Pesquisar neste blog

Comunicado

Comunico a todos que tiverem interesse de compartilhar meus artigos, textos, ensaios, monografias, etc., por favor, coloquem as devidas referências e a fonte de origem do material usado. Caso contrário, você estará cometendo plágio ou uso não autorizado de produção científica, o que consiste em crime de acordo com a Lei 9.610/98.

Desde já deixo esse alerta, pois embora o meu blog seja de acesso livre e gratuito, o material aqui postado pode ser compartilhado, copiado, impresso, etc., mas desde que seja devidamente dentro da lei.

Atenciosamente
Leandro Vilar

terça-feira, 22 de setembro de 2015

As "drogas das Índias": especiarias, remédios e mercadorias exóticas

Hoje em dia quando usamos a palavra droga, nos vem em mente geralmente dois sentidos: droga no sentido de medicamento, não sendo a toa, que farmácias também são conhecidas como drogarias; e droga no sentido de entorpecente e narcótico, neste caso, as drogas que geram vício, dependência mas que são legalizadas como o álcool, o tabaco e a nicotina, e as drogas ilegais como maconha (embora em alguns locais seja legalizada), cocaína, metanfetamina, "crack", heroína, ópio, êxtase, LSD, etc. 

Todavia, há quinhentos, quatrocentos e trezentos anos, a palavra droga como será visto, referia-se tanto a medicamento, mas curiosamente também era uma expressão usada principalmente por portugueses, espanhóis e franceses para se referir as especiarias encontradas nas Índias Orientais e nas Índias Ocidentais. Neste caso, o que hoje concebemos como alimentos, temperos e condimentos, naquela época não seria estranho alguém dizer que café, açúcar, canela, pimenta, mostarda, cravo, aloé, baunilha, etc., eram drogas. 

Neste texto procuro apresentar o conceito de droga naquela época, e comentar um pouco sobre a influência do comércio de especiarias para alavancar as navegações em nível mundial e assim criar um mercado global, que por sua vez levou povos que nunca antes haviam se visto, tornarem-se aliados, clientes, dependentes, inimigos, colonizados ou escravos. 

A droga como medicamento:

Ainda hoje o termo droga também é usado para se referir a medicamentos, até mesmo usa-se a palavra drogaria como sinônimo de farmácia. Mas tal conceito data de alguns séculos atrás. Para se ter ideia, no século XV, já se usava o termo droga como sinônimo de remédio, embora o conceito em si, date de antes disso. 

A palavra droga passou a ser adotada com base na medicina do proeminente médico grego Galeno (c. 129 - c. 217), o qual em seu tempo definia que a droga ou remédio seria baseado em três tipos: ação primária, ação secundária e ação específica (antídoto). (MELO, 2013, p. 8). 

"O medicamento ou droga é, segundo Galeno, dotado de propriedades terapêuticas específicas, que modificam os efeitos de determinadas doenças e com substâncias ativas que lhe conferem atividade para atuar em determinadas enfermidades. Esta definição é ainda hoje aceita como fazendo parte do conceito de medicamento". (MELO, 2013, p. 9). 

Mais a frente voltarei a falar a respeito de alguns usos medicinais de algumas especiarias. No entanto, fica informado que para além do uso alimentício, as especiarias eram usadas para fins terapêuticos e medicinais. Inclusive não era incomum encontrar especiarias como pimenta, açúcar, gengibre, canela, açafrão, etc., sendo vendidas não apenas nas feiras e mercados, mas em boticas (antecessoras das farmácias). 

O conceito expandido de droga: 

A palavra droga é de origem francesa, vindo de drogue, cujo termo na Idade Moderna passou a ser usado para designar ingredientes usados na tinturaria, química e farmacêutica (MELO, 2013, p. 9). Percebe-se aqui que o conceito já apresentava uma expansão no seu sentido original, de ser um termo referente a substâncias com princípios medicinais. Nos séculos XVI e XVII o termo droga passaria a ser usado para se referir a diferentes tipos de substâncias de origem vegetal, animal e mineral usadas para a tinturaria, a química, a farmacêutica, a magia, o comércio e até mesmo na alimentação. 

"Droga: Qualquer ingrediente que entra na composição de algum medicamento, ou de outra cousa semelhante. [...]. Droga, toma-se as vezes por mercancia, fazenda, etc. Material que naquele tempo passava por Portugal". (BLUTEAU, 1728, p. 306).

Raphael Bluteau em seu dicionário Vocabulario Portuguez & Latino (1728), complementa o conceito de droga dizendo também que o termo era usado para se referir há algo ruim ou coisa de pouco valor, quando se usava a expressão "isso é uma droga". Não obstante, ele salientava que o termo drogas seria mais apropriado para se referir as mercadorias advindas das Índias, devendo-se usar o termo no plural, para diferenciá-lo do singular, o qual estava mais associado ao conceito de medicamento. Além disso, ele também salientava que a palavra drogaria também era usada como referência ao local onde se produzia ou ia buscar as drogas das Índias.

Antonio de Moraes e Silva em seu Diccionario da Língua Portugueza (1813, p. 642), classificava as drogas como sendo todo gênero de especiaria aromática; tintas, óleos, raízes de tinturaria e botica. Ele não acrescentava os minerais, mas no lugar dizia que mercadorias de tecidos como lã e seda também seria consideradas drogas. 

Se até aqui vimos que a noção de drogas tornou-se abrangente ao ponto de ser sinônimo para especiarias, mercadorias que na Idade Moderna alavancaram um mercado que alcançou patamares globais a ponto de moldar a história da humanidade em seu tempo, passemos para conhecer quais eram essas drogas ou especiarias, as quais levaram portugueses, espanhóis, franceses, ingleses, holandeses e outros povos europeus a cruzarem oceanos, viajarem por meses em mar aberto; e a colonizar outras terras e povos nos quatro cantos do mundo.

As Índias: 

Primeiramente é preciso explicar o termo Índias. Geralmente as pessoas fazem confusão, pois logo associam a palavra Índias com a Índia, na prática a primeira palavra tem origem na segunda, logo, a confusão não é à toa, mas apenas por falta de conhecimento mais específico. Mas as Índias tão referidas entre os séculos XV e XIX era um território bem mais amplo e necessariamente não preciso. Inicialmente Índia correspondia ao atual território da península indiana, no qual se encontra a República da Índia

No entanto, a medida que os europeus tomavam conhecimento sobre terras para além da Índia, em parte tal conhecimento adveio das viagens do mercador veneziano Marco Polo (1254-1324), o qual viveu pelo menos 15 anos na China dominada por Kublai Khan (neto de Genghis Khan), Marco ao lado de seu pai e tio visitaram várias regiões da Ásia, no entanto, seus relatos sobre o Sudeste Asiático e a Indonésia, contribuíram para atiçar a curiosidade dos europeus tanto quanto passaram a ter curiosidade sobre a longínqua China. 

É preciso ressalvar que naquele tempo a China já era conhecida de nome dos europeus, pois os mongóis que aterrorizaram a Ásia e a Europa Oriental no século XIII, vieram de terras ali próximas; não obstante, os romanos na Antiguidade já possuíam conhecimento sobre a China. No caso da Índia, Alexandre, o Grande a visitou e tentou conquistá-la no século IV a.C. 

Por tais características, a China, mas também os emirados, os califados, a Pérsia a Grã-Tartária e outras terras ocupadas pelos muçulmanos não faziam parte das Índias, embora que o norte da Índia fosse governado por muçulmanos da Dinastia Mogol, os europeus consideravam aquela região bem diferente do mundo islâmico do Oriente Médio e da Ásia Central. Logo, as terras do Sudeste Asiático e as milhares de ilhas que hoje formam a Indonésia, passaram a serem consideradas como as Índias. 

