sábado, 14 de fevereiro de 2026

Profissões e ofícios que deixaram de existir ou estão em risco de sumir

Acendedor de poste - extinto

Nas cidades ocidentais que começaram a ter iluminação pública à base de óleo ou gás, os acendedores de poste (ou acendedor de lampião), eram os homens encarregados de percorrerem as ruas da cidade ao entardecer para ligar os postes. Havia vários deles, os quais eram responsáveis por quadras e bairros, os quais diariamente saíam de seus lares carregando varas longas contendo um archote na ponta para acender os postes. No dia seguinte eles também eram incumbidos de apagar os postes que permaneciam acesos para não gastar o combustível. A profissão existiu principalmente durante a Idade Moderna até o começo do século XX, mas prática similar dos acendedores de tochas já existia antes. 

Arqueiro militar - extinto

Ainda hoje existem arqueiros que atuam na caça e no esporte, mas no sentido militar, como um guerreiro especializado no manejo do arco e flecha, que atua numa força militar, tal cargo foi abolido há séculos. Os arqueiros militares surgiram ainda na Antiguidade em época desconhecida, quando homens armados com arcos passaram a compor o exército de um senhor ou povo. Assim, por milênios arqueiros existiram entre diferentes povos do mundo. A partir do século XVI o cargo de arqueiro militar começou a declinar a medida que as armas de fogo como mosquetes, arcabuzes, pistolas, rifles etc., se tornavam cada vez mais comuns nos exércitos. Por outro lado, povos que não tinham acesso a tais armas de fogo, ainda mantiveram até fins do século XIX, a presença de arqueiros em seus exércitos, antes de serem totalmente substituídos pela infantaria armada com armas de fogo. 

Arpoador - em risco

O arpoador é o profissional responsável por manusear o arpão durante a caça da baleia e de outros mamíferos marítimos. Essa profissão existe há milênios, somente no final do século XIX começou a se modernizar, quando o arpão tradicional foi trocado pelo lança-arpão. Atualmente somente três países mantêm legalmente a caça à baleia: Japão, Islândia e Noruega. Nesses países ainda existem arpoadores ativos. 

Ascensorista - em risco

Trata-se do profissional encarregado de operar o elevador, algo comum em edifícios comerciais, condomínios de luxo e hotéis. A profissão se desenvolveu principalmente entre 1900 a 1960, quando entrou em declínio. Embora não foi totalmente extinta, sendo rara hoje em dia. O ascensorista era responsável por não apenas escolher os andares solicitados, mas também manter a ordem no elevador e fornecer informações. Logo, tais homens e mulheres no caso de prédios comerciais, deveriam conhecer onde ficavam as principais lojas e escritórios para informar aos clientes. Atualmente esse ofício é raro, embora alguns edifícios comerciais e hotéis de luxo o mantenham. 

Atores do rádio - extinto

Até meados do século XX - em alguns países isso perdurou até a década de 1970 - ainda existiram atores e atrizes que participavam das radionovelas, populares no Ocidente entre as décadas de 1920 e 1940. Tais pessoas com o declínio das radionovelas, as quais foram substituídas pelas telenovelas e seriados, ou tiveram que migrar para a televisão, ou foram para outros cargos no rádio, ou até seguiram para o teatro e o cinema. 

Bailio - extinto

Consistiu num cargo administrativo surgido no século XIII em países como França e Inglaterra. O bailio era um funcionário designado para administrar um bailiado, território que poderia incorporar vilas, vilarejos, fazendas, feudos etc. O bailio era encarregado de cobrar os impostos, fazer a contabilidade, presidir casos de justiça, despachar ordens e autorizações. Com o declínio do sistema feudal na Europa Ocidental no século XV, o cargo de bailio foi sendo abandonado e substituído por outras funções. 

Baleeiro - em risco

O termo designa a embarcação que atua na caça à baleia, mas também no ofício de caçadores de baleias. No caso, baleeiros existem há bastante tempo, mas a profissão se tornou mais recorrente e reconhecida ao longo da Idade Moderna, se consolidando no século XIX, tido como auge da caça à baleia. Os baleeiros realizavam distintos afazeres de bordo como marinheiros comuns, a diferença é que eles eram instruídos no processo de caça às baleias, que incluía afazeres específicos para persegui-las, abatê-las, rebocá-las, destrinchá-las, armazenar a carne, ossos e óleo. A caça à baleira foi comum até 1986, quando foi proibida em quase todo o mundo. Atualmente somente o Japão, Islândia e Noruega mantém a legalidade dessa prática, embora em outros lugares a caça ocorra de forma ilegal. 

