ovelhas, porcos e cavalos. E tinham cães como animais de estimação. Além disso, as aldeias e vilas que ficavam próximo a rios, lagos e do mar, eram fontes de pescado. 


Os celtas também caçavam, quando havia abundância de caça (javalis, patos selvagens, faisões, cervos, etc). Diferente do que vemos nas histórias em quadrinhos de Asterix, onde os gauleses se fartavam em banquetes com carne de javali, na realidade, os gauleses preferiam mais carne de porco (principalmente assada ou cozida em um grande caldeirão), pois nem sempre era fácil se caçar javalis ou encontrá-los, pois a caça excessiva reduziu as populações ou as fizeram migrar para outras regiões.

Na Gália, o cultivo do trigo e da cevada eram a base da alimentação gaulesa. Do trigo faziam o pão e da cevada a cerveja. Eles também consumiam frutas, alguns outros tipos de plantas que poderiam encontrar na floresta, e até mesmo cogumelos. Bebiam leite de vaca e de cabra e se fosse o caso até de égua. Fabricavam queijo e manteiga. 


Os celtas também praticavam o comércio há vários séculos. Pelo fato de terem sido grandes ferreiros e o povo responsável pela difusão da metalurgia à base de ferro na Europa Central e Ocidental, os celtas por muito tempo chegaram a comercializar bronze, ferro, estanho e outros metais com os gregos, romanos, etruscos e até com outros povos do leste europeu. Os celtas comercializavam tanto os metais puros como também objetos de metais, pois a arte celta era uma das mais avançadas da Europa Central. Além disso, eles também comercializavam cerâmicas e escravos. 



Cerâmica celta do estilo Hallstatt, encontrada em Heuneburg, Alemanha.

Por longos séculos o comércio da maioria dos povos celtas fora feito a base de escambo (troca de mercadorias) mas por volta do século III a.C na Gália surgiram as primeiras moedas conhecidas, estas feitas de ouro e baseadas no modelo das moedas de Alexandre, o Grande. Também foram encontradas moedas de bronze no sul da Bretanha e moedas de prata na Aquitânia. No entanto, nem todas os povos celtas faziam uso dessas moedas, pois os principais exemplares foram encontrados entre os territórios das Gálias e da Bretanha. 


Moedas celtas de prata.

Além de vender mercadorias, os celtas, principalmente as famílias mais ricas comprovam muitos produtos que seriam considerados como artigos de luxo. O vinho como atesta Powell era um desses produtos. Foram encontradas em tumbas datando do século VI a.C na parte leste da Gália (hoje França) tumbas contendo jarras de vinho vindos da Grécia. Embora grande parte da população bebesse cerveja, o vinho era uma bebida rara naquelas terras, pois os celtas desconheciam o cultivo da uva, logo este era importado. Além do vinho, eles também compravam tecidos, joias, ouro, prata, cerâmicas ornamentadas vindas da Grécia e de Roma, etc.


Uma tigela com adornos em ouro. Datada do século V a.C do estilo La Tène.

As moradias

As moradias celtas variavam de região para a região. Na Celtiberia na Espanha, os celtiberos costumavam construir casas em formato circular ou ovoide. Nas Gálias, as casas tinham um formato mais retangular. Na Bretanha e na Irlanda podia-se se encontrar ambos os formatos. No entanto, essencialmente a casa das famílias comuns, tinha apenas um cômodo, o qual era sala, cozinha e quarto. Porém, as casas dos ricos eram bem maiores, e na Bretanha e Irlanda chegaram a se encontrar vestígios de casas com vários cômodos e até mesmo com primeiro andar. 

Ilustração de uma casa celta.

A maioria das casas eram feitas de madeira, porém se houvesse a disponibilidade de pedras, elas eram feitas de pedras. A maioria das casas nas Gálias, Bretanha e Irlanda eram feitas de madeira. Na Celtiberia nota-se um maior número de casas de pedras em determinadas regiões. O telhado era feito de madeira e revestido com palha, peles de animais, ou outro tipo de tecido mais grosso. Na Irlanda e na Escócia, se encontravam telhados revestidos com húmus ou terra, pois ajudava a preservar o calor durante as épocas frias. Na Bretanha muitas casas possuíam um depósito no chão, o qual consistia num buraco para armazenar cereais.

"Um aspecto notável de alguns dos centros de povoamento agrícola celtas, que não podemos deixar passar em claro, era o do uso de fundos poços para armazenagem, espécie de silos, cavados sob o solo da casa ou do recinto da habitação. É de crer que estes poços tivessem sido aproveitados principalmente para armazenagem de cereais, e, pelos menos na Grã-Bretanha, eram revestidos de esteira de vime e serviam apenas por algumas estações, devido aos efeitos da umidade. Depois enchiam-nos de entulho e terra e abriam outros". (POWELL, 1974, p. 95).

Powell conta que os celtas faziam as refeições geralmente sentados no chão, . Eles se sentavam sobre peles ou tapetes, em círculos, em torno de uma mesa baixa, onde era posto a comida em pratos e travessas. Comia-se com as mãos. No entanto, em outras regiões, os celtas faziam as refeições sentados em cadeiras ou bancos e em mesas mais altas. Em alguns casos, mesas e bancos eram postos no lado de fora, e toda a aldeia ia participar de um jantar coletivo, com música e dança. Os celtas eram conhecidos por apreciarem a música, a poesia e a dança. Tais festas eram mais recorrentes nos períodos de celebrações religiosas, em casamentos ou nas celebrações de vitórias militares.

Júlio César descrevera que os celtas não possuíam hábitos à mesa, comiam como verdadeiros bárbaros, arrancando pedaços de carne vorazmente, arrotando, falando alto, cuspindo, etc.  

Porém, um fato a salientar é que os celtas tinham o costume de que quando uma visita chegava em sua casa ou tribo, oferecia-se água ou cerveja e comida, depois que o visitante estivesse alimentado, eram feitas as perguntas sobre sua procedência e sua intenção naquele lugar. 

A arte

Fala sobre a arte celta é um assunto bem abrangente pois envolve vários séculos, no entanto devido a limitação de minhas fontes e a iniciativa deste texto em particular, farei uma explanação geral de como era a arte celta antes da total conquista romana. 

A arte celta basicamente se divide em quatro fases:

  1. Estilo da Cultura de Hallstatt (900-500 a.C)
  2. Estilo da Cultura de La Tène (500 - ca. 50 a.C)
  3. Estilo romanizado: continental e insular (séc. I ao V d.C) 
  4. Estilo medieval insular: irlandês e bretão (séc. V ao ca. X)  
Todavia deve-se ressalvar que pelo fato de os Povos Celtas terem habitados distintas regiões do continente, não significa que eles tivessem o mesmo estilo artístico. A cronologia mencionada acima, refere-se mais as tribos gaulesas e insulares (bretões, irlandeses e escoceses), pois são os povos de quem mais possuímos informações. Além disso, dependendo da localidade das tribos, essas sofriam influência regional, tal fato é evidente que a arte celta da Cultura de La Tène sofrera influência da arte grega, etrusca, romana e cita.

O estilo da cultura de Hallstatt marca o início do começo da arte celta, onde os trabalhos em metais e outros matérias como a pedra e a madeira ainda estão sendo desenvolvidos, porém, já no final desse estilo nota-se um grande avanço na ourivesaria e na metalurgia. Na arte das cerâmicas, o estilo geométrico ainda era predominante com formas as vezes irregulares e tracejadas. 

Cerâmica celta do estilo Hallstatt.

Durante o período La Tène o qual fora bem influente sobre as Gálias, a Bretanha e a Europa Central, a ornamentação da cerâmica e a forma das estátuas sofreram mudanças bem significativas. Se antes o estilo das cerâmicas era basicamente geométrico, agora nota-se desenhos de animais, de paisagens, de pessoas, de seres mitológicos, nesse caso revelando uma influência da arte cita da Ásia e da arte etrusca e grega. No caso das estátuas tanto em pedra quanto e madeira, embora sejam poucos seus remanescentes hoje em dia, a influência do modelo grego é bem visível e posteriormente do modelo romano seria ainda maior, pois os romanos governariam tais povos por  quase cinco séculos.

Vaso celta do período La Tène. Nota-se as figuras e animais e outros desenhos na cerâmica, em contra-parte as formas geométricas comuns do período anterior. 