Em 1498, quando Cristóvão Colombo "descobriu" terras insulares no Ocidente, ao ver os nativos os quais ele acreditou serem gente das Índias, os chamou de índios. A América "havia sido descoberta". Todavia, por mais que Américo Vespúcio (1454-1512) tenha recebido a fama de batizar o novo continente, o nome não pegou de imediato. E nos três séculos seguintes era comum chamarem a América de Índias Ocidentais, como forma de diferenciar das Índias Orientais. 


Mapa retratando os territórios das Índias em laranja claro; das Índias Orientais em versão expandida, com o acréscimo do Sudeste Asiático e a Indonésia. As Índias Ocidentais inicialmente representadas pelas Caraíbas, e posteriormente em verde claro, englobando todas as Américas. 
"Os nomes de algumas dessas companhias organizadas nos séculos XVI e XVII mostram onde realizaram suas empresas de comércio ou de colonização, ou ambas. Havia sete companhias das "Índias Orientais", sendo as mais famosas as britânica e holandesa; havia quatro companhias das "Índias Ocidentais", organizadas na Holanda, França, Suécia e Dinamarca; companhias do "Levante" e companhias "Africanas" também eram populares". (HUBERMAN, 1981, p. 87).

Sendo assim, listar as drogas das Índias é uma tarefa que deve ser realizada com cautela, pois temos as drogas das Índias Orientais, posteriormente a das Índias Ocidentais e até mesmo as drogas da África, lembrando que o continente africano não era considerado parte das Índias, embora houve tentativas de acrescentá-lo a tal nomenclatura.

As drogas das Índias: 

As especiarias do Oriente, também chamadas de "drogas das Índias" ou "drogas do Oriente", já eram conhecidas dos Europeus desde a Antiguidade, principalmente através dos contatos dos gregos e romanos com os persas, judeus, egípcios, indianos, chineses, etc., através da Rota da Seda, uma série de estradas que ligavam a Ásia Menor à China (CIVITELLO, 2008, p. 37). Os próprios romanos ficaram bastante interessados em algumas dessas drogas como a canela, a seda, o algodão, a púrpura, peles de animais como leopardos e tigres; marfim, diamantes, esmeraldas, rubis, bálsamo, mirra, sândalo, etc. (CIVITELLO, 2008, p. 38).

"Para a pimenta, os mercadores iam à costa malabar na Índia. A noz-moscada, o macis e o cravo eram produzidos somente em poucos lugares no oceano Índico e onde é hoje a Indonésia - sobretudo nas duas "Ilhas de Especiarias", Ternate e Tidore. A grande maioria dos produtos dessas terras era exportada para a China, onde o mercado era o maior de todos e a economia, a mais rica. Marco Polo calculou que, que em sua época, uns quinhentos quilos de pimenta entravam em Hangchow por dia. Mas se o mercado europeu não tinha muita importância para os produtores, ele era fundamental para os mercadores ocidentais que tentavam participar dele". (FERNÁNDEZ-ARMESTO, 2004, p. 234).

Alguns estudiosos antigos já haviam mencionado algumas plantas que só existiam na Ásia e eram usadas para a medicina, no entanto, foi na Idade Média que os europeus em geral começaram a se interessar pelas especiarias e outros produtos orientais. 

Quando Marco Polo decidiu acompanhar seu pai Niccolò e seu tio Maffeo, em 1276, seu pai e tio já eram mercadores experientes que já haviam percorrido a Rota da Seda até a China. Naquele tempo, as cidades italianas, gregas e bizantinas eram as principais portas de entrada de especiarias asiáticas no continente europeu; depois vinham as cidades árabes na Península Ibérica (principalmente no que hoje é a Espanha).

"Os árabes introduziram frutos novos e popularizaram muitos condimentos: anis, cominho, canela, noz-moscada, açafrão, alho-porro, pimentas e pimentões que se incorporaram à culinária espanhola. Na terapêutica, introduziram o ruibarbo, quássia, acônito, sândalo, mirra e álcool. Inventaram o alambique e a destilação do álcool. Levaram o açúcar, contribuindo enormemente para o aumento de seu consumo, porque conheciam a arte de refiná-lo". (ORNELLAS, 1978, p. 85). 

Mas se tomarmos o comércio árabe no norte e leste da África e através do Oriente Médio, já há muitos séculos os árabes tinham conhecimento de várias dessas especiarias as quais eles iam buscar na Índia, Malásia e Indonésia. O lendário Simbá, o Marinheiro, personagem das Mil e Uma Noites, era um comerciante do século VIII-IX o qual viajou várias vezes para às Índias, a fim de comprar especiarias e outros produtos raros e bastante cobiçados pelos árabes. Embora Simbá (Sinbad) seja um personagem literário, ele representa o intrépido comerciante árabe do medievo que cruzava as águas do Índico para ir as Índias e a África comercializar. 


O famoso personagem Simbá, o Marinheiro, entre os séculos VIII-IX, comercializa especiarias e outros produtos das Índias, os vendendo em Bagdá, na época, capital do Califado Omíada. 
Assim, quando chegamos ao século XV, o uso das especiarias não era desconhecido. Parte desse saber veio dos gregos e romanos, posteriormente no medievo adveio dos italianos, bizantinos e árabes. No entanto, tornou-se recorrente a história de que os europeus passaram a se interessar mais pelas especiarias orientais, para disfarçar o gosto e cheiro ruins de suas carnes e pescados. Especiarias como canela, pimenta, gengibre, açafrão, coentro, etc., possuem gostos e odores fortes, os quais seriam úteis para disfarçar a qualidade da carne consumidas nas mesas europeias. 

"Na verdade, é mais provável que os alimentos frescos na Idade Média fossem mais frescos que os de hoje, pois eram produzidos localmente; além disso, embora fossem preservados de manerias diferentes - pela salga, pela conserva em salmoura ou vinagre, por dessecamento -, os alimentos em conserva daquela época eram tão bem conservados quanto os nossos da idade das latas. [...]. O fato de não serem tratados com fertilizantes químicos também fazia com que tanto os alimentos frescos como os conservados provavelmente fossem mais saudáveis naqueles dias". (FERNÁNDEZ-ARMESTO, 2004, p. 234).

Massimo Montanari (2003, p. 80-81) também se mostra contrário a essa história de que as especiarias caíram no gosto dos europeus para disfarçar o gosto e odor de suas carnes e pescados. Ele lembra que primeiro, as especiarias já eram conhecidas na Europa (mesmo que restrito as regiões mediterrânicas) desde a Antiguidade, embora que os romanos e gregos fizeram pouco uso destas. Segundo, nos séculos X e XI, houve um crescimento na importação de especiarias como pimenta, gengibre, canela, galanga e cravo, algo graças ao comércio italiano. Terceiro, as especiarias eram mercadorias caras, apenas os ricos tinham condições de obtê-las; todavia, os ricos costumavam consumir carne de boa qualidade, geralmente fresca, cujo animal era abatido no dia ou no dia anterior. Os pobres quando conseguiam comer carne, a consumia de qualidade inferior. Para conseguir carne fresca teriam que caçar ou criar os animais. Mas mesmo que o gosto estivesse ruim, eles não teriam dinheiro para comprar especiarias. 