Bandeirante - extinto

Durante o Brasil colonial os bandeirantes eram homens que atuavam como exploradores, caçadores de indígenas e escravos foragidos, guia, escolta e milícia. Os bandeirantes exploraram os territórios do Sudeste, Sul e Centro-Oeste atrás de minas de ouro, prata, esmeraldas e diamantes, também iam caçar indígenas para escravizá-los e vendê-los; iam atrás de escravos fugitivos para conseguir recompensas, mas também poderiam ser contratados para exterminar aldeias e quilombos. Alguns atuavam na escolta de mercadores e gente do governo, outros agiam como milicianos, participando de conflitos. Alguns bandeirantes também realizavam atos criminosos, atacando povoados, missões religiosas e cidades, pilhando, assassinando e estuprando. O ofício entrou em declínio no século XVII, sumindo no começo do XVIII. 

Bugreiro - extinto

Durante o século XIX no Brasil, surgiu o ofício do bugreiro, termo utilizado para designar caçadores de indígenas no sul do país. A palavra bugre era usada pejorativamente para se referir aos povos originários naquela parte do Brasil, especialmente os que viviam a margem do que era considerado como civilização. Assim, grupos armados foram formados para expulsar indígenas de suas terras ou exterminá-los. Além de caçar tais pessoas, os bugreiros também atuavam como seguranças de tropeiros, comerciantes, funcionários do governo que tinham que passar por territórios indígenas hostis. Os bugreiros existiram por quase um século, sendo tal atividade proibida no final do XIX. Essa prática também existiu em outros países americanos, com outros nomes. 

Caçador de bruxas - extinto

Durante o auge as caças às bruxas na Europa da Idade Moderna, surgiram homens que se diziam serem especialistas em identificar temidas mulheres, assim, eles eram referidos como caçadores de bruxas. Em meio a paranoia e histeria públicos em países como Inglaterra, Escócia, França e os Estados Alemães, caçadores de bruxa viajavam de cidade em cidade procurando pelas tais supostas bruxas, a fim de ganharem dinheiro e fama. Matthew Hopkins no século XVII, se tornou um famoso caçador de bruxas inglês, e segundo seus depoimentos, teria contribuído para caçar pelo menos 200 bruxas. Contudo, com o declínio da caça às bruxas no século XVIII, esse ofício foi gradativamente desaparecendo. 

Caçador de ratos - em risco

Apesar de haver empresas especializadas em combate de pragas, os caçadores de ratos são uma profissão que remonta os tempos antigos. Hoje coloca-se armadilhas com venenos, mas no passado, os caça-ratos montavam ratoeiras e gaiolas para capturar os animais. Eles inclusive também se enfurnavam em esgotos e locais abandonados para caçar os roedores. 

Capitão-mor/Capitão-general - extinto

Na Idade Média em territórios como Portugal e Espanha, o capitão-mor ou capitán mayor era uma patente que designava um comandante que comandava capitães, algo equivalente ao coronel. Por sua vez, em 1373, o rei D. Fernando I de Portugal criou o cargo de capitão-mor do mar, um cargo auxiliar do almirante de armada. No século XVI o capitão-mor (ou capitão-general como também passou a ser conhecido) não apenas tratava de assuntos militares, mas também políticos e administrativos, sendo designado para governar colônias, capitanias e outros territórios coloniais. No Brasil, o sistema de capitanias contou com o governo de capitães-mores até o começo do século XIX, quando a função entrou em declínio, sendo separada da sua função política. 

Cavaleiro militar - extinto

Por milênios cavaleiros foram uma força militar bastante poderosa e crucial em vários exércitos durante a Antiguidade e a Idade Média. Inclusive no período feudal europeu, o cavaleiro se tornou um título nobiliárquico e uma profissão honrada e prestigiada. A cavalaria começou a declinar a partir do século XVI, quando armas de fogo passaram a serem empregadas na guerra, contudo, até meados do século XX cavaleiros militares ainda foram usados em algumas batalhas, depois disso a cavalaria como força militar regular foi abandonada. Atualmente alguns países como o Reino Unido o cavaleiro existe como título nobiliárquico (chamado de Sir), por sua vez, alguns eventos e exércitos mantém cavaleiros para fins simbólicos e de celebração, em que tais homens participam de desfiles. 

