Os Estados Unidos da América foi a primeira colônia americana a conquistar sua independência, tornando-se um país. Embora a data celebrada seja o 4 de julho de 1776, a luta pela emancipação começou vários anos antes e perdurou até 1781, por conta da guerra de independência que cruzou o novo país de norte a sul. Contudo, o presente texto centra-se nos acontecimentos anteriores e os do ano de 1776, que culminaram com a declaração de independência do 4 de julho.
Introdução: As Treze Colônias
As chamadas Treze Colônias foram fundadas pela Inglaterra entre os séculos XVII e XVIII, apesar de que os ingleses já tivessem ainda no século XVI visitado a costa leste da América do Norte, o governo estava mais preocupado com os conflitos na Europa, isso permitiu que os espanhóis e os franceses iniciassem primeiro a colonização de parte da costa leste.
De qualquer forma, foi no governo do rei Jaime I (r. 1603-1625) que a Inglaterra decidiu iniciar a criação de colônias na América do Norte, fundando-se a colônia da Virgínia, focada na agricultura de subsistência, posteriormente passando a criação das plantation de cana de açúcar e tabaco. Em 1626 ocorreu a fundação da Província de Nova York para evitar a expansão dos holandeses naquela região. No entanto, foi no reinado do rei Carlos I (r. 1625-1649) que o processo de colonização se acentuou, sendo fundadas seis colônias em seu governo. (CHITWOOD, 1961).
Posteriormente, até o final do século XVII, mais quatro colônias foram criadas. Dessa forma, a Inglaterra dispunha de doze colônias na costa leste americana, embora disputasse aquelas terras com vários povos indígenas, mas contra também os franceses no Canadá, Luisiana e Nova Orleans, e contra os espanhóis na Flórida. (CHITWOOD, 1961).
Sendo assim, o governo inglês fundou ao todo treze colônias, sendo elas:
- Colônia da Virgínia (1607)
- Província de Nova York (1626)
- Província de Masschusetts (1630)
- Província de Maryland (1633)
- Colônia de Rhode Island (1636)
- Colônia de Connecticut (1636)
- Província de Nova Hampshire (1638)
- Colônia de Delaware (1638)
- Província da Carolina do Norte (1653)
- Província da Carolina do Sul (1663)
- Província de Nova Jersey (1664)
- Província da Pensilvânia (1682)
- Província da Geórgia (1732)
As colônias inglesas cada uma possuía um governador próprio, o qual se reportava ao Parlamento, além disso, as colônias do Sul passaram a se especializar no sistema de plantation, enquanto as colônias do Norte investiram na mineração, caça, comércio de peles e no comércio geral. Condição essa que as colônias nortenhas tiveram uma maior adesão a ideias liberais e iluministas no século XVIII, enquanto as colônias sulistas ficaram mais conservadoras quanto a isso. Essa característica foi crucial, pois os focos de revolução tiveram início no Norte. (CHITWOOD, 1961).
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| Mapa das Treze Colônias e territórios vizinhos em 1775. |
A Guerra Franco-Indígena (1754-1763)
No geral as colônias inglesas não demonstraram um movimento unificado pela luta da independência antes da segunda metade do século XVIII, embora tais colônias passaram por uma série de problemas: clima, seca, fome, peste, ataques dos indígenas, disputas de terra, ataque de piratas, brigas, traições, conspirações etc. No entanto, a guerra entre os colonos contra os franceses e seus aliados indígenas foi algo que causou profundo impacto na vida dos colonos ingleses.
Os franceses possuíam colônias no Canadá no norte e na Luisiana no sul, contudo, outros territórios entre os dois também eram reivindicados por eles. Porém, as treze colônias inglesas começaram a explorar seu interior, eventualmente ambas as fronteiras se tocaram em 1754, gerando uma disputa diplomática pelo controle do vale do rio Ohio, região fértil e estratégica para o comércio. Os ingleses passaram a reivindicar para si aquelas terras, embora os franceses tivessem chegado antes lá. Por sua vez, povos indígenas estavam divididos em apoiar ambas as nações europeias. (ANDERSON, 2005).