Nos ornamentos feitos de metais preciosos ou em bronze e ferro, o estilo se tornou mais detalhado e trabalhado, formas, curvas, o incremento de pedras preciosas, passou a ser visto entre os tesouros descobertos nas tumbas. Até mesmo estátuas, pelo menos bustos em bronze e ouro fora descobertos, e nesse caso a influência do estilo greco-romano era marcante. 

Caldeirão de prata do estilo La Tène. 

Porém, quando chegamos a Irlanda e a Bretanha no período medieval, a literatura celta começa a surgir e a ganhar mais espaço, e graças a ela a poesia e a música puderam ser preservadas, pelo menos no caso irlandês.  Entretanto, como minhas fontes não me permitem seguir por esse caminho, encerrarei por aqui essa breve explanação. 

Religião e mitologia


A mitologia celta ou céltica fora uma mitologia bem abrangente geralmente dividida em três categorias: goidélica: Irlanda e Escócia; britânica insular e céltica continental. O problema é que como os celtas compreendiam vários povos, cada povo celta possuía seus próprios deuses, embora houvessem alguns deuses em comum. Além disso, haviam deuses tribais e locais, logo cada tribo celta, acreditava possuir seu próprio deus protetor (nesse caso, a figura masculina seria a guardiã das tribos, por sua vez a figura feminina estaria associada a natureza), por vez, alguns locais naturais como montanhas, rios, lagos, árvores, cavernas, etc., poderiam ser o lar de deusas. Hoje conhece-se mais de 200 nomes de deuses celtas, no entanto, alguns historiadores têm dúvida se tais nomes seriam nomes próprios de divindades específicas, ou seriam epítetos ou outro nome para um mesmo deus ou deusa. 


Outro aspecto que marca a mitologia celta, é que a mesma não era tão coesa como a dos gregos e dos romanos, os deuses celtas necessariamente não possuíam atributos específicos como visto entre os deuses greco-romanos, daí Powell dizer que quando os romanos quiseram assimilar os deuses celtas-gauleses, no intuito de identificá-los a Júpiter, Marte, Apolo ou Mercúrio, curiosamente o mesmo deus celta poderia ser comparado a dois deuses romanos. Alguns deuses celtas poderiam ter vários atributos e as vezes nem sempre é claro saber qual sua verdadeira atribuição, pois muito da religião celta se perdeu na história, os melhores relatos que temos vem principalmente dos irlandeses, dos escoceses, dos galeses e dos romanos. 


A religião celta antiga era de caráter politeísta, animista, dualista (masculino e feminino), naturalista (no sentido de está muito ligada a natureza e suas mudanças), uma religião ligada a magia, a qual era vista como um poder que emanava do espírito e dos deuses percorrendo o mundo e todos os seres vivos e elementos que nele existissem; acreditava em vida após a morte, em reencarnação (pelo menos por parte do druidismo), embora que não se tenha conhecimento de como era concebida a vida após a morte, os túmulos encontrados, revelaram alimentos e bebidas enterrados como oferendas ao morto, possivelmente na ideia de que o mesmo precisaria de mantimentos para poder seguir viagem até a "outra vida". 


Todavia sabe-se que os celtas possuíam uma forte ligação com a natureza. Antes dos romanos os conquistá-los, os celtas não construíam templos propriamente para seus deuses, a maioria das celebrações, ritos e festas eram feitos ao ar livre, geralmente em bosques sagrados, e em alguns casos em cavernas ou em tumbas. Alguns historiadores e arqueólogos consideram as tumbas e algumas estruturas simples com pilares e um telhado como tendo sido templos. 


Dependendo do povo, os festejos poderiam ser ligados aos ciclos da agricultura como visto entre os gauleses ou ao ciclo do pastoril como visto entre os irlandeses. O ciclo de pedras chamado de Stonehenge na Inglaterra é um dos locais de culto mais antigos conhecidos pelos antigos celtas. Por muito tempo pensou-se que os druidas foram os responsáveis pela construção de Stonehenge, data de pelo menos 4.500 anos atrás. 

"Uma forma muito generalizada parece ter sido a do bosque sagrado, ou extensão de terreno em que cresciam tufos de árvores. Julga-se ser esta a implicação geral do vocábulo nemeton, que está amplamente distribuído em topônimos por todas as terras onde passaram celtas. Alguns exemplos são Drunemeton, o santuário e centro de reunião dos Gálatas da Ásia Menor, Nemetobriga, na Galiza espanhola, Nemetacum, no território dos Atrébatas do Nordeste da Gália, e Nemetodurum, de que derivou o nome moderno de Nanterre. Na Grã-Bretanha havia no Notthinghamshire um lugar Vernemeton, e no Sul da Escócia um Medionemeton". (POWELL, 1974, p. 143-144).



Muito dos bosques sagrados ficavam em áreas que haviam muitos carvalhos, pois o carvalho é uma árvore sagrada para vários antigos povos europeus, incluindo os germanos, poloneses, lituanos, russos, vikings, eslavos, etc. A própria palavra druida significa ("sábio carvalho"). Júlio César diz que na Gália havia um local sagrado onde os druidas costumavam reunir-se, esse local era chamado de Bosque dos Carpetos

Acerca dos rituais antigos, os mais conhecidos advêm da literatura irlandesa, onde alguns dos principais festejos eram:

  • Samain: Celebrado no dia 1 de novembro era a festa de Ano Novo. Além disso, alguns dos animais eram sacrificados na ocasião. No ritual também entoavam músicas, cantos e se dançava. Na ocasião os celtas celebravam a vinda do novo ano e a união entre o deus tribal, geralmente chamado de Dagda com uma deusa da natureza, geralmente chamada Morrigan, a Rainha dos Demônios
  • Beltine o Cétshamain: Celebrada em 1 de maio marcava o início da estação quente e do crescimento do pasto, logo era a época na qual o gado voltava a pastar para engordar até o próximo inverno.
  • Imbolc: Celebrada em 1 de fevereiro pouco se sabe sobre esta festa. Sabe-se que sua celebração estava ligada as ovelhas.
  • Lugnasad: Celebrada em 1 de agosto, tal festejo estava ligado a agricultura e ao deus Lug, um dos mais conhecidos deuses do panteão céltico. 
Ilustração em prata do deus Dagda.

A respeito dos deuses celtas, alguns dos principais deuses que se conhece estavam: Dagda, considerado por alguns historiadores como sendo um deus específico em si, ou talvez era um nome genérico que os celtas insulares usavam para se referir ao deus de sua tribo. Dagda ora é representado como um homem velho, de barba branca e de semblante gentil, ora é representado como um forte guerreiro, armado com clava, tendo um caldeirão e as vezes era representado possuindo um enorme pênis, possivelmente tal ideia esteja ligada a um atributo de virilidade ou fertilidade.


Uma das principais deusas adoradas entre os irlandeses, e as vezes associada como sendo esposa de Dagda era a deusa Morrigam, a qual é difícil de classificar seus atributos. Morrigam as vezes era associada a guerra, a noite, aos mortos, ao medo, a lua, ao misterioso, a magia, pois as vezes se transformava em alguns animais como lobos, corvos e enguias. Morrigam recebia os epítetos de Nemain ("Pânico") e Badh Catha ("Corvo da Batalha"). Em alguns relatos diz-se que ela possuía duas irmãs, as deusas Macha e Medb, porém, alguns historiadores questionam se tais deusas seriam outras pessoas, ou seriam nomes diferentes para Morrigam, lhe concedendo outros atributos, tal fato é visível entre os hindus, onde o mesmo deus pode ter vários nomes. Alguns consideram que Morrigam, Macha e Medb formam uma tríade, algo comum entre os celtas, pois existem estátuas de deuses e deusas com duas faces e três faces, simbolizando três personalidades de uma mesma divindade. 

Ambos os deuses Dagda e Morrigam, eram mais cultuados entre os celtas insulares (bretões, irlandeses e escoceses), entre os gauleses temos os deuses Belenus, considerado o deus do sol; Taranis, era associado ao sol, ao céu, raios e trovões; seu símbolo era a roda de oito raros, um símbolo bem difundido entre os gauleses. Toutatis, era associado a guerra, porém estava associado a proteção do lar, da tribo. Alguns historiadores questionam se Toutatis era um deus específico ou o nome de um outro deus, ou um termo genérico para um deus tribal. Eusus, é um deus que hora fora associado a guerra e hora a proteção da natureza, no entanto, junto com Taranis e Toutatis forma uma das mais famosas tríades de deuses cultuadas entre os gauleses e os bretões. 



