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Leandro Vilar

domingo, 23 de janeiro de 2022

Costumes insólitos

O presente texto trata-se mais de uma coletânea de costumes estranhos, bizarros e até que foram normais por bastante tempo, mas acabaram sendo abandonados ou reformulados. 

Aparelhos médicos falsos:

O final do século XIX e começo do XX abundaram na venda de aparelhos, instrumentos e equipamentos médicos que prometiam tratamentos revolucionários e até curas milagrosas. Tais aparatos eram desenvolvidos por médicos mesmo na tentativa de revolucionar a medicina, mas por outro lado, devido à falta de uma fiscalização efetiva, muitos charlatões começaram a desenvolver essas bugigangas e vendiam elas sem problema algum, prometendo mil e uma melhorias. No entanto, com a consolidação dos conselhos de medicina e a criação de leis para barrar o comércio desses aparelhos, isso acabou sendo coisa do passado, apesar que a venda de remédios falsos ainda persista. 

Aparelho criado por um médico para o tratamento de tuberculose. Na prática ele de nada era útil, apenas agravava a condição do enfermo. 

Kit de caçador de vampiros:

Embora vampiros não existam, no entanto, por séculos acreditou-se que eles poderiam ter sido reais, fato esse, que alguns homens chegaram a se "especializar" em encontrá-los e caçá-los. Curiosamente essa ideia se estendeu até o século XIX. No entanto, historiadores apontam que tais kits e supostos caçadores, na verdade tratavam-se de malandros que se aproveitavam da superstição para ganhar fama e dinheiro, enganando as pessoas. 

Kit para caçar vampiros, feito em meados do século XIX. 

Cometas e eclipses: 

Ao longo da História diversos povos consideravam que a presença desses fenômenos celestes fosse algo ruim. Avistar um cometa ou ver um eclipse solar e até lunar, era interpretado como sinais de azar, calamidade, morte, praga, guerra, etc. Mas engana-se que tal superstição tenha sido algo antigo, atribuído a povos incultos, nada disso. Ainda no século XIX, o avistamento de cometas e até a ocorrência de eclipses geravam estranheza e pavor entre algumas pessoas e até mesmo virava notícia gerando histeria pública. O popular astrônomo francês Camille Flammarion (1842-1925), autor de vários trabalhos sobre astronomia, defendia a teoria de que se a Terra cruzasse a rota da cauda de um cometa, o planeta poderia explodir. Outra hipótese sugeria que os gases da coma e da cauda caso entrassem em contato com a atmosfera planetária, poderia envenenar toda a vida animal. A teoria de Flammarion causou grande alarde em 1910, com a passagem do Cometa Halley, pois na ocasião a Terra cruzou com sua cauda. Na época relataram-se surtos de suicídio e desespero coletivo, pois acreditavam que a teoria de Flammarion fosse verdadeira. 

Matéria de jornal francês de 1910 noticiando alarde e temor por conta da passagem do cometa Halley. 

Trabalho fabril

Com o advento da Revolução Industrial na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra, fábricas começaram a surgir. No século seguinte elas passaram pouco a pouco a serem realidade costumeira em grandes cidades da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. Todavia, o trabalho fabril naquele tempo era bastante degradante. Não havia normas para segurança do trabalho, fato esse que se o operário se ferisse a culpa era dele, e o mesmo até poderia ser demitido sem apoio ou indenização alguma. A iluminação era ruim dificultando as atividades, os ambientes eram quentes ou frios, e alguns não tinha uma boa circulação de ar; além que de dependendo do tipo de atividade ali feito, eram insalubres como trabalhar em carvoarias, curtidores, siderúrgicas, metalúrgicas. Os operários trabalhavam mais de 12 ou 15 horas por dia, as vezes até trabalhavam em turnos noturnos, e todos ganhavam um salário miserável; as mulheres trabalhavam a mesma quantidade ou até mais, porém, recebiam menos. Até crianças pequenas também eram empregadas nas fábricas, chegando a trabalhar de graça ou recebendo uma mixaria. Não havia leis trabalhistas assegurando proteção, descanso remunerado, folga, férias, licenças, etc., as quais muitas somente foram começar a surgir na segunda metade do século XIX em alguns países. Por conta disso, trabalhar em fábricas nesse período era um "trabalho infernal", como alguns diziam na época. 