Os ingleses contavam com o apoio dos iroqueses, catabawas e cherokees, já os franceses eram apoiados pelos algoquin, ojibwa, ottawa, lenape, entre outros povos. Isso foi importante para endossar as frentes de batalha, principalmente dos franceses que possuía menos colonos e tropas na América do Norte. Não obstante, com a Batalha do Forte Duquesne em 28 de maio de 1754, quando os ingleses atacaram a fortificação francesa, teve início uma guerra que de início esperava-se ser resolvida em pouco tempo, mas para a surpresa de todos, se estendeu por quase dez anos. (ANDERSON, 2005).
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Mapa mostrando algumas das principais batalhas ocorridas durante a Guerra Franco-Indígena.
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O que começou como uma disputa pelo controle do vale do rio Ohio foi ganhando proporções gigantescas, incluindo batalhas navais no Atlântico e mobilização de tropas e conflitos em outras localidades da América do Norte. Enquanto isso, na Europa teve início a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), França e Inglaterra se tornaram inimigos nesse conflito, por conta disso, a maior parte de seus recursos e contingentes militares foi designada para essa guerra, restando aos colonos terem que resolver a guerra na América do Norte, o que exonerou bastante as Treze Colônias, além de vitimar mais de 5 mil colonos ingleses (embora os franceses tenham perdido mais homens, passando do dobro disso). (ANDERSON, 2005).
Com o término da Guerra dos Sete Anos em 1763, Inglaterra e França também decidiram negociar o fim da Guerra Franco Indígena, assinando o Tratado de Paris, que concedeu algumas das terras conquistadas pelos ingleses durante os anos de conflito. Apesar da vitória inglesa nas duas guerras, o governo não estava satisfeito com isso, pois milhares morreram e muito dinheiro foi gasto, era necessário recuperar tais despesas, para fazer isso, o governo decidiu aumentar os impostos em suas colônias.
Aumento dos impostos
Entre 1765 e 1774 vários aumentos nos impostos acometeram as Treze Colônias, como parte da política tributária da coroa para aumentar sua arrecadação e recuperar os gastos com a guerra. Evidentemente que os colonos consideraram isso tremendamente injusto e abusivo, já que a Guerra Franco Indígena foi executada principalmente pelo esforço e recursos das colônias, enquanto o governo estava ocupado na Europa, mas exigia que as colônias vencessem a guerra na América do Norte.
Sendo assim, em 1765 tivemos a publicação da Lei do Selo (Stamp Act) decreto que aumentou a cobrança sobre a emissão de documentos nas colônias, as quais deveriam receber obrigatoriamente um selo de autorização. Isso valia para a publicação de jornais, livros e outros documentos. Os governos e representantes dos jornais, editoras e livrarias começaram a fazer protestos, os quais surgiram efeito, e a lei foi revogada no ano seguinte. (CHAFFIN, 1970).
Apesar dessa vitória dos colonos, a ameaça não tinha passado. Entre 1767 e 1768 o ministro das finanças Charles Townshend aprovou no Parlamento, os chamados Atos Townshend, que consistiram na criação de novos impostos para tributar papel, tintas, vidro, chá, entre outros produtos. (CHAFFIN, 1970).
Também se reformulou a alfândega nas colônias, tornando-a mais eficiente para combater o contrabando e sonegação de imposto. Primeiro aplicou-se tal medida na cidade de Boston, capital da Província de Masschusetts, mas tal decisão foi levada para outras colônias. (CHAFFIN, 1970).
Uma lei específica para a Província de Nova York, determinava que o governo nova-iorquino deveria custear o alojamento e despejas das tropas inglesas ali instaladas, enviadas para assegurar as defesas daquela colônia, porém, com o término da Guerra Franco-Indígena em 1763, não houve mais conflitos que requisitassem um exército externo permanentemente ali. O governo nova-iorquino argumentou que manter tropas inglesas ali aumentaria suas despejas, mas o Parlamento não voltou atrás de sua decisão. (CHAFFIN, 1970).
