Embora seja referido por alguns como um lindo palácio branco, na verdade o Taj Mahal consiste em um suntuoso mausoléu construído para uma imperatriz indiana, como símbolo do grande amor de seu marido por ela.
A ideia para se construir imponente mausoléu adveio do imperador Shan Jahan I (1592-1666), quinto soberano da Dinastia Mogol (1526-1848) que governou parte da Índia por séculos. Os mogóis (ou mughals) se diziam descendentes de Genghis Khan e de Tamerlão, dois poderosos conquistadores medievais, condição essa que o primeiro imperador mogol, Babur (1483-1530) dizia descender de ambos monarcas. Embora haja dúvidas quanto a tais genealogias, é fato que Babur conseguiu invadir o norte da Índia e fundar um reino ali, originando o que viria ser o Império Mogol.
Babur governou por pouco tempo, apenas quatro anos, mas seu filho Humayun (1508-1556) conseguiu manter-se no trono por vinte anos, legando o poder a seu filho Akbar, o Grande (1542-1605), o maior dos imperadores mogóis, o qual em seu longo reinado de 49 anos estabilizou o império e o fez prosperar, algo legado ao seu filho Jahangir (1569-1627), que manteve a prosperidade do pai, passando a investir nas artes. Contudo, revoltas eclodiram, levando ele e seus filhos a atuarem para contê-las.
Seu herdeiro foi seu terceiro filho, Shan Jahan I, que saiu vitorioso contra as revoltas dos clãs Rajaputes e Lodis, além de que enfrentou seu irmão mais novo Sharyar Mirza, que tentou-lhe usurpar o trono. Assim, com tais vitórias, Shan Jahan pôde governar por trinta anos. Permitindo se dedicar ao mecenato de artistas e investir em obras públicas, já que era um grande admirador de palácios e jardins.
Uma história de amor
Shan Jahan casou-se ainda na época que era príncipe, sendo seu primeiro casamento ocorrido em 1610, com Kandahari Begum (c. 1593-16??), na época com seus 16 anos, vindo a dar uma filha para ele. Contudo, ele precisava de um herdeiro varão. Assim, dois anos depois ele despojou Arjumand Banu Begum (1593-1631), filha de Abul Haçane Khan, um nobre de origem persa que trabalhava na corte. Ademais, o casamento foi arranjado também, pois Arjumand era sobrinha da imperatriz Nur Jahan, vigésima esposa do pai de Shan Jahan.
Relatos dizem que Arjumand tinha sido prometida a Shan Jahan anos antes, mas por ser nova, tiveram que adiar o casamento, condição que quando ela se casou com o príncipe, ela possuía seus 19 anos de idade. Arjumand passou a viver no palácio com seu marido e sua outra esposa, já que todos eram muçulmanos, prática comum naquela religião, além de que na própria Índia, a poligamia também fosse comum.
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| Pintura retratando o imperador Shan Jahan e a imperatriz Mumtaz Mahal. Autoria desconhecida, século XVII. |
Embora tenha contraído matrimônio outras vezes, Shan Jahan teve poucos filhos com suas outras esposas, condição essa que designou seus principais herdeiros ao trono, os filhos que teve com Mumtaz, além de ter a escolhido para ser sua consorte principal, após assumir o trono em 1627. Dessa forma, Mumtaz Mahal se tornou imperatriz entre 1628 e 1631, seu reinado foi breve, pois ela faleceu aos 38 anos, após dar à luz a seu décimo quarto filho, uma menina. Na ocasião, o imperador estava em campanha militar quando sua esposa faleceu, abalando-o profundamente.
O mais belo mausoléu da Índia
Mumtaz Mahal foi sepultada inicialmente em Gauhara Begum, onde Shan Jahan estava em guerra, depois ele mandou transferir o corpo da imperatriz para o cemitério real. Contudo, isso não foi o suficiente, ele estava decidido a prestar uma grande homenagem ao amor de sua vida, para isso, decidiu construir um mausoléu, prática até comum entre os governantes mogóis. No caso, os mausoléus consistem em tumbas de origem persa, as quais eram conhecidas por serem grandes, parecendo casas ou palacetes, para abrigar um ou mais restos mortais de alguém rico. A partir da Pérsia, outros povos adotaram a prática dos mausoléus. Sendo assim, Shan Jahan no ano de 1632 mandou iniciar as obras de um mausoléu para a imperatriz Mumtaz Mahal, mas que fosse o mais belo que existiria na Índia.
O mausoléu feito de mármore branco consiste numa combinação de elementos da arquitetura mogol, islâmica e indiana. No entanto, além do mausoléu em si, todo o local ao redor também foi planejado, pois construiu-se um jardim e dois portões imponentes. Assim, em 1632, próximo ao rio Yamuna, nas terras da cidade de Agra. Inclusive é possível avistar o mausoléu a partir do Forte de Agra, principal fortificação militar da região, que abrigou imperadores mogóis por algum tempo.
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| Planta do complexo do Taj Mahal. |
- O Jardim do Luar (Methab Bagh): situado na margem oposta do Yamuna, seguindo o padrão dos jardins islâmicos, com divisão em quatro quadrantes e uma grande fonte.
- O terraço principal onde fica o mausoléu, uma mesquita e uma casa de hóspedes.
- O Jardim Charbargh, novamente baseado em estilo islâmico, dividido em quadrantes, mas com canais e uma fonte ao centro dessa vez. Fica situado a frente do mausoléu.
- O Naubat Khana (Casa do Tambor), um pavilhão situado depois do jardim central de Charbargh. O local era usado para festejos, cerimônias e pronunciamentos do monarca. Atualmente é um museu.
- O Jilaukhana (Pátio Frontal), no qual ficava os aposentos da guarda e dos criados, além de dois túmulos menores.
- O Taj Ganji, área que acomodava um bazar e recebia caravanas de mercadores e viajantes, hoje não existe mais.
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| Ilustração do jardim principal do complexo do Taj Mahal. Aos lados do mausoléu estão a mesquita e a casa de hóspedes. |
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| A mesquita do Taj Mahal, construída em arenito vermelho. Diferente de outras mesquitas, ela não possui minaretes, pois esses foram construídos ao redor do mausoléu. |
| O Naubat Khana, pavilhão de celebrações do Taj Mahal. |
| Detalhe da cúpula central e de duas cúpulas menores com seus chattris. Pode-se observar os motivos decorativos de origem indiana e persa. |
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| Os túmulos de Mumtaz Mahal e Shan Jahan dentro do Taj Mahal. |
NOTA: Em 2007 a fundação suíça New7Wonders Foundation, escolheu as novas Sete Maravilhas do Mundo. O Taj Mahal foi um dos vencedores.
NOTA 2: O escritor francês Jean Baptiste-Tavernier, em 1665, popularizou o suposto projeto do Taj Mahal preto, o qual seria idêntico ao original, mas construído no lado oposto do rio Yamuna, para abrigar os restos mortais do imperador Shan Jahan. Apesar da ideia curiosa, trata-se de uma invenção de Tavernier para atrair leitores.
NOTA 3: Alguns autores antigos dizem que mais de 20 mil trabalhadores atuaram na construção do complexo do Taj Mahal, que também fez uso de mil elefantes. É sabido que o complexo foi bastante caro, se desconhecendo seu real valor, no entanto, os números apresentados tendem a serem exagerados.
Referências bibliográficas
CONRAD, Phillipe. As civilizações das Estepes. Rio de Janeiro, Editions Ferni, 1976.
DUTEMPLE, Lesley A. The Taj Mahal. Minneapolis, Twenty-First Century Books, 2003.
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