Crianças trabalhando numa fábrica de tear, no começo do século XX. 

Jogando dejetos pelas janelas: 

Ao longo da História as grandes cidades pelo mundo tiveram problemas com saneamento básico, já que na maior parte das vezes ele inexistia. Sendo assim, não havia um sistema de esgoto, e em alguns casos nem existia um serviço de coleta de lixo. E a medida que as cidades se tornavam maiores e apertadas, os problemas para se livrar dos dejetos humanos como urina e fezes, e do próprio lixo, também cresciam. No caso de cidades onde predominavam casas com seus dois a três andares, ou apartamentos, a forma mais fácil que os moradores encontravam para se livrar de suas imundices era simplesmente atirando-as pela janela. Pode parecer algo surreal, mas isso acontecia, principalmente em bairros pobres, já que nos bairros ricos, usava-se servos ou escravos para coletar a sujeira e o lixo, e ir atirar em algum canal, rio, latrina ou terreno baldio para despejar. Porém, na falta disso, era mais fácil simplesmente atirar pela janela ou pela porta da frente, no meio de uma rua geralmente de terra, os dejetos matinais ou do dia anterior, e estar pouco se importando com os vizinhos e os pedestres. Essa prática ainda existia no século XIX e começo do XX. 

Ilustração do século XVII, mostrando mulheres despejando os dejetos pela janela, numa rua na Escócia. 

Os duelos: 

Ao longo da História alguns povos mantiveram a prática do duelo como uma forma legal e oficial para se resolver desavenças associadas com os crimes contra honra como difamação, calúnia, injúria, etc. no qual era permitido cometer homicídio sem recorrer em culpabilidade. Cada época e povo possuía suas regras para os duelos, mas geralmente eram praticados apenas por homens (raramente mulheres tinham direito de fazer isso), armados de forma igual, os quais deveriam lutar publicamente diante de testemunhas para assegurar que não trapaceassem. Nem sempre o adversário precisava ser morto, bastava ele reconhecer sua derrota. Ao longo dos séculos os duelos foram travados geralmente com o uso e espadas e facas, até serem substituídos pelas pistolas. E engana-se que aquele que pensa que a prática do duelo foi algo antigo, ela foi legalizada até o começo do século XX. 

Ilustração representando o duelo entre Paul Dérouléde e Georges Clemenceau, em 21 de dezembro de 1892. 

Enviando crianças pelo correio nos Estados Unidos: 

Nos Estados Unidos em pleno começo do século XX, ocorreram casos inusitados em que o sistema postal aceitou o envio de pessoas como encomendas, no caso, incluindo crianças. É preciso salientar que tal prática era incomum já que a legislação postal era falha em vários aspectos, e por conta disso, alguns pais decidiram enviar os filhos para visitar parentes, mas ao invés de levarem a criança consigo, eles simplesmente pediam que o carteiro as "entregasse". Embora que normalmente se pedisse isso a carteiros conhecidos, que fossem de confiança. Casos assim ocorreram entre 1913 e 1915. Em 1920 o governo americano decretou ser proibido o envio de pessoas pelo correio. 

A pequena Charlotte May Piestroff de 4 anos, foi enviada em 1914 pelo correio para ir visitar seus avós. Na ocasião, o carteiro era seu primo. 

Comendo com as mãos:

Quando eu escrevo sobre comer com as mãos não digo aqueles alimentos como sanduíches, salgados, bolos, pães, batata frita, biscoitos, doces e coisas do tipo, mas refiro-me a comer vários tipos de comida, as quais normalmente usaríamos talheres para isso. No entanto, em alguns lugares do mundo tal hábito ainda é regular por ser um costume, ou devido a pobreza, não haver dinheiro para se comprar talheres. Entretanto, o uso regular de talheres é algo recente na História da humanidade, começando a despontar no século XIX em diante, apesar que povos como os chineses, japoneses e coreanos usassem palitos como talheres, eles eram exceções. Fato esse que quando Marco Polo, seu pai e seu tio chegaram a corte de Kublai Khan no século XIII, a condição de eles comerem com as mãos, algo comum entre os italianos do período, foi visto como um comportamento bárbaros pelos chineses. A maioria dos povos comiam com as mãos, e alguns poucos a depender da comida, usavam colheres ou facas

Entre alguns povos atualmente, ainda é comum comer com as mãos. 