Uma deusa que fora bem difundida entre os celtas, especialmente os gauleses fora a deusa dos cavalos chamada Epona (literalmente "Grande Égua"). Embora Epona fosse a protetora dos cavalos ela possuía outros atributos ligados a agricultura, o pastoreio, a natureza, a fertilidade, etc. Fora uma das principais deusas a serem cultuadas pelos romanos, durante a época imperial. Imagens da deusa foram encontradas em templos romanos pela Itália, e até mesmo templos foram construídos na Gália pelos romanos para o seu culto. O culto de Epona pode ter sido associado ao culto das deusas romanas Cibele (deusa da natureza) e de Ceres (deusa da agricultura), no entanto, seu nome mantivera intacto, e até mesmo fora lhe designado epítetos romanos e um feriado, o qual era celebrado no dia 18 de novembro. Epona também se tornou a deusa protetora da cavalaria romana e até mesmo esteve associada aos imperadores. 

Outro deus conhecido entre os celtas era Lug, embora que esse diferente de Epona e outros deuses e deusas celtas não foram assimilados pelos romanos, pelo contrário, os romanos passaram a identificá-los com seus deuses, e tentar converter seus cultos para os cultos dos deuses romanos. 

"O deus Lug é descrito nos tratados mitológicos como um recém-chegado à sociedade dos seres divinos irlandeses. Também ele era um deus tribal, mas de carácter menos arcaico do que os outros; as suas armas eram diferentes e o seu epíteto (samildánach) indica-o mais como senhor de todas as habilidades em particular do que do conhecimento geral. O seu nome, é claro, reconhece-se bem em Lugudunum, a moderna cidade de Lião, e certo número de outros nomes de cidades do continente". (POWELL, 1974, p. 123). 
Pintura retratando o deus Lug, um dos mais populares deuses celtas entre os irlandeses, bretões e gauleses.

A história da vida de Lug ou Lugh é bastante narrada no conjunto de textos irlandeses chamado Tuatha Dé Dannan ("Povos da Deusa Danu"), consiste numa série de histórias que falam a respeito da colonização da Irlanda pelos Tuatha Dé Dannan; a formação de tribos célticas e da cronologia e genealogia dos deuses. Entre as várias histórias que narram as proezas do deus Lug e outros deuses, diz-se que Lug era um homem prodigioso e de grande talento, o mesmo fora desafiado várias vezes a realizar distintos tipos de ofícios e os cumpriu de forma magistral.

Retomando a questão dos rituais, vestígios arqueológicos encontraram restos de ídolos em pedra, alguns até em madeira mas em péssimo estado de conservação, além de tumbas, túmulos e pilares.

"Encontra-se ainda outro tipo de monumento relacionado com o culto que merece também uma breve notícia. No Cento de Espanha e no Norte de Portugal, e geralmente associado a castos de tribos celtas ou parcialmente celas, encontraram-se grandes esculturas em pedra de varrões e touros. A inspiração para estas escultura é provavelmente mediterrânica, mas a finalidade servia aos fins dos Celtas, pois parece terem tido relação com a fertilidade e prosperidade dos rebanhos e achavam-se situadas em cercados para o gado, ou em posições que os dominavam, logo abaixo das próprias cidadelas. No Norte de Portugal encontram-se também esculturas de guerreiros armados, que parece terem servido, igualmente, de ídolos protectores". (POWELL, 1974, p. 152).


Encontraram-se vários ossos de animais como vacas, carneiros, ovelhas, cabras, cavalos e até mesmo cães. Parece que além de sacrifícios de animais os celtas também realizavam sacrifícios humanos. Existem algumas histórias irlandesas antigas que falam de rituais onde pessoas eram sacrificadas para "apaziguar" a ira dos deuses, geralmente durante um período de fome, seca, inverno rigoroso, peste, etc. Entretanto, não existe um consenso se o ato do sacrifício humano fosse algo comum entre todos os povos celtas. 


Lucano (39-65), poeta romano, dizia que os sacrifícios humanos eram feitos de três formas: cremação, afogamento e enforcamento. Segundo o seu relato, as vítimas sacrificadas ao deus Toutates eram afogadas, as vítimas de Esus eram enforcadas e as de Taranis eram queimadas. Júlio César relata que os escravos eram queimados juntos com seus mestres quando estes morriam, e que os druidas realizavam um sacrifício humano chamado de "homem de vime", onde com vime (pedaços do vimeiro) construía-se uma espécie de "gaiola" com forma humana, então as vítimas do sacrifício eram aprisionadas dentro dessa "gaiola", e eram queimados vivos.



Gravura do século XVIII retratando o chamado "homem de vime" (wicker man) no qual vítimas eram queimadas vivas em sacrifícios celtas. 

Os celtas também ofereciam oferendas votivas para seus deuses. As oferendas votivas são oferendas que eram deixadas em locais sagrados ou próximos a estes. Júlio César e outros historiadores romanos falam a respeito dessa prática dos celtas. César diz que armas, escudos, elmos, armaduras e outros espólios eram jogados em rios, lagos, ou deixados em bosques ou outros locais sagrados. Estrabão citando Possidônio (o mesmo chegou a viajar pela Gália no século I a.C), diz que joias, barras de ouro e prata, cerâmica, vasos, comida e bebidas também eram ofertados. Na Bretanha do início da Idade Média, haviam histórias sobre espadas mágicas que haviam sido jogadas em lagos e rios. 

"A referência de Possidônio a lagoas sagradas, o que também pode significar charcos ou pântanos, tem um particular interesse devido a certo número de descobertas arqueológicas para as quais não há melhor interpretação que como depósitos votivos". (POWELL, 1974, p. 153). 


Pouco se sabe como eram as celebrações destes ritos e festejos mais antigos, mas sabe-se que haviam alguns ritos que eram realizados apenas pelas mulheres, uns eram celebrados durante o dia, outros eram feitos durante noites de lua cheia ou lua nova, envolvendo fogueiras, caldeirões, sacrifícios, libações, etc. Tais ritos foram visto pelos cristãos como sendo práticas de bruxaria, e tais mulheres e homens que as realizavam foram perseguidos como sendo bruxas, feiticeiras, magos e bruxos. 


Para encerrar essa parte acerca da religião e da mitologia, assuntos que rendem livros próprios para se debater o assunto do que um breve relato como esse, falarei a respeito de uma figura curiosa e ainda misteriosa da religião e da sociedade céltica, os druidas. 


"A palavra 'druida', tal como é usada nas línguas europeias modernas, deriva do céltico continental através dos textos gregos e latinos. César, por exemplo, refere-se a druides e Cícero a druidae. Ambas são, é claro, formas latinizadas do plural. Nas línguas célticas insulares que ainda sobrevivem drui (sing.) druad (plur.) são formas da mesma palavra tiradas de tetos em irlandês antigos. O equivalente galês no singular é dryw. Como palavra considera-se que druida deriva de raízes que significam 'sabedoria do carvalho', ou possivelmente 'sabedoria grande' ou 'sabedoria profunda'". (POWELL, 1974, P. 160). 



Gravura de dois druidas.

Falar a respeito da hierarquização dos druidas, de como eles trabalhavam e atuavam nas sociedades celtas bretãs, irlandesas e gaulesas é uma tarefa bem difícil, pois os ensinamentos do Druidismo, religião ensinada pelos druidas eram passados oralmente; os romanos e os gregos nada escreveram sobre esses ensinamentos, apenas relatam o que viram e ouviram acerca desses homens e mulheres, pois entre a classe dos druidas haviam as druidesas

A respeito dos textos irlandeses, os primeiros relatos que achamos sobre os druidas e as druidesas datam do século VIII, já no período medieval, logo, historiadores como Powell e Ronald Hutton, dizem que praticamente nada sabemos sobre os druidas, pois ao longo da História muita coisa se perdeu e fora deturpada. Powell chama a atenção que durante a Idade Média e a Idade Moderna, os druidas ganharam um caráter semilendário, começaram a surgir histórias um tanto "fantasiosas" sobre suas pessoas.

A druidesa, pintura de Alexandre Cabanel.

Sabe-se que os druidas se organizavam em uma hierarquia embora se desconheça muita coisa a respeito de como era essa hierarquia e cada grau ou nível que se dividia e suas funções especificamente. Pela internet encontra-se vários textos a respeito, no entanto, muitos não são confiáveis, pois como fora dito muito fora inventado ao longo desses dois mil anos, ou até mesmo distorcido. 

