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Leandro Vilar

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Eppur si muove

De acordo com algumas versões históricas essa frase "Eppur si muove" (No entanto, se move), teria sido dita por Galileu Galilei após sair do Tribunal do Santo Ofício, assim como era chamado o tribunal da Inquisição  Romana. Sendo assim, nas linhas a seguir irei contar um pouco da vida deste gênio da física, da matemática e da astronomia. Considerado por alguns como o "Pai da Astronomia Moderna".

Galileu Galilei nasceu em Pisa, em 1564 e faleceu em Arcetri em 1642. Foi um astrônomo, físico, matemático, escritor e filósofo italiano, o qual teve grande papel no desenvolvimento científico moderno. A história de Galileu é marcada por grandes descobertas, decepções, descrenças e inimizades. Era filho do compositor florentino Vincenzo Galilei, e logo cedo mostrou gosto pela música, não pela arte de tocar, mas de escrever sobre esta. Seu pai demonstrava muito interesse pelas artes, especialmente pela música. Tal fato, levou o irmão mais velho de Galileu, Michelangelo Galilei a se tornar músico profissional. No entanto, Galileu não seguiu o mesmo caminho do pai e do irmão, embora gostasse e preferisse escrever sobre música, também escreveu sobre literatura, e a respeito disso, teve como dois grandes autores preferidos, Dante e Tasso. Ainda na sua infância, sua família a qual era de origem burguesa e conhecida na medicina e nos negócios públicos, se mudou para Florença. Galileu foi enviado para realizar seus estudos na escola do mosteiro jesuítico de Vallambrosa, nas proximidades de Florença. 

Quando completou 14 anos seu pai o retirou da escola, e este voltou para casa. Três anos depois, seu pai decidiu que Galileu deveria se tornar médico e o matriculou na Universidade de Pisa. Galileu, filho de um músico, neto de um médico, sobrinho de mercadores, nada indicava que tomaria um rumo diferente de sua família. Galileu mostrou não possuir nenhuma vocação para a medicina, e num certo dia enquanto se encontrava assistindo uma missa na Catedral de Pisa, ele ficou fascinado com os movimentos pendulares de um candelabro da catedral. Ele mediu o tempo do pêndulo a partir da sua pulsação, algo que aprendeu a calcular nas aulas de medicina. 

O candelabro da Catedral de Pisa. O movimento pendular do candelabro inspirou Galileu  se tornar matemático e físico.
A partir do simples ato de observar o movimento pendular, Galileu decidiu abandonar o Curso de Medicina e se tornar matemático. Ele se formou em matemática na Universidade de Pisa, e dez anos depois, em 1588, ele apresentou uma conferência acerca da visão geográfica de Dante Alighieri acerca do mundo. Tal conferência lhe rendeu grandes elogios na época, ao passo que Guidobaldo del Monte, o qual se tornou posteriormente um grande amigo, o indicou a cátedra de matemática da Universidade de Pisa. Galileu tinha na época 35 anos. Assim ele passou a ser professor de matemática da universidade. 

Durante os anos que ensinou em Pisa, ele desenvolveu vários estudos tanto na matemática quanto na física. Um dos trabalhos que publicou na época fora batizado de Movimento, no qual ele criticava e contradizia várias das teorias de Aristóteles acerca do movimento. Entre uma das teorias contestadas, estava a trajetória dos projéteis. Aristóteles dizia que a trajetória de um projétil era retilínea, Galileu comprovou que isso não era verdade, que na realidade a trajetória era curvilínea, em forma de arco; assim desenvolveu cálculos e fórmulas para sustentar e confirmar sua descoberta. 

Galileu também se dedicou a estudar o movimento dos corpos, a queda livre, o movimento dos fluídos, a influência da Lua sobre as marés, além de vários outros assuntos, que contribuíram para o desenvolvimento da cinemática (estudo dos movimentos).

"Essas descobertas eram todas notáveis por si mesmas, mas tinham um significado especial porque, para chegar a elas, Galileu usou técnicas matemáticas ao analisar os resultados. De nenhum outro modo poderia ter chegado a essas conclusões. Sua poderosa abordagem matemática, foi de fato, tão eficaz que se tornaria a marca registrada da nova física que se desenvolveria nos séculos XVII e XVIII; essa é a razão por que o chamam o "pai da física matemática". (RONAN, 2001, p. 79).

Entretanto, a Universidade de Pisa pagava mau aos seus funcionários, e para piorar, em 1591 seu pai morreu, e Galileu passou a ser o responsável por sustentar a família. Assim, com a ajuda de Guidobaldo ele conseguiu emprego na Universidade de Pádua, onde passou a lecionar matemática, a receber melhor e a ter mais liberdade de pesquisa, algo que em Pisa o sistema o restringia. Foi em Pádua que ele construiu uma oficina e passou a ter ajudantes que os auxiliavam em seus experimentos e pesquisas. Em ambos os lugares ensinou para os seus alunos suas recém descobertas. No entanto, suas descobertas e pesquisas não parariam por ali. Passaria os anos seguintes estudando matemática e física, até que acabou conhecendo a astronomia. 

Por volta de 1609, ele construiu seu próprio telescópio, e começou a explorar o universo. Seus estudos em óptica contribuíram para o aperfeiçoamento do aparelho. O seu telescópio inicial era duas vezes mais potente dos que existia. No final da vida, ele confeccionou um telescópio, trinta vezes mais potente do que o feito em 1609. 

Réplica de um dos telescópios de Galileu.
Suas observações sobre o universo contribuíram muito para o avanço da astronomia moderna. Agora o homem teve a oportunidade de enxergar mais de perto as estrelas e os astros que compunham este espaço sideral. Galileu, estudou as fases da Lua, esboçando em seus cadernos cada forma que esta apresentava; descobriu alguns satélites de Júpiter, sendo estes: EuropaIoCalisto e Ganimedes, chamados as vezes de Luas de Galileu. Observou também o relevo lunar, fazendo descrições a respeito deste; observou as fases de Vênus, Marte e Saturno, descobrindo os seus "braços" (ele não chegou a distinguir os anéis inicialmente, mas posteriormente em outra observação os notou, pois dependendo da posição da Terra em relação a Saturno, não se dava para ver os anéis). 

Desenhos acerca das fases da Lua
Estudou o Sol e descobriu as manchas solares. E a medida que fazia novas descobertas, uma questão intrigante aparecia. Ele começou a contestar se realmente a Terra estava imóvel no universo, e era o Sol e os demais planetas que giravam em torno desta. Galileu também estudou o fenômeno da aurora boreal, e de fato foi ele que sugeriu o nome para tal fenômeno, baseado no nome da deusa romana do amanhecer, Aurora (Éos para os gregos). 

Capa de História e demonstração sobre as manchas solares e seus acidentes, publicado em  1613.