Chapeleiro - em risco

Por milênios os chapeleiros foram responsáveis por produzirem diferentes tipos de chapéus, assim como, gorros e tocas, como também repará-los. A profissão começou a declinar na segunda metade do século XIX com a industrialização, a qual se intensificou no século seguinte, levando a profissão sumir de vários lugares, já que as pessoas não iam mais a esses artesãos, mas compravam seus chapéus, gorros, tocas, bonés, boinas etc., em lojas. Contudo, chapeleiros ainda existem, trabalhando sob demanda, produzindo chapéus para eventos, celebrações, coleções, produtos de luxo. 

Copista de livro/amanuense - extinto

Por séculos antes da difusão da prensa móvel a partir do século XV na Europa, livros eram produzidos manualmente. O copista era a pessoa (geralmente homens) encarregada de fazer uma cópia de um livro ou documentos. Tais pessoas deveriam ter uma caligrafia muito boa e as vezes até mesmo saber desenhas e pintar, quando as obras tinham ilustrações ou iluminuras. A depender do tamanho do livro, o copista poderia levar semanas ou meses para concluir uma cópia. Em alguns casos, vários copistas poderiam trabalhar conjuntamente, fazendo cópias de distintos capítulos, para depois as folhas serem reunidas e encadernadas. Mas com a difusão da prensa móvel ao longo da Idade Moderna, tal profissão se tornou obsoleta e desnecessária. 

Corsário - extinto

A prática do corso foi bastante polêmica, pois basicamente o corsário era um pirata legalizado. O ofício de corsário surgiu propriamente no século XVI, na Era as Grandes Navegações, quando países como Inglaterra, França, Portugal, Espanha, Itália e Rússia, passaram a expedir cartas de corso, documentos que autorizaram tripulações de determinados navios a poderem cometer atos de assalto e invasão a embarcações e territórios inimigos. Evidentemente que alguns corsários se valiam dessa autorização para poderem também sequestrar e pedir recompensas, extorquir, contrabandear e cometer outras práticas de pirataria. O uso das cartas de corso se manteve operante até o século XIX, quando foram proibidas. Assim, os corsários voltaram a serem tratados como piratas. 

Datilógrafo - extinto

Ao longo do século XIX inventores de distintos países criaram modelos de máquinas de escrever, contudo somente a partir de 1874 essas máquinas começaram a serem comercializadas, iniciativa realizada pela Remington Arms Company, nos Estados Unidos. Assim, com a comercialização das máquinas de escrever surgiu em seguida a profissão de datilógrafo, pessoa especializada em operar essas máquinas. A profissão inicialmente para homens, depois para mulheres, estendeu-se para vários países até o começo dos anos 1980, quando os computadores começaram a substituir essas máquinas e o datilógrafo foi substituído pelo digitador. Embora ainda existam algumas dessas máquinas operantes, a profissão de datilógrafo não é existe mais.


Despertador humano - extinto

Existiu em algumas cidades europeias e americanas, na Idade Moderna até o final do século XIX. Eram encarregados de sair logo cedo pelas ruas, indo de casa em casa, batendo nas portas, janelas e gritando para que as pessoas acordassem e não perdessem o horário de seus afazeres diários. 

Engraxate de sapato - em risco

Surgida no século XIX quando se popularizou no Ocidente o uso de sapatos de couro preto ou marrom, os engraxates começaram a surgir nas grandes cidades europeias e americanas, depois africanas e asiáticas para polir os sapatos. A profissão associada aos homens, incluía desde meninos a idosos que compartilhavam desse ofício. Até meados do século XX, engraxates era comuns em grandes cidades, depois disso a profissão começou a declinar, em parte porque os homens começaram a deixar de engraxar seus sapatos e botas, por outro lado, o tênis começou a se difundir a partir dos anos 1980. Atualmente em poucos países do mundo ainda existem engraxates ativos. 