Os druidas e as druidesas além de terem uma função sacerdotal e ritualística, eles também eram magos e magas, pois a magia era um elemento profundamente encrustado na religião celta como fora visto anteriormente; atuavam como juízes, professores, filósofos, curandeiros, conselheiros, poetas,  e até mesmo como videntes e profetas, etc. A questão da poesia necessariamente não era apenas arte, mas também estava ligada ao ensino; contar histórias através de poesia era transmitir os antigos ensinamentos, pois o conhecimento e a sabedoria druídica eram transmitidos oralmente. 

Além do ritual do "homem de vime" relatado por César, o historiador romano Plínio, o Velho (29-79) falara a respeito do ritual do carvalho e dos visgo, o qual era realizado pelos druidas, o que incluía o sacrifício de dois touros brancos. 

Pelo fato de estarem associados a magia e ao curandeirismo, muitos druidas e druidesas possuíam conhecimentos botânicos e medicinais, e alguns sugerem que até mesmo alquímicos, embora nesse último caso, não se tem certeza. Os druidas também provavelmente teriam conhecimentos sobre astronomia e astrologia, pois entre os povos antigos era comum muitas questões religiosas estarem associadas ao movimento e posição dos astros. Todavia nada se sabe que ensinamentos eram realmente estes e como eram transmitidos. Segundo, Júlio César, os druidas eram ensinados em locais sagrados e escondidos, as vezes poderiam ficar vários anos estudando até deixarem de serem aprendizes e se tornarem druidas em si. César chegou a dizer que eles poderiam levar até 20 anos estudando, no entanto, não se tem como corroborar tal afirmação. 

A respeito das pessoas indicadas para se tornar aprendizes, também não se sabe como os homens e as mulheres eram escolhidos; não se sabe se apenas era permitido que os filhos e filhas dos próprios druidas e druidesas continuassem com esses ensinamentos, ou pessoas de outras classes poderiam serem inseridas nessa educação. 

Outro aspecto que marca os druidas é a sua retratação. Geralmente vemos imagens de homens velhos de longas barbas e cabelos brancos, usando longas túnicas brancas, presas por um cinto ou uma corda na cintura, trazendo na mão direita um cajado, e preso no cinto uma adaga ou uma foice de ouro. Entretanto, acredita-se que os druidas não se vestissem apenas de branco, mas utilizassem trajes em cores cinza, marrom, azul claro, ou até em mais de um tom, embora não se tem certeza acerca disso. Além disso haviam druidas mais jovens, possivelmente por volta de seus quarenta e cinquenta anos, logo nem todo druida seria homens velhos. 


A questão da foice de ouro também contestável, mas alguns historiadores acreditam que tal objeto fosse puramente simbólico e possivelmente dado apenas aos druidas de níveis elevados. Outro objeto ritualístico ligado aos druidas seria a varinha mágica, objeto também questionável de existência. 


Um último aspecto a ser tratado diz respeito a alguns aspectos do Druidismo. Embora os druidas cultuassem os deuses celtas, eles também possuíam seu próprio rito; sabe-se através dos relatos de Júlio César e outros historiadores romanos que os druidas acreditavam na imortalidade da alma, na reencarnação, na metempsicose (reencarnação em corpos de animais); na dualidade natural entre o masculino e o feminino, no animismo, etc.

Após a conquista da Gália, os druidas e druidesas foram perseguidos pelos romanos, pois os mesmos se opunham ao domínio romano e incentivavam revoltas contra estes. Com a ascensão do Cristianismo como religião oficial do Império Romano no século IV, a religião celta e o druidismo foram perseguidos pelos romanos agora cristianizados. Sabe-se que fora na Irlanda onde o druidismo sobreviveu por mais tempo, antes de ser praticamente esquecido da História por causa das perseguições sofridas causadas pelos cristãos irlandeses. 

A guerra

Os celtas, pelo menos muitas tribos eram bem belicosas. Os principais relatos que nós temos acerca de como os celtas lutavam e se organizavam militarmente provêm de fontes romanas e gregas. Os gauleses da Gália Cisalpina confrontaram os romanos por vários anos, e depois fora a vez dos romanos darem o troco, indo liderados por Júlio César, conquistarem as Gálias. Os celtiberos foram alvos dos cartagineses e posteriormente dos romanos. Os bretões também não escaparam da conquista romana. No caso dos gregos, tribos celtas errantes, atacaram a Macedônia e a Grécia por vários anos, e na Ásia Menor, a colônia grega de Pérgamo e outras colônias gregas combateram os gálatas (termo grego para se referir ao celtas daquela região). Para começar a falar da parte marcial, vamos relatar primeiro como eram as armas que os celtas usavam e seus trajes. Basicamente os celtas usavam espadas de ferro e lanças. Alguns usavam machados, mas o uso de arco e flecha é pouco documentado. Pelos relatos de historiadores romanos e gregos, a força do exército celta era a infantaria leve, auxiliada por uma cavalaria leve. Eles não tinham costume de levar muitos arqueiros consigo, ou utilizar infantaria e cavalaria pesada (a designação de leve e pesado advêm do uso de armas e proteção mais pesadas ou leves). 

Como fora dito anteriormente no começo do texto acerca dos trajes utilizados pelos celtas, basicamente, muitos dos soldados usavam apenas calças e sandálias, e como proteção usavam elmos de bronze ou de ferro e escudos. Inicialmente os escudos eram pequenos e redondos, sendo feitos de madeira, e as vezes com reforços em bronze ou em ferro. No entanto, foram encontrados escudos feitos totalmente em bronze, ferro e até mesmo em ouro, mas estes eram utilizados pelos chefes. 


Por volta do século III a.C, o escudo redondo fora substituído por um escudo mais amplo e de formato ligeiramente retangular, as vezes com as bordas arredondas. Possivelmente o modelo fora baseado no modelo do escudo das legiões romanas. Os guerreiros também usavam túnicas de linho, lã ou de peles de animais como proteção; o uso de armaduras feitas de chapas de bronze e ferro era raro, e provavelmente restrito aos chefes. Entre algumas tribos, os guerreiros pintavam os corpos com uma tinta azul.


Desenho retratando um exército celta.

A cavalaria celta no início restringia a poucos cavaleiros e a algumas bigas, onde iam o líder da tropa, munido com arco e flecha ou lanças de arremesso, enquanto o cocheiro ou auriga conduzia a biga. Porém, as bigas começaram a serem abandonadas para darem mais espaço a um maior número de cavaleiros, os quais tinham com principais armas espadas e lanças. 

"Graças a Políbio e autores subsequentes, podemos fazer uma ideia da sua actuação no campo de batalha. Tomando em consideração todos os testemunhos, podemos deduzir que a finalidade primária do guerreiro sobre rodas era correr furiosamente para e ao longo da linha da frente inimiga para inspirar terror à vista, tanto lançando projécteis omo fazendo uma barulheira terrível com gritaria, toques de trompa e pancadas nos lados dos carros, que se metiam pelos flancos ou pela retaguarda". (POWELL, 1974, p. 109).


Políbio salienta dois aspectos interessantes: primeiro, ele diz que algumas tribos celtas tinham o costume de antes de se começar a batalha, eles colocavam um dos mais bravos de seus guerreiros para lutar em um duelo contra o mais forte dos guerreiros do oponente, uma espécie de rito de honra marcial, para testar a força do oponente e ao mesmo tempo insultá-lo, em caso de seu "campeão" fosse derrotado. Concluído esse duelo a batalha se iniciava. 



Desenho ilustrando uma cavalaria celta.

O outro aspecto que Políbio chamava a atenção era que os celtas não possuíam uma disciplina militar assim como as legiões romanas já possuíam naquele tempo. No século I a.C as legiões romanas já eram um exército profissional, pois antes disso, os soldados eram convocados apenas quando haviam batalhas, porém a partir do final do século II a.C, os exércitos se tornaram fixos, e os soldados passaram a terem anos de serviço prestado, e a receberem um treinamento militar homogêneo. Outro fato era a questão de que os soldados romanos tinham a noção de que eles estavam servindo a pátria, a grande Roma. Já nos celtas, cada tribo lutava por si, embora se unisse com outra tribo, tal aliança era apenas para aquele momento, pois embora todos fossem celtas, não havia uma noção de identidade nacional.


