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Leandro Vilar

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A Inconfidência Mineira

Este artigo é uma cortesia da minha amiga Larissa Cosseti.

Movimento ocorrido em 1789 que tentou tornar Minas Gerais, que reunia 20% da população da colônia, independente da Coroa Portuguesa. Conhecido também como Conjuração Mineira, esse movimento separatista aconteceu em decorrência da proibição, em 1785, de atividades artesanais e fabris por parte da Coroa Portuguesa e da cobrança de preços exorbitantes em consequência do aumento das taxas dos produtos da colônia, fatos ocorridos devido ao enfraquecimento da economia mineradora que aconteceu na segunda metade do século XVIII em Minas Gerais.

A
diminuição das reservas de ouro, o contrabando e a dependência econômica de Portugal, que passava por uma crise econômica na época, também contribuíram de forma decisiva para essas medidas. Todos os que encontrassem ouro deveriam pagar o quinto, ou seja, 20% de todo o ouro encontrado era entregue à Coroa Portuguesa. Somando-se a tudo isto, Dom Luis da Cunha Meneses, conhecido pela sua arbitrariedade e crueldade fora nomeado governador da capitania de Minas Gerais. A “Derrama”, cobrança de taxa feita quando os colonos não atingiam a quantidade de 100 arrobas de ouro (1500 quilogramas) foi o estopim da revolta. Este tributo, que era muitas vezes obtido através de extrema violência pelas autoridades portuguesas no Brasil, foi instituído por Portugal em 1763, pois, com a diminuição da produção aurífera, passou a ser cada vez mais difícil de ser pago.

Essas imposições da Metrópole afetaram diretamente a classe mais rica mineira, formada principalmente por intelectuais, proprietários rurais, militares e clérigos, que resolveu lutar contra os abusos portugueses. Liderada pelos coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, pelo cônego Luís Vieira da Silva, pelos poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga (ver foto), pelos padres José da Silva e Oliveira Rolim e Carlos Corrêa de Toledo, pelo minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto, o sargento-mor Luís Vaz de Toledo Pisa e pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier (conhecido como Tiradentes), a Inconfidência Mineira foi fortemente influenciada pelas idéias iluministas francesas de Rousseau, Montesquieu e Locke trazidas por alguns inconfidentes que haviam estado recentemente na Europa e pela recente conquista que tornara os Estados Unidos independente e pretendia conquistar a independência de Minas Gerais e torná-la uma República.

O clima de insatisfação popular contra a imposição da “Derrama” contribuiu amplamente para os planos dos inconfidentes. Estes começaram a se reunir na casa de Cláudio Manuel da Costa e de Tomás Antônio Gonzaga para discutir as leis da nova república e seus planos econômicos. Foi durante estas reuniões que a bandeira símbolo da inconfidência foi desenhada. Entre os planos traçados para a nova república estava à instalação de um regime republicano unitário, redação de uma nova constituição, fixação da capital da república em São João Del Rei, criação da casa da moeda, exploração dos depósitos de minério de ferro, criação de uma universidade em Vila Rica (Ouro Preto) (foto atual), separação entre Igreja e Estado, instalação de um parlamento em cada cidade subordinado a um parlamento central, perdão dos devedores da Fazenda Real, entre outros.

A revolta, que acreditava-se que receberia o apoio popular pelo seu caráter de protesto contra os abusos com a população e que aconteceria no dia da imposição da “Derrama” pelo governador visconde de Barbacena e no mesmo ano da Revolução Francesa, foi denunciada por Joaquim Silvério dos Reis, um dos inconfidentes, em 15 de Março de 1789, que pretendia com isso obter o perdão de suas dívidas com a Coroa Portuguesa. Malheiro do Lago, Basílio de Brito, Francisco de Paula Freire de Andrade, Francisco Antonio de Oliveira Lopes, Domingos Vidal de Barbosa Laje, Inácio Correia Pamplona e Domingos de Abreu Vieira também seguiram Silvério dos Reis e denunciaram o movimento. Tiradentes (ver foto), filho de um pequeno proprietário, portanto um dos poucos inconfidentes pertencentes a uma classe social intermediária, único a assumir participação no crime de “lesa-majestade” e liderança no movimento, nascido no dia 16 de Agosto de 1746, foi enforcado publicamente no Largo da Lampadosa, no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792 e sua cabeça exposta em Vila Rica (atual Ouro Preto). O seu corpo foi esquartejado. O tronco possivelmente foi enterrado como indigente e suas pernas e braços, assim como a cabeça, salgados e colocados em sacos para serem expostos em locais públicos.

Na primeira noite em que a sua cabeça foi exposta em Vila Rica, ela foi furtada e o seu paradeiro é desconhecido até os dias atuais. Os outros que também haviam sido condenados a forca, seguida de decapitação e esquartejamento conseguiram livrar-se desta condenação através de uma carta de clemência da rainha. Os demais inconfidentes, que negaram participação no movimento, foram enviados como degredados para colônias portuguesas na África. Alguns por toda a vida, outros por 10 ou 8 anos. Os cinco réus eclesiásticos foram enviados a Lisboa. No total somaram-se 24 condenados em 1792, mas muitas dezenas haviam sido indiciadas e outras chegaram até mesmo a ser presas, porém, apenas alguns são conhecidos até hoje como inconfidentes, pois havia muitos interessados apenas nas vantagens econômicas e fiscais que poderiam obter, mas que não participavam ativamente do movimento.