Escriba - em risco

Os primeiros escribas surgiram na Suméria a quase 4 mil anos atrás, acompanhando o desenvolvimento a escrita cuneiforme. Os escribas eram funcionários do governo que reuniam em si distintas funções: redator, copista, secretário, técnico administrativo, tabelião, escrivão, arquivista, contador, escrevente público etc. Tratavam-se de homens letrados que foram surgindo entre outros povos que desenvolveram a escrita e administração pública. A profissão continuo normalmente até a Idade Moderna, quando começou a declinar à medida que suas várias atribuições foram sendo separadas e se tornando profissões independentes. Atualmente o cargo de escriba existe mais por tradição em alguns poucos países asiáticos como Índia, Iraque e Irã. 

Faroleiro - em risco

A profissão de faroleiro surgiu em data incerta na Antiguidade. Inicialmente eram homens responsáveis por acender a chama do farol e fazer a manutenção da torre. A prática se desenvolveu entre alguns povos que faziam uso de faróis, embora ela somente se difundiu mundialmente do século XIX com o emprego de lâmpadas nos faróis (inicialmente movidas a óleo e baleia, depois gás e posteriormente energia elétrica). A profissão de faroleiro começou a declinar em meados do século XX quando vários faróis começaram a serem automatizados, não requerendo a necessidade de um funcionário regularmente no local para acender e desligar a luz. Assim, o faroleiro passou a ser incumbido de realizar manutenção e reparos, seguindo sua agenda de visitas ao local. Embora que existam faróis mais isolados, os quais requerem a presença regular de faroleiros lá. 

Ferreiro - em risco

Por milênios existe a profissão de ferreiro, ofício tradicionalmente associado aos homens, em que se produz distintos objetos, armas, utensílios e ferramentas de metal. Os ferreiros trabalham em forjas, locais que por muito tempo costumavam serem escuros, quentes e abafados, o que torna tal profissão desgastante. Com a expansão da industrialização no século XIX, fábricas para se produzir artigos de metal diversos foram sendo criadas, o que começou a tornar a profissão de ferreiro obsoleta e até extingui-la em várias partes do mundo. Atualmente a maioria dos ferreiros praticam essa profissão para manter a tradição da mesma, ou projetando objetos sob encomenda, ou instruindo suas técnicas para pesquisadores e recriacionistas. 

Foguista de navio - extinto

Os foguistas eram os encarregados de abastecer as caldeiras nos navios a vapor, controlando seu funcionamento. Era um trabalho árduo, perigoso e insalubre. Tal profissão surgiu no século XIX e se manteve por décadas operante, quando começou a entrar em declínio na década de 1950, quando tais embarcações se tornaram obsoletas, sendo substituídas por motores a diesel, assim, o uso de caldeiras deixou de ser necessário. Atualmente alguns poucos navios a vapor que continuam operantes, mantém foguistas apenas para demonstrar como era essa profissão. Por outro lado, locomotivas a vapor ainda utilizam foguistas de trem. 

Foqueiro - em risco

Trata-se do especialista em caçar focas. No caso, focas são caçadas desde os tempos antigos, porém, a profissão se difundiu bastante ao longo do século XIX e começo do XX. As focas eram cobiçadas sobretudo por suas peles, embora sua carne e gordura também fossem usadas. Navios-foqueiros podiam abater centenas de focas ao longo de sua jornada de trabalho que levava meses, já que normalmente esses animais habitam regiões no extremo norte ou extremo sul. Na segunda metade do século XX a caça às focas começou a ser proibida em vários países, embora atualmente nações como Canadá, Dinamarca e Islândia, são algumas onde ainda existem foqueiros. 

Gladiador - extinto

Os gladiadores foram lutadores profissionais que atuavam nos jogos de gladiadores, realizados nas arenas e outras localidades, durante a Roma Antiga, os quais existiram entre os séculos III a.C. e V d.C., totalizando mais de mil anos de atividades nas arenas, apesar que os jogos chegaram a serem suspensos por algum tempo e tenham perdido a popularidade após o século I d.C. Ainda assim, os gladiadores foram lutadores livres ou escravizados, os quais ficavam alojados num ludus (escola de gladiadores), onde eram patrocinados e treinados por lanistas para o combate. Alguns gladiadores populares conseguiam fazer relativo dinheiro e até conquistar a liberdade.


Grumete - extinto

Consistia no ajudante de bordo, geralmente meninos a partir de seus oito anos começavam nesse cargo durante a Idade Moderna, passando os anos seguintes aprendendo outros ofícios em um navio. A prática do grumete se manteve até o começo do século XX, quando se proibiu o emprego de crianças e adolescentes. Em alguns países o termo grumete ainda é empregado para se referir a oficiais novatos ou de baixa patente. 