Os banheiros públicos na Roma Antiga:

Os romanos ficaram conhecidos por difundirem durante a República e o Império, sobretudo, nas grandes cidades os banheiros públicos. Todavia, eles eram bem diferentes dos atuais, nem tanto devido ao mal odor, mas pelo fato de não haver divisórias no seu interior. Embora houvessem banheiros para homens e mulheres, no entanto, qualquer um que fosse usá-lo, faria suas necessidades as vistas dos outros usuários. E havia casos de pessoas que até conversavam entre si, enquanto estavam fazendo isso. É também preciso salientar que alguns desses banheiros havia escravos que cuidavam da limpeza do local e auxiliavam os usuários a se limpar. 

Representação de como seria um banheiro público na Roma Antiga. 

Casas de banho:

As casas de banho hoje em dia são até comportadas com o que houve no passado. Alguns povos pelo mundo mundo, criaram o hábito de banhar-se publicamente, o que significa se dirigir a estabelecimentos específicos que continham piscinas, tanques, banheiras, tonéis, além de serviços como sauna, massagem, alimentação e prostituição. Mas e hoje em dia as casas de banho legalizadas possuem uma série de normas para evitar problemas entre os clientes, no passado as normas mais comum era não misturar homens e mulheres, exceto se houvesse o serviço de prostituição. Mas fora isso, todo mundo ficava pelado diante não apenas de desconhecidos, mas de conhecidos também, pois tomar banhos públicos era e ainda é uma atividade social em alguns países, onde amigos e familiares se reúnem para fazer isso. Embora que hoje em dia geralmente as pessoas usem trajes de banho, isso em alguns casos. 

No Japão os banhos públicos ainda hoje ocorrem, só que com mais regras e restrições a depender do estabelecimento. 

Era chique fumar:

O fumo existe há milhares de anos, mas nem sempre foi um hábito comum. De fato, o grande apreço pelo tabagismo é algo historicamente recente, surgido na Idade Moderna na Europa, apesar que começou a se difundir no século XIX com a indústria do tabaco. Porém, em poucas décadas os cigarros e charutos tornaram-se símbolos de elegância e status, sobretudo os charutos, que ainda hoje conservam a imagem de serem produtos de luxo. A industrialização, o vício e a propaganda massiva contribuíram para que o cigarro torna-se algo comum na vida de milhões de pessoas no século XX. Fato esse que as pessoas logo cedo começavam a fumar. Não havia uma fiscalização para proibir isso, tampouco, indicações médicas alertando sobre os males desenvolvidos pelo consumo contínuo desse produto e o grave perigo de vício. Além disso, era tão comum fumar, que as pessoas fumavam em lugares que hoje são proibidos como hospitais, escolas, cinemas, restaurantes, farmácias, mercados, shoppings, aviões, navios, submarinos, etc.

Algumas companhias aéreas começaram a proibir o fumo em aviões a partir da década de 1970, mas outras somente fizeram isso após 1990 e 2000. 
Escravidão: 

Apesar da escravidão ocorrer de forma ilegal hoje em dia, entretanto, até o século XX, alguns países ainda a mantinham leis autorizando a posse de escravos, os castigos corporais e seu comércio. Ao longo da História vários povos pelo mundo se escravizaram, pois tal prática foi infelizmente algo bastante comum entre diferentes épocas. Apesar que em cada lugar os direitos dos escravos ou a falta de direitos mudava. Os escravos eram prisioneiros de guerra, povos conquistados, descendentes de outros escravos, criminosos condenados a serem escravos temporariamente, pessoas pobres que aceitavam se tornarem escravas para não morrerem de fome, etc. Os No caso da história contemporânea, destacou-se a escravidão perpetrada contra os africanos e indígenas, a qual ainda hoje relega estigmas preconceituosos e racistas para os afrodescendentes e os indígenas. 

O navio negreiro. Johan Moretz Rugendas, c. 1830. 

