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Leandro Vilar

sábado, 26 de novembro de 2016

Nota sobre o falecimento de Fidel Castro

2016 esta sendo um ano cheio de surpresas e reviravoltas, boas ou ruins. A morte de Fidel Alejandro Castro Ruiz, na noite de sexta-feira, 25 de novembro, aos 90 anos, tomou a todos de surpresa, quando neste sábado foi oficialmente divulgado pelo seu irmão Raul Castro a confirmação do falecimento de Fidel. 


Agora com a partida do nonagenário militante e revolucionário o qual governou uma pequena ilha no Caribe ao longo de décadas, tornou-se o tema do dia e provavelmente das semanas seguintes. Como avaliar a partida desse controverso homem, o qual ao lado de Che Guevara (1928-1967), tornou-se um dos mais icônicos revolucionários latino-americanos? 

Realmente é difícil pensar nisso sem tomar partido, pois o que se observa nos sites de relacionamento e na imprensa, uma guerra de opiniões, onde de um lado se encontram aqueles que condenam Fidel como um terrível ditador; do outro lado, temos aqueles que ovacionam suas ações, aclamando-o como herói dos oprimidos. 

Não será agora que farei uma análise dessa importante figura política das últimas décadas. Necessitarei de estudar sua extensa carreira política, assim como, adentrar ao mito político que foi ao longo dos anos construído sobre sua pessoa, e se diga de passagem: não apenas um mito, mas mitos, pois temos o Fidel revolucionário, o Fidel presidente, o Fidel ditador, o Fidel opressor, o Fidel solidário, o Fidel combatente do imperialismo etc. 

Todos esses mitos políticos se fazem necessários serem estudados e criticados, para que assim possa se chegar a um denominador comum acerca do que ele realmente fez, de forma a se separar as calúnias, invenções e bajulações atribuídas ao seu governo e pessoa. 

Sabemos que de fato Fidel Castro foi um ativo militante marxista, socialista, nacionalista, anticapitalista, antimperialista e talvez "antiamericanista". Sua postura radical em defender a implantação de um regime socialista em seu país, tornou Cuba por décadas uma nação reclusa, reclusão não apenas acarretada pelo embargo econômico (dissolvido em 2014) imposto pelo governo dos Estados Unidos da América, como retaliação a Revolução Cubana (1959), na qual o então presidente/ditador Fulgêncio Batista foi deposto do poder; sendo que Batista possuía negócios e acordos escusos com a Casa Branca, o que levou os irmãos Castro, Guevara e outros guerrilheiros a tentar tomar o poder do país e romper com essa submissão aos americanos. 

Mas para além dessa defesa ao nacionalismo, ao marxismo, ao socialismo, Castro foi um militante que incentivou as nações latino-americanas e até de outros continentes a lutarem contra as ditaduras capitalistas e militares, algo um tanto contraditório, já que ele mesmo instalou segundo alguns, uma ditadura socialista, pois de 1959 a 2008, Fidel Castro esteve a frente do governo cubano, fosse como Primeiro-Ministro (1959-1976), como Presidente (1976-2008) e como Secretário-Geral do Partido Comunista de Cuba (1959-2011).

Fidel Castro foi um homem contraditório. Proibiu o direito de ir e vir dos cubanos, o que contribuiu para o isolamento parcial de seu povo; reprimiu a oposição ao seu governo, censurou a imprensa; teria ordenado execuções e prisões políticas etc. Cortou relações com vários países e até com o Vaticano. Neste caso, Castro decretou a laicidade do Estado cubano e inclusive aboliu os feriados religiosos de origem católica. Manteve por décadas uma postura contundente e agressiva contra o governo americano, seu principal rival. Apoiou a política da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), embora nem sempre fosse favorável a algumas de suas posturas. Vivenciou a Crise dos mísseis de Cuba (1962), acontecimento que quase levou a Terceira Guerra Mundial.

Por outro lado, tornou-se solidário ao governo brasileiro em apoiar a luta contra a Ditadura Militar (1964-1985), e chegou a conhecer alguns dos presidentes brasileiros como Juscelino Kubitschek (1956-1961), Fernando Collor de Mello (1990-1992), Luís Inácio Lula da Silva (2003-2011) e mais recentemente Dilma Rousseff (2012-2016). Apoiou Hugo Chávez (1954-2013) em sua revolução socialista na Venezuela; apoiou Nelson Mandela (1918-2013) na sua luta contra o Apartheiddiscursou várias vezes na ONU (Organização das Nações Unidas), criticando a falta de apoio aos países em guerra, aos países onde as taxas de mortalidade infantil eram absurdas, aos países onde a população vivenciava grande miséria, passando fome; defendeu o investimento na educação e na saúde, inclusive incentivou médicos cubanos a auxiliarem em outros países. 

Diante de tal breve comentário, deixo minhas últimas palavras. É preciso pensar Fidel Castro para além do ditador e revolucionário, como foi mencionado, é preciso entender sua atuação política dentro do contexto da Guerra Fria (1945-1991) e após essa ter terminado; sua influência sobre outros países e líderes, e as ações de seu governo para retirar Cuba do atraso social, passando a investir na Educação e na Saúde, tornando Cuba no século XXI, o país com o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da América Latina. As ações de Fidel Castro fazem parte daquela reflexão na qual diz: os fins justificam os meios? Os meios que ele usou, realmente justificam os fins que ele pretendia?


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