Enquanto os soldados romanos eram rigorosamente disciplinados e tinham outras tarefas para fazer, os soldados celtas não eram tão disciplinados assim, e quando não estavam em guerra, acabavam por irem trabalhar em outras atividades ou se tornavam mercenários. Políbio e outros historiadores dizem que as tropas celtas eram muito barulhentas, caóticas e corriam gritando como loucos. Os gaesatae (lanceiro) iam para o campo de batalha nus, pois de certa forma sua nudez era uma afronta para os romanos e uma ideia simbólica que sua coragem era tão grande que ele ia para a luta pelado e sem proteção alguma. No entanto, nota-se que nos últimas décadas dos celtas antes da conquista romana tal costume fora sendo abandonado.


Mas se por um lado, os gritos, a nudez, a falta de disciplina eram vistos como motivos para serem chamados de bárbaros, os celtas também eram conhecidos por decapitarem seus oponentes, exibindo a cabeças destes em pontas de lanças, ou amarradas nas bigas. Em alguns casos sabe-se através de vestígios e relatos, que se os celtas saíssem vitoriosos, eles levavam as cabeças decapitadas para a aldeia onde as exibiam como troféus de guerra e até mesmo as ofereciam como oferendas em santuários. Na Bretanha, destaca-se o uso de fundas e lanças de arremesso, algo que era pouco utilizado pelas tribos do continente. Além disso os celtas insulares, também usavam vários tipos de lanças.


Políbio também narrara que os celtas quando saíam vitoriosos de uma batalha realizavam grandes festins. Nesse caso o rei ou chefe era homenageado com presentes, espólios de guerra ou de pilhagem; recebia canções ou poemas, além de se realizarem um grande banquete regado a cerveja, vinho, pão e muita carne de porco, vaca ou carneiro, acompanhado de música, cantos e danças. 


"Na Irlanda considerava-se que, para um campeão, a dose por excelência era um porco inteiro, e num túmulo com carreta no Champagne achou-se o esqueleto completo de um. A dose do campeão era causa frequente de disputa e levava a combates ali mesmo, como relatam Diodoro e Ateneu e como está tão bem ilustrado nos contos irlandeses do Festim de Bricriu (Fled Bricrend) e no Conto do Porco de Mac Datho (Scéla Mucce Meic Dathó)". (POWELL, 1974, p. 114).


A respeito de mulheres na guerra pouco se sabe. Entretanto, os relatos apontam que não era uma prática comum entre os Povos Celtas deixarem as mulheres irem para o campo de batalha, tal prática ocorria entre algumas tribos na Bretanha, Escócia e na Gália. Dentre as mulheres guerreiras que são pouco conhecidas a mais famosa fora a rainha BoadiceiaBoudica ou Buddug em galês, a qual vivera no século I d.C.

Boadiceia era rainha da tribo dos Icenos na Bretanha. Os Icenos habitavam o que hoje é o atual território de Norfolk. Seu esposo o rei Prasutagus morreu por volta do ano de 59 ou 60. O rei Prasutagus havia feito um acordo com os romanos anos antes em 43 quando o imperador Cláudio transformou a Bretanha em província romana. Prasutagus e outros reis celtas acabaram se tornando "vassalos" do imperador romano, em troca manteriam certa autonomia perante o Império Romano. No entanto, o rei não deixou filhos, mas apenas duas filhas, porém em seu testamento ele concedia direito legítimo de sucessão a sua esposa e filhas. 


Segundo o historiador romano Tácito o qual escreveu acerca da rainha celta, o mesmo nos conta que os romanos não cumpriram com o pedido do rei, e Boadiceia fora açoitada, afastada do trono e suas filhas estrupadas. A partir dessa traição dos romanos, Boadiceia mesmo assim tomou a frente de seu povo e decidiu iniciar uma revolta.


Ilustração retratando a rainha celta Boadiceia dos Icenos.

O historiador romano Dião Cássio (ca. 155-229) descreve Boadiceia como tendo sido uma mulher alta, de longos cabelos ruivos e de uma voz firme e potente, além de ser corajosa. Entre o ano de 60 e 61, Boadiceia reuniu algumas tribos vizinhas e partiu para confrontar os romanos, atacando cidades, acampamentos e bases, causando grandes danos aos mesmos, até finalmente ser derrotada pelas legiões do general Gaio Suetônio Paulino, então governador da Bretanha. 

NOTA: Hoje em dia ainda existem pessoas que falam algumas línguas célticas, tais pessoas vivem principalmente na Bretanha, região da França; no País de Gales, na Cornualha (região do sudoeste da Inglaterra), nas Ilhas de Man (entre a Inglaterra e a Irlanda), na Irlanda e na Escócia. 

NOTA 2: Não se sabe ao certo quantas tribos celtas existiram pela Europa, mas acredita-se que o número tenha passado de mais de cem tribos, pois só nas Gálias haviam mais de trinta destas. 
NOTA 3: Nas histórias em quadrinhos de Asterix, essas narram as aventuras de uma pequena aldeia gaulesa durante o ano de 50 a.C. Além dessa tribo, a série menciona outras tribos gaulesas como os belgas, arvernos, helvécios e os bretões. 
NOTA 4: O druida Panoramix é o mais famoso druida da série de Asterix, o responsável por fazer a "poção mágica da super-força". 
NOTA 5: O famoso Mago Merlim das Lendas Arturianas seria um druida. 
NOTA 6: Nas Lendas Arturianas ou Ciclo Arturiano, no qual conta as histórias do Rei Arthur, diz-se que a famosa espada Exacalibur se encontrava dentro de um lago na mítica Ilha de Avalon, a espada fora oferecida ao rei pela Fada Viviane, também chamada Senhora do Lago, guardiã do lago. Viviane  também fora amante de Merlim. 
NOTA 7: Alguns aspectos da mitologia e da religião celta ainda se encontram hoje sendo retratados em alguma religiões neopagãs como a Wicca e o Neodruidismo. Embora que tais religiões para muitos sejam consideradas como bruxaria.
NOTA 8: Na animação da Disney/Pixar, Valente (Brave) de 2012, onde narra a história da princesa escocesa Merida a qual parte em busca de aventura para salvar seu reino de uma antiga maldição; a personagem fora parcialmente baseada na rainha Boadiceia, pois Merida possui longos cabelos ruivos encaracolados. 
NOTA 9: Em alguns jogos da série The Legend of Zelda da Nintendo, o protagonista Link possui uma égua chamada Epona. 
NOTA 10: Os irlandeses foram os principais responsáveis por preservarem muito da mitologia e do folclore celta antigo. 

Referências Bibliográficas:

POWELL, T. G. E. Os Celtas. São Paulo, Editora Verbo, 1974. 
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 4, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 6, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 8, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural, v. 18, São Paulo, Nova Cultural, 1998.

29 comentários:

Tiago Karstark disse...

Que texto maravilhoso!!

Matheus Mamede disse...

Muito bom!

Rafael Attayde disse...

Show Demais!! Informações valiosas! Obrigado por compartilhar tal conhecimento,

Capitã disse...

Incrível texto! Obrigada por compartilhar! :)

Leandro Vilar disse...

Obrigado por terem gostado e tirado proveito desse texto. Os estudos sobre os celtas ainda são escassos no Brasil, no entanto, se vocês se interessam bastante sobre tal tema, existe a Revista Brathair a qual procura desenvolver e divulgar estudos sobre os povos celtas e germânicos, aqui no Brasil.

Bruno Da Silva disse...

Não que os Romanos fossem escurinhos más sim que os Celtas eram mais Brancos que eles

Eduardo disse...

De qualquer maneira seus costumes de sacrifícios humanos eram repugantes.

Vanice Zimerman Ferreira disse...

Boa tarde, excelente site, parabéns!! Uma ótima semana, Van Zimerman.

Leandro Vilar disse...

Eduardo, de fato não sou a favor do sacrífico humano, mas era uma prática comum entre diferentes culturas da História. Em geral aqueles que se auto-ofereciam-se para ser sacrificados, não viam isso como sendo algo ruim, mas uma forma de intermediação para a salvação. Por outro lado, a pessoa que era sacrificada sem querer, deveria ser um grande pesadelo.

Leandro Vilar disse...

Obrigado a todos por terem gostado do texto.

Rogério Maciel disse...