Apesar do caráter de libertação popular da Inconfidência Mineira, seus idealizadores, a exceção de poucos, como Tiradentes, não pretendiam abolir a escravidão, pois muitos deles usavam esse tipo de mão-de-obra e detinham a posse de muitos escravos. Também não tinham planos de estender a independência mineira a todo o país, que não era uma unidade coesa com objetivos comuns. A libertação do domínio da colônia, desta maneira, seria limitada a apenas parte da população e dentro do Estado de Minas Gerais. A Inconfidência Mineira é reconhecida até hoje como símbolo da tentativa de liberdade contra os abusos de Portugal, Tiradentes tornou-se mártir e herói nacional e a bandeira de Minas Gerais adotada até os dias atuais é a mesma da Inconfidência, com a expressão em latim retirada de um poema de Virgilio “Libertas Quae Sera Tamen” (Liberdade ainda que tardia). Os documentos que contêm as sentenças dos réus estão sob a proteção do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.


REFERÊNCIAS:

AQUINO, Rubim Santos Leão de; BELLO, Marco Antônio Bueno; DOMINGUES, Gilson Magalhães. Um sonho de liberdade: a conjuração de Minas. São Paulo: Editora Moderna, 1998. 176p.

CHIAVENATO, Julio José. As várias faces da Inconfidência Mineira. São Paulo: Contexto, 1989. 88p.

http://www.brasilescola.com/historiab/inconfidencia-mineira.htm. Consulta em 23 de Novembro de 2009.

http://www.sohistoria.com.br/ef2/inconfidencia/. Consulta em 30 de Novembro de 2009.

Cogito ergo sum

Cogito ergo sum (Penso, logo existo), talvez tenha sido uma das maiores contribuições que René Descartes tenha deixado a filosofia moderna, juntamente com a doutrina do cartesianismo. Descartes chegou ao ponto de questionar sua própria existência, algo que tantos outros filósofos fizeram e ainda o fazem. Porém em meio a este dilema de como provar se realmente ele existia, ele chega a conclusão, de que pelo fato de ele pensar na dúvida de sua existência, já seria o indicio de que ele existe. Pode parecer algo complicado no inicio, mas logo se entende a razão por trás disso. Além do campo da filosofia, Descartes também deixou outras grandes contribuições nas áreas da Matemática e da Física. E sobre isso irei contar um pouco a seguir, sobre a vida e a obra, deste considerado como um dos gênios da Revolução Científica ou da Ciência Moderna.

René Descartes nasceu em 31 de março de 1596 e Haira, Indre-et-Loire (atual Descartes) em França. Quando criança, ingressou na escola jesuíta Royal Henry-Le-Grand, onde teve contato com as filosofias adotadas pela Igreja Católica, dentre as quais a Escolástica, a qual tinha como principal representante deste pensamento de fé, Santo Agostinho de Hipona, um dos célebres doutores da Igreja Cristã. No entanto mais tarde, Descartes apresentaria suas criticas a esta doutrina e visão de mundo. Descartes acabou se formando em direito pela Universidade de Potiers, no entanto nunca chegou a seguir a carreira de advogado, este preferiu se alistar no exército e nesse caso, se alistou em um dos exércitos do Príncipe Maurício de Nassau, por volta de 1618, passou os anos seguintes servindo na carreira militar, ele tinha a ambição de crescer entre as patentes, mas acabou descobrindo uma falta de vocação para isso. Mesmo assim passou os anos seguintes viajando pela Europa a serviço militar, e nesse tempo, começou a escrever trabalhos simples sobre filosofia, música, artes, física e matemática. Descartes tinha um gênio impetuoso. Quando esteve na escola, achava que o que era lhe ensinado, não correspondia totalmente a realidade do mundo, e muita coisa era omitida. Já que a escola era de vertente jesuítica e voltada para educação religiosa. Descartes decidiu ingressar no exército, como forma de escapar do "mundo" que ele estava confinado, e poder conhecer a verdadeira realidade da vida. Em alguns de seus trabalhos, ele diz que queria desvendar o "livro do mundo".

As grande obras de Descartes só viriam surgir durante a época que ele morou na Holanda, a onde passou vinte anos de sua vida. Por volta de 1628 este chega a Holanda, vindo de Paris, e onde permaneceria até 1649, como fora dito anteriormente. Foi nesse período que Descartes se consagrou como filósofo, matemático e físico. Em 1629, ele começa a trabalhar em um tratado físico que aborda a questão do heliocentrismo. Ele pretendia publicar tal texto. Porém após saber da noticia que naquela mesma época, em Roma, Galileu Galilei era condenado por crime de heresia pelo Tribunal da Santa Inquisição, acabou desistindo de publicar seu trabalho a respeito deste tema.

No entanto o grande trabalho no qual o consagraria como filósofo e pensador moderno, fora publicado em 1637, O discurso do método, tido como sendo sua magnum opus (grande obra ou obra prima), escrita em francês (nesta época era comum os trabalhos acadêmicos serem escritos em latim, mas o autor quis que esta obra não ficasse presa ao ciclo acadêmico). O qual marca a visão filosófica e epistemológica do autor perante a verdade cientifica, a existência de Deus, a verdade sobre a realidade, etc.

"E se escrevo em francês, que é a lingua do meu país, e não em latim, que é a de meus preceptores, , é porque espero que os que se servem apenas de sua pura razão natural julgaram melhor minhas opiniões que os que crêem apenas nos livros antigos". (DESCARTES, 2010, p. 117).

Ironicamente, Descartes por mas que tenha sido um cientista, ele dizia que mediante a razão se poderia provar a existência de Deus e da alma. Ele chega a dizer que os animais também possuem alma, mas, esta é uma alma irracional. Neste caso, é muito complicado de se entender este pensamento, e eu não irei entrar mais afundo nesta questão.

Nesse mesmo ano ele também publicou três pequenos tratados científicos de grande valor para a algébra e a geometria:
A Dióptrica, Os Meteoros e A Geometria.

"Esta obra iria ter sobre a história das ciências uma influência considerável, pois reforçava a ligação entre experiência e conhecimento". (LAROUSSE, 1998, p. 1838).