A partir da dúvidas que lhe surgiram, ele começou a fazer experimentos simples, a respeito da mecânica do movimento, a fim de se provar que a Terra se movia. Em 1610, ele publicou suas descobertas astronômicas, em seu livro, intitulado O Mensageiro das Estrelas (Sidereus Nuncius). Basicamente nesse livro, além de expor suas anotações, teorias, descobertas, ele propunha que a Teoria Heliocêntrica de Nicolau Copérnico (1473-1543), estaria certa. Vários anos antes de Galileu descrer das palavras da Igreja, em se dizer que a Terra era o centro do "universo", Copérnico já havia sugerido o mesmo. E em sua teoria heliocêntrica, ele dizia que era o Sol que estava ao centro do "universo" e os de mais planetas giravam em torno deste e não o contrário, como defendia a Igreja Católica até então. A teoria de Copérnico foi acusada de heresia, e proibida de ser lida. Embora Copérnico não tenha sido o primeiro a propor tal teoria, já que desde a Antiguidade houve outros que propuseram ideias similares, mas a teoria de Copérnico foi a mais aceita e completa até então. Mesmo que fosse a mais completa até o começo do século XVII, a Igreja ainda recusava reconhecer sua veracidade, mas isso não impediu que Galileu e outros estudiosos concordassem com ela, mas isso acabou gerando problemas para Galileu. Em 1611, o Papa Paulo V (1552-1621), o qual era conhecido por ser um homem complacente e diplomata, o convocou a ir a Roma, sob a acusação de heresia.

Em Roma, acabou apresentando seus trabalhos ao Colégio Romano dos Jesuítas, e acabou se tornando amigo de Maffeo Barberini (futuro papa Urbano VIII), e conheceu também Roberto Bellarmino, um dos importantes doutores da Igreja, o qual reconheceu seus trabalhos, e ajudou até a publicar alguns destes. Galileu tivera sorte naquele momento, pois tanto o papa como Bellarmino gostaram do seu trabalho, embora que Galileu na ocasião tenha evitado em tocar no assunto do modelo heliocêntrico. 

Dispensado do Tribunal do Santo Ofício, sob a concordância de não voltar mais a falar e defender o modelo copernicano, Galileu retornou para sua casa em Florença e passou os anos seguintes publicando suas descobertas em seus Discursos e escreveu suas famosas Cartas Copérnicas, nas quais em sigilo defendia suas ideias a respeito do sistema heliocêntrico. As cartas nunca chegaram a serem publicadas, mas o seu conteúdo começou de alguma forma a se espalhar em forma de boatos, e em 1616, o Tribunal do Santo Ofício, novamente convocou Galileu.

Dessa vez o papa, propôs para ele uma saída, para não ser condenado. O papa disse que se ele concordasse em dizer que o sistema heliocêntrico era meramente uma hipótese, não seria condenado. Galileu acabou aceitando a proposta do papa, e assinou tal decreto da Inquisição Romana. No entanto ele ainda não estaria totalmente livre da ameaça da Inquisição. Mesmo assim, nos anos seguintes continuou com seus estudos. Porém não podia ensinar para o seus alunos o sistema heliocêntrico ou fazer qualquer menção de que aquele sistema era o correto, e não como era apresentado pela Igreja.

Em 1623 ele publicou seu novo trabalho O ensaiador (Saggiatore), no qual voltava a criticar a física de Aristóteles, argumentando que a matemática era o fundamento das ciências exatas. Uma das questões que Galileu combatia a respeito de Aristóteles, era que esse dizia que um objeto mais pesado, caía mais rápido que um objeto leve. Galileu fez suas próprias experiências e constatou que ambos os objetos caíam ao mesmo tempo, independente de suas massas. Contudo, Galileu na época não conseguiu explicar fisicamente o por que daquilo. A lei da gravidade só viria a ser explicada mais de um século depois por Isaac Newton

"O ensaiador, não era polêmico em absoluto. Nele Galileu expôs seus pontos de vista sobre a realidade científica e sobre o novo método científico; explicou sua doutrina das qualidades primárias (as que podiam ser medidas) e secundárias (não mensuráveis, isto é, qualidades como odor e o sabor). Explicou também como definir um problema com o auxílio de experiências preliminares e, a partir dos resultados, formar uma teoria, a qual podeira, então, ser usada para "predizer" consequências capazes de ser testadas pela observação". (RONAN, 2001, p. 82).

Galileu dedicou O ensaiador ao seu amigo o papa Urbano VIII, o qual acolheu o livro de bom grado. No entanto, nos dez anos seguintes, Galileu se manteve afastado do papa e isso contribuiu para a fragilidade de sua amizade com o mesmo. 

Anos depois em 1632, quando publicou seu Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo (Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo) ele novamente voltou a defender o sistema heliocêntrico. Basicamente nessa sua nova obra, Galileu expôs suas ideias através de um diálogo fictício, no qual três personagens dialogavam entre si; um defendia o heliocentrismo, o outro o geocentrismo e por fim o outro personagem que era neutro na história, acabava concordando com a primeiro. 

Capa de Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo, 1632.
Alguns consideraram que Galileu quis fazer uma crítica a Igreja, escrevendo uma obra satírica, a onde expôs subjetivamente sua opinião. Seu trabalho acabou chegando aos ouvidos da Igreja, e novamente o Santo Ofício o acusou de heresia. Ele foi convocado para Roma, para novamente depor a respeito de seu crime. Durante o julgamento tudo apontava para a acusação de Galileu como culpado, ele muito bem poderia ir parar na forca ou até mesmo ser queimado. No entanto, O juiz da sentença abriu uma chance de rendição. Ele disse que se Galileu se ajoelha-se perante aos membros do tribunal, alegando total culpa, e se considerando errado daquilo que havia falado, e implorando por misericórdia a Deus, seria absolvido da sentença.

Pintura retratando o interrogatório de Galileu diante dos inquisidores.
Galileu nunca foi um homem um modesto, mas acabou tendo que mentir para não morrer. Sendo assim, ele se ajoelhou perante ao júri, e disse que havia errado em tudo que dizia a respeito do sistema heliocêntrico, que ele havia ficado cego para a verdade posta pela Igreja, que havia estado alucinado todo esse tempo, e agora reconhecia seu erro, e implorava por clemência. Feito isso o juiz o sentenciou a uma prisão domiciliar, até que o veredito final fosse dado. Reza a lenda que quando este saía do tribunal, teria dito "eppur si muove", se referindo ao fato de que a Terra se movia, e não era estagnada como se pensava a crença na época.

Galileu passou o ano de 1633 em prisão domiciliar em Roma, e depois foi transferido para Florença. Proibido de publicar livros e de se comunicar com outras pessoas. Nesse caso ele mantinha uma correspondência com o seu médico, devido ao fato de está doente naquela época, e de estar ficando cego; e com a sua filha, Maria Celeste, a qual vivia em um convento de freiras nas redondezas de Florença. 