Mas que mania demagógica e falaciosa , essa dos "celtas" !?
Tudo o que aqui publicou é copiado de tôdos os sítios mênos de Portugal.Não existe História Factual "celta" na Conii-Lusibéria .O que existe é Manipulação Histórica das Nossa Verdadeiras Raízes
A Conii-Lusibéria nada tem a vêr com "celtas" , a não sêr que(se tivessem existido da forma como são descritos na Manipulada História dos Nosso Ancestrais ...) êsses "celtas" saídos da imaginaçao delirante de tanta gente formatada, é que poderiam têr descendido dos Conii-Lusibéricos.
Tolkien , que Conhecia profundamente a História Ancestral com tôdas as suas variantes Mágico-Religiosas,Linguísticas, Tradicionais, Culturais,etc, do Mundo Antigo , falava assim do Celtismo, essa "doença" mental maníaco-depressiva inventada pela «new-age» dos anos 60 :

« “Para muitos, quiçá para a maior parte da gente fora do pequêno grupo dos grandes eruditos do passado e do presente, o ‘Celta’ é (...) um saco mágico, no qual se pode metêr qualquer coisa, e do qual pode sair quase tudo...
Tudo é possível no fabulôso Crepúsculo Celta, que é, não tanto um crepúsculo dos deuses mas da Razão”
(J. R. R. Tolkien)

Rogério Maciel disse...

Emendando.Parece que afinal, êste é um »site» brasileiro.
No entanto, o que digo, é válido para tôdo o mundo mentalmente formatado, seja em Portugal , no Brasil ou onde quer que seja na Terra, especialmente no mundo de mentalidade ocidental.

Leandro Vilar disse...

Rogério Maciel, suas críticas são pertinentes. Já que o senhor disse que o assunto deste blog foi "copiado" de outros sites menos de sites portugueses, gostaria de pedir ao senhor o link destes "sites portugueses" os quais não são "demagógicos e nem falaciosos".

Com a leitura destes sites poderei atualizar meu material.

Rogério Maciel disse...

« “Para muitos, quiçá para a maior parte da gente fora do pequêno grupo dos grandes eruditos do passado e do presente, o ‘Celta’ é (...) um saco mágico, no qual se pode metêr qualquer coisa, e do qual pode sair quase tudo...
Tudo é possível no fabulôso Crepúsculo Celta, que é, não tanto um crepúsculo dos
deuses mas da Razão”
(J. R. R. Tolkien)


« To many, perhaps to most people outside the small company of the great scholars,
past and present, 'Celtic' of any sort is, nonetheless, a magic bag, into which
anything may be put, and out of which almost anything may come.... Anything is
possible in the fabulous Celtic twilight, which is not so much a twilight of the gods as of the reason. J. R. R. Tolkien - "English and Welsh" lecture University of Oxford (21 October 1955)

https://badarchaeology.wordpress.com/tag/celts/

Leandro Vilar,você percebeu mal.Eu julgava estar numa página Portuguêsa.
Páginas de "promoção"(feita na maioria das vêzes por gente ingénua e ignorante,que
JULGA estar a falar de algo real...) da Demagogia Histórica que é o Celtismo,
existem aos milhares na internete, e Portugal não escapa a essa Estupidez.
As que desconstroem essa mentira são pouquíssimas,talvez por que ainda (sub)vivêmos
num mundo de Mentira, e são pouquíssimos os que se "atrevem" a contrariar os(por
agora) "tôdos-poderosos dônos da verdade" que controlam o sistêma mundial.Mas leia o que escrevi logo a seguir no seu artigo.
« Rogério Maciel disse...
Emendando.Parece que afinal, êste é um »site» brasileiro.
No entanto, o que digo, é válido para tôdo o mundo mentalmente formatado, seja em Portugal , no Brasil ou onde quer que seja na Terra, especialmente no mundo de
mentalidade ocidental.
19 de Maio de 2016 10:06»

O que quero dizêr é que nenhuma desta Desinformação vem dos próprios países , seja
Portugal ou Brasil , ou qq outro(porque não existe nada !)... são estoriêtas
normalmente encontradas na internet e provenientes de «sites» Anglo-saxónicos , que
são os interessados na "divulgação" dessa mentira, Mentira essa, que faz parte da
agenda nêgra de "domínio global" da comunidade de países anglófonos, liderados pelos EUA, melhor, pelo Sionismo que controla os EUA, mas também de tôda a escumalha que os "servem" no mundo , incluindo a Maldita UE , que significa a Destruição das Nações da Europa , a Destruição da Europa!

http://www2.lingue.unibo.it/studi%20celtici/Articolo_12_(White).pdf

(a invenção de mitos artificiais na Europa e , no caso da Irlanda em particular, pois é fortemente considerada e considera-se uma nação "celta"...)
(continua)

Rogério Maciel disse...

(continuação)

«...E non só se constituíron no mito fundacional de estados- nación, senón que
máis recentemente, a partir da década de 1980, os celtas están a ser concibidos dende algunhas institucións pan-europeas nin máis nin menos que como os verdadeiros
artífices da unidade europea, cando se fala dunha Europa protohistórica unificada
baixounha cultura celta común.¡Velaí os celtas de novo cruño convertidos nos precursores da Unión Europea!Este pode ser un dos usos máis recentes tirados dese “saco máxico” que son os celtas. (Dietler, 1994).
Esa característica que exemplifiquei brevemente con algúns mitos políticos tamén
podería ser observada noutros aspectos, como o da historia ou o da cultura en xeral.
Con todo, e a parte da literatura máis “científica”, a imaxe dos celtas que semella
prevalecer na actualidade na mentalidade popular é aquela na que aparecen como
“alternativa” a algunhas situacións insatisfactorias que nos rodean: sexa nas
reivindicacións culturais e políticas dos denominados países celtas (os recoñecidos
“oficialmente” como tales e os aspirantes a selo), na recurrente moda da “música
celta” ou no saber e nas prácticas esotéricas (por citar só os lugares onde a
“presencia” dos celtas é máis recurrente)... o denominador común deses celtas que se nos amosan é o de actuaren como valedores doutra realidade, presentada como máis
desexable, sexa esta a da loita contra o imperialismo, a das culturas celtas
portadoras de valores máis auténticos e humanos que non se atopan na automatizada
sociedade actual, a da “outra” música, alternativa da anglosaxona, ou a das “verdades ocultas” do esoterismo proscritas nun mundo materialista.
Como se verá máis adiante ese rol “alternativo”representado polos celtas tivo a súa orixe moito antes do século XX; forma parte dese carácter máxico ó que se refería Tolkien, e afunde as súas raíces na Antigüidade clásica, desenvolvéndose sobre todo a partir do século XIX (Chapman, 1992). ...» (https://www.academia.edu/15981974/O_mito_celta_na_historia)

Quanto a Portugal( e , Creio bem, na maioria dos outros países Europeus), nada existe de "celta" .Tôdas as parecenças são só isso . Os Nossos Ancestrais ( e já agora , os vossos também) são bem mais antigos do que qualquer dêsses clãs
(muitos,indiscriminados) de bárbaros bêbados ,incivilizados, indisciplinados,
brutais, crueis,ferozes, barulhentos(assim como dos seus SINISTROS druidas...), a que os Grêgos Antigos chamavam de Keltoi(têrmo perjorativo para êsses povos que iam
passando á sua porta de Oriente para Ocidente.Nunca os grêgos permitiram a sua
entrada nas suas Cidades e fronteiras , ou sequer quiseram contactos com essa
populaça. «...A imaxe que se daba dos celtas na Antigüidade clásica era fundamentalmente negativa. Eles, como o resto dos pobos bárbaros (é dicir, aqueles que non falaban grego nin, posteriormente, latín), considerábanse a face oposta das virtudes da civilización clásica. Se a cultura, a intelixencia, a valentía e a prudencia, o auto-control e a moderación, o respecto polas leis humanas e divinas... eran marcas definidoras desta; pola contra os celtas ós ollos de gregos e romanos representaban o salvaxismo, a ferocidade, a inconstancia, o carácter arroutado e descontrolado, a crueldade, a superstición e os sacrificios humanos realizados polos siniestros druidas... Bebían viño puro e emborrachábanse salvaxemente; vivían nunha sociedade de tipo matriarcal; practicaban o incesto e incluso o canibalismo. Polo demais era unha imaxe coincidente coa que se daba doutros bárbaros: escitas, tracios, xermanos... Pódese dicir xa que logo que a creación da imaxe dos celtas na época clásica -a construcción do mito celta- formaba parte dun proceso máis xeral que era o da construcción do “outro”como oposición ó ideal de civilización greco-romana. ...»
(https://www.academia.edu/15981974/O_mito_celta_na_historia)

(Continua)

Rogério Maciel disse...