"Para Descartes, a metafisica, isto é, a prova racional da existência de Deus (que existe porque torna possível precisamente esta prova), funda a validade de seu método". (LAROUSSE, 1998, p. 1838).

No Discurso do Método, Descartes elabora alguns passos que devem ser tomados no ato de se estudar não somente a ciência mas, o mundo em si. Sobre tais métodos ele diz o seguinte:
  1. O primeiro era já mais aceitar alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse evidentemente como tal: isto é, evitar cuidadosamente a preciptação e a prevenção, e nada incluir em meus julgamentos senão o que se apresentasse de maneira tão clara e distinta ao meu espirito que eu não tivesse nenhuma ocasião de colocá-lo em dúvida.
  2. O segundo, dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas possíveis e que fossem necessárias para melhor resolvê-las.
  3. O terceiro, conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir aos poucos, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros.
  4. E o último, fazer em toda parte enumerações tão completas, e revisões tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir.
(DESCARTES, 2010, pp. 54-55)

Após a publicação deste trabalho onde Descartes visava encontrar um método para se responder tais premissas, ele também publicou e escreveu importantes obras filosóficas e matemáticas que continuam a seguir as propostas iniciadas em seu discurso. Em 1641 ele publica Meditações. "Nas Meditações, Descartes empreendeu um procedimento original e decisivo para história da filosofia ocidental. Num primeiro tempo demonstrou que é possível e, logo, necessário, duvidar de tudo, exceto da própria dúvida". (LAROUSSE, 1998, p. 1838). Em 1642, ele publicou uma segunda edição de suas Meditações, e em 1644 publica sua terceira importante obra nesse segmento do estudo metafisico e epistemológico, Princípios de Filosofia"Descartes publica ainda Princípios de Filosofia, onde expõe toda a sua filosofia, visando torná-la um manual a ser utilizado nos colégios jesuítas. Aqui, temos um outro Descarte, preocupado com o seu sucesso no mundo, tendo escrito um manual com o propósito escolar". (ROSENFIELD, 2010, p.15).

Na mesma época ele começou a manter uma comunicação com a princesa
Isabel da Boêmia ou Elizabeth da Alemanha, aquém lhe dedicaria em 1649 o trabalho Paixões da Alma.

"Paixões da Alma, é outro dos seus livros. O seu objeto são as paixões, os sentimentos, aquilo que o homem sente e pensa na sua condição de estar no mundo". (ROSENFIELD, 2010, p. 2010).

Entre este período, Descartes ainda continuou a escrever outros trabalhos sobre filosofia, matemática e física, e viajou algumas vezes para Paris. Em 1647 o então rei de França Luís XIV, o Rei-sol, ofereceu uma proposta ao filósofo em escrever Descrição do Corpo Humano. Descartes não pode se aprofundar muito no trabalho já que pouco tempo depois veio a morrer. Em 1649, mesmo ano que publica Paixões da Alma, este recebeu uma carta da rainha Cristina da Suécia, a qual lhe convidou a residir em Estocolmo. Descartes aceitou a proposta e se mudou para lá. No entanto, no dia 11 de fevereiro de 1650, aos 54 anos, veio a falecer de pneumonia.

Além dos trabalhos deixados na área de filosofia como fora apontado acima, quanto aos campos da matemática e da física, suas principais contribuições foram, o plano cartesiano (ver ilustração), a física cartesiana, as chamadas Leis de Descartes, sobre o processo reflexão e refração da luz, sobre uma superficie plana, com a colaboração do matemático francês Pierre Fermat (1601-1665), criaram a geometria analítica. Além disso ele, também enunciou as principais propriedades das equações algébricas e simplificou as notações algébricas. Em 1701, quase cinquenta anos após sua morte, fora publicado seu trabalho Regras para a direção do Espírito, escrito em latim em 1628.

"A obra de Descartes estende-se a todos os domínios, mas sua primeira preocupação é fundar o método claro e distinto, aquele cuja veracidade situa-se em Deus". (LAROUSSE, 1998, p. 1837).

NOTA: Em 10 de novembro de 1619, enquanto viajava pela Alemanha, o filósofo teria tido três sonhos de um novo método e sistema matemático, do qual teria se originado o plano cartesiano.
NOTA 2: Descartes nunca chegou a se casar. Ele tivera uma filha de nome Francine, com uma de suas governantas, enquanto morava na Holanda. Sua filha morreu aos 5 anos de idade. De acordo com seus diários, foi o dia mais triste de sua vida. Além dessa filha, não há relatos se o filósofo teve outros filhos.
NOTA 3: Dentre alguns dos pensadores, matemáticos, físicos e filósofos mais ilustres da história, que foram influenciados pelas ideias de Descartes, estão: Espinoza, Leibniz, Pascal, Locke e Kant.
NOTA 4: Descartes visitou muitas universidades da Europa, pela França, Itália, Alemanha, Inglaterra e Holanda, chegando a lecionar por pouco tempo em algumas, ou a realizar trabalhos de pesquisa para estas.
NOTA 5: O motivo deste ter trocado a vida em Paris por Amsterdam, fora devido ao fato, de que o filósofo ficou tão conhecido e famoso, que ele começou a ser per tubado na própria casa. Cartas e visitas chegavam todos os dias. E ele diz que assim não poderia ter sossego para trabalhar, então se mudou para a Amsterdam.
NOTA 6: Descartes foi um crítico do filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), autor da célebre obra o Leviatã (1651). Hobbes não concordava com os trabalhos de Descartes, e este por sua vez fazia o mesmo com o inglês. Infelizmente ele morreu antes da publicação do Leviatã. Seria bem interessante saber a opinião de Descartes se ele tivesse lido, a obra de um de seus críticos.
NOTA 7: Após a sua morte, seus amigos e seguidores publicaram uma série de trabalhos e cartas deixadas por este. Entretanto alguns trabalhos que falavam a respeito da teologia, foram a partir de 1663, incluídos na lista de livros proibidos pela Igreja Católica, o INDEX. Alegando que tais obras eram uma afronta ao doutrina católica.
NOTA 8: No Discurso do Método, Descartes dedica algumas páginas para falar a respeito de medicina, campo no qual ele possuía muito interesse, por mas, que não tivesse decidido seguir a profissão. No livro, ele fala principalmente sobre o sistema circulatório, sobre a função do coração e dos vasos sanguíneos, além de comparar a anatomia humana com a dos animais.