Retrato de Maria Celeste Galilei. A única filha de Galileu que mais lhe apoiou e amou.
Em 1634, ele publicou o seu último grande trabalho Teorias e provas matemáticas sobre duas novas ciências (Discorsi e dimostrazioni matematiche in torno a due nuove scienze). Além de ter passado esses últimos anos que antecedem a sua cegueira completa, escrevendo seu último trabalho, Galileu também aproveitou para rever todos os seus trabalhos, e corrigir erros que não foram notados, acrescentar anotações esquecidas, e concluir teorias e hipóteses que ainda estavam incompletos. Depois da publicação de seu trabalho, sua cegueira o acometera. Com isso ele já não podia escrever e estudar. Passou o restante da vida em reclusão domiciliar, convivendo com sua cegueira e problemas respiratórios. Depois de lançado seu último trabalho, o papa Urbano VIII, o qual já não tinha a mesma amizade de antes por Galileu, indicou todos os seus trabalhos para fazerem parte do Index (Lista de livros proibidos pela Igreja Católica).

Por fim posso dizer que Galileu viveu uma vida de grandes descobertas e de ensino. Porém foi atormentado por desavenças pessoais com supostos rivais; foi perseguido pela Igreja, o levando a descrença. Nunca chegou a se casar, mas dentre o seus filhos e filhas que teve, Maria Celeste era a sua filha mais amada e a qual ficou mais próximo dele, até morrer aos 36 anos de idade, vítima talvez de desinteira, algo comum na época. Quando esta morreu, sua morte abalara muito Galileu. Mesmo assim, este viveu até 1642, na companhia talvez de algum dos outros filhos, e de alguns discípulos. Quando morreu aos 78 anos, ainda mantinha com convicção que sua ideia de que a Terra se movia ao redor do Sol, era verdadeira, e a Igreja havia cometido um grande engano.

"A importância histórica de Galileu é muito grande. Além das suas descobertas em física e astronomia, abalou o prestígio do aristotelismo; estabeleceu o experimento e a formulação da matemática do resultado da experiência como fundamentos das ciências exatas". (Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1998, p. 2628).

Em 12 de Outubro de 1982, o papa João Paulo II, em visita a Universidade de Pádua, retirou as acusações feitas pela Inquisição a Galileu. Em 1992, ele foi inocentado de suas acusações, e reabilitado. O papa teria o chamado de "físico genial". Depois disso seus trabalhos foram oficialmente retirados do Index e reconhecidos pela Igreja, após 360 anos de descrença.

NOTA: A respeito da cidades de Florença, Pádua, Pisa, Roma e dentre outras, devo dizer que nessa época, não existia um país unificado Itália. A Itália era dividida e governada por príncipes, duques e conselhos. Recomendo quem tiver curiosidade a respeito, em se ler o Príncipe de Maquiavel.
NOTA 2: Além de ter inventado um telescópio próprio, Galileu também inventou um tipo de termômetro, a balança hidrostática, e outros objetos de pesquisa.
NOTA 3: Galileu nunca gostou de viver em Florença, ele só vivia lá por causa de sua filha Maria Celeste a qual vivia em um convento nas redondezas. Ele dizia que o meio acadêmico florentino era muito conservador e recluso a novas ideias. 
NOTA 4: A obra de Nicolau Copérnico na qual traz a teoria heliocêntrica se chamava Da revolução das esferas celestes (De revolutionibus orbium coelestium).
NOTA 5: Galileu ao longo de sua vida, manteve correspondência com outro importante astrônomo da época, Johannes Kepler (1571-1630), responsável por ter desenvolvido as três leis fundamentais da mecânica celeste.
NOTA 6: No mesmo ano que Galileu morreu, nasceu Isaac Newton, o qual daria continuidade em parte aos seus trabalhos.
NOTA 7: Galileu chegou também a se corresponder com Francis Bacon (1561-1626), polímata britânico, considerado o "Pai da Ciência Moderna". 
NOTA 8: Index Librorum Prohibitorum foi uma lista de publicações formulada pela Igreja Católica, a fim de se proibir sua leitura e a divulgação de seus conteúdos, tidos como um perjúrio a palavra da Igreja.
NOTA 9: Na década de 30 do século XVII, Galileu conheceu o filósofo inglês Thomas Hobbes, quando este visitava a Itália. A concepção matemática de Hobbes foi profundamente influenciada pelos trabalhos de Galileu.

Referências Bibliográficas:
RONAN, Colin A. História Ilustrada da Ciência da Universidade de Cambridge, volume 3: da Renascença à revolução científica. Tradução de Jorge Enéas Fortes, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2001. 
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. São Paulo, Nova Cultural, 1998.

Referência audiovisual:
Documentário: Galileu e sua Batalha pelo Céu (Galileo e the Sinful Spyglass). Duetto Editorial, 2002.

Links relacionados:
Dilema Astrônomico
Francis Bacon e o despertar da ciência

LINKS:
Discurso de João Paulo II sobre Galileu no centenário do nascimento de Albert Einstein
Curta biografia de Galileu.
Biografia de Galileu Galilei {{{3}}} (em espanhol)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Aníbal Barca

Aníbal Barca (247-183 a.C), foi considerado um dos maiores generais da História de Cartago e do mundo. Aníbal ficaria lembrado na História por ter sido o principal general a comandar as guerras entre Cartago e Roma, durante o século III a.C. Sendo assim, irei relatar um pouco deste período de guerras, no qual Aníbal ameaçou a hegemonia romana sobre a Península Itálica, e o próprio governo desta pelo Mediterrâneo.

Antes de começar a contar um pouco da vida militar de Aníbal, irei fazer uma rápida retrospectiva sobre alguns fatos que levaram a guerra contra Roma.

Primeiramente irei falar um pouco sobre Cartago. Cartago foi uma colônia fundada na costa da África (ver mapa), pelos fenícios, por volta do século IX a.C. No entanto somente séculos depois é que esta viria a se tornar uma potência marítima e militar no Mediterrâneo. Por volta do século III a.C, Roma se expandia pela Itália, a tendo praticamente sobre seu domínio. Nessa época, na ilha da Sicília, as colônias da Magna Grécia, lutavam pelo controle da Sicília, uma das principais regiões produtoras de grãos da região. Sendo assim, os cartagineses também possuíam o mesmo interesse. Porém a guerra só tomaria proporções mais drásticas, quando os romanos decidem também lutar pelo domino da região. Como estes já possuíam amizade com os gregos, com isso eles se uniram a estes para combater os cartagineses. Nesse ponto se iniciaria as chamadas Guerras Púnicas.

As Guerras Púnicas foram uma série de batalhas divididas em três etapas, (o nome púnico se deve ao fato de os romanos chamarem os cartagineses de púnicos), as quais se sucederam ao longo dos séculos III a.C e II a.C. Com isso, a Primeira Guerra Púnica se iniciou em 264-241 a.C, e terminou com a vitória romana. Porém ao longo destes mais de vinte anos de guerras, ambas as nações saíram com grandes perdas, sendo Cartago a que sofrera mais com a derrota, pelo fato de perder alguns territórios e ter que pagar uma taxa de indenização a Roma. No entanto não estou aqui para relatar como esta guerra transcorreu, irei me abster mais a relatar as causas da Segunda Guerra Púnica, na qual a figura de Aníbal fora essencial para a deflagração destes conflitos e para o termino destes.