O Apartheid:

Embora a África do Sul seja principalmente lembrada pelo Apartheid, o qual foi um regime segregacionista que durou de 1948 a 1994, no entanto, entre outros países do mundo como os Estados Unidos, práticas similares existiram, em maior o menor grau. O apartheid em outras nações não era plenamente legalizado, mas era socialmente e moralmente aceito. No caso, tais práticas ditavam que pessoas geralmente negras, indígenas, judias, ciganas, etc. não poderiam usufruir dos mesmos espaços públicos de que pessoas brancas, não poderiam viver nos mesmos bairros, frequentar as mesmas escolas, usar transportes públicos, etc. Essa prática manifestou ao longo da história recente, sendo algo testemunhado em pleno século XX. O próprio pastor e ativista Martin Luther King Jr (1929-1968) foi preso em Selma, no Alabama, em 1965, por desobedecer a ordem de frequentar uma lanchonete reservada para brancos. Tal fato serviu para uma onda de protestos do movimento negro contra o apartheid estadunidense. 

Pias para brancos e negros, em um banheiro público nos Estados Unidos, na década de 1960. 

Execuções públicas:

Atualmente esse tipo de prática penal é bem rara, no entanto, até começo do século XX, não era incomum em vários países ver pessoas sendo enforcadas, garroteadas, apedrejadas e fuziladas, além de que uma plateia se formava para assistir isso. E se retornamos no tempo, na França da Revolução Francesa (1789-1799) tivemos a aplicação da guilhotina, a temida "navalha nacional" que executou milhares de pessoas. E voltando um século antes disso, mulheres eram queimadas, enforcadas, decapitadas ou afogadas por conta do crime de serem bruxas. As execuções públicas ocorreram ao longo da História, sendo praticamente abolidas na segunda metade do século XX, o que revela ser algo bem recente. 

Pintura representando a execução da rainha Maria Antonieta, em 1793. 

Vivendo pelado:

Ainda hoje alguns povos pela América Latina, África, Sudeste Asiático e Oceania vivem nus, mas no passado isso era bem mais comum. Se hoje isso seria algo impensável por conta de vários problemas morais, éticos, sociais e religiosos, no entanto, entre as sociedades nas quais o nu é algo natural, o respeito pelo corpo é bem maior em sociedades onde nos vestimos. Apesar de grupos e movimentos naturistas tentarem criar comunidades em que as pessoas possam viver nuas, tal prática é bem diminuta e a maior parte da humanidade já se habitou a usar roupas. Os povos que hoje vivem de forma nua costumam pertencer a tribos e pequenas comunidades. 

Povo Yali, na Indonésia. 

Fotografando os mortos:

Essa prática surgida no século XIX e mantida até os idos do XX, não consistiu em algo voltado para intuitos policiais ou de perícia, mas foi uma estranha moda inglesa da Era Vitoriana (1837-1901). Com o barateamento da fotografia e sua popularização, modas acabaram surgindo, e uma delas era de tirar fotografias de parentes falecidos como forma de homenageá-los e guardar de recordação nos álbuns de família, ou até mesmo mandar fazer retratos ou quadros com isso. Logo, surgiu a ideia de tirar foto com mães, pais, avós, tios, irmãos, filhos e primos que faleceram para homenageá-los. Essas fotos eram feitas de diferentes formas, onde em alguns casos o fotógrafo chegava a pintar os olhos para fingir que a pessoa ainda estava viva, ou o corpo era organizado de tal forma para parecer que estivesse dormindo; alguns familiares posavam juntos aos entes falecidos, em outros casos montava-se cenários para a homenagem. 

Um exemplo de uma foto com um morto. Na imagem vemos uma mãe com seus três filhos, sendo que a menina falecida foi colocada de forma a aparentar estar dormindo. 

Sem banheiro:

Hoje em dia conceber uma residência não possuindo banheiro é algo inadmissível e até um absurdo. Porém, em alguns lugares do mundo isso é uma realidade comum devido a falta de saneamento básico, infraestrutura e precariedade das habitações, isso sem considerar os casos em que alguns lares como tendas e cabanas, não possuem banheiro. Todavia, até a primeira metade do século XX, banheiros não foram algo regular em vários países. Mesmo nas grandes cidades norte-americanas, europeias e asiáticas, não era incomum encontrar casas e apartamentos não possuindo esses cômodos, dessa forma, as pessoas usavam penicos para fazerem suas necessidades, e para tomar banho recorriam a tinas, bacias e banheiras. No entanto, a ausência de banheiros não foi algo que atingia apenas os pobres, até mesmo em mansões e palácios do século XIX, não tinham banheiros! 