Referências bibliográficas:DESCARTES, René. Discurso do Método. Porto Alegre, L&PM Pocket, 2010.
ROSENFIELD,
Dennis L. Introdução. In: DESCARTES, René. Discurso do Método. Porto Alegre, L&PM Pocket, 2010.
Grande Enciclopédia Larousse CulturalSão Paulo, Nova Cultural, 1998.

LINKS:
Discurso do método (em português)
http://www.webartigos.com/articles/5651/1/O-Pensamento-Cartesiano/pagina1.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Epistemologia
Grandeza e Miséria da Metafísica - Jacques Maritain
Carta de René Descartes a Constantin Huygens (fonte Scielo)
Pasiones del Alma de René Descartes (espanhol) (fonte Scielo)
Sobre o crescimento e a nutrição/ De accretione & nutritione (fonte Scielo)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

As capitais do Brasil

Durante os três períodos da História do Brasil: colônia, império e república, este teve três capitais, sendo a terceira a atual capital do país. Neste artigo decidi contar um pouco da escolha destas três cidades para se tornarem capitais do Brasil. Inicialmente desde sua "descoberta" em 1500, a Ilha de Vera Cruz (assim como era chamado o Brasil na época do descobrimento), só viria ter um papel de caráter colonizador após trinta anos. Desde então a Terra de Santa Cruz (segundo nome dado ao Brasil) só era visitada por expedições exploratórias e pelo comércio do pau-brasil

Entre 1530-1531 depois de uma série de acontecimentos ligados a política exterior, o rei D. João III de Portugal decidiu organizar o processo colonizador e ocupacional no Brasil. Assim ele o dividiu nas Capitanias Hereditárias a partir de 1534, embora que a Vila de São Vicente (atual cidade de São Vicente no estado de São Paulo) já tivesse sido fundada em 1532 por Martim Afonso de Sousa. São Vicente foi a primeira vila a ser fundada no Brasil e motivou o rei a repensar na proposta de se ocupar de forma eficaz o Brasil. 

Normalmente os livros didáticos alegam que o motivo para o D. João III ter optado iniciar a colonização do Brasil foi devido a ameaça dos espanhóis e franceses de ocuparem estas terras. De fato, isso foi uma ameaça real, mas além disso, havia também o fator econômico. Os portugueses estavam tendo problemas com o comércio em África e Ásia, devido a confrontos com os povos locais. Além disso, a descoberta das minas de prata em Potosí no Alto Peru (hoje Bolívia) foi um atrativo que levou o rei a acreditar que no Brasil também pudesse haver minas similares (desde 1500 os portugueses já procuravam por ouro e prata, mas nada conseguiram descobrir de concreto, o máximo que acharam foram poucos veios em leitos de rios). Essa possibilidade de haver minas no Brasil foi um motivo forte a levar o rei português a incentivar a colonização daquelas terras. 

Originalmente cada capitania era chefiada por um capitão donatário, e o cargo era hereditário. Todos os capitães deveriam proteger suas terras, explorá-las atrás de recursos e produzir algo que pudesse ser comercializado. No entanto, todos eram subordinados ao rei de Portugal.

"O governo régio optou, a partir de 1534, por recorrer a particulares para quem transferiu na quase totalidade a iniciativa da colonização. Este segundo modelo - de exclusividade particular (1534-1548) - revelou-se, contudo, insuficiente para atingir os objetivos pretendidos devido à desproporção existente entre as elevadas exigências materiais e humanas que a sua concretização implicava e as disponibilidades dos donatários (capitães-governadores) e também aos abusos a que dava ocasião a total ausência de fiscalização régia". (COUTO, 2000, p-60).

Mapa das primeiras capitanias hereditárias do Brasil com suas fronteiras fluviais. Nos séculos seguintes outras capitanias foram criadas e algumas menores foram anexadas ou renomeadas. 
Originalmente a história que vemos na escola tende a dizer que das primeiras capitanias estabelecidas, somente as de Pernambuco e de São Vicente, é que chegaram a razoavelmente darem certo. Principalmente a de Pernambuco que viria ser o polo açucareiro nos anos seguintes. Como foi visto na citação acima, a tentativa de abrir a administração e o investimento a particulares, acabou não resultando em algo muito eficiente. Por que mesmo que estes particulares quisessem vir para o Brasil e investir em suas terras, que garantias eles teriam que não seriam atacados por índios, ou pelos franceses, espanhóis ou por outro povo? Que garantia eles teriam que conseguiriam arranjar mão-de-obra decente para trabalhar nessas terras? 

Estas e outras questões dificultaram uma implantação administrativa bem sucedida. E a saída para isso encontrada pelo rei D. João III, foi em se centralizar o poder da colônia nas mãos de um governador-geral. Assim nascia o Governo-Geral. Vale ressalvar que o modelo das capitanias não foi abolido; o novo governo visava uma melhor organização na administração das capitanias, centralizando os seus poderes. O fim das capitanias só vai ocorrer no século XVIII, por decreto do Marquês de Pombal.