Antes de começar de fato a falar sobre a investida de Aníbal sobre os romanos, irei citar alguns antecedentes que levaram a ocorrência deste segundo confronto.

Com o fim da Primeira Guerra em 241 a.C, Cartago ficou arrasada e presa a uma divida com os romanos. Uma das soluções encontrada por esta fora explorar a região da Hispânia, rica em minas de prata. Sendo assim, expedições foram enviadas para conquistar a região e obviamente as suas minas. Dentre um dos principais responsáveis por estas conquistas cartaginesas na Hispânia, estava Amílcar Barca (270-228 a.C), pai de Aníbal. Amílcar teve uma importante participação nos últimos anos da Primeira Guerra Púnica, como o fato de ter participado não só das batalhas, mas na negociação de um acordo de paz com Roma. Na Hispânia, seria o responsável pela conquista da maior parte desta. Já que seus filhos dariam continuidade a esta. Com a sua morte no campo de batalha, ele havia deixado um exército forte, e uma região moldada com sua exímia diplomacia. Mesmo assim os hispânicos ainda se relutaram a aceitarem a submissão a Cartago. Asdrúbal Barca, seu genro, assume a chefia da Hispânia.

Asdrúbal, seria lembrado por ter sido o fundador da Nova Cartago (atual Cartagena na província de Múcia, Espanha). E por ter em 226 a.C assinado um acordo com os romanos, no qual se dividiria as terras da Hispânia em duas partes, sendo a delimitação dessa divisão o rio Ebro. De fato tal fronteira seria a causa da segunda guerra, para alguns historiadores. Em 221 a.C, Asdrúbal é assassinado. Alguns dizem que fora por vingança de algum dos seus servos, ou pelo inimigo. Com a sua morte, o governo de Cartago escolhe o jovem Aníbal Barca para sucedê-lo.

Aníbal Barca
Sendo assim, aqui começa a história de Aníbal. Quando jovem recebera uma educação greco-romana (mesmo que este odiasse os romanos). Fora instruído por um mentor espartano, sobre a arte da guerra. Diz que este ouvira as histórias de Alexandre, o Grande e os seus feitos. Aos vinte seis anos, ele assume o governo, após a morte de Asdrúbal. Em seu governo ele continuou a expansão cartaginesa pela península, além de enriquecer Cartago com prata, e fortalecer o seu exército. Tais fatos, levaram os romanos a redobrarem a atenção com este. Em 218 a.C, o exército de Aníbal transpõe a fronteira do Ebro, os romanos consideram isso uma traição, e enviam uma mensagem para o Conselho dos Cem (órgão superior de Cartago), para que enviassem Aníbal para Roma para ser julgado. Devido a forte influência de seu nome no Conselho, este se negara a enviá-lo. Na verdade não se tem certeza por que o conselho se negara a tal pedido. Não se sabe se foi por medo a Aníbal, ou porque realmente Cartago queria a guerra, queria vingança. De qualquer forma tal fato levou os romanos a novamente declararem guerra as cartagineses, e assim se iniciava a Segunda Guerra Púnica.

Nesse ano Roma nomeara novos cônsules, e o Senado escolhera o cônsul Públio Cornélio Cipião (236-183 a.C) o responsável pela província de Hispânia, para combater Aníbal. Porém este não iria aguardar que os romanos tomassem a frente da luta, ele decidira agir imediatamente. Enquanto Cipião reunia as legiões romanas e partia para a Hispânia, Aníbal marchava com seu exército em direção a Gália (França). Nessa época os romanos já tentavam conquistar a região, porém muitas tribos ainda eram hostis a estes, então Aníbal viu nessa condição uma possibilidade de aliança com estes "barbáros". Inicialmente isso não ocorreu, porém não tardou muito que os gauleses se unissem ao exército cartaginês.

"Dessa maneira o general Cipião recebeu, em 218 a.C, cerca de 14 mil soldados e 1.600 cavaleiros para dirigir-se a Hispânia e Tibério Sempronio Longo, cerca de 16 mil e 1.800 respectivamente, para cumprir a tarefa de invadir a África". (MAGNOLI, 2009, p-64).

Roma descobriu os planos dos cartagineses, então decidiu aguardá-los em casa, na Itália. Decidiram esperar o exército inimigo na entrada da Planície do Pó, a principal via de acesso pelo norte da Itália, para quem quisesse vir com um grande exército. Porém a história fora outra, o inusitado acontecera. Ao invés de seguir pelas margens do rio Rodáno até a planície, ele decidiu pegar um caminho mais difícil e ousado. Decidiu contornar os Alpes, e atacar os romanos de surpresa. Aníbal marchou com o seu exército de cerca de 50 mil homens através dos Alpes, os contornado e chegando a Planície do Pó. Durante os cinco meses de viagem empreendida, ele perdera parte das tropas, mas conseguiu repor-la quando os gauleses se aliaram a ele. (clique no mapa para ver a rota de invasão de Aníbal).

Chegando a Itália com cerca de quase trinta mil homens (soma-se a infantaria com a cavalaria), e com pelo menos 20 elefantes de guerra, este iniciaria seus ataques as terras romanas. De fato relatos dessas guerras é muito vasto, afinal foram mais de dez anos de conflitos. Então pelo fato de ser muita história para contar e poucas linhas para escrever, irei resumir os acontecimentos. No entanto aconselho para quem tiver maior curiosidade a respeito do assunto, consultar outras fontes confiáveis que tenham uma maior abrangência a respeito do assunto.

Pintura representando a travessia dos Alpes pelo exército de Aníbal. 
Voltando a história de Aníbal. Este passaria dez anos na Itália confrontando Roma e suas colônias. Nas diversas batalhas travadas em terra e mar. Mas dentre estes vários conflitos, a Batalha de Canas, travada em 2 de Agosto de 216 a.C, representou a maior vitória cartaginesa, e a maior derrota romana já sofrida até então. (clicando no mapa poderás ver marcado neste, as principais batalhas travadas durante a Segunda Guerra Púnica). Na Batalha de Canas a qual aconteceu ao sul da Península. Os romanos estavam crentes de sua vitória. Contavam com um enorme exército de cerca de 8 legiões e alguns aliados (fontes estipulam pelo menos cem mil homens no campo de batalha). Quanto a Aníbal seu exército que já não era muito grande, constava de pelo menos a metade do contingente romano. Contudo, por mais que os números fossem desfavoráveis aos cartagineses, a estratégia empregada pelo seu general poria Aníbal na História como um dos grandes estrategistas militares.