Diante de tais fatos, Montanari (2003, p. 82-83) considera que o aumento pelas importações das especiarias se deu principalmente por dois fatores: luxo e saúde. Como dito, alguns autores gregos já haviam mencionado supostos benefícios que algumas especiarias proporcionavam. No final da Idade Média, médicos começaram a realizar estudos recomendando o consumo de algumas especiarias para tratar principalmente problemas estomacais e hepáticos, embora que tais estudos não fossem tão exatos assim. 


Vendedor de especiarias numa gravura alemã datada de 1452.
Mas quanto ao luxo, Montanari lembra que é uma característica de algumas pessoas desejar o caro, o exótico, o diferente, o raro, etc. Manuais culinários dos séculos XII e ao XIV, trazem receitas que levavam especiarias. Neste caso, Montanari assinala que a maioria dos manuais culinários do final do medievo eram manuais de uma cozinha requintada. 


"O imaginário em torno das especiarias não termina. Instrumentos de ostentação e sinal de distinção social, elas também concentram em si valores de sonho - os mesmos valores dos quais o Oriente é carregado, terra misteriosa e distante, "horizonte onírico" (J. Le Goff) sobre o qual os olhos ocidentais projetam todo tipo de desejos e de utopias". [...]. Homens muitas vezes centenários, árvores sempre verdes e encantadoras fênix povoam estas terras; lá nascem as especiarias. Elas provêm até diretamente do Paraíso: Joinville descreve os pescadores do Nilo que trazem suas redes "carregadas dos bens que essa terra produz, isto é, gengibre, ruibarbo, sândalo e canela; e diz-se que essas coisas vêm do Paraíso terrestre". (MONTANARI, 2003, p. 84-85). 

"O burguês, mais do que o nobre, tem necessidade de destacar sua própria riqueza e a própria ascensão social. Além disso, se não fosse principalmente uma questão de luxo, mal se compreenderia os libelos morais que foram numerosos nos séculos 12 e 12. O uso de vinhos condimentados (pigmentorum respersa pulveribus) foi reprovado aos monges cluniacensis por Bernardo de Claraval; Pedro o Venerável nos seus Statuti o proíbe. Isso não terá impedido de continuar a suar as especiarias para fins farmacêuticos e medicamentosos: no armário da enfermaria de Cluny - prescreviam as Consuetudini de Ulrico - nunca devem faltar a pimenta, a canela, o gengibre e outras "raízes salutares"". (MONTANARI, 2003, p. 83).  

Não obstante é válido dizer que especiarias como o açúcar, o café e o chocolate de início foram mercadorias luxuosas e exclusiva das elites. No século XVII, o açúcar tornou-se produto popular. O café tornou-se popular no XVIII, e o chocolate apenas a partir do XIX. 

Como visto, os europeus desde a Antiguidade, já tinham conhecimento sobre as especiarias, inclusive, os gregos e romanos já dispunham de pratos que levavam canela e pimenta na receita. Marco Gávio Apício, o qual viveu no século I d.C, em datas incertas, supostamente escreveu o livro de gastronomia De re coquinaria, no qual em meio as várias receitas, encontrava-se um uso massivo da pimenta e outras especiarias. A obra de Apício serviu de base para cozinheiros nos séculos seguintes. Além disso, na segunda metade da Idade Média, entre os séculos XIII e XIV, a importação de pimenta pelos italianos (principalmente venezianos) era tanta, que o preço da mercadoria caiu consideravelmente, ao ponto dos menos abastados poderem comprar pimenta. Dizer que de uma ora para a outra os europeus descobriram as especiarias no medievo e se maravilharam por elas, é um equivoco. (LAURIOUX, 1998, p. 452).

"A mudança das preferências em matéria de especiarias traduziu-se pelo desinteresse pela pimenta, que fazia parte de 80% das receitas de Apicius. No fim da Idade Média ela perdeu sua importância na cozinha ocidental, principalmente para o gengibre. Na França, o declínio foi mais precoce e mais acentuado, a ponto dessa especiaria outrora muito preciosa, ser marginalizada a partir daí". (LAURIOUX, 1998, p. 452).

Após as Cruzadas (séc. XI-XIII) e o desenvolvimento dos domínios árabes nas ilhas de Creta, Sicília e na Península Ibérica, gêneros alimentícios foram levados para a Europa e caíram no gosto europeu. Ao mesmo tempo em que os mercadores procuravam importar outras mercadorias para além da habitual pimenta, embora não fosse uma tarefa nada fácil fazer isso. Dependendo da época e da região, os governantes árabes não eram muito amistosos em permitir comerciantes europeus cristãos passando por seus territórios, o que acabava por dificultar o acesso as especiarias orientais, além do fato de que praticamente o monopólio de importação dessas mercadorias estava restrito aos italianos, os quais mantiveram contatos por vários anos com os árabes, bizantinos e turcos. 

"A grande mudança que converteu o mundo dos monopólios orientais das especiarias em um mundo novo - um sistema global em que os poderes ocidentais controlavam o comércio e, em grande parte, a produção de especiarias - ocorreu em três estágios: primeiro a transferência para o oeste dos principais centros mundiais de produção de açúcar, que começou no fim da Idade Média; a seguir, nos séculos XVI e XVII, o desenvolvimento de novas rotas comerciais às quais os mercadores ocidentais tinham acesso privilegiado; finalmente, a partir do século XVII, a tomada progressiva do controle da produção por parte dos poderes ocidentais que utilizaram métodos violentos para esse fim". (FERNÁNDEZ-ARMESTO, 2004, p. 235). 

Quando Vasco da Gama descobriu o Caminho das Índias (1497-1499), a produção de açúcar no Ocidente estava em alta, a ilha da Madeira, domínio ultramarítimo lusitano, já era o maior produtor de açúcar no Ocidente, tendo suplantado a produção árabe na ilha de Creta (embora os árabes e italianos continuaram a serem responsáveis pelo refino do açúcar no medievo). A questão era que se produzia tanto açúcar que o mercado logo ficou saturado, pois embora fosse uma mercadoria luxuosa ainda, inclusive empregado também para uso medicinal, sendo vendido nos boticários, além das feiras e mercados, o preço do açúcar começou a cair, então Portugal começou a pensar em investir no comércio de outras especiarias, mas os italianos, monopolizavam as importações ainda, e os turcos e árabes não estavam amigáveis naquele tempo, então enviaram Vasco da Gama, o qual obteve sucesso em traçar uma rota marítima para as Índias. (FERNÁNDEZ-ARMESTO, 2004, p. 236-237/LAURIOUX, 1998, p. 455). 

Portugal enviou em 1500, a expedição de Pedro Álvares Cabral, assegurando assim a descoberta da rota, e dando início as acordos com os indianos que prosseguiriam de forma intensa até o final do século XVI. Todavia, a medida que mais e mais navios eram enviados para às Índias, os portugueses começaram a tomar conhecimento sobre outras terras e outras especiarias que até então eles desconheciam ou só haviam ouvido falar, daí surgiu a necessidade de se enviar alguns estudiosos para pesquisar tais drogas.

Em 1511, o rei D. Manuel I de Portugal enviou o boticário Tomé Pires (1468-1524) para a Ásia, o nomeando ao cargo de Feitor das Drogas, cuja função era pesquisar acerca das drogas das Índias, sua qualidade, valor, potencial econômico, origem, utilidade medicinal, etc. Mas além de visitar cidades indianas, Pires visitou MalacaCochim e finalmente em 1517 chegou a China no cargo de Embaixador de Portugal, sendo o primeiro português e europeu a visitar o império chinês como embaixador na História. Mas sua chegada a China não foi das melhores, ele acabaria sendo feito prisioneiro, e ali passaria os próximos anos até sua morte em 1524. Mas antes que esse ignóbil destino lhe acometesse, Tomé Pires conseguiu enviar seus relatórios para o rei D. Manuel I. 