Salvador

Tomé de Sousa
Em 1548, o rei D. João III, convocou à Lisboa, Tomé de Sousa (1502/1503-1579), fidalgo, militar e político português, de uma família de influência. No entanto o que presidiu a escolha dele para assumir o cargo de governador-geral da colônia do Brasil, foram suas bem sucedidas missões militares em África e Ásia, e como administrador em alguns cargos públicos que exerceu nestes dois continentes. Em 7 de Janeiro de 1549, ele foi nomeado capitão-mor e governador-geral de todas as capitanias do Brasil. Com isso o rei o enviara para o Brasil a fim de exercer o seu novo e importante cargo, como também a missão de se criar uma capital na colônia. O local escolhido para a capital foi a capitania da Bahia de Todos os Santos, capitania esta a qual se localizava bem no centro do território colonial, sendo preferível para uma concepção centralizadora. Sendo assim, em 29 de março de 1549, era fundada oficialmente pelo primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, a cidade de Salvador, como capital oficial da colônia.

"... notifico assim a todos os capitães e governadores das ditas terras do Brasil ou a quem seus cargos tiverem e aos oficiais da justiça e de minha fazenda em elas e aos moradores das ditas terras e a todos em geral e a cada um em especial mando que hajam ao dito Tomé de Sousa por Capitão da dita povoação e terras da Bahia e Governador Geral da dita Capitania e das outras Capitanias e terras da dita costa" (...). "E lhes obedeçam, e cumpram, e façam o que lhes o dito Tomé de Sousa de minha parte requerer e mandar...". Trecho da Carta Régia, comunicando a chegada de Tomé de Sousa ao Brasil, como governador-geral. (TAVARES, 1999, p. 134).

Além de Tomé de Sousa, vieram também uma outra grande quantidade de pessoas, desde prisioneiros, soldados, jesuítas, trabalhadores, etc. Mas também posso citar, Pero Borges, primeiro ouvidor-geral do novo governo; o mestre de obras, Luís Dias, responsável pela construção de Salvador e Gonçalo Pereira, como tesoureiro das rendas. No entanto, não vou me abster a contar como se transcorrera o governo de Tomé de Sousa. Este governou de 1549-1553, quando acabou o seu mandato. Então retornou para Portugal, e foi sucedido por Duarte da Costa.

Tomé de Sousa ficou conhecido por ter organizado e implantado as bases do novo governo, como também de ordenar a construção de Salvador, ordenou a construção de outros povoados e fortes; doou sesmarias (títulos de propriedades), averiguou e supervisionou o governo das demais capitanias, fez acordo com as tribos indígenas mais amigáveis. Ele também incentivou o desenvolvimento da pecuária, ordenando a vinda de mais cabeças de gado bovino para a colônia. A Bahia ficaria conhecida por durante algumas décadas ser o centro pecuarista da colônia. 

Em termos mais gerais, a Bahia junto com Pernambuco foram os principais produtores de cana-de-açúcar, sendo que Pernambuco saiu na frente na produção. Além do açúcar, os baianos plantaram tabaco, criaram gado, e no século XVIII em diante, foi  descoberto ouro e diamantes nos sertões da capitania. Fato este por uma parte da região ser chamada de Chapada Diamantina.

Salvador seria a capital administrativa da colônia até o ano de 1763, quando o Marquês de Pombal, transferiu a capital para a cidade do Rio de Janeiro. No entanto, mesmo com esse fato, desde muito antes, Salvador nunca foi a cidade mais importante da colônia. OlindaRecife, Rio de Janeiro e posteriormente São Paulo, tinham mais importância econômica e política do que a própria capital. No entanto isso não significa que ela tivesse um papel secundário na economia e política colonial.

Rio de Janeiro


Antes de começar a contar de fato a sua importância como capital brasileira, até recentemente, irei antes retornar um pouco no tempo e começar a falar do surgimento do Rio de Janeiro, de sua origem em si. Originalmente não existia a Capitania do Rio de Janeiro, esta fazia parte da Capitania de São Vicente, parte norte. (São Vicente era dividido em norte e sul, sendo o norte o que equivalia aos modernos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, e a parte sul, a São Paulo de hoje).

Sendo assim, a região já era conhecida a bastante tempo pelos portugueses, desde 1502, para ser mais exato. Mas nunca tivera um papel tão importante nos primeiros anos de colonização, até que esta passou a ser ameaçada pelos franceses. Os franceses descobriram que essas terras eram ricas em pau-brasil, e logo começaram a contrabandear-lo "debaixo das barbas" dos portugueses. Tal situação ficaria mais séria quando este decidiram fundar uma colônia na ilha de Sergipe (atual Ilha do Governador) na Baía de Guanabara, chamada de França Antártica.

Mem de Sá
Fundada por volta de 1555, a colônia francesa permaneceria em solo brasileiro por mais de uma década, até finalmente ser destruída. Sendo assim, em 1558, Duarte da Costa deixara o cargo de governador-geral, após o término de seu mandato (1553-1558), e em seu lugar assumira, Mem de Sá (1500-1572), como terceiro governador-geral do Brasil. Dentre os fatos que marcaram o seu governo (1558-1572) está a expulsão e a derrota dos franceses. Em 1560, o próprio Mem de Sá participou do primeiro ataque a colônia francesa da França Antártica. Eles conseguiram destruir-la, mas no entanto, os franceses não desistiriam tão facilmente. Os franceses acabaram fugindo para dentro da floresta e se aliaram aos índios Tamoio, os quais detestavam os portugueses. A guerra para se expulsar os franceses ainda perduraria por mais sete anos.

Em 1565, em uma segunda tentativa de ataque, Mem de Sá dessa vez enviara seu sobrinho Estácio de Sá (1520-1567) no comando do segundo ataque. Além de comandar as tropas na luta contra os franceses, Estácio de Sá foi incumbido de fundar um povoado naquela região, o qual serviria de base e meio de ocupação daquelas terras. Sendo assim, em 1 de Março de 1565 era fundada a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, se tornando a segunda mais antiga cidade do país a ter este titulo primário. No mesmo ano, o governador-geral elegera o sobrinho como o primeiro governador do Rio de Janeiro.