Ele soube se valer da vantagem de seu número menor a fim de se conseguir mobilidade e velocidade. Pelo fato de terem lutado pr[oximo as margens de um rio, o campo de mobilidade ficara reduzido. E o exército romano por ser muito grande perderia muito tempo para se posicionar e se reagrupar, depois de movido. Aníbal enviou sua cavalaria e sua infantaria rápida a fim de quebrar a formação romana, conseguido tal feito este começou a atacar os romanos pelos flancos, os forçando a se reagruparem no centro. Não tardou que o restante da cavalaria e da infantaria pesada cerca-se o exército inimigo e o massacra-se. Tal derrota abalou fortemente a convicção da superioridade romana. No entanto mesmo com esta grande perda. Roma ainda não se daria por vencida.

"Mesmo diante de tamanha derrota os romanos não cederam. Reestruturaram suas estratégias e dividiram sua armada em grupos menores, para conter as investidas de Aníbal". (MAGNOLI, 2009, p-69).

Nos anos seguintes, Aníbal montaria uma base na Itália e passaria a atacar os domínios romanos, a fim de enfraquecer o inimigo, e se conseguir o apoio de povos subordinados ao julgo romano, mas que os odiavam, para se tornarem seus aliados. Curiosamente, nesse anos que ele passou na Itália, ele nunca chegou a ameaçar Roma, de forma que leva-se a esta o seu fim. De fato os romanos conseguiram resistir bravamente ao ataque cartaginês. E enquanto estas batalhas se desenrolavam, Aníbal conseguia suprimentos e homens vindo da Hispânia. Sendo assim, Cipião, decidira atacar os reforços de Aníbal. Então ele partiu para a Hispânia, chegando em 211 a.C. Lá ele ficaria até o ano de 207 a.C, combatendo Asdrúbal Barca, irmão de Aníbal (não confundir com o Asdrúbal que era genro de Amílcar).

"A derrota de Asdrúbal foi importante para os romanos na medida em que estes conseguiram submeter a Península Ibérica, expulsando os cartagineses da região". (MAGNOLI, 2009, p-69).

Com a morte deste, os suprimentos dos cartagineses em Itália foram suspensos, agora estes teriam que recorrer diretamente a Cartago. Cipião retornou para Roma em 205 a.C, com seu retorno, este fora novamente eleito cônsul, e dessa vez ele tentaria empreender seu plano mais ousado. Cipião tentou convencer o Senado em apoiá-lo em um ataque direto a África a Cartago em si, se esta caísse, Aníbal perderia. O plano era muito ousado, parte do Senado não concordou inicialmente. Mesmo assim Cipião conseguiu reunir duas legiões e partiu para a África em 204 a.C. Como ele contava com pouco homens, decidira não atacar Cartago, mas sim a enfraquecê-la, derrotando seus aliados. Cipião conseguiu derrotar o rei da Númidia, um dos importantes aliados de Cartago, além de vencer outros aliados deste. Logo Cartago se vira ameaçada pelos exércitos romanos em África, e solicitou que Aníbal retornasse. Sendo assim, em 202 a.C ele deixa a Itália e segue para Cartago.

Chegando lá, o exército romano comandado por Cipião, o qual agora era chamado pela alcunha de o Africano, atraiu Aníbal e suas tropas para longe de Cartago, em direção ao deserto, mais exatamente na planície de Zama. Em 19 de Outubro de 202 a.C na Batalha de Zama (ver imagem), ocorrera o confronto derradeiro que poria fim a esta guerra. No meio do deserto, longe de Cartago ou de qualquer outro aliado a quem recorrer, Aníbal só poderia contar com seu exército e com sua experiência. Armado com seus poderosos elefantes de guerra a frente do exército, este marchou de encontro ao exército romano. Contudo uma reviravolta ocorrera. Cipião já imaginando que seu oponente usaria elefantes na batalha, deu para cada um dos homens na frente de batalha uma trombeta. Quando os elefantes chegaram próximos, os soldados começaram a soprar as trombetas, os animais acabaram se enfurecendo e correndo para trás. Tal acontecimento levou a morte de vários membros da infantaria e cavalaria que foram pisoteados pelos animais em fúria. Com isso o exército de Aníbal ficara dividido, e num verdadeiro caos. Logo os romanos assumiram a dianteira do ataque, levando a rendição do inimigo.

No ano seguinte fora assinado um novo tratado de paz entre cartagineses e romanos. Mas dessa vez, Roma fizera maiores cobranças. Desde uma taxa indenizatória, a doação de vários territórios cartagineses, como toda a doação de sua marinha, e a proibição de se estabelecer um exército. As cobranças foram altas, se negassem a cumprir-las poderiam ser destruídos, sendo assim acabaram concordando.

Cipião retornou para Roma, aplaudido como um herói. Aníbal permaneceu em Cartago organizando os problemas gerados após o fim da guerra. Nessa época ele recebera um cargo no Senado cartaginês. Contudo anos depois, algumas desavenças entre inimigos, levaram este a abandonar a cidade. Alguns começaram a culpar-lo pelo inicio da guerra e pela dura derrota sofrida. Mesmo tendo perdido a guerra, este nunca abandonara o ódio que sentia pelos romanos. Logo veio a encontrar recepção em novos aliados no Oriente. Alguns povos, como os macedônios e os sírios relutavam a aceitar a submissão à Roma. Aníbal se mudou para a Macedônia, por volta de 195 a.C. Mas com a derrota de seu rei, esta e a Grécia passaram a pertencerem ao domínio romano, então ele se dirigiu para a Bitínia (correspondia a parte norte do atual território da Turquia). Lá ele passaria seus últimos anos de vida, quando cometera suicídio ao se envenenar. Com sua morte, seu nome ainda seria lembrado na história. Seria um herói para Cartago, e um nome que dava medo de se ouvir, para os romanos.

Sobre a pessoa de Aníbal, Maquiavel dissera o seguinte:

"Entre os admiráveis feitos de Aníbal conta o de que, possuindo ele um exército extraordinariamente grande no qual se amalgamavam homens de inúmeras procedências, exército que comandara em batalhas travadas em terras estrangeiras, jamais surgiu no seio deste qualquer dissensão, nem entre os soldados, nem contra o seu comando, nem na adversidade e tampouco na fortuna". (MAQUIAVEL, 2009, p-81-82).