O grandioso Palácio de Versalhes somente ganhou alguns poucos banheiros na segunda metade do século XVIII, quase cem anos após ter sido construído. 

Palmatória:

A palmatória consistia num instrumento de madeira com diferentes formas, usado para bater geralmente nas palmas das mãos ou em partes sensíveis do corpo. Era um instrumento aplicado para o castigo e as vezes para a tortura. Originalmente ele era usado para se punir servos e escravos, todavia, em determinado momento, nas escolas ocidentais seu uso passou a ser permitido. Os professores a fim de disciplinar ou repreender os alunos, batiam neles com palmatórias. Inclusive durante exames, caso o aluno errasse alguma resposta, poderia levar um tapa. O uso da palmatória normalmente era reservado a instituições mais severas, não tendo sido tão disseminado como se pensa. No entanto, sua prática perdurou até o século XX, antes de ser proibida como tratando-se de maus-tratos. 

Sátira a palmatória, numa escola francesa. Desenho de Charles Vernier, 1920. 

Tomar banho:

Embora banhar-se seja uma necessidade higiênica, ela também é cultural e até religiosa. A cultura do banho variou ao longo da História e das sociedades, em que alguns povos tinham hábitos de banhar-se com frequência, como no caso dos gregos e romanos, os quais criaram banhos públicos, sobretudo, os romanos se destacaram nisso. Os turcos e persas também fizeram seus banhos públicos. Na Índia o banho tem diferentes formas e está associado também a purificação religiosa e espiritual do corpo. No Islão, lavar-se também tem um caráter sagrado, sobretudo, antes de entrar na mesquita ou participar de peregrinações. Por outro lado, em lugares frios, o banho era postergado por semanas ou meses, exceto quando se tinha condições de ter água disponível para ser esquentada e banhar-se. Por conta disso, a pessoas preferiam usar substâncias perfumantes ou lavar apenas o rosto, axilas, os genitais e a bunda. Por outro lado, em viagens navais antes do século XX, não era incomum os banhos em navios ser algo pouco usual, devido a não se desperdiçar água potável, além de que banhar-se com água do mar não era algo bem quisto e até se julgava fazer mal a pele. Ainda hoje tomar banho é algo cultural, em que algumas culturas a prática de banhar-se regularmente não existe ou opta-se pelo "banho de toalha". Por outro lado, em localidades em que água é escassa, tomar banho diariamente é um luxo. 

Na Europa medieval os ricos tomavam banhos em tinas, com água quente, tinham todo um jogo de roupas de banho para isso, eram servidos e ajudados pelos servos, em alguns casos o banho poderia ser acompanhado de uma refeição como o café da manhã, almoço ou lanche. 

Remédios:

Antes do advento da Medicina, da Farmácia e outras ciências médicas, os materiais usados para o fabrico de medicamentos consistiam no mais variado uso de elementos para o intuito de criar remédios. No caso, aquele que pensa que a humanidade sempre conheceu o poder curativo e terapêutico das plantas, engana-se em muito. Ao longo da História plantas, animais, minerais, metais, rochas, ossos, unhas, chifres, conchas, cabelos, pelos, cristais, urina, fezes, parte de corpos, fogo, água, gelo, neve, terra, calor, frio, sangue, incenso, gases, fumaça, drogas, entre outra infinidade de coisas e substâncias foram utilizadas para fins medicinais. O problema devia-se que por muito tempo a medicina e a farmácia estiveram atrelados a crendices mágicas e supersticiosas, por conta disso, mesmo os curandeiros, boticários e médicos recitavam preparos mirabolantes que na maioria das vezes não era eficazes e até mesmo poderia piorar a enfermidade ou sintomas do paciente. A prática da sangria foi bastante usada em muitas épocas, mesmo que não seja algo eficaz. Mas engana-se quem pensa que isso foi exclusivo de povos ditos "incivilizados" ou "bárbaros", as mais diversas culturas do mundo passaram por isso, fato esse, que ainda hoje no século XXI, abunda terapias alternativas sem comprovação científica, curandeirismo bizarro - pois sublinho que alguns curandeiros possuem um conhecimento fitoterapeutico eficaz -, medicamentos milagrosos, tratamentos estranhos, etc. 