Pintura retratando a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro por Estácio de Sá em 1 de março de 1565.
Em 1567, se dera a terceira e última tentativa de ataque aos franceses. Dessa vez comandando novamente por Mem de Sá e com o apoio de Estácio de Sá e de outros militares, a tentativa se fez bem sucedida, então finalmente os franceses foram expulsos da baía de Guanabara. No entanto, Estácio de Sá veio à morrer no conflito. Com a vitória luso-brasileira, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro passaria a ter uma maior importância nos anos seguintes da colônia. Se temendo uma nova ameaça, o governo administrativo do Brasil, passou a ser dividido entre Salvador e Rio de Janeiro. Sendo Salvador responsável pelas capitanias do Norte e o Rio de Janeiro, pelas capitanias do Sul (Vale ressaltar que mesmo com tal fato, Salvador, ainda era a capital oficial).


Em 1572 viabilizando uma melhor divisão administrativa da colônia do Brasil, a Coroa portuguesa, a dividiu em duas repartições, o Norte controlado por Salvador e o Sul, controlado pelo Rio de Janeiro. Entretanto, Salvador ainda era a capital oficial da colônia. Tal divisão se mantivera até o ano de 1612
Em 1580, ocorrera a união das Coroas Ibéricas, com isso se iniciava a União Ibérica (1580-1640). O último governador-geral do Brasil, Cristóvão de Barros, governou até 1591 em Salvador. Depois dessa data, o modelo do governo-geral foi temporariamente suspendido. Portugal e seu império ultramarino agora pertencia aos espanhóis pois o rei e Espanha, Filipe II havia se tornado o rei de Portugal, pois o rei português anterior o Cardeal-Rei D. Henrique I não havia deixado herdeiros e nem nomeado um sucessor. Entre os vários pretendentes ao trono lusitano, o rei espanhol saiu na frente o assumindo. Em 1621, ele dividiu o Brasil novamente, criando o Estado do Maranhão, com a capital na cidade de São Luís (posteriormente o Estado passou a ser chamado de Maranhão e Grão-Pará), o novo Estado perfazia as capitanias do Maranhão, Piauí, Pará e Ceará, e possuíam um governo próprio, a parte do restante da colônia. O restante da colônia passou a ser chamado de Estado do Brasil, sendo Salvador ainda sua capital. O Estado do Maranhão e Grão Pará mantivera sua autonomia perante o Estado do Brasil até o ano de 1765, quando foi dissolvido e englobado no governo Vice-reino do Brasil.


Mapa do Estado do Maranhão e do Estado do Brasil no século XVIII. É possível no mapa ver as atuais divisões territoriais de alguns estados brasileiros. Embora estivessem divididos em dois Estados, tudo isso era colônia portuguesa.
Por volta do final do século XVII, o ouro foi descoberto por bandeirantes de São Paulo, na região que viria ser conhecida como Minas Gerais. O Rio de Janeiro era o principal produtor de açúcar na parte sul da colônia, e nos anos seguinte havia crescido muito. Se tornou um ponto de estadia e passagem, importante para se partir para São Paulo e para os sertões mineiros. Seu porto era o principal meio de acesso dos navios daquela região. Isso ajudou muito a sua escolha para se tornar a nova capital da colônia. No entanto nem todos pensavam da mesma forma.

Marquês de Pombal
Em meados do século XVIII, o rei de Portugal, D. José I (1714-1777), elegera como seu primeiro-ministro, o Marquês de Pombal (1699-1782). Pombal ficaria conhecido por ter sido um dos mais bem-sucedidos primeiros-ministros da história européia, mesmo que em muitos casos suas ações fossem fortemente criticadas. Em relação ao Brasil, notou-se que a administração deveria passar por novas mudanças, e muitas mudanças foram estas feitas por Pombal, dentre as quais: estava a transferência da capital administrativa da colônia. Pombal planejara que uma nova capital fosse construída no interior da colônia, na região mineradora, novo polo econômico da colônia, já que o açúcar do nordeste não rendia mais como antes. Porém devido a diversos fatores que impunham dificuldades de se estabelecer uma capital ali (distância da costa, difícil acesso, conflito entre paulistas e emboabas, espanhóis, indígenas, etc), foi preferível se escolher outro lugar mais próximo da costa e que facilitasse o acesso ao interior.

"Na altura de 1763, estando as terras do Brasil divididas em nove capitanias gerais (Pará, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso) e oito subalternas (Rio Negro, Piauí, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), a centralização já alcançaram a sua maior concentração. Todas as capitanias hereditárias desapareceram". (TAVARES, 1999, p. 146).

Sendo assim, em 1763 ele escolhera a cidade do Rio de Janeiro como nova capital do vice-reinado do Brasil. (Em 1645 o rei D. João II elevou o Brasil a condição de Principado e em 1755 o Brasil se tornou Vice-reino). Com tal escolha o Rio de Janeiro se tornaria a única capital do Brasil a receber os títulos de Capital do Vice-reino do Brasil (1763-1808), Capital do Império do Brasil (1822-1889), Capital da República do Estados Unidos do Brasil, posteriormente renomeada como República Federativa do Brasil (1889-1960)

Durante a estada da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro (1808-1821), D. João VI empreendeu uma verdadeira transformação arquitetônica na cidade. De fato, o Jardim Botânico (na época era chamado de Real Horto), praças e bairros foram criados, além de outras construções tais como: a sede do Banco do Brasil, a Academia Militar do Rio de Janeiro, a sede da Biblioteca Nacional (na época chamada de Biblioteca Real, a qual não ocupava o prédio de hoje, pois o mesmo não existia), a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, a Academia Imperial de Belas Artes, a sede da Gazeta do Rio de Janeiro (primeiro jornal do país), dentre outros prédios políticos e administrativos. Tudo isso para agradar o gosto da Família Real, e modernizar o Rio aos moldes da capitais europeias, como Lisboa, Madrid, Paris, Roma e Londres. 