A última medida aprovada apenas em 1768, estipulou a criação de tribunais do almirantado para julgar crimes de contrabando e associados ao comércio marítimo. Isso retirou dos tribunais coloniais tal direito, concentrando-os nas mãos da Coroa, que escolhia os juízes. Por sua vez, os tribunais eram custeados pelas colônias. Evidentemente houve críticas dos governadores coloniais quanto a isso. Eles tinham que pagar as despejas de tais tribunais, mas não podiam nomear seus funcionários. (CHAFFIN, 1970).
A Festa do Chá de Boston (1773)
Os Atos Townshend seguiram valendo pelos anos seguintes, no caso, o encarecimento do chá para as colônias, as quais eram obrigadas a comprar esse produto apenas com os negociantes da Companhia das Índias Orientais (East India Company), elevou as despejas. Os ingleses e colonos no século XVIII bebiam chá diariamente, como se fosse café de hoje em dia. Logo, tal produto era parte intrínseca da dieta diária daquelas pessoas. Assim, o aumento no seu preço de venda afetava milhares de pessoas.
Dessa forma, em 16 de dezembro de 1773, membros dos Filhos da Liberdade (Sons of Liberty), uma organização secreta surgida por volta de 1765, que defendia a independência das colônias, se disfarçaram de indígenas, invadiram três navios carregados com chá no porto de Boston, e atiraram as caixas de chá no mar em protesto. Isso gerou grande confusão na época, levando as autoridades inglesas a caçarem e prenderem os manifestantes. Os jornais chamaram o incidente ironicamente de "festa do chá".
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Litogravura colorida representando a Festa do Chá de Boston.
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Apesar da repressão, outras manifestações ocorreram nos dias seguintes por Masschusetts, havendo novos protestos, incluindo boicote a compra dos carregamentos de chá chegados naquele período, além da cobrança da renúncia de funcionários da alfândega e a defesa do livre-comércio. Vale salientar que comerciantes coloniais que tinham negócios com contrabandistas, também apoiaram a causa, pois o monopólio da Colônia das Índias Orientais era um entrave para eles. Apesar dos protestos, o governo não cedeu, manteve o monopólio e decidiu punir os colonos com novas medidas.
Os Atos Intoleráveis (1774)
Em reação ao protesto ocorrido em Boston, o governo inglês aprovou os chamados Atos Intoleráveis, cinco medidas:
- Fechamento do porto de Boston enquanto uma indenização do governo daquela colônia não fosse paga a Companhia das Índias Orientais pelo prejuízo causado quanto a destruição de seu carregamento de chá.
- Suspensão do direito de Massachussetts em participar de reuniões coloniais.
- Proibição de manifestações por aquela colônia.
- Julgamento dos crimes por autoridades inglesas.
- Manutenção da lei de se abrigar tropas inglesas.
- Proibição dessa colônia e de outras em expandir seus territórios para o interior, especialmente em direção aos domínios franceses.
- Envio de uma tropa inglesa que ficaria estacionada em Massachussetts, a fim de evitar revoltas.
Tais atos foram considerados autoritários e injustos, por conta disso foram chamados de intoleráveis. Porém, os colonos não deixaram isso acontecer sem nenhuma reação. O governo de Massachussetts se articulou com outras colônias e formaram o chamado Primeiro Congresso Continental, ocorrido na Filadélfia entre 10 de setembro e 26 de outubro de 1774, reuniu delegados e representantes de doze colônias, exceto a Geórgia que ficou de fora.
O congresso pretendia enviar diretamente ao rei George III uma longa lista de exigências e reclamações das colônias, para que o rei pudesse interceder pelas mesmas e melhorar a situação. Assim, exigia-se a suspensão dos Atos Intoleráveis, mudanças na cobrança de impostos, no sistema jurídico, entre outras leis aprovadas nos anos anteriores. Embora tal petição acabou não surtindo efeito esperado, ainda assim, o congresso teve o êxito de mobilizar as colônias para formarem uma força de resistência e planejarem revoltas para pressionar o rei e o parlamento.