NOTA:
Alguns historiadores preferem chamar a família de Aníbal de Bárcida, devido ao fato de o nome Barca ser um apelido e não um nome próprio.
NOTA 2:
As atuais ruínas da cidade de Cartago na Tunísia, não correspondem propriamente a cidade original. Com o fim da Terceira Guerra Púnica, a cidade foi destruída. Dizem que o serviço foi tão bem feito que suas ruínas se perderam nas areias no deserto. Contudo, anos depois, os romanos construíram uma outra cidade próximo dali, chamada de Cartago. Júlio César foi um dos quais propôs a construção dessa cidade.
NOTA 3: A Terceira Guerra Púnica, fora a mais curta dentre todas, se durou de 149-146 a.C, a qual terminou com a total derrota de Cartago, sendo seus territórios assimilados por Roma, sua cidade destruída e seu povo escravizado.
NOTA 4: De fato, Aníbal não era um cartaginês propriamente dito. Ele nascera na Hispânia, era um ibero. Porém por esta região pertencer a Cartago, era lhe dada a cidadania cartaginesa.
NOTA 5: A Numidia, correspondia a um reino africano localizado, no que hoje equivale a costa da Argélia. Os numidas era conhecidos por serem eximios cavaleiros, e fora com essa cavalaria que Anibal venceu a Batalha de Canas.
NOTA 6: Sobre os filhos de Anibal não se sabe muita coisa. Na realidade talvez não haja dados sobre quem foram e o que fizeram depois da morte de seu pai.
NOTA 7: Alguns historiadores costumam usar a expressão "mare nostrum" (nosso mar) para se referir a hegemonia romana sobre o Mediterrâneo após o fim da Segunda Guerra Púnica.

Referências Bibliográficas:

MAGNOLI, Demétrio (organizador). História das Guerras. São Paulo, Contexto, 3 ed, 2009.
BALDSON, J. P. V. D. O Mundo Romano. Rio de Janeiro, Zahar. 1968.
GRIMAL, Pierre. A Civilização Romana. Lisboa, Ed. 70, 1988.
MAQUIAVEL, Nicolau. Príncipe, Porto Alegre, L&PM, 2009.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Gênios desacreditados

Dá próxima vez que você rir ou zombar das ideias de uma pessoa, por mais excêntricas que possam ser, preste bem a atenção ao se fazer isso. Por que nunca se sabe o que o futuro nos reserva.

O que eu irei expor a seguir é um relato verídico de algumas pessoas que foram zombadas, ignoradas, desacreditadas e até mesmo ridicularizadas. No entanto estas pessoas se tornaram algumas das figuras mais criativas e grandiosas da história. E para começar minha relação de nomes, citarei uma das mentes mais geniais da história da humanidade, Albert Einstein.

Albert Eins
tein (1879-1955). Consagrado como sendo um sinônimo de "gênio", se tornou um dos cientistas mais influentes e conhecidos e brilhantes da história. Suas pesquisas nas áreas da relatividade, do efeito fotoelétrico e da energia atômica (pena que as usaram para desenvolver armas), proporcionaram um grande progresso cientifico no século XX. Muitos não sabem o que tais pesquisas nos geraram contribuições; mais de fato, se não fosse por algumas das descobertas de Einstein não poderíamos hoje estar lendo este texto diante desta tela, ou acessar a Internet, ou se quer se pensar em computadores, celulares, robôs, satélites, aparelhos de GPS, câmaras fotográficas, e dentre outras engenhocas eletrônicas do século XXI. Mas ironicamente Einstein não fora visto como sendo esta mente brilhante e genial; mesmo que em alguns momentos ele fosse chamado de louco, este chegou a ser desacreditado por seus professores. Em um dado momento da infância de Einstein, ele nunca foi considerado um aluno exemplar, tirava notas boas em matemática, física e latim, mas era regular nas demais disciplinas, e as vezes criticava o sistema de ensino das escolas que estudara. Certa vez um dos diretores destas escolas, chegou para o seu pai, e disse que o filho dele "não seria ninguém na vida", que não teria sucesso em coisa nenhuma.

Ludwig van Beethoven (1770-1827). De longe fora consagrado como um dos maiores compositores da história. Porém nem sempre fora assim. Beethoven ainda jovem, era visto apenas como um rapaz que sabia tocar bem no piano as célebres composições de Mozart, Bach e de outros bons compositores. De fato ele não nascera com o talento, como fora Mozart (desde os cincos anos de idade ele se mostrara um gênio para a música) este teve que "ralar duro" para ser reconhecido. Em 1794 com 24 anos, Beethoven já era considerado um dos 40 mais brilhantes músicos de sua época. No entanto os problemas só estavam por vir. Enquanto ele ganhava fama pela Europa, aos 26 anos o problema de surdez o acometera. Beethoven estava ficando surdo. Quando tal noticia se espalhou, muitos disseram que este seria o seu fim como músico. Em algumas cartas ele relata tal enfermidade. Porém mesmo em depressão, ele não sei deixou ser vencido pela doença. Entre 1804 e 1808, ele compôs a Quinta Sinfonia ou Sinfonia do Destino, nessa época ele estava parcialmente surdo. No entanto mesmo assim seria posteriormente quando ele já estava quase que totalmente surdo (alguns dizem que já estava surdo por completo), em 1824 ele completa a sua mais conhecida e famosa obra, a Nona Sinfonia, a qual lhe consagraria na história da música. Mesmo com o problema da surdez, Beethoven não deixou de tocar e compor, sua paixão pela música era tanta que os males que o acometeram não o venceram.

Louis Braille (1809-1852). Muitos não devem conhecer este homem, mas talvez se lembrem vagamente de seu sobrenome, Braille. Se não conseguiram associar tal nome, então lhes darei a resposta. Louis, foi quem
desenvolveu o código Braille. Um sistema de escrita e leitura, no qual permite os deficientes visuais poderem ter a capacidade de ler. É inegável que tal criação fora de grande contribuição para todos que possuem esta deficiência. E o próprio Braille soube como era viver com isso. Braille nasceu na França e fora filho de um artesão. Quando este tinha cerca de 3 anos de idade, estava brincando na oficina de seu pai, quando acabou se ferindo com uma ferramenta pontiaguda; ele acabou ferindo o olho esquerdo. E devido a falta de cuidados médicos mais especializados, seu ferimento infeccinou e atingiu o olho direito, o qual acabou por lhe tornar cego completamente. Hoje em dia, uma pessoa deficiente visual já possui muitos problemas a se enfrentar no dia-a-dia do século XXI, mesmo com nossa tecnologia atual. Imagine uma pessoa do século XIX e até mesmo antes disso?

Pelo fato do jovem Braille ter ficado cego, muitos já diziam que não restava mais nada para ele fazer na vida, viveria o resto de sua vida dependendo dos outros. Mesmo assim seus pais não desacreditaram de seu filho. Aos 10 anos ele entrou no Instituto Real de Jovens Cegos de Paris, onde em pouco tempo se tornou um dos alunos mais exemplares do instituto.

Nessa época já existia, os estudos de se criar uma escrita para cegos e para fins militares, em batalhas noturnas. Em 1821 ele conhece um sistema de códigos desenvolvido pelo exército francês. Interessado em tal sistema ele passa os anos seguintes o estudando, até que aos 15 anos de idade cria o seu próprio sistema de caracteres, conhecido posteriormente como Código Braille.

Mesmo assim o seu sistema seria muito criticado por parte de alguns e até ignorado por outros. Como um adolescente cego poderia ter criado um sistema de caracteres que fosse efetivamente útil? Somente muitos anos depois, é que a invenção de Braille fora realmente valorizada. Mesmo tendo ficado cego, ele ainda buscou uma forma de possibilitar que aqueles que sofriam do seu mesmo mal, pudessem possuir outra forma de se "enxergar" o mundo, sendo esta forma, atráves dos livros.