Depois disso ele passou abrigar a sede do governo imperial. Em 1834, a cidade do Rio de Janeiro foi elevada a categoria de Município Neutro, tendo deixado o Estado do Rio de Janeiro com capital localizada na cidade de Niterói. Entre as décadas de 60 e 70 do século XIX, a cidade sofrera um surto de urbanização e modernização pelas ideias e investmentos do Barão de Mauá (1813-1889). Ele foi  responsável por ter bancado a construção de ruas, de esgotos, do saneamento básico de alguns bairros, de ter criado a companhia de iluminação movida a gás, a companhia de transporte ferroviário; empresas de fundição e construção. Em outras palavras foi Mauá que pôs o "Brasil a andar sobre trilhos".


Vista panorâmica da enseada do Botafogo no Rio de Janeiro em 1889.
Durante essa época a cidade cresceu muito em dimensões e população. Muitos iam para o Rio atrás de emprego e melhores condições de vida, e no final do Império começou a vinda de estrangeiros para trabalharem nas plantações de café em São Paulo em Minas, pois o café era agora o grande negócio do país. Nessa época a economia da cidade estava em declínio e a situação pioraria com a Abolição da Escravatura em 1888, já que não haveria emprego assalariado para a grande demanda de ex-escravos, levando muitos a passarem a marginalidade ou aceitarem empregos com salários desonestos. O preconceito racial também foi um motivo para que se negassem a contratar negros ou lhe dá salários equivalentes aos dos brancos. Também pode-se ressalvar que nessa época começaram a se formar os cortiços e a favelas

Em 1897 foi escolhido o antigo Palácio de Nova Friburgo como futura sede da República, a qual passaria a ser chamado de Palácio do Catete, em referência ao bairro a onde se localiza. O Palácio do Catete seria a sede do governo brasileiro até o ano de 1960, quando o então presidente da República, Juscelino Kubitschek, transferiu a capital federal para a recém inaugurada Brasília. No entanto algumas questões ainda ficaram sendo organizadas no Palácio até os anos 70, quando finalmente este deixara de possuir sua função politica e administrativa, e se tornara o atual Museu da República.

Brasília

José Bonifácio
Como eu já havia dito anteriormente, a ideia de se mudar a capital do Brasil para o interior já havia sido sugerida em 1761, pelo então primeiro-ministro de Portugal, o Marquês de Pombal, mas devido há alguns problemas na época, a capital foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. Porém a ideia de uma capital no centro do país não foi esquecida. Por volta de 1823, o estadista José Bonifácio (1763-1838), figura importante no processo de independência do Brasil, voltou a sugerir a ideia da criação de uma capital no interior do país. O plano novamente não veio a se concretizar. Mas no entanto, o nome da futura capital já estava definida. Esta se chamaria BrasíliaEm 1883, o então sacerdote italiano, Dom Bosco (1815-1888), enquanto morava no Brasil, tivera um sonho no qual, Deus lhe havia mostrado em uma região no interior do país, próximo a um lago, um local de grandes riquezas. Muitos atribuem esse sonho, como sendo uma referência a Brasilia.

Anos depois, após o advento da República, o plano de se construir uma nova capital ressurgira. Em 1892, o governo votava em um projeto chamado de Comissão Exploradora do Planalto Central, conhecida também como a Missão Cruls (em referência ao astrônomo e engenheiro belga, Luis Cruls, nomeado como chefe do projeto), a qual tinha como objetivo escolher um local pra a construção de uma nova capital para o país. Na região do planalto central, a onde se encontrava no meio do Estado de Goiás, foi demarcada um perímetro de 14.400 km2, a onde se construiria a nova capital. Porém, embora o território houvesse sido demarcado, as obras não saíram do papel.

Juscelino Kubitschek
Em 1922, no então governo do presidente Epitácio Pessoa, foi erguida no dia 7 de setembro na área então marcada, a pedra fundamental para a construção de Brasília, mesmo assim os presidentes seguintes não se interessaram em levar à cabo a continuidade desse projeto. No entanto, o projeto somente começou a andar durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), que em um dos comícios de sua candidatura para a presidência, ele prometera que se fosse eleito iria construir no período de seu mandato a então sonhada capital no Planalto Central. Com a vitória de Juscelino a presidência o projeto se pôs a andar. Em 18 de abril de 1956 o então presidente, encaminhara para o Congresso, a Mensagem de Anápolis, na qual propusera uma série de medidas para a construção da nova capital, entre as quais ele decidira batizá-la com o nome de Brasília. Antes de o processo ter sido avaliado, desde o período do início da República, e talvez até mesmo antes, já existia esboços para a construção da nova capital. Vários arquitetos, urbanistas e engenheiros participaram para ganhar a oportunidade de construir a cidade. E finalmente no dia 30 de setembro de 1956, foi publicado oficialmente no Diário Oficial, o Projeto do Plano Piloto.


Planta do Projeto Plano Piloto de Lúcio Costa para a construção de Brasília.
No fim do ano, os projetos de construção já se iniciavam, e no ano seguinte dava-se início as obras do Plano Piloto, criado pelo urbanista Lúcio Costa (1902-1998). No mesmo ano o arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), amigo de Lúcio Costa, o qual havia lhe indicado ao concurso para a escolha dos projetos urbanísticos, era escolhido por Juscelino para projetar as principais construções que abrigariam o governo do país na nova capital. Além desses prédios tais quais: O Palácio da Alvorada, o Edifício do Congresso Nacional, Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto, ele também projetou outros edifícios tanto para uso do governo como edifícios comerciais e residenciais; até mesmo projetou a Catedral de Brasília, e uma série de monumentos para a capital, dos quais alguns ainda hoje não foram construídos.