Selo comemorativo com um retrato de Tomé Pires. 
"A 27 de Janeiro de 1516, Tomé Pires envia de Cochim uma descrição de drogas, para o Rei D. Manuel I, das quais se destacaram a descrição de drogas asiáticas, sua origem e localização. De entre as quais se destaca: lombrigueira, ruibarbo, canafístula, ópio, galanga, mirabolanos, aloés, mirra, etc". (MELO, 2013, p. 13). 

"Tomé Pires é o primeiro e o mais ilustre boticário português a descrever numerosas drogas, compiladas na sua obra Suma Oriental, de elevado valor para a história da expansão portuguesa no mundo, para a história da ciência, bem como para a história dos povos do Oriente. Esta terá sido a primeira informação completa sobre algo do gênero em Portugal. Todas as drogas foram descritas em termos geográficos, qualidades, proveniência, valor e, por fim, a maneira de as obter e comercializar. A recolha desta informação foi muito cuidada, tendo inclusive o autor investigado sobre a veracidade das informações junto de mercadores, capitães, indígenas, com os quais terá contactado aquando da sua estadia no Oriente". (MELO, 2013, p. 14). 

Na Suma Oriental (1515) Tomé Pires elencou uma variedade de drogas principalmente do gênero vegetal e mineral. No entanto, o curioso é que tais drogas não proviam apenas das Índias mas também do Egito, Oriente Médio e Pérsia. Em sua obra ele foi o primeiro português e um dos primeiros europeus a descrever algumas plantas até então pouco conhecidas dos europeus ou até mesmo desconhecidas. 

O Suma Oriental seria superado décadas depois com o trabalho do médico, filósofo natural e professor Garcia de Orta (1501-1568), o qual passou metade da vida na Índia, de onde teve a sorte de poder viver bem mais tempo do que Tomé Pires e assim, escrever uma obra bem mais vasta, intitulada Coloquios dos simples e drogas e cousas medicinaes da Índia (1563). 

Estátua de Garcia de Orta, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa. 
A obra foi escrita em forma de diálogo, na qual Garcia dialoga com um personagem fictício por ele chamado de Dr. Ruano, explicando para este as dezenas de drogas que abundavam pelas Índias, falando acerca de sua aparência, textura, localização e utilidade terapêutica. O livro possui 58 capítulos e se inicia com a curiosidade do Dr. Ruano o qual tem interesse em conhecer as maravilhas medicinais de tais plantas, pois a maioria das drogas descritas por Orta são de origem vegetal. 

"De igual modo refere inúmeras drogas, muitas delas já conhecidas e descritas em textos clássicos, tais como a cânfora, o benjoim, o maná, o cato, a galanga entre outras, que apresentam agora a desmitificação de algumas dúvidas com uma descrição mais cuidada e pormenorizada das mesmas. Salientam-se ainda novas drogas como sendo a Rauwolphia serpentina, e outras que atualmente são utilizadas na terapêutica moderna". (MELO, 2013, p. 21).

Anos depois, baseado na obra de Garcia de Orta, o também médico-cirurgião e físico português Cristóvão da Costa (1525-1594), escreveu um livro intitulado Tractado de las drogas y Medicinas de las Indias Orientales (1573). Português de origem africana, em 1568 Costa foi nomeado para acompanhar a comitiva do 10o vice-rei da Índia D. Luís de Ataíde. Lá ele permaneceu alguns anos, aproveitando para escrever sua obra mais famosa. Terminado seu contrato ele retornou para Portugal e depois se mudou para a Espanha, vivendo vários anos em Burgos. Em comparação a obra de Orta, Costa trouxe referências a novas plantas além de uma série de imagens feitas por ele. 


Retrato de Cristóvão da Costa, cognominado o Africano. 
Em termos portugueses, essas três obras foram as mais importantes do século XVI, a ponto de serem traduzidas para outras línguas como o espanhol, francês, italiano e posteriormente o inglês. Por sua vez, viajantes e mercadores espanhóis, franceses, ingleses e holandeses também realizaram seus relatos, mas em geral parte desses relatos ficaram restritos as especiarias, mais no sentido econômico dessas, e mesmo os portugueses os quais foram os primeiros a demonstrar maior interesse pela farmacêutica, ainda assim, a Coroa lusitana esteve mais interessada no comércio de fazendas (tecidos), pedras preciosas e especiarias para a alimentação, do que no comércio de plantas medicinais. 

As especiarias: 

Embora na língua portuguesa e espanhola, especiarias fosse também sinônimo de drogas, os ingleses, franceses e holandeses, costumavam usar o termo spice, épice e specerij para se referir especificamente as drogas usadas para a alimentação, servindo como temperos e condimentos; de fato, tais palavras também são usadas como sinônimos para condimentos. Assim, qual foi o interesse das nações europeias em se apossar desses cobiçados condimentos?

Como dito, algumas especiarias já eram conhecidas dos europeus desde a Antiguidade, embora começaram a se familiarizar na Idade Média: a canela, a pimenta, o cominho, o coentro, o cravo, a cana de açúcar, o café, a laranja e o limão, foram plantas que começaram a se tornarem mais familiares aos europeus do Mediterrâneo por ali circularem grandes quantidades de mercadorias entre os árabes da Ásia, África e Europa, os principais responsáveis por levarem tais plantas a Europa. 

Sendo assim, regiões como Portugal, Espanha, sul da França, Itália, Grécia e o antigo Império Bizantino, foram terras que tiveram bastante contato com esse comércio muçulmano, e sua gente começou a se familiarizar com o uso de alguns temperos usados no Oriente, ao mesmo tempo, que a elite começou a se interessar pelo gosto por tecidos finos, perfumes, óleos perfumados, incenso, pedras preciosas, etc. No final do século XV, outras regiões da França passaram a ter contato com as especiarias, além de que estas também chegaram a Bélgica, Holanda, Inglaterra e ao sul da Alemanha. 


Imagem de algumas das principais especiarias: pimenta, canela, noz moscada, cominho, gengibre, cebola, folha de louro, etc. 
Cidades italianas como Veneza e Gênova, e cidades bizantinas como Constantinopla, eram grandes polos distribuidores de mercadorias que chegavam do Oriente. Assim, quando chegamos ao final da Idade Média, Portugal já tinha em mente que para conseguir que o país crescesse economicamente, era necessário expandir seus domínios. De início o alvo foi o norte da Berberia (atual Marrocos), todavia, nos 50 anos seguintes, os portugueses já haviam consolidado um comércio com distintos povos africanos na costa ocidental africana, além de terem fundado colônias na Madeira, Açores e Cabo Verde, e terem construído feitorias e fortalezas para proteger suas rotas comerciais e mercados.

"Com as navegações, crescem as receitas do Estado e as dos particulares e desenvolvem-se as forças produtivas. Os cereais tornam-se um dos maiores negócios do século. E radica-se uma agricultura especializada da vinha, do azeite, voltada para mercados crescentes; surgem outros produtos agrícolas, alguns deles provenientes das novas explorações assentes no trabalho escravo. É o caso do açúcar. Intensifica-se o movimento planetário das plantas e animais". (COELHO, 2000, p. 70). 

"Segundo João de Barros, na Rota do Cabo, os lucros comerciais atingiam cinco, vinte, cinquenta vezes o valor do capital investido". (COELHO, 2000, p. 70).