Inquisidor - extinto

A Inquisição surgiu em 1184 para combater a heresia dos Cátaros no sul da França. Naquele tempo ainda não existiam inquisidores, cabendo aos bispos, padres e funcionários do governo, serem delegados para julgar os casos de heresia. Vários anos depois em 1231 o papa Gregório IX criou o cargo de inquisidor, passando a designar homens especializados em direito canônico e teologia para atuarem nesse cargo, geralmente provenientes das ordens medicantes como os Dominicanos e Franciscanos. À medida que as inquisições foram se fortalecendo, manuais para instruir tais juízes especiais, foram redigidos, além de normas para sua nomeação e atribuições. Os inquisidores seguiram existindo até o século XIX, quando as grandes inquisições de Portugal, Espanha e Itália foram encerradas. 

Lanceiro/piqueiro/alabardeiro - extinto

Os lanceiros surgiram ainda na Pré-história junto aos arqueiros, se tornando os primeiros guerreiros regulares das forças militares do período. Ao longo de milênios os tipos de lanças mudaram, surgindo variações na terminologia desses guerreiros, como o piqueiro, armado com piques e o alabardeiro armado com alabardas, além de outros exemplos. Essencialmente tratava-se de um guerreiro armado com uma arma de haste de madeira longa, cuja uma das pontas apresenta uma lâmina afiada, inicialmente e pedra, depois de metal. Muitos exércitos no mundo mantiveram lanceiros como força padrão, algo que começou a entrar em declínio na Idade Moderna, quando lanças, espadas e arcos começaram a serem gradativamente substituídos por armas de fogo. Apesar disso, lanceiros ainda foram empregados na guerra até as primeiras décadas do século XX. 

Lanista - extinto

O termo referia-se ao proprietário e/ou treinador de gladiadores, o qual poderia ser o dono de um ludu (escola de gladiadores). Geralmente os lanistas eram homens com dinheiro, pois compravam prisioneiros ou escravos para serem treinados como gladiadores. Alguns também aceitavam homens livres que se voluntariavam para lutar. Os lanistas além de treinar os gladiadores, também ajudavam na promoção do esporte, investindo nos espetáculos ou alugando seus lutadores para os jogos nas arenas ou combates travados em outras localidades. 

Lanterninha - em risco

Os lanterninhas são profissionais que trabalhavam nos grandes cinemas incumbidos de auxiliar os espectadores e manter a ordem e segurança no local. A profissão surgiu no começo do século XX com a popularização do cinema nos Estados Unidos e na Europa, depois indo para outros países. O lanterninha eram geralmente homens jovens ou mais velhos (alguns cinemas contratavam mulheres também), que usavam uniforme, e uma lanterna para orientar e fiscalizar os clientes, repreendendo os que faziam barulho e não se comportavam adequadamente. A profissão começou a declinar na década de 1990, quando desaparecendo totalmente, existindo atualmente em poucos cinemas do mundo, os quais ainda prezam pela tradição, geralmente salas de cinemas de rua, já que nas salas de cinemas em shoppings, praticamente essa profissão não existe mais. 


Leiteiro - em risco

A profissão de leiteiro atualmente ainda existe em alguns países, mas é rara. Contudo por séculos ela foi comum na Europa, em alguns países americanos e na Ásia. Os leiteiros eram os encarregados de coletar o leite e distribuí-lo na comunidade, inicialmente povoados, vilarejos e vilas, depois nas cidades. A profissão foi intensificada com a criação do carro do leite no final do século XIX, posteriormente com a garrafa de vidro, que ajudou a melhorar a mobilidade e o transporte do produto nas cidades maiores. 

Link-boy - extinto

Consistia num ofício irregular surgido na Inglaterra nas grandes cidades, existente entre os séculos XVII e XIX, em que adolescentes usando tochas ou candeeiros, guiavam pedestres à noite por alguns trocados. Tais garotos para conseguirem algumas moedas se ofereciam para acompanhar as pessoas pelas ruas, numa época em que as vias não contavam com iluminação pública ou essa ainda era escassa. No caso dos ricos, esses faziam uso de seus próprios servos ou escravos, mas os pobres recorriam aos link-boys. 