Palácio do Planalto em Brasília, projetado por Oscar Niemeyer. Atualmente é a sede do Governo Federal da República Federativa do Brasil e de outras repartições da União.
Em 21 de abril de 1960, oficialmente era inaugurada a cidade de Brasilia, tendo os Três Poderes da República, transferidos do Palácio do Catete no Rio de Janeiro, para a recém fundada capital.

As obras de Brasília duraram por mais de vinte anos, o que foi construído no governo de Juscelino só foi o básico para se estabelecer a cidade, muitos outros edifícios, estradas, cidades-satélites só foram construídos bem depois. Mesmo assim, além desse fato, durante esses cinco anos de construção inicial, grande parte da mão-de-obra que ali trabalhou, foi de emigrantes nordestinos. Por isso que alguns dizem que foram "os nordestinos que ergueram Brasília". 

Mas não obstante a isso, existe outros fatos sombrios da história da construção da cidade. Como questões de super-orçamento da construção, que ela teria superado o valor previsto; alegações de desvios de verba, de morte dos operários, chamados de candangos. Existem histórias que alegam que um número enorme de operários morreram durante a construção da cidade, devido a falta de segurança em seu ofício, porém o governo até hoje nunca se pronunciou oficialmente sobre tais mortes e supostos desaparecimentos. No entanto quero dizer que isso não só ocorreu com Brasília. Salvador e o Rio de Janeiro também presenciaram as mesmas questões, ou vocês se esquecem que quem construiu Salvador e o Rio, foram os escravos negros e indígenas.  Que muitos morreram nessa época, e que guerras foram travadas ao longo dos séculos tanto contra os povos locais, e contra povos estrangeiros. Por fim a história dessas cidades foi marcada por triunfos e tragédias.

NOTA: Antes da criação das Capitanias Hereditárias, houveram as chamadas Capitanias Marítimas, das quais a mais conhecida foi a Capitania da Ilha de São João (atual Fernando de Noronha) atribuída ao capitão Fernão de Noronha, o qual deteve o monopólio na exploração do pau-brasil por alguns anos.
NOTA 2: O sistema de capitanias já era utilizado por Portugal nas ilhas da Madeira e de Cabo Verde.
NOTA 3: O nome da colônia francesa na Baia de Guanabara era chamada de França Antártica, como uma alusão em se dizer que se localizava no hemisfério sul. Posteriormente no século XVII, no Estado do Maranhão e Grão-Pará, os franceses fundaram uma nova colônia, chamada dentre alguns nomes de França Equinocial, posteriormente batizada de São Luís.
NOTA 4: o governador Mem de Sá, foi dentre todos os governadores-gerais, o que deteve maiores poderes sobre a colônia e o mandato mais longo.
NOTA 5: No Rio de Janeiro, tanto D. João VI, como os demais imperadores do Brasil, moraram no Paço Imperial, o qual era a antiga casa do vice-rei do Brasil. Embora a corte também possuí-se outros palácios, como o Palácio da Quinta da Boa Vista, o Palácio de São Cristóvão e o Paço em Petrópolis. 
NOTA 6: A terceira cidade mais antiga do país, foi  fundada em 5 de agosto de 1585, chamada de Nossa Senhora das Neves, atual cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba. A quarta cidade mais antiga do país é Natal, atual capital do Rio Grande do Norte, fundada em 25 de dezembro de 1599
NOTA 7: Salvador, Rio de Janeiro e Nossa Senhora das Neves, foram as primeiras a serem fundadas como cidades. No entanto antes delas já existiam vilas bem mais antigas, como Recife, Olinda, Porto Seguro e São Vicente. O título de cidade naquela época era honorífico. 
NOTA 8: Antes de Juscelino propor a construção de Brasília como promessa de candidatura, o Congresso desde 1953 já havia definido o local exato da construção da capital, e só aguardava alguém dá início as obras.
NOTA 9: São João Bosco, o qual teria sonhado com a nova capital, é um dos santos padroeiros da cidade de Brasília.
NOTA 10: Em 1624 os holandeses invadiram e tomaram Salvador, só vindo a serem expulsos em 1625. Em 1630 eles retornaram e conquistaram Recife e Olinda, subjugando Pernambuco ao seu domínio, e fundando a colônia da Nova Holanda a qual perdurara até 1654, englobando os atuais territórios de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas, e parte do Ceará e Maranhão. 
NOTA 11: A cidade do Rio de Janeiro também foi capital do breve Estado da Guanabara (1960-1975), o qual ficava localizado no próprio município do Rio de Janeiro, sendo que a capital do estado do Rio de Janeiro neste tempo, era Niterói

Referências Bibliográficas:
COUTO, Jorge. A Gênese do Brasil. In: MOTA, Carlos Guilherme (org). São Paulo, Viagem Incompleta, 2000.
TAVARES, Luis H. D. O Primeiro Século do Brasil: Da expansão da Europa Ocidental aos governos gerais das terras do Brasil. Salvador, EDUFBA, 1999.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. v. 4, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. v. 20, São Paulo, Nova Cultural, 1998.
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. v. 21, São Paulo, Nova Cultural, 1998.

Links relacionados:
A União Ibérica
As Reformas Pombalinas
Um breve relato acerca da origem do nome dos estados do Brasil

LINKS:
http://veja.abril.com.br/especiais/brasilia/redescoberta-brasil-p36.html
http://www.saltur.salvador.ba.gov.br/template.asp
Fotos de Salvador