Ilustração de um banho de mercúrio para tratamento de sífilis. Hoje se sabe que o mercúrio é um metal bastante nocivo para a saúde e até o meio-ambiente. Porém, até o começo do século XX ele era recitado para o tratamento de sífilis. 

Cigarro para crianças:

Na primeira metade do século XX, em alguns lugares não era proibido que crianças fumassem, nem mesmo os adolescentes. Meus próprios avós começaram a fumar com seus 14 e 15 anos. Porém, além de não haver uma lei proibindo o acesso de menores de idade ao tabagismo, houve casos de marcas de cigarros que faziam uso de imagem de bebês e crianças os quais incentivavam seus pais a fumarem. Além disso, houve casos bizarros de cigarros vendidos para crianças e até mesmo cigarros de chocolate, embora fossem doces, eles incentivavam a criança a procurar fumar logo cedo. 

Propaganda dos Cigarros Garoto entre 1940 e 1950. 

Cerveja para todos:

A cerveja é uma das bebidas mais consumidas no mundo e já existe há milhares de anos, embora fosse diferente naquele tempo, já que existem diversas formas de se fabricar cerveja. Porém, seu consumo ao longo da História foi algo bem comum e cotidiano, a ponto de até mesmo crianças e adolescentes beberem cerveja. No entanto, isso devia a dois fatores: primeiro, as formas de filtrar a água eram precárias, logo, beber água corria-se o risco de pegar bactérias, porém, no processo de preparo da cerveja, a bebida era higienizada pela fermentação e a filtragem, com isso, era mais seguro tomar cerveja e vinho, do que beber água de um poço, rio, fonte. Por outro lado, como havia vários tipos de cervejas, as que eram tomadas regularmente apresentavam um baixo teor alcoólico, estimado entre 1% a 3%, o que demandaria a ingestão de grande quantidade para entrar em estado de embriaguez. Fato esse que antes do consumo de água potável se regulamentar, crianças e adolescentes tomavam cerveja normalmente para fins de hidratação, assim como faziam os adultos. Além disso, a ideia de que as religiões sempre proibiram o consumo de bebidas alcoólicas não é exata. Em algumas religiões tais bebidas eram de caráter sagrado e divino, e em outras religiões, os religiosos fabricavam cerveja, vinho e outras bebidas sem nenhum problema, pois não era pecado consumi-las. 

Na Europa, os monges alemães, belgas, holandeses e franceses, se especializaram no fabrico de cervejas e vinhos, desde o período medieval. 

Humanos enjaulados:

Essa bizarra e desumana prática realmente existiu durante os séculos XIX e XX, em que zoológicos exibiam pessoas como se fossem animais exóticos. Isso se deveu a prevalência do chamado racismo científico, surgido no século XVIII, o qual determinou a existência de raças humanas, definindo a raça branca (ou caucasoide) como a escala mais alta da evolução humana, enquanto que as raças amarelas, pardas e negras eram as mais baixas. Por conta disso, os zoológicos humanos não exibiam pessoas brancas, mas indígenas, africanos, asiáticos e oceânicos. Pois eles eram tratados como animais exóticos que atiçavam a curiosidade do "homem branco civilizado", que ao ir ao zoológico queria ver além das feras, esses homens de raças inferiores. Alguns zoológicos se especializaram em criar cenários teatrais, mostrando tribos e seus costumes primitivos.  

Uma mãe e seus filhos em exibição num zoológico. 

Pés de lótus:

Consistiu numa bizarra e cruel prática de beleza, em que mulheres chinesas eram forçadas a deformarem seus pés para eles conseguirem o formato e tamanho que coubessem dentro de pequenos sapatos. Tal prática durou anos na China, embora tentou-se bani-la, mas somente no século XX ela foi finalmente proibida de vez. As mulheres que se submetiam isso, conseguia status social a custa de deformar seus pés, condição que gerava vários problemas de postura, além de que poderia incapacitar de andá-las, e somava-se a isso, as dores geradas durante o processo de atrofiação dos pés. 

Um pé de lótus e um pé normal. Ao centro um sapato usado para os pés de lótus. 


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