Leonardo Da Vinci (1452-1519). Da Vinci é um dos homens mais conhecido
s da História da Humanidade. Desde suas belas pinturas, até suas invenções a frente de seu tempo. É considerado um dos grandes gênios da Renascença. Um verdadeiro talento em várias áreas diferentes dos campos de estudos humanos. Contudo o que irei relatar aqui não será a respeito de sua genialidade em meio a engenharia, anatomia, matemática, etc. Mas sim quanto a respeito ao campo da arte. A Mona Lisa, talvez a obra de arte mais famosa do mundo, levou anos para ser concluída por Da Vinci. Mas, no inicio talvez seria inimaginável que um rapaz como ele, pudesse pintar algo tão belo e perfeito. Em 1469, ele consegue ingressar no ateliê de Andrea del Verrocchio, porém havia um problema, na época que entrou, ele tinha por volta dos dezessete anos, sendo assim muitos disseram que ele estava velho para se tornar aprendiz. Já que estes começavam seus estudos, bem mais jovens. Mesmo assim, Da Vinci não se deixou se desmotivar.

"Leonardo sabia que tinha que correr atrás do tempo perdido. Deu certo: apenas três anos depois, aos 20 anos, ele já era oficialmente reconhecido como mestre pela guilda de pintores de Florença". (BBC, Revista, 2009, p-40).

Mesmo que não se saiba se realmente isso veio ocorrer quando ele tinha apenas 20 anos, é inegável que posteriormente sua fama como artista seria aplaudida por todos. Se Da Vinci tivesse desistido de seus sonhos por causas dos outros, o mundo não iria conhecer o talento desta mente brilhante.

Caio Júlio César (100-44 a.C). César é uma das figuras mais conhecidas e importantes da história da Roma Antiga. Foi um ditador, grande general, conquistador, um homem do povo, foi consagrador o "
Pai da Pátria", foi invejado, assassinado, e por fim glorificado. Em meio a todos estes motivos, já postos, fica difícil de se imaginar que ele algum dia fora zombado ou fora ignorado. Mas na verdade isso realmente aconteceu. Quando este ainda era jovem, a República Romana passava por sérios problemas. O ditador Sula o qual governava na época, era inimigo do tio de César, Caio Mário. Sula ficou conhecido por ter ordenado a perseguição, a morte e o confisco de várias pessoas apontadas por ele, como sendo traidores do Estado e seus inimigos. Mário conseguiu fugir a tempo dos homens de Sula, mas quanto a César este acabou sendo pego em casa, porém Sula, na época disse que este jovem rapaz, poderia ser livre, seria enviado para o exterior para servir no exército. Ele não aparentava ser uma ameaça, e logo iria morrer no campo de batalha mesmo. Então deixou que ele fosse embora. Relatos, apontam que cerca de 4 mil pessoas foram acusadas por Sula, e grande parte destes foram assassinados ou exilados. César acabou se revelando um grande guerreiro e comandante. Tal fama iria eclodir nos anos seguintes, promovendo Júlio César como um grande lider.

Genghis Khan (1167-1227). De fato Genghis Khan não fora um homem desacreditado, mas sim zombado, humilhado e ignorado. Não posso dizer que ele fora um gênio
no sentido que comumente atribuímos a esta palavra, no entanto ele fora um grande líder, e seus feitos contribuíram para mudar a face da Ásia para sempre. O jovem Temudjin aos nove anos de idade teve seu pai assassinado por um clã rival. Mas além deste fato, houve a questão de que seu próprio clã o traíra. Temudjin, fora largado nas estepes, junto com sua mãe e irmãos, por ser o mais velho cabia-lhe a responsabilidade de garantir a sobrevivência da família. Parte de sua vida é desconhecida, mas sabe-se que por volta dos 40 anos de idade fora consagrado Genghis Khan. Nessa época ele já havia unificado parte da Mongólia, e quando completou 50 anos já tinha formado o que hoje concebemos como um Estado mongol. Ele também fora responsável por organizar seu governo, sua economia, suas leis, sua administração, além de também ser considerado o mais bem sucedido comandante militar da História, conquistador de metade do mundo conhecido. É inegável, que uma simples criança que não aparentava poder sobreviver a rigidez da vida nas frias e estéreis estepes da Ásia Central, pôde se tornar um lider proeminente, respeitado e poderoso, ao ponto de expandir seu império por quase toda a Ásia e parte da Europa.

Michelangelo Buonarroti (1475-1564). Michelangelo, outro grande nome da arte no período da Renascença. Conhecido por ter sido um grande escultor, pelas obras de Daví e Pietá, e por ter pin
tado o teto da Capela Sistina. No entanto, por mais que seu brilhantismo fosse visto e admirado, muitos chegaram a duvidar que ele era o autor daquelas belíssimas obras. Quando Michelangelo recebera o convite de esculpir uma peça para a Basílica de São Pedro, ele criou a escultura da Pietá, a qual consiste, na representação de Maria, segurando corpo de Jesus Cristo falecido. Após o termino da obra, muitos aplaudiram o escultor, no entanto a quem dizia que aquela obra não havia sido feita por ele. Existe uma história que conta, que Michelangelo enquanto admirava sua obra, teria ouvido dizer de um peregrino que estava ali, falar que aquela obra teria sido feita por outro pessoa. Com isso naquela noite, Michelangelo entrara na Basílica, com raiva ele escreveu com uma estaca e martelo, na estátua "Michelangelo Buonarroti, florentino, fez isso". (BBC, Revista, 2009, p-42). De fato mesmo com tal acontecimento. Michelangelo só viria a ser conhecido como grande escultor e pintor anos mais tarde, depois de esculpir Davi e pintar o teto da Capela Sistina. Até então, ele não era tão famoso assim, e muitas vezes viveu a sombra de Da Vinci, seu principal rival.

Galileu Galilei (1564-1642). Foi um matemático, físico, astrônomo,
escritor e filósofo italiano. Considerado um dos grandes gênios do século XVII, época compreendida como a Revolução Científica. Suas descobertas, na física e na astronomia, contribuíram para que cientistas posteriores como Newton pudessem aperfeiçoar o saber cientifico. No entanto a vida de Galileu não fora somente feita de estudo e descobertas, este tivera sérios problemas com respeito a Igreja. Mais exatamente com o Tribunal do Santo Ofício. Galileu por ser crente da Teoria Heliocêntrica apresentada por Nicolau Copérnico, há alguns anos antes, fora acusado de heresia pela Igreja, a qual abominava tal ideia, já que ia contra o que ela pregava. Galileu teve que comparecer em algumas ocasiões, ao tribunal, sobre a ameaça de ser condenado pela Inquisição. Ele chegou a ter alguns dos seus trabalhos proibidos de serem publicados e posteriormente de serem lidos, já que passaram a compor a lista do Index. Além da Igreja descrer nesse ideias heliocêntricas que Galileu defendia. Seu trabalho, passou alguns anos relegado a obscuridade, até ser redescoberto mais tarde. E Alguns dos ensinamentos que ele descobrira, ficara esquecido por algum tempo, ou por outro lado, eram motivos de piada e chacota. Já que alguns não criam no que ele havia escrito. Mas por fim, Galileu morreu acreditando veemente no que havia estudado e descoberto.