(Continuação)

Populaça essa designada pelos Grêgos Antigos , de KELTOI

(mas diversas outras expressões fôram sendo acrescentadas , conforme as épocas.No
entanto a definição era sempre a mêsma. «... galatai,celtae, ou galli, imaxe que
experimentando transformacións e adaptacións propias de cada época chegará ata os
nosos días. ...»),

que não define Pôvo, Cultura, Raça, Civilização ou Tradição particularizada, mas sim, como já disse, é um têrmo generalista (e perjorativo das parte dos Grêgos Antigos) para êsses povos selvagens, sem civilização particular a não sêr a da Brutalidade, que iam passando á sua porta de Oriente para Ocidente, e que só tem um significado : Mistela.
Tudo o que diz aí dos "celtas" é tôda a propaganda, demagogia Histórica que se
encontra na internet. A ideia do "bom selvagem" quase um santo, guerreiro "heróico" imbuído duma Espiritualidade "superiôr", não passa duma Farsa muito bem "escrita" mas que de verdade tem quase nada .
[...Esta frase do famoso escritor de literatura fantástica ilustra moi ben o papel que os celtas teñen xogado no pensamento occidental dende a Antigüidade greco-
romana ata a actualidade. Insinuaba Tolkien que os celtas se teñen convertido nunha
especie de «sombreiro máxicoa que pode conter mil e unha marabillas.
Ou dito doutro xeito: que os celtas valen para todo.
A imaxinación humana, dende que os gregos falaron por prirneira vez dunhas xentes que situaron no occidente euro- peo e ás que denominaron keltoi ou galatoi,fixo deses celtas os representantes dunha grande variedade de cousas, dende o salvaxe guerreiro galo que loitaba espido entoando o seu canto de guerra ata o sabio druida mestre dos filósofos gregos; dende o irlandés da época victoriana, atrasado e brutal dende o punto de vista do colonizador inglés,ata os celtas da "new age",ecoloxistas e espirituais.A imaxe do celta puido ser empregada en combinación coas ideoloxías máis variadas...]
(O_mito_celta_na_historia)

(continua)

Rogério Maciel disse...

(Continuação)
Falêmos mais específicamente da Lusitânia, a Conii-Lusibérica , de Portugal.
«...Lusitânia situa-se entre Ibéria e Oceano, ou, na configuração pré-romana, numa
forma quadrangular que o domínio romano por considerações estratégicas encurtou, ao
dividir a Hispânia em três províncias, a Lusitânia (diminuída da Galécia), a
Tarraconense e a Bética. Das três províncias, a que corresponde ao vector do iberismo é a Tarraconense, porque Tarracona, pago ibérico, estende os elos até ao Atlântico, subjugando a Galiza e, o mais curioso a região dos Brácaros. A divisão provincial romana carece de toda a lógica étnico-cultural, mas abunda em intencionalidade dominativa. Tarracona é a Ibéria tal como os iberistas sonham: uma grande província absorvente das que lhe ficam, diminuídas, a seus pés, a Bética e a Lusitânia. A estratégia romana elaborava com base em interpretações comprometidas, pois, com efeito, Estrabão, que era mais submisso do que Mela, confundira Iberos e Lusitanos, ainda que afirmasse serem, os Lusitanos, os mais fortes dos Iberos 11. Estrabão tem interesse em identificar Iberos e Lusos para justificar a extensão da Ibéria tarraconense até à Lusitânia bracarense e lucense; Pompónio Mela sabe da forte identidade lusitana face à Ibéria, e convém-lhe sujeitar a fortaleza da finisterra à esperteza da mediterra. Ao não compreender o jogo de intenções, Herculano acabaria por cair na tese negativa da identidade nacional com base regional, por oposição a quem vira melhor do que ele, Bernardo de Brito e André de Resende — o que, aliás, vem já dito em Leite de Vasconcellos 12. A Lusitânia Romana é uma Lusitânia diminuída talhada a esquadro e régua, segundo o interesse dominacional do império, a Lusitânia natural é todo o oeste peninsular. Vai do Promontório Sacro, para além do Minho, até à vertente norte-atlântica, e do oeste atlântico até bem dentro: incluí, pelo menos, Mérida e grande parte da Estremadura, por isso chamada Extrema: a fronteira da Lusitânia com a Ibéria. A Lusitânia é o país dos quatro rios: Guadiana, Tejo, Douro e Minho; a Ibéria é a região de um só rio: o Ebro. O Ebro unifica, os quatro Lusitanos diversificam, de modo que é viável assinalar uma Lusitânia minhota (brácaro-lucense), uma Lusitânia duriense, uma Lusitânia tagana, e uma Lusitânia guadiânica....
(pinharanda-gomes-a-patrologia-lusitana/)

(Continua)

Rogério Maciel disse...

(Continuação)

A Farsa céltica é variada, mas não confunda o que digo.Os únicos locais ,factualmente confirmados, onde estiveram "celtas"estabelecidos , fôram 2.Só dois. E até mêsmo aqui ninguém se entende. Tal é a veracidade Histórica dos "celtas" da maneira como são IMPINGIDOS á Europa inteira,querendo fazêr das Nossas Verdadeiras Raízes , uma mentira , ignorando-as e querendo substitui-LAs pela FARSA "céltica". Dizem na "wikipédia" , a prostitua mentirosa do Conhecimento, que a "cultura de Hallstat" estava espalhada por tôda a Europa, mas é uma Mentira descarada. Halstat e La Téne:http://www.anthrogenica.com/showthread.php?1291-The-problem-of- the-whole-Urnfield-Hallstatt-La-Tene-Celtic-image

Rogério Maciel disse...

(Continuação)

Os "celtas" existiram , mas não na Oestriminis Atlântica Conii-Lusibérica,Portugal .
E nos nossos vizinhos ( as nações ibérico-mediterrânicas) encontraram finalmente quem lhes desse luta.
Daí , têrem-se finalmente miscigenado com os autótocnes e diluído naquilo que eu
chamo ( em oposição a outro mito, o dos "celtiberos"...) de Iberoceltas.
No entanto , Aqui na Conii-Lusibéria, viviam os Lusitânos , a Nação mais poderosa de tôda a Hibéria, a que Derrotou os romanos no Campo-de-Batalha durante 2 séculos(o que mais nenhuma nação tinha conseguido!), obrigando-os a usarem a Traição como único meio de conquistarem finalmente a Lusitânia Ancestral que é Portugal. Teriam tido muito poucas hipóteses perante o poderio Luso.Não chegaram cá , até porque para chegarem cá teriam de passar pelas nações irmãs e vizinhas dos Lusos, também elas fortes e guerreiras.Martins Sarmento descreve assim os "celtas":

«...O celta tem a paixão infrene dum militarismo egoísta, que lhe não aproveita para fundar uma nacionalidade, um império seu próprio — facto nunca bastantemente repetido — mas que o obriga a oferecer a espada a todo aquele que lha paga. Desde certa época, desde Diniz o Antigo, pelo menos, é rara a guerra de importância no mundo conhecido dos antigos, em que não apareçam celtas mercenários.
A arma própriamente sua é a espada de ferro, de dois gumes e sem ponta, de má têmpera, que vergava ao primeiro golpe, ficando inutilizada para o segundo, se o
combatente a não endireitava com o pé. O escudo era alto, quadrilongo e incómodo.
A sua táctica de guerra era o ataque por grandes massas. Se o inimigo cedia ao
primeiro ímpeto, o celta era inexorável; mas esmorecia fácilmente, se encontrava uma resistência vigorosa e aturada.É quase certo que eles não construíam oppida ; repugnava-lhes viver em cidades muradas e isto condiz com a sua educação nómada e aquele génio fanfarrão que lhes fazia dizer que de nada tinham medo, senão da queda do céu.Organização religiosa não se lhes conhece. O sr. A. Bertrand, depois de afirmar que eles não fundaram nada de durável, acrescenta:
“O seu nome não ficou ligado a nenhum grupo de monumentos, a nenhuma costumeira, a
nenhuma divindade tópica, ou de tribo, de que possamos com segurança adjudicar-lhes a honra.” Quanto aos ritos funerários, sempre importantes entre os povos mais bárbaros, os celtas aproximavam-se dos persas, expondoos seus mortos às bestas-feras e as aves de rapina .Aqui estão os traços, poucos sim, mas característicos que distinguem o povo céltico, e cuja autenticidade os celtistas mais severos nos não impugnarão, cremos nós.Se inquirimos agora da influência civilizadora que os celtas exerceram na Europa, a resposta dos menos suspeitos não é muitolisonjeira. Os srs. Bertrand, Contzen e outros dir-nos-ão que eles não fizeram nada que se visse; Belloguet acrescentara que eles eram mesmo incapazes disso, e o sr. A. de Jubainville deixará inferir que, se pudessem ou soubessem fundar alguma coisa, lhes faltou tempo para realizar a sua
obra, pois diz: “É pelo fim do 6.º século que o nome de celtas aparece pela primeira vez e a decadência do império céltico começa cerca de dois séculos depois.”
Dois séculos para destruir a civilização tão profundamente enraizada da época do
bronze e para impor uma civilização nova!Parece que se não tem meditado nisto. ...»
(csarmento.uminho.pt/docs/ndat/fms/FMSDispersos_016.pdf)