Logo, quando os portugueses decidiram investir numa rota marítima às Índias, eles já estavam há décadas desenvolvendo um comércio ultramarino com os africanos, já tinham construído entrepostos, vilas, fortalezas e fundado colônias, além de terem levado algumas especiarias como a cana de açúcar para serem cultivadas em suas ilhas. Todavia, o mercado de especiarias do Oriente ainda era algo bastante lucrativo, e os árabes, turcos e italianos ainda o dominavam. 

Assim, quando Vasco da Gama partiu em 1497, ele já estava ciente da importância de sua viagem para o crescimento econômico do país, ainda mais, depois do fato de que Cristóvão Colombo havia descoberto ilhas no Ocidente, embora houvesse dúvidas se tais terras eram as Índias ou algum outro lugar, um Novo Mundo. 
Mapa mostrando quatro principais rotas marítimas dos portugueses nos séculos XV e XVI: Pedro de Covilhã (1487-1491) em verde; Bartolomeu Dias (1488) em vermelho; Vasco da Gama (1497-1499) em amarelo; Pedro Álvares Cabral (1500-1501) em azul.
“E agiam muito bem. Havia muito dinheiro — enorme quantidade — numa rota para o Oriente. Na primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, os lucros atingiram a 6.000%! Pouco surpreende que os outros navios tenham empreendido a mesma perigosa e lucrativa viagem. O comércio se intensificou aos saltos. Se Veneza comprava 420 mil libras de pimenta por ano ao sultão do Egito, agora um único navio, em sua viagem de regresso a Portugal, transportava um carregamento de 200 mil libras! Não mais importava que a antiga rota para o Oriente tivesse sido conquistada pelos turcos; não mais importava que os venezianos cobrassem preços exorbitantes; o caminho para o Oriente, via Cabo da Boa Esperança, tornou os mercadores independentes da benevolência com que os turcos os tratavam e rompeu o monopólio veneziano”. (HUBERMAN, 1981, p. 98-99). 

"Uma nau da Índia custava em 1506 com a carga cerca de 8 contos de réis. Quando chegava a Malabar, esses 8 contos passavam milagrosamente a 20. Mas esta nau quando regressava a Lisboa, tinha sua carga avaliada em 100 contos de réis. Em termos nominais, uma nau da Índia valia mais no regresso do que as receitas do Estado no tempo de D. Afonso V". (COELHO, 2000, p. 70). 

“Modificou-se, então, a direção das correntes de comércio. Se anteriormente a posição geográfica de Veneza e das cidades do Sul da Alemanha lhes proporcionava vantagens sobre os demais países situados mais a oeste, agora eram esses países da costa atlântica que contavam com vantagens. Veneza e as cidades que a ela se ligavam comercialmente passam, então, a ficar de fora da principal via de comércio. O que antes constituía estrada principal agora não é senão um atalho. O Atlântico tornou-se a nova rota mais importante, e Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França ascenderam à eminência comercial”. (HUBERMAN, 1981, p. 99). 

Assim é visível que o principal fator que levou o interesse dos europeus no comércio das drogas do Oriente, foi um fator econômico, pois tais produtos não apenas movimentavam o mercado gastronômico, mas também o mercado de tinturaria, pois plantas como o anis no Oriente e o pau-brasil no Ocidente, eram bastante requisitadas para se tingir os tecidos de azul e vermelho. Não obstante, temos o mercado de perfumaria, o qual também mobilizou bastante dinheiro naquele tempo. 


Indígenas fazendo comércio com os portugueses no Brasil. Em geral o comércio de especiarias começava de forma pacífica, mas não tardava para se tornar agressivo. Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda empenharam-se em guerras pelo mundo para controlar esse mercado. 
Civitello (2008, p. 22) salienta que uma outra contribuição que o comércio de especiarias trouxe ao Ocidente, foi a introdução de novas palavras advindas do árabe, persa e do hindu: arroz (arisi), pimenta (pippali), manga (mangga), laranja (nagaranga), açúcar (sharkar), café (qah'wa). Tais plantas acabaram não apenas inserindo novas palavras para as línguas europeias, como também modificaram hábitos alimentares, neste caso, a pimenta, o açúcar e o café se destacam nessa lista acima apresentada, por estarem entre as especiarias que mais atingiram os hábitos alimentares de vários Estados europeus. 

"Antigamente um pão de açúcar (cada pão tinha pouco mais de dois quilos) era arrolado como bem precioso, nos tesouros reais. Atribuía-se ao produto da cana virtudes miraculosas para a saúde. Sete pães de açúcar (14 quilos), deixa a mulher mulher de Carlos V da França, no seu testamento, entre joias preciosas. E o sucessor deste rei dá a outro soberano, como presente real, mas alguns quilo das mágica mercadorias. À época do descobrimento do Brasil, a Europa tomava tudo com açúcar: a carne, o vinho, o peixe". (AMARAL, 1958, p. 357). 

O café era uma bebida tão popular entre as elites europeias do século XVII e XVII, quanto o vinho e a cerveja (MONTANARI, 2004, p. 111-112), ao ponto de que em alguns países houve restrições para seu consumo, pois o café foi visto de forma subversiva, fosse pelo fato de ameaçar outras indústrias de bebida ou por ser um vetor para reunir pessoas e ideias, que foram consideradas em alguns casos subversivas, pois algumas dessas reuniões se debatiam questões políticas contra o governo ou os governantes. 


Pintura mostrando o interior de uma cafeteria londrina por volta de 1660. 
Nos séculos XVI ao XVIII consumir alguns tipos de especiarias como açúcar, café, chocolate, ou ter disponível na sua cozinha, cravos, canela, baunilha, manjericão, pimentas, etc., era sinônimo de riqueza, pois antes de tais especiarias barateassem, apenas a burguesia e a elite possuíam dinheiro para comprá-los (MONTANARI, 2004, p. 73). A classe baixa se contentava com especiarias de baixa qualidade, isso quando conseguiam. Não sendo à toa que o açúcar nos séculos XV e XVI era presente de luxo, e o consumo de café só se popularizou as demais classes, a partir do XVIII. 

Até o final do século XVI, Portugal manteve o monopólio do lucrativo mercado milionário do comércio de especiarias das Índias Orientais, após esse séculos os portugueses passaram a ter forte concorrência disputando o mercado com os ingleses, franceses e holandeses. Enquanto isso, os espanhóis ampliavam seus domínios na América Espanhola, comercializando algumas especiarias como o cacau, baunilha e diferentes tipos de pimentas. O chocolate oriundo do cacau, tornou-se uma bebida bastante apreciada pela Corte espanhola, vindo a ser um segredo de Estado o seu preparo (BATISTA, 2008, p. 9). Todavia, o grande lucro que a Espanha teve nas Índias Ocidentais não foi com o comércio de suas especiarias, mas foi com a pilhagem das riquezas dos Impérios Asteca e Inca, e depois com a descoberta das minas de prata na Bolívia

No final do XVI com o enfraquecimento do comércio de especiarias, o qual ficou saturado por alguns anos, os portugueses passaram a investir massivamente no cultivo da cana de açúcar no Brasil, transformando sua colônia no maior produtor de açúcar do Ocidente por vários anos. Os ingleses, franceses e holandeses embora já viessem realizando expedições e viagens mercantis ao longo do XVI, foi apenas no XVII que eles adentraram ao mercado açucareiro e de especiarias no Ocidente e Oriente. 