Mandarim - extinto

Os mandarins originalmente surgiram no começo do século VII d.C. como conselheiros e secretários de nobres, advindos da aristocracia ou nobreza, contudo, por volta do século X, os mandarins se tornaram funcionários públicos, havendo concurso para serem nomeados. Nos séculos seguintes surgiram vários graus e funções distintas para os mandarins, os quais realizavam atividades administrativas, fiscais, jurídicas, políticas e militares. A classe de funcionários dos mandarins foi bastante respeitada e tais cargos eram cobiçados, pois era caminho para a aristocracia e a nobreza, reunindo milhares de candidatos a cada concurso. Essa profissão foi somente extinta em 1905, diante da crise da monarquia chinesa e as mudanças culturais e sociais empregadas no país. 

Mercador de escravos - extinto

Por milênios vendedores/mercadores/comerciantes de escravos existiram em algumas partes do mundo, já que nem sempre escravos eram comprados, mas capturados e trocados. Contudo, entre os povos que praticavam o comércio escravocrata, a presença dessas pessoas foi regular. A profissão de mercador de escravos entrou em declínio na segunda metade do século XIX, embora somente desapareceu no século XX, quando a escravidão foi mundialmente proibida. Embora hoje exista de forma ilegal através do tráfico humano, mas não se trata de uma profissão, mas de um crime. 

Mestre do açúcar - em risco

Tratou-se de uma profissão surgida em algum momento da Idade Média, mas que se desenvolveu com a expansão do mercado de açúcar ao longo da Idade Moderna. O mestre do açúcar era o profissional que atuava em engenhos, sendo responsável pelo preparo do açúcar. O mesmo era incumbido por supervisionar e atuar em quase todas as etapas da produção açucareira, desde a seleção da cana até a abertura do pão de açúcar, para extração do açúcar, sua verificação, pesagem e encaixotamento. Ao mestre de açúcar cabia a responsabilidade pela qualidade do produto e evitar a perda do mesmo durante o processo. O mestre de açúcar era auxiliado por outras profissões como o soto-mestre, o banqueiro e o soto-banqueiro, os quais o acompanhavam durante a produção de açúcar, supervisionando os trabalhadores livres e escravizados nas distintas etapas, já que os engenhos produziam açúcar ao longo de vários dias ou semanas, sendo um trabalho árduo e demorado. A profissão de mestre de açúcar começou a declinar no final do século XIX, quando os engenhos foram sendo substituídos pelas usinas que passaram a tornar o processo mais industrializado. Contudo, ainda hoje existem engenhos que operam de forma artesanal, especialmente para produzir rapadura, melaço e mel de engenho, nos quais atuam mestres do açúcar. 

Ninja/shinobi - extinto

Os ninjas ou shinobis, como mais conhecidos no Japão, eram espiões e sabotadores que atuaram principalmente entre os séculos XV e XVII, na época do Período Sengoku (1467-1603), tempo das guerras feudais. Tais homens diferente do que a cultura popular difundiu, atuavam muito mais disfarçados do que usando trajes pretos. Os shinobis também poderiam atuar como mercenários e assassinos, mas essencialmente eram espiões treinados em diferentes táticas de infiltração e sabotagem. Com o declínio das guerras feudais com o estabelecimento do Xogunato Tokugawa (1603-1868), os shinobis foram substituídos por espiões comuns, que não necessariamente tinham treinamento tático diferenciado, tampouco pertenciam a clãs. Um dos legados dos ninjas é o ninjutsu, uma arte marcial ainda hoje praticada em alguns países. 

Operador de mimeógrafo - extinto

Em 1876 Thomas Edison patenteou uma patente do mimeógrafo, mas a máquina somente começou a ser comercializada na década de 1880. Por ser algo complicado de operar, surgiu a profissão de operador de mimeógrafo, que vigorou por um século, quando o computador começou a desbancar a necessidade do uso desse aparelho. Embora mimeógrafos ainda existam em alguns arquivos, bibliotecas, museus etc., o operador de mimeógrafo deixou de existir, pois não há mais necessidade de se produzir tal suporte, apenas realizar sua leitura nos aparelhos, que é um processo mais fácil. 