Rogério Maciel disse...

(Continuação)

Só mais uma achêga, pois poderíamos estar aqui quase eternamente a falar dêste assunto.
«... O mito da "música celta"
O mito de que este instrumento seria mais popular ou só existiria em exclusivo nos
países ditos de "influência céltica" (Escócia, Irlanda ou País de Gales, por
exemplo), também é falso, visto que a gaita-de-fole existe em praticamente todo o
Mundo, ou pelo menos, no espaço mediterrânico e euro-asiático, com grande implantação e popularidade.
Mesmo a influência "céltica" das regiões acima citadas é discutível e relativa, se
tivermos em conta que estas regiões foram povoadas por povos diferentes em períodos
variados e tiveram interacção com muitas outras culturas das quais incorporaram
muitos contributos: greco-romana, escandinava, anglo-saxónica (para referir apenas as principais), entre outras que se fizeram sentir ao longo de milhares de anos, até hoje.De qualquer modo, não se consegue datar a introdução do instrumento gaita-de-fole nessas regiões antes da Idade Média.
...
A chamada "música celta" (que mais do que um género musical, é uma designação
comercial da indústria discográfica moderna, sem preocupações de rigor histórico ou
de exactidão) nada tem de céltico: a data mais remota para datar as escalas
temperadas, modos, afinações, ritmos e instrumentos usados nesse género musical não
vão mais além do Século XVI, na melhor das hipóteses. Aliás, uma grande parte da
música "folk" Irlandesa e Escocesa tem origem directa na música Barroca, muito
simplesmente.Ou seja, o que hoje é erradamente chamado de "celta" é uma forma de música moderna, cuja distribuição e expansão recente por várias regiões, dá a ilusão de ter um passado comum muito antigo - o que não é inteiramente verdade.
Nem sequer se aproxima dos cânones da música medieval, uma das formas musicais mais
antigas que se conhecem no espaço europeu e da qual se sabe muito pouco, apesar de se conhecer melhor do que a música tocada há 3000 anos atrás. ...»
(http://www.gaitadefoles.net/gaitadefoles/historia4.htm)

Para terminar deixo-lhe êste linque que contém muita informação Histórica e Real.

http://macieluxcitania.blogspot.pt/2014/10/as-verdadeiras-raizes-dos-portugueses-ii.html

Kaykyy Spliff disse...

Ah mas falou uma pá de merda esse Rogério Maciel, puta merda...

Rogério Maciel disse...

Kaykyy Spliff !
Para quem é Estúpido e ignorante , tudo é merda.

ReD LiNe disse...

Caro Rogério Maciel, gostei do seu ponto de vista, vou ler mais sobre isso. Se me pudesse indicar algumas fontes em português agradecia. Obrigado

Rogério Maciel disse...

Caro ReD LiNe , os linques aqui não são aceites , muito embora , se verificar , eu tenha deixado alguns.

Pode começar por aqui (o meu blogue A Luz da Citânia):

http://macieluxcitania.blogspot.pt/2014/10/as-verdadeiras-raizes-dos-portugueses-ii.html

Contem vários linques Portuguêses que pode seguir.Estou longe de têr terminado a Desmontagem da Farsa "céltica" . Estou a preparar mais informação , a publicar daqui a algum tempo.Mas no linque que lhe dei já pode vêr muita coisa e, ao chegar ao fim dêsse artigo verá a ligação á Continuação .
Se tiver dificuldade em abrir , pesquise no «google» A Luz da Citânia e julgo que encontrará.Depois , é abrir e procurar o artigo , As Verdadeiras Raízes dos Portuguêses II.
Cumprimentos Conii-Lusibéricos !

ReD LiNe disse...

Desde já obrigado pela resposta rápida.
Por acaso já tinha visitado o seu blog mas não explorei com a devida atenção, vou fazê-lo agora.

Cumprimentos

alfredo nascimento disse...

Muito interessante as informações e fotos. Eu pesquiso muito Ciências Sociais (todas), dentre as quais a Antropologia, tanto a Cultural quanto a chamada Antropologia Física. Há algo interessante entre os celtas (vários povos, com características muito parecidas, como, fisicamente, haver tanto loiros de olhos claros ou escuros, morenos idem, e também ruivos idem (tanto com olhos claros quanto escuros). Só que geralmente quando alguém é originalmente ruivo tudo indica que tem descendência certa de celtas, já que parece que ruivos somente havia entre esses povos. Podemos dizer que boa parte de nossa cultura, valores, folclore (muitas coisas das chamadas festas juninas - dentre outras - por exemplo), religiões, filosofias, palavras, costumes, conhecimentos, apresentam forte influência celta. Na Europa e no Oriente Médio, praticamente todos os países contam com isso até hoje, lembrando que esses povos celtas também se deslocavam em parte. No esoterismo, por exemplo, não se pode dizer que se conheça algo desse tipo de estudo, sem se conhecer bastante sobre a influência e valores celtas. Eles, além de outros povos (como os originais de todos os povos do mundo, presentes no "xamanismo"), tinham grande conhecimento também desses assuntos.
Informações a respeito me interessam: Alfredo - novaterra8@bol.com.br

Leandro Vilar disse...

Alfredo, embora os celtas tenham se espalhado por parte da Europa, temos que ter cautela em alguns pontos.

A filosofia que nós temos hoje, veio dos gregos e não dos celtas. Neste ponto, eles nada cooperaram. Na religião eles também não contribuíram, pois o paganismo celta foi sucumbido pelo cristianismo. Todavia, algumas características folclóricas sobreviveram. As religiões neo-pagãs não são uma fonte confiável, elas não reproduzem com fidelidade as religiões antigas, inclusive existem muitos equívocos e invenções modernas.

A população ruiva necessariamente não era celta, mas germânica, provindo mais ao norte.

No caso de algumas palavras, idiomas como o português, espanhol, francês e inglês, perderam muito do antigo linguajar celta. Lembrando que havia variações linguísticas entre os celtas, sendo assim, os celtas da Irlanda não falavam a mesma língua dos celtas na França, ou na Espanha.

Quanto a festa junina, não sei se remontaria a uma influência celta. Mas o Halloween (erroneamente chamado de Dia das Bruxas), esse sim tem elementos de origem celta tardia.

Alvino Silva disse...

Realmente está muito difícil de se obter cultura e conhecimento da história atualmente. Há tanta controvérsia sobre este ou aquele estudo de nossas raízes que acredito que o melhor é ficar na ignorância, o que não posso aceitar tal situação. O que fazer então? Em quem acreditar ou aceitar como verdade. E como constatar o que é mentira. Uns escrevem baseados em antropólogos ou outros pesquisadores e alguns metem o ressentimento rancoroso contra poderes governantes mundiais. Para que isso? Será que seria possível ficarmos ao nível de ciência somente, sem metermos nossas farpas contra esse o aquele do qual não gostamos. Sensatez nestas questões seriam de muito bom tom para os leigos que gostariam de aprender sem ter que ir ao campo arqueológico para buscar o conhecimento. Creio ter sido compreendido e agradeço.

Rogério Maciel disse...

http://www.csarmento.uminho.pt/