Os ingleses e franceses trataram de explorar a América do Norte, vindo posteriormente a fundar suas colônias, como também fundaram canaviais nas Antilhas, Bahamas e Caribe. Posteriormente eles passaram a expandir sua influência pela África e Ásia através de suas Companhias das Índias

Por sua vez, os holandeses investiram nas drogas do Oriente com a fundação da Companhia das Índias Orientais (1602), a qual se tornou uma das companhias mercantis mais ricas e poderosas do mundo. Em 1621 eles fundaram a Companhia das Índias Ocidentais, cujo grande objetivo inicial foi se apossar da produção açucareira do Brasil, vindo a gerar as guerras luso-holandesas (1624-1625/1630-1654). 


The spice shop. Paolo Antonio Barbieri, 1637.
Em termos práticos, as drogas das Índias Ocidentais não renderam o mesmo lucro avassalador que as drogas do Oriente, embora o pau-brasil, o tabaco, o cacau e as pimentas tenham sido as principais drogas a vender, mas foi o açúcar - droga de origem asiática -, que se tornou o "ouro branco" daquelas terras. Posteriormente veio o algodão (embora algumas espécies sejam nativas das Américas) e o café, o qual também foi uma droga do Oriente, a fechar no século XIX, o mercado de especiarias. 

O valor terapêutico das drogas das Índias:

Anteriormente eu havia exposto a trajetória de três médicos portugueses em se realizar pesquisas no campo boticário para descrever diferentes tipos de plantas e seus usos medicinais. Hoje se sabe que alguns desses usos estão corretos, mas outros foram equivocados, de qualquer forma, por se tratar de um assunto demasiadamente extenso, optei apenas em citar algumas plantas mais conhecidas e apresentar segundo convenções da época os supostos usos medicinais a elas atribuídas.

Para essa parte do texto me vali do estudo da mestra em ciências farmacêuticas Ana Rita Sousa Melo (2013), a qual em sua dissertação abordou o uso medicinal atribuído a dezenas de tipos de plantas, de acordo como descrito nos livros de Tomé Pires, Garcia de Orta e Cristóvão da Costa. Todavia, optei em comentar alguma das principais especiarias comercializadas. 

Açafrão: A raiz do açafrão era usada para se fazer medicamentos voltados ao tratamentos para os olhos e para a sarna, de acordo com Orta. Já Costa, recomendava seu uso no tratamento de problemas gástricos e hepáticos. O açafrão possui poderosos anti-flamatórios os quais ajudam a combater vários tipos de dores causadas por inflamações. 

Aloés: usado para tratar ferimentos na pele como cortes, arranhões, inflamações e queimaduras de primeiro grau. Os aloés são conhecidos pelo seu valor medicinal há mais de dois mil anos. Possuem agentes de cicatrização, hidratação e antibacterianos. A partir de seu sumo também se faz uma pasta que é usada como creme de pele, para hidratá-la e suavizá-la. Segundo Orta, o aloé também era usado para se tratar de verminoses.
Uma espécie de aloé (Aloé barbadensis). No Brasil tais plantas são mais conhecidas pelo nome popular de babosa. 
Cálamo aromático: De acordo com Orta, o cálamo era recomendado para atenuar as dores no parto, ajudava na digestão, atenuava a sudorese (excesso de suor); era usado também como diurético; no tratamento de gases e de verminoses. Possuiria segundo Orta elementos anticonvulsivos, antiespamódicos, anti-inflamatórios e até afrodisíacos. 

Canela: usada para tratamentos de problemas gastrointestinais como cólicas, refluxos, gases, úlceras, etc. Era também usada como diurético e para combater problemas de falta de apetite e mau hálito. Segundo a crença, a canela por ser um alimento quente, atuaria de forma a favorecer a circulação do sangue e dos sucos gástricos, o que melhoraria o trabalho do estômago, mas também em problemas de circulação. Seu consumo também era recomendado para as mulheres em fase de menstruação. A canela possui propriedades anti-inflamatórias, antibacterianas e expectorantes.
Gengibre: Segundo Orta, o gengibre seria rubefaciente, revulsiva, carminativa, estimulante gastrointestinal, auxiliando no tratamento de cólicas, gases, dores estomacais, enjoo, náuseas, vômitos, etc. Ele também era recomendado para tratar de gripes, tosses, dor de garganta, dor de cabeça, resfriados e problemas nos pulmões e rins. O gengibre possui agentes anti-inflamatórios, anti-sépticos, anestésicos, antibacterianos, etc., seu uso terapêutico é bastante amplo, indo além do que Orta destacou.



Noz moscada: recomendada para tratamento de problemas de digestão, gases, gastrite, diarreia e mau hálito. Ajudaria na digestão de alimentos pesados. Serviria também de tônico para problemas cardíacos, melhorando a circulação sanguínea e baixando a pressão arterial. Era também recomendada para tratar problemas de cáries, dores nas articulações e seria um suposto afrodisíaco. 

Outras drogas como o ópio, o açúcar, o café e o chocolate também foram prescrevidos possuindo usos terapêuticos. De fato o ópio consumido em baixa quantidade atua como calmante e até sonífero, o problema é que ele consiste num narcótico, que facilmente leva a dependência quando passa a ser usado com regularidade. Pessoas com problemas de insônia acabavam se tornando dependentes químicas do uso do ópio para dormir, todavia, tal substância consumida em forma de fumo, contribui para gerar alucinações e um estado de letargia motora e mental.

No caso do açúcar, do café e do chocolate sua prescrição terapêutica hoje se sabe que estava errada. Tais alimentos foram ao longo dos séculos prescritos para supostamente tratar distintos tipos de males, mas na prática nunca foram eficientes, embora que algumas substâncias presentes no café e no chocolate amargo, façam bem ao coração, como hoje é sabido. Todavia, a medicina e a nutrição reconhecem que estes três alimentos são viciantes e podem gerar dependência alimentar, acarretando em doenças. 

Mercadorias de luxo:

Já vimos que parte das especiarias por si só já eram mercadorias de luxo, pois eram produtos caros e que por muito tempo, apenas as elites possuíam dinheiro para obtê-los. Mas além das especiarias em si, vários outros produtos em geral em matéria de fazendas e joias, eram bastante cobiçados pelos europeus. 

A seda era o principal tecido cobiçado pelas elites europeias desde a Antiguidade, quando se teve os primeiros contatos com esse fino e macio tecido, que até então era largamente produzido em escala pelos chineses, os quais a vendiam para outras terras através da Rota da Seda. A seda era a base para se fazer diferentes tipos de tecidos tanto na Ásia quanto na Europa. 

Mas além da seda, outros tecidos valiosos e negociados na época eram: a musselina, o cetim, o damasco, o brocado, o veludo, o mudbage, o gala e até mesmo o algodão, o qual na Idade Média e começo da Idade Moderna, ainda era um tecido que não havia alcançado dimensões industriais. Além desses tecidos voltados em geral para a confecção de roupas, também eram comercializados tecidos como acitara, alambel, alfola, almadraque, alvecí, brocadilho, chamalote, adamascado, galão, lambel, etc., usados para se confeccionar roupas de cama e mesa. Também havia outros tipos de tecidos derivados do linho, da lã, da seda e do algodão, mas de composição mais grosseira usados na confecção de panos grossos, tapetes, forros, sacos, etc.  