Charles Darwin (1809-1882), um dos mais renomados naturalistas da história, que revolucionou a teoria da evolução com a sua teoria da seleção natural, nem sempre fora um aluno dedicado e estudioso como se pensa que tivesse sido. Charles nasceu em Shrewsbury, Inglaterra em 12 de fevereiro de 1809, desde criança ele já tinha ligação com as ciências, seu avô Erasmus Darwin (1731-1802) já era em sua época um médico, naturalista e homem das ciências, por mas que anos mais tarde Charles negasse que tivesse sofrido influência dos trabalhos de seu avô, ele não negou o fato de que seu interesse adveio também dali. Charles perdeu a mãe logo cedo, quando tinha um pouco mais de 8 anos, ele passou a viver com o seu pai Robert, seu irmão mais velhos, Eramus e suas quatro irmãs.
Desde cedo ele gostava de explorar a natureza, de colecionar insetos, pedras, conchas etc, sua vocação pelos estudos naturais se despertaram desde cedo. Posteriormente ele fora matriculado em uma escola na cidade de Shrewsbury, contudo Charles considerou uma total perda de tempo, e isso transpassou-se nos anos seguintes na sua vida escolar. Aos 16 anos, após reclamar dos estudos que cursara no colégio, seu pai o enviou para universidade de Edimburgo, nessa época seu irmão mais velhos estudava química, ciência que despertou o interesse de Charles, contudo ele decidira fazer sobre influência do pai, cursar medicina. De inicio ele se empolgou com as aulas de medicina, mas a partir do segundo ano, o interesse sumiu, Charles gostava de "matar aulas" para caçar, coletar objetos e espécimes, cavalgar, sair com os amigos; no terceiro ano ele viu que não tinha vocação para a medicina e desistiu do curso. Seu pai temendo que ele se tornasse um ocioso um vagabundo decidiu que o filho entraria para o seminário.

Mas antes que Charles pudesse ingressar no seminário (algo que ele não era contra, diferente do que geralmente alguns pensam que Charles Darwin fosse ateu), mas primeiro o seu pai exigiu que ele termina-se o ensino superior, para isso, meses depois ele o enviou para a renomada Universidade de Cambridge, lá Darwin como antes, "matava as aulas", gostava de assistir aulas de botânica, zoologia, gostava de sair com os amigos para jogar, cavalgar e beber, algo que ele deixa claro em sua biografia. Neste ponto Charles Darwin não personificaria o intelectual que estaria por ser, mas tudo isso mudaria com sua viagem pelo mundo abordo do Beagle.

Em Cambridge, Darwin ficou sabendo que uma expedição a volta do mundo partiria em poucos meses, e se necessitavam de um naturalista, então ele decidiu se propor a vaga, contudo seu pai era contra a ideia, mas para sorte de Charles seu tio Wedgood, um homem pelo qual seu pai tinha um grande respeito, concordou com os seus dizeres. Wedgood disse que esta viagem mudaria a vida de Charles e ajudaria a ele encontrar seu caminho na vida. Em 1831 o Beagle partiu em sua viagem que duraria 5 anos, neste tempo Darwin realizou várias observações, experiências e anotações, as quais enviou para os familiares, amigos e professores, isso contribuiu para consolidar seu prestígio como naturalista e cientista. Ao retornar em 1836, ele passou os 14 anos seguintes praticamente em casa com a esposa, filhos e filhas, trabalhando em seus diários de viagem, anotações e na futura publicação da Origem das Espécies em 1859, livro que o consagraria no mundo.


Darwin por mas, que não tenha sido um aluno exemplar, ele gostava de estudar botânica, zoologia, química, anatomia, história natural, filosofia natural, literatura clássica britânica, mesmo com este seu repertório fora preciso ele realizar uma viagem pelo mundo para descobrir quem era e o que deveria ser.

NOTA: A Nona Sinfonia, fora composta por Beethoven a partir do poema Ode à Alegria, do historiador, escritor e poeta alemão Friedrich Schiller. Beethoven teria se encantado com tal poema.
NOTA 2: O poema Ode à Alegria, é considerado hoje como sendo um Hino à Humanidade.
NOTA 3: Se quiserem saber um pouco mais das vidas de Júlio César, Genghis Khan e Galileu, deem uma olhada nos artigos sobre eles, no arquivo deste blog. Mesmo assim aconselho olhar as referências bibliográficas que utilizei em minhas pesquisas.
NOTA 4: Quanto ao fato de Michelangelo ter escrito em sua obra a Pietá seu nome, isso é verdadeiro, porém não se sabe se a história que o levou a fazer isso é real.

Referências Bibliográficas:
LAROUSSE, Grande Enciclopédia Cultural.
BBC, Revista História. Triada, #12, 2009.
DARWIN, Charles. A Origem das Espécies. São Paulo, Editora Escala, 2009. p. 11-16 e 449-462.

LINKS:
Mona Lisa
Teto da Capela Sistina
Pietá de Michelangelo
Nona Sinfonia
Nona Sinfonia de Beethoven: Hino à Humanidade, hino à liberdade (em português)Quinta Sinfonia

domingo, 13 de dezembro de 2009

O Juramento de Hipócrates

Hipócrates de Cós (460-377 a.C) médico grego consagrado como o "Pai da Medicina Ocidental", deixou uma vasta compilação de anotações e pesquisas sobre seus trabalhos no estudo de doenças, a interferência de fatores externos como a qualidade do ar, da água e da comida, como fatores que causavam males aos seres humanos. No entanto o famoso Juramento de Hipócrates, juramento prestado por todos os médicos na atualidade, não necessariamente teria sido escrito pelo próprio. Ainda hoje não se tem a garantia que fora realmente Hipócrates que escrevera tal juramento. No entanto ele se perpetuou como sendo de sua autoria.


O Juramento de Hipócrates

Eu juro, por Apolo, médico, por Asclépio, Higia e Panacea e por todos os deuses e deusas, a quem conclamo como minhas testemunhas, juro cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.


NOTA: Apolo foi um dos deuses gregos que mais possuiu atribuições a sua pessoa. Era cultuado como o deus do sol, da música, das artes, da clarividência (Oráculo de Delfos), da verdade, da luz, da purificação e até da medicina.

NOTA 2: Asclépio fora um dos filhos de Apolo. Era consagrado como o deus da medicina. Higia, era filha de Asclépio, deusa da saúde e da limpeza. E Panacea fora outra filha de Asclépio, a qual é a deusa da cura.

NOTA 3: Hipócrates também teria sido líder da Escola de Medicina de Cós.