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| Cópia da petição ao rei escrita pelo Primeiro Congresso Continental de 1774. |
Antes de atos mais hostis se desencadearem, as autoridades coloniais decidiram promover boicotes as empresas e comerciantes ingleses. É preciso observar que os colonos por mais que fossem descendentes de ingleses, de irlandeses, de escoceses e de galeses, eles não se consideravam parte do povo daqueles países, já possuíam naquela altura a percepção nacionalista de serem cidadãos e suas colônias.
O governo além de recusar a petição, criticou negativamente os boicotes e exigiu o término deles, mas as colônias não fizeram isso e a situação foi se acirrando. O parlamento antevendo uma possível revolta, ordenou a destruição de um depósito de armas para evitar que os colonos iniciassem uma resistência armada, tal decisão foi o estopim para o início da guerra pela independência.
Rompe a revolução (1775)
O governo inglês enviou uma tropa de 700 homens lideradas pelo tenente-coronel Francis Smith para localizar, confiscar e destruir depósitos de armas em Concord, na província de Massachussetts, a colônia até então tida como mais perigosa. Contudo, a operação teve informações vazadas, então os colonos removeram as armas e munições e montaram uma emboscada para os ingleses. Na madrugada do dia 18, homens como Paul Revere, galoparam pelas estradas, avisando que a tropa inglesa estava caminho. Revere entrou para a História por supostamente sair gritando pela noite, alertando a todos, mas ele e seus companheiros teriam agido de forma mais discreta. (BOATNER, 1994).
Assim, os colonos se prepararam em Lexington, em ocorreu a primeira batalha em 19 de abril de 1775. O ataque inicial para causar pânico, não surtiu efeito desejado, levando a milicia colona recuar até Concord, onde a batalha teve continuidade.
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| Pintura retratando a Batalha de Lexington, em 1775. |
Enquanto o conflito se desenvolvia, reforços coloniais chegaram, formando uma força com mais de três mil homens. Já os ingleses também contaram com reforços da tropa do general Hugh Percy, contudo, contava com metade do contingente inimigo. O conflito seguiu por mais um tempo em Concord, levando Smith e Percy a decidirem por abandonar a batalha. (BOATNER, 1994).
Os ingleses recuaram até Charlestown para se reagrupar, aguardando reforços que viriam de Boston onde estava estacionada a maior parte das forças inglesas ali. Contudo, os colonos se mobilizaram e iniciaram o Cerco de Boston (19 de abril de 1775 a 17 de março de 1776). A milicia colonial foi reformulada e se tornou o Exército Continental, liderado por George Washington (1732-1799), veterano da Guerra Franco Indígena, entre outras lideranças, como definido pelo Segundo Congresso Continental, iniciado em 10 de maio de 1775. (BOATNER, 1994).
A declaração de independência (1776)
Mais de um ano após o início da guerra de independência, o Congresso Continental em 11 de junho formou uma comissão com cinco membros, chamado de Comitê dos Cinco, para redigirem uma declaração de independência, já que naquele momento as colônias já consideravam que não havia mais margem para negociar com o rei e o parlamento em se manter como colônia, o caminho era lutar pela independência. Sendo assim, esse comitê era formado por:
- John Adams (1735-1826): advogado e diplomata.
- Benjamin Franklin (1706-1790): impressor, escritor, intelectual, filantropo e político.
- Thomas Jefferson (1746-1826): advogado e embaixador.
- Robert R. Livingston (1746-1813): advogado, jurista, diplomata e estadista.
- Roger Sherman (1721-1793): advogado e político.
Esses cinco homens se tornaram alguns dos Pais Fundadores dos Estados Unidos, mas inicialmente foram incumbidos de redigir a declaração, cabendo a Thomas Jefferson a maior parte das ideias e do texto para esse intuito, já que ele era bastante adepto dos preceitos do Republicanismo e do Liberalismo Econômico. Assim, os trabalhos de escrita iniciados em 10 de junho foram concluídos no final daquele mês, quando foi avaliado pelo Segundo Congresso Continental, sendo aprovado em 4 de julho de 1776. (ARMITAGE, 2007).
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| Aprovação da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Pintura de John Trumbull, 1818. |
DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário a um povo dissolver os laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno para com as opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.
Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objecto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos Guardiães para sua futura segurança. Tal tem sido o sofrimento paciente destas colónias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo. A história do actual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidas injúrias e usurpações, tendo todos por objectivo directo o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Para prová-lo, permitam-nos submeter os factos a um mundo cândido.
Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público.
Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente, a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento, e , uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção.
Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grandes distritos de povo, a menos que abandonassem o direito de representação no legislativo, direito inestimável para eles e temível apenas para os tiranos.
Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais, sem conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos, com o único fito de arrancar-lhes, pela fadiga, o assentimento às medidas que lhe conviessem.
Dissolveu Câmaras de Representantes repetidamente porque se opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo.
Recusou por muito tempo, depois de tais dissoluções, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando durante esse tempo o Estado exposto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna.
Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras.
Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários.
Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários.
Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância.
Manteve entre nós, em tempo de paz, exércitos permanentes sem o consentimento dos nossos corpos legislativos.
Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior.
Combinou com outros sujeitar-nos a uma jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida pelas nossas leis, dando assentimento aos seus actos de pretensa legislação:
para aquartelar grandes corpos de tropas entre nós;
para protegê-las por meio de julgamentos simulados, de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados;
para fazer cessar o nosso comércio com todas as partes do mundo;
por lançar impostos sem nosso consentimento;
por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios do julgamento pelo júri;
por transportar-nos por mar para julgamento por pretensas ofensas;
por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha, aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando-lhe os limites, de sorte a torná-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colónias;
por tirar-nos nossas cartas, abolindo as nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma do nosso governo;
por suspender os nossos corpos legislativos, declarando-se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos.
Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua protecção e fazendo-nos guerra.
Saqueou os nossos mares, devastou as nossas costas, incendiou as nossas cidades e destruiu a vida do nosso povo.
Está, agora mesmo, a transportar grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra de morte, desolação e tirania, já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada.
Obrigou os nossos concidadãos aprisionados no mar alto a tomarem armas contra a própria pátria, para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem em suas mãos.
Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições.
Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes; responderam a nossas petições apenas com repetido agravo. Um príncipe cujo carácter se assinala deste modo por todos os actos capazes de definir um tirano não está em condições de governar um povo livre.
Tão-pouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos. De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós uma jurisdição insustentável. Lembramos-lhes das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui. Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade, e conjuramo-los, pelos laços de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpações que interromperiam, inevitavelmente, nossas ligações e a nossa correspondência. Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consanguinidade. Temos, portanto de aceitar a necessidade de denunciar nossa separação e considerá-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.
Nós, por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela rectidão das nossas intenções, em nome e por autoridade do bom povo destas colónias, publicamos e declaramos solenemente: que estas colónias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes; que estão desobrigados de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar a guerra, concluir a paz, contrair alianças, estabelecer comércio e praticar todos os actos e acções a que têm direito os estados independentes. E em apoio desta declaração, plenos de firme confiança na protecção da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.
John Hancock.
| GEORGIA | Button Gwinnett, Lyman Hall, Geo. Walton. |
| CAROLINA DO NORTE | Wm. Hooper, Joseph Hewes, John Penn |
| CAROLINA DO SUL | Edward Rutledge, Thos Heyward, junr., Thomas Lynch, junr., Arthur Middleton |
| MARYLAND | Samuel Chase, Wm. Paca, Thos. Stone, Charles Carroll, of Carrollton |
| VIRGINIA | George Wythe, Richard Henry Lee, Ths. Jefferson, Benja. Harrison, Thos. Nelson, jr., Francis Lightfoot Lee, Carter Braxton |
| PENNSYLVANIA | Robt. Morris, Benjamin Rush, Benja. Franklin, John Morton, Geo. Clymer, Jas. Smith, Geo. Taylor, James Wilson, Geo. Ross |
| DELAWARE | Caesar Rodney, Geo. Read |
| NOVA IORQUE | Wm. Floyd, Phil. Livingston, Frank Lewis, Lewis Morris |
| NOVA JERSEY | Richd. Stockton, Jno. Witherspoon, Fras. Hopkinson, John Hart, Abra. Clark |
| NOVO HAMPSHIRE | Josiah Bartlett, Wm. Whipple, Matthew Thornton |
| BAÍA DE MASSACHUSETTS | Saml. Adams, John Adams, Robt. Treat Paine, Elbridge Gerry |
| RHODE-ISLAND E PROVIDENCE | C. Step. Hopkins, William Ellery |
| CONNECTICUT | Roger Sherman, Saml. Huntington, Wm. Williams, Oliver Wolcott |
A declaração apresentava as reclamações das autoridades coloniais, representadas pelos delegados do Segundo Congresso Continental, que por sua vez, representavam os cidadãos das Treze Colônias. O documento também defendia ideias de liberdade, igualdade, justiça, democracia, além de condenar o autoritarismo, a opressão e a exploração colonial. Diante de tal contexto, as colônias decidiram se unir e formarem um país chamado Estados Unidos da América, o qual naquele momento anunciava ao rei George III e o Parlamento britânico, que os dois não possuíam mais autoridade sobre aquelas terras, pois se tratava de um novo país, o qual estava lutando para ser firmar. (ARMITAGE, 2007).
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| Cópia de 1823 da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. |
Considerações finais: a guerra de revolução
A partir de 6 de julho de 1776 a Declaração de Independência dos EUA começou a ser publicamente divulgada no jornal The Pensylvania Evening Post, posteriormente houve leituras públicas em praças a partir do dia 8 de julho. Nas semanas seguintes outros jornais passaram a noticiar o ocorrido. As autoridades inglesas nas colônias tomaram aquilo como ato de traição. Correspondência foi enviada para a Inglaterra, notificando o rei e o parlamento, que também viram aquilo como um ultraje, petulância e crime de lesa-pátria. (ARMITAGE, 2007).
Isso intensificou a animosidade dos ingleses, levando a iniciar a guerra de independência ou guerra revolucionária, que se estenderia até 1781. Quando a Inglaterra finalmente decidiu encerrar o conflito e reconhecer definitivamente a independência americana.
Thomas Jefferson foi enviado como embaixador para a Europa, para fazer acordos e ganhar apoio de outras nações para reconhecer os EUA. Ele e Benjamin Franklin visitaram a França, antes da eclosão da Revolução Francesa (1789-1799), a qual foi influenciada pela Revolução Americana (1775-1781). E ironicamente Jefferson e Franklin foram buscar apoio do rei Luís XVI, não de incentivar a revolução ali. (ARMITAGE, 2007).
Ademais, a declaração de independência se tornou não apenas o marco histórico de fundação dos Estados Unidos, mas também inspirou outros movimentos e revoluções pelo mundo.
NOTA: Alguns dos Pais Fundadores se tornaram políticos, agindo como governadores ou prefeitos logo após a formação dos EUA.
NOTA 2: George Washington se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos, governando de 1789 a 1797, sendo sucedido por John Addams, que governou de 1797 a 1801, sendo sucedido por Thomas Jefferson, cujo mandato foi de 1801 a 1809.
NOTA 3: A cópia mais importante da declaração de independência está guardada no Museu dos Arquivos Nacionais, em Washington D.C., estando aberta a visitação pública.
NOTA 4: O jogo Assassin's Creed III (2012) mostra vários momentos do processo de independência dos Estados Unidos.
Referências bibliográficas
ANDERSON, Fred. The War that Made America: A Short History of the French and Indian War. New York: Viking, 2005.
ARMITAGE, David. The Declaration Of Independence: A Global History. Cambridge, Harvard University Press, 2007.
BOATNER, Mark. The Encyclopedia of the American Revolution. Mechanicsburg, David McKay Co, 1994.
CHAFFIN, Robert J. The Townshend Acts of 1767. William and Mary Quarterly: A Magazine of Early American History, v. 27, n. 1, 1970, p. 90–121.
CHITWOOD, Oliver. A history of Colonial America. New York, Harper, 1961.
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