Brocados de seda
No entanto não bastava apenas adquirir esses tecidos em estado bruto, era preciso tingi-los, adorná-los com outros tecidos, ou com fios de ouro e prata como no caso dos brocados. O tingimento é conhecido desde os tempos antigos, mas quando os europeus passaram a ter acesso a plantas oriundas da África, Ásia e das Américas, eles encontraram outros materiais para tingir seus tecidos. 
  • Açafrão: corante amarelo
  • Anil (glasto ou pastel): corante azul
  • Índigo: corante azul
  • Garança: corante vermelho
  • Gualda: corante amarelo
  • Hena: corante amarelo
  • Kermes: corante vermelho extraído de insetos do gênero Kermes
  • Brasil: corante vermelho
  • Púrpura: corante vermelho-escuro e roxo extraídos de moluscos do gênero Murex
  • Rubia: corante vermelho
  • Sumagre: corante cinza e preto
Pintura retratando uma tinturaria. Na ocasião tecidos de lãs estavam sendo tingidos. 1482. 
Para se criar variações de cores, tais corantes naturais eram misturados com outros produtos ou tinham a dosagem alterada para a quantidade de tecido a ser tingido, daí conseguiria-se fabricar tons mais claros ou mais escuros, inclusive até outras cores como o rosa, verde, violeta, roxo e o lilás. 

Outros produtos cobiçados também estavam ligados a perfumaria. Diferentes tipos de óleos em geral vegetais, extraídos de distintas plantas de origem asiática, passaram a serem cobiçadas pelos perfumistas europeus, os quais somaram estes odores tidos para eles como exóticos as fragrâncias que já eram conhecidas e comuns na Europa. Algumas das substâncias usadas para perfumes, eram: 
  • Almíscar: fragrância extraída de uma glândula do cervo-almiscarado
  • Âmbar cinzento: pedra extraída do estômago de algumas baleias
  • Baunilha
  • Canela
  • Cominho
  • Cravo-da-índia
  • Cravo-do-maranhão
  • Epiquenardo
  • Goma Arábia: goma extraída de distintas plantas
  • Laranja
  • Lima
  • Limão
  • Linaloes
  • Manjericão
  • Mirra
  • Nbondo (origem africana)
  • Noz-moscada
  • Pimentas
  • Sândalo
Lista de drogas: 

Procurei listar o maior número de drogas das Índias conhecidas na época, no entanto, para melhor organizar tal listagem, optei em dividi-la em duas seções: drogas do oriente e do ocidente, e subdividi-las em drogas de origem vegetal, animal, mineral e de outro tipo. Lembrando que a maioria das drogas eram usadas para fins terapêuticos, mas alguns levavam fins alimentares, atuando como condimentos e temperos, e para fins de comércio, sendo vendidos para se fazer perfumes, óleos, joias, objetos, etc. 

1) Índias Orientais

a) Drogas de origem vegetal: 
  • Abrótano
  • Açafrão-da-terra
  • Açúcar
  • Agrião-do-seco
  • Ajowan (Trachyspermum ammi)
  • Algodão
  • Alho
  • Aloés
  • Amêndoas
  • Amono
  • Anacardos
  • Ananás bravo (abacaxi silvestre)
  • Anil
  • Anis
  • Anis-estrelado
  • Alquitira
  • Árvore-do-caril (curry tree) 
  • Árvore triste (Nytanthes arbor tristis)
  • Asa-foetida (Ferula asa faetida)
  • Avacari
  • Bambu (espodio vegetal ou tabachir)
  • Bangue (Cannavis sativa)
  • Bálsamo
  • Bedélio
  • Beldroega (Portulaca oleracea)
  • Benjoim
  • Bétele ou folio índio
  • Ber ou Bor
  • Brasil (corante extraído da Caesalpinia sappan)
  • Café (embora seja nativo da África, difundiu-se no Oriente Médio)
  • Capim-limão (capim santo, erva-príncipe, capim-cidreira)
  • Cana de açúcar
  • Canafístula (Cassia fistula)
  • Canela ou cinamono
  • Cânfora
  • Carambolas
  • Carcapuli
  • Cardomomo (Eletaria cardomomum)
  • Carpobálsamo
  • Cálamo aromático (açoro)
  • Cate ou Pau (Acaeia Cateelin)
  • Cebola
  • Cidra 
  • Coco
  • Coentro
  • Cominho
  • Costo ou colerica passio (Saussurea Lappa)
  • Cravo da Índia
  • Cubeba (Piper cubeba)
  • Curcuma (açafrão-da-terra, açafrão-da-índia, raiz-de-sol, etc.)
  • Curcas (Colocassia antiquorum)
  • Datura (Datura alba)
  • Doriões (Durio pbethinus)
  • Erva lombrigueira ou sêmen alexandrino
  • Ervas Malavar (Holarrhena antidysinterica
  • Erva Mimosa
  • Erva das Molucas (yerva de Maluco)
  • Escamónea
  • Espiquenardo
  • Estoraque líquido
  • Faufel (Areca catechu)
  • Figos da Índia
  • Folhas de chá
  • Galanga (gengibre do Laos ou gengibre tailandês)
  • Gengibre (esquinato ou palha da meca)
  • Goma arábica (extraída de duas espécies de acácias)
  • Gomas fétidas (extraída de algumas plantas)
  • Hena 
  • Incenso (feito a partir de distintas plantas)
  • Índigo
  • Jaca
  • Jangomas
  • Jambo
  • Jambolões
  • Laranja
  • Laranja-azeda (laranja-amarga)
  • Levístico
  • Limão
  • Loureiro (folha de louro)
  • Linaloes (Aquilaria agallocha)
  • Manjericão
  • Manga
  • Mangostão (Garcidia mangostana)
  • Maná (Cotoneaster nummularius)
  • Marmelo de Bengala
  • Melancia (mungo ou melão-da-índia)
  • Milho
  • Mirabolanos (nome genérico de euforbeáceas e combretáceas).
  • Mirra
  • Mostarda
  • Negundo (Vitex negund)
  • Nimbo (Melia azadirachta)
  • Noz moscada
  • Ópio
  • Orégano 
  • Pau da china ou raiz da China
  • Pão da cobra (Hemidesmus indicus)
  • Pau das Molucas (palo de Maluco)
  • Pau-santo ou gaiaco (Guaiacum sanctum)
  • Pimenta anis (Zanthoxylum piperitum)
  • Pimenta-do-reino
  • Pimenta preta
  • Pimenta branca
  • Pinhão das Molucas (pinones de Malucos)
  • Pistache
  • Rosélia, quiabo-roxo, vinagreira, etc. (Hibiscus sabdariffa)
  • Ruibarbo
  • Sândalo
  • Sarcacola (tipo de goma)
  • Sargaço (algas)
  • Sene
  • Soja
  • Tamarindos
  • Tincar
  • Turbite ou turbito
  • Xilo
  • Zedoária ou cálamo aromático
b) Drogas de origem mineral:
  • Aljôfar
  • Calcedônia
  • Crisocola, bórax ou trincal
  • Jaspe Verde
  • Lápis-lázuli
  • Pedra de Benzar ou bezoar ("pedra" encontrada no estômago de alguns animais)
  • Rubis
  • Sal amoníaco
  • Tutia (minério de zinco)
c) Drogas de origem animal:
  • Almíscar
  • Âmbar cinzento (proveniente da secreção de algumas baleias)
  • Lacre ou lacra (substância produzida por insetos da família Coccus lacca)
  • Marfim 
  • Mel
  • Múmia ou momia (substância proveniente da umidade de corpos mortos)
  • Pérolas
  • Seda
d) Drogas de outros tipos:
  • Âmbar
  • Chaquo (concha do Turbinella pyru)
2) Índias Ocidentais: 