Samurai - extinto

Os samurais surgiram no século X como uma força miliciana, recrutada por daimiôs (senhores feudais) para auxiliar em conflitos. Contudo, com o desenvolvimento do xogunato no final do século XII, os samurais passaram a serem uma força militar profissional e especializada. A depender da época, o samurai recebia treinamento em distintas armas como espada, lança, arco e flecha, arma de fogo. Ao longo dos séculos XIV e XVI, os samurais também se tornaram uma classe social e funcionários públicos no xogunato e até assumiam outros cargos também. Vale ressalvar que havia samurais de origem nobre e plebeia. No entanto, entre os anos de 1868 e 1877, já na época inicial do Período Meiji, os samurais foram perdendo seus direitos, privilégios e importância. Deixaram de serem uma classe social, perdendo seus títulos e cargos, além de serem proibidos de portarem espadas. Em meio as políticas de modernização do Japão, o exército japonês foi reformado e os samurais deixaram de existir por representar uma tradição considerada obsoleta. 


Sapateiro - em risco

Antes da formação da indústria dos calçados no século XIX e sua consolidação no século XX, o ofício do sapateiro foi bastante comum entre várias épocas e lugares, pois apesar do nome sapateiro, esses artesãos também produziam sandálias, botas e outros calçados. No entanto, com a intensificação da indústria de calçados, os sapateiros foram perdendo cada vez mais espaço, se restringindo a reparadores de calçados na maioria das vezes. Embora existam sapateiros que trabalhem para atender nichos, produzindo peças sob encomenda, ou para coleções, eventos ou calçados de luxo. 


Senescal - extinto

Consistiu num cargo de origem medieval encontrado na França, Inglaterra e Alemanha, inicialmente equiparado ao do mordomo, assim, o senescal era o homem incumbido de fiscalizar os funcionários de uma casa real, cumprindo com os afazeres domésticos diários e as ordens de seus patrões. Com o tempo suas funções foram se expandindo para fora do castelo, englobando feudos e distritos e mais tarde no começo da Idade Moderna, senescais eram responsáveis por administrar províncias pelo ponto de vista administrativo ou jurídico, em que atuavam como promotores ou juízes. A profissão acabou declinando na Idade Moderna, vindo a ser extinta. Embora que a Igreja Anglicana e a Igreja Católica ainda usem o termo para designar alguns de seus funcionários, mas com outras funções. 

Telefonista - extinto 

As telefonistas surgiram em 1878 quando foi criada a primeira central de telefonia do mundo, fundada em Connecticut, nos Estados Unidos. Na época para se realizar ligações entre cidades e estados havia a necessidade de uma operadora de telefone (a telefonista), receber as ligações e fazer a troca de cabos para conectar sua ligação ao ramal de distribuição ou outro centro de telefonia. Elas também poderiam passavar informações sobre serviços públicos e outras atividades para os usuários. A profissão praticamente exclusiva para mulheres, perdurou por um século, quando desapareceu na década de 1980, quando a automatização do sistema de telefonia foi efetivada. E vale frisar que a telefonista não deve ser confundida com a atendente de call center ou secretária. 


Telegrafista - em risco

O telégrafo foi criado em 1837 por Samuel Morse nos Estados Unidos, mas também por outros inventores britânicos. Somente a partir de 1844 linhas de telégrafo começaram a serem instaladas e se difundiram para outros países. O telégrafo foi bastante utilizado até meados do século XX, quando começou a perder espaço para o telefone, de operação mais fácil e rápida. Por sua vez, telegrafistas foram nas décadas seguintes perdendo seus empregos, pois o telégrafo começou a cair em desuso. Atualmente em muitos países o telégrafo não é mais usado, havendo poucos telegrafistas trabalhando. 


Traficante de escravos - extinto

O traficante de escravos era uma profissão que existe desde os tempos antigos, associada com a captura, transporte e negociação de escravizados. Os traficantes costumavam serem fornecedores ou transportadores desses prisioneiros. Eles atuavam através de rotas terrestres e marítimas. Entre os séculos XVI e XIX traficantes de escravos se multiplicaram por conta do tráfico negreiro da África para as Américas, estimando-se entorno de 10 milhões de africanos que foram levados cativos para o Novo Mundo. Contudo, com a proibição mundial no século XX, o traficante de escravo deixou de ser uma profissão oficial e se tornou uma prática criminosa. 


Links relacionados

Nenhum comentário:

Postar um comentário