a) Drogas de origem vegetal:
  • Abatuá
  • Agrião indiano (Tropaeolum majus)
  • Aipo (salsão)
  • Algodão
  • Amendoim
  • Bálsamo do Brasil (Copaifera officinalis)
  • Batata do campo 
  • Baunilha
  • Brasil (corante extraído da Caesalpina echinata, pau-brasil)
  • Castanha-de-caju
  • Castanha-do-pará
  • Cacau
  • Caju
  • Canela branca
  • Capeba (Pothomorphe umbellata)
  • Carapiá (contra-erva)
  • Chocolate
  • Cravo do Maranhão
  • Erva-doce (anis)
  • Erva de Santa Maria (erva caácia ou erva de sangue)
  • Girassol
  • Guaraná
  • Ipecacuanha Branca
  • Ipecacuanha Negra
  • Jaborandi (Pilocarpus microphyllus)
  • Jarrilho (salsaparrilha)
  • Junça (Cyperus esculentus)
  • Jurubeba (Solanum paniculatum)
  • Malvaísco (Althaea officinalis)
  • Mil-homens (Aristolochia cymbifera)
  • Pagimiroba
  • Pau-cravo 
  • Pimenta-caiena
  • Pimenta-da-jamaica
  • Pimenta malagueta 
  • Tabaco
  • Urucum
b) Drogas de origem animal:
  • Âmbar cinzento 
  • Mel 
  • Peles de animais (principalmente na América do Norte)
  • Plumas (principalmente de aves tropicais)
c) Drogas de origem mineral:
  • Jade
  • Diamante
  • Esmeralda
  • Obsidiana (na prática não é um mineral, mas constava na época como sendo um mineral)
NOTA: No livro de Harry Potter e a Pedra Filosofal (1997), Harry, Rony e Hermione durante a aula de poções do professor Severo Snape, tomam conhecimento sobre o que é um bezoar e seu uso medicinal. No livro é dito que a pedra era comumente encontrada no estômago de cabras e era um poderoso antídoto contra diversos tipos de venenos. Em Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2005), Rony é envenenado após beber hidromel, então Harry o salva ao fazê-lo engolir um bezoar. 
NOTA 2: Na série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, é comum verem os meistres recomendarem aos nobres o consumo de "leite dos sonhos" ou "leite de papoula", para ajudar a dormir. Tal recomendação não é fictícia, pois desde os tempos antigos, ingerir um "leite de papoula" era usado como poção do sono. 
NOTA 3: Embora os portugueses, espanhóis, ingleses, franceses e holandeses tenham sido responsáveis por levarem muitas plantas asiáticas e africanas para as Américas, no entanto, foram os árabes os principais responsáveis por difundir algumas dessas plantas no norte da África e sul da Europa. Foi com a expansão árabe nestas regiões que plantas como a laranjeira, limoeiro, cana de açúcar, cafeeiro, coqueiro, palmeira, tamarindo, damasqueiro, etc., tornaram-se familiares aos europeus do sul. 
NOTA 4: O comércio de especiarias se manteve em alta até o século XVIII, embora que nações como Inglaterra e França chegaram a investir em fazendas de especiarias em suas colônias africanas, passando a cultivarem cravo, canela, noz moscada, açafrão, pimentas, cacau, etc. Já o cultivo de açúcar e café ainda se expandia por várias outras terras. 
NOTA 5: Os portugueses no Brasil durante o século XVII e XVIII passaram a usar o termo "drogas do sertão", para se referir as especiarias descobertas no interior da colônia, terras essas genericamente chamadas de sertões. Muitas dessas drogas eram provenientes das capitanias do Norte, como Pará e Maranhão e da própria floresta amazônica. 
NOTA 6: Durante o século XVI tornou-se comum em Portugal falar da "carreira das Índias", termo usado para se referir aos homens que passavam a trabalhar no comércio na Rota do Cabo ou Rota das Índias, ou servindo nos entrepostos e colônias na Ásia. Entre milhares de homens que seguiram nessa carreira, esteve o famoso poeta Luís de Camões

Referências Bibliográficas: 
AMARAL, Luís. História geral da agricultura brasileira no tríplice aspecto: político-social-econômico, vol. 1. 2a ed, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1958. 2v. 
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brazil, por sua drogas e minas. 2a ed. Rio de Janeiro, Souza e Comp. 1837. 
BLUTEAU, Raphael. Vocabulario Portuguez & Latino, aulico, anatômico, architectonico... Coimbra, Collegio das Artes da Companhia de Jesus, 1712-1728. 8v 
CIVITELLO, Linda. Cuisine and Culture: a history of food and people. 2a ed. Hoboken, John Wiley & Sons, Inc., 2008. 
COELHO, Antônio Borges. Os argonautas portugueses e seu velo de ouro (séculos XV-XVI). In: TENGARRINHA, José (org.). História de Portugal. Bauru, EDUSC/São Paulo, UNESP, 2000. 
FERNÁNDEZ-ARMESTO, Felipe. Comida: uma história. 4a ed. Tradução de Vera Joscelyn. Rio de Janeiro, Record, 2004. 
HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. 16a ed. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1981. 
KÜSTER, Hansjörg. Spices and flavorings. In: KIPLE, Kennety F; ORNELAS, Kriemhild Coneè (editors). The Cambridge World History of Food. vol. 1. Cambridge, Cambridge University Press, 1999. p. 431-436. 
LAURIOUX, Bruno. Cozinhas medievais (séculos XIV e XV). In: FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo. História da alimentação. Tradução de Luciano Vieira Machado e Guilherme J. F. Teixeira. São Paulo, Estação Liberdade, 1998. 
MELO, Ana Rita Peixoto Guedes Sousa. História das drogas e das doenças no Império Português (séculos XV-XVII). 2013. 145f. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas) - Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Fernando Pessoa, Lisboa, 2013.
MONTANARI, Massimo. A fome e a abundância: história da alimentação na Europa. Tradução de Andréa Doré. Bauru, EDUSC, 2003. (Coleção Ciências Sociais). 
MONTANARI, Massimo. Food is Culture. Translated from the italian by Albert Sonnenfeld. New York, Columbia University Press, 2004. 
POLO, Marco. O livro das maravilhas: a descrição do mundo. Tradução de Elói Braga Júnior. Porto Alegre, L&PM, 2009. 
ORNELLAS, Lieselotte Hoeschl. A alimentação através dos tempos. Rio de Janeiro, FENAME, 1978. (Série Cadernos Didáticos). 
ORTA, Garcia de. Colóquios dos simples e drogas da Índia. 2a ed. Dirigida e anotada por Conde de Ficalho. Lisboa, Imprensa Nacional, 1891. 
SERRÃO, Joaquim Veríssimo. Portugal e o Mundo: Nos séculos XII a XVI. Lisboa/São Paulo, Editorial Verbo, 1994. 
SILVA, Antonio de Moraes e. Diccionario da Língua Portugueza - recompilado dos vocabularios impressos ate agora, e nesta segunda edição novamente emendado e muito acrescentado. 2a ed. Lisboa, Typographia Lacerdina, 1813. 

Links relacionados:
Portugal e a Era dos Descobrimentos
Uma história sobre o café
Uma história sobre o chocolate
O "ouro branco" chamado açúcar
O engenho e o fabrico de açúcar no Brasil colonial
As Viagens de Marco Polo
Hérnan Cortés e a conquista dos Astecas (1519-1521)
A expansão islâmica: VII-XII
Al-Andalus: da conquista árabe ao fim do Califado de Córdova (VIII-XI)
A Companhia das Índias Ocidentais da Holanda: alguns aspectos administrativos

Nenhum comentário: