As histórias em quadrinhos são considerados por algum como uma expressão artística, consistindo na chamada Nona Arte, tratando-se de uma arte híbrida, a qual combina o visual e o textual, por conta disso, os quadrinhos conseguem manifestar sua criatividade artística duplamente: seja pela construção narrativesca, quanto pelas ilustrações, o que as torna em narrativas gráficas.
Conceito
O conceito mais simples de história em quadrinhos consiste em uma produção apresentada em formato de retrato (vertical) ou de paisagem (horizontal), o qual contenha um desenho, pintura, ilustração etc., acompanhado de pelo menos um texto escrito, o qual pode aparecer dentro de caixas, balões de fala, ou estar inserido em outros lugares da página. Contudo, as formas de se fazer isso mudaram ao longo do tempo, gerando inclusive distintos estilos de quadrinhos, além de suas temáticas e público-alvo.
A ideia de que histórias em quadrinhos sejam uma produção voltada apenas para crianças e adolescentes é errônea. Os primeiros quadrinhos que se popularizaram eram dirigidos ao público adulto, abordando temas do cotidiano, fazendo paródias e críticas satíricas a políticos e problemas sociais da época.
"Nos Estados Unidos, o nome comic strips (tiras cômicas) está muito vinculado com o conteúdo, isto é, no início de sua popularização, as histórias tinham um caráter predominantemente humorístico e caricaturesco. Apesar das novas modalidades surgidas posteriormente, este nome continua até hoje: comic strips, comics, comix ou funnies (engraçados) — como designado geral em países de língua inglesa. Para as revistas, adota-se o termo comic books". (BIBE-LUYTEN, 1985, p. 8).
"Na França chama-se bandes dessinées, ou seja, bandas (tiras) desenhadas. Mas, na Itália, o nome derivou-se daquilo que é mais característico nos quadrinhos: fumetti — fumacinhas, os balõezinhos que saem da boca dos personagens, indicando sua tala". (BIBE-LUYTEN, 1985, p. 8).
"Na Espanha e no Brasil, ocorreu algo em comum quanto ao nome popular de revistas em quadrinhos. Uma revista infantil espanhola (que iniciou-se em 1917), chamada T.B.O., ficou tão conhecida e famosa que seu nome ampliou-se até abranger todas as publicações de características semelhantes. Hoje em dia, na Espanha, a palavra "tabeó" é equivalente à palavra brasileira 'gibi'." (BIBE-LUYTEN, 1985, p. 8).
As histórias em quadrinhos possuem distintos formatos:
- Tirinhas: consistem apenas em uma tirinha com três ou cinco quadros, os quais apresentam uma sequência narrativesca curta, sendo esse formato bastante comum em jornais antigamente. Consistem geralmente em narrativas simples e voltadas para o humor, alguns exemplos famosos são Peanuts (1950), Mafalda (1963), Hagar, o Horrível (1973) e Garfield (1978).
- Revista: geralmente eram produzidas em papel barato (ainda hoje os mangás seguem essa prática), tendo impressão de baixa qualidade, podendo ter uma história narrada em poucas páginas ou dividida em vários volumes. Narrativas de super-heróis costumam seguir esse padrão, estendendo as tramas ao longo de décadas, criando-se arcos e sagas.
- Álbum: são revistas com mais qualidade no material, esse formato é comumente usado na Europa, trazendo narrativas que oscilam entre 50 a 100 páginas, as quais compõem uma série que nem sempre as narrativas sejam diretamente conectadas, alguns exemplos famosos são Tintim (1929), Asterix (1959) e Corto Maltese (1967). No Brasil, algumas editoras vêm adotando esse formato.
- Graphic novel: tratam-se de revistas com melhor acabamento, possuindo artes mais elaboradas e conceituais, podendo ter formato maior e serem encadernadas com capa dura; há também edições de luxo. Tais revistas apresentam narrativas que oscilam entre 100 a 400 páginas, podendo conter narrativas fechadas ou serem compilados de volumes menores publicados ao longo dos anos. Alguns exemplos notórios são Maus (1980-1991), V de Vingança (1982-1983/1988-1989) e Watchmen (1986-1987). Essas revistas foram publicadas de forma seriada, mas depois reunidas em volumes únicos.
- Webcomic: são quadrinhos veiculados digitalmente através de sites, blogs, canais, rede sociais etc. Tal forma de publicação é geralmente buscada por autores independentes que não conseguem publicar seu trabalho por editoras, assim buscam lançar edições por conta própria; por outro lado, alguns autores consagrados, recorrem aos webcomics, valendo-se de pseudônimos para publicar narrativas experimentais ou diferentes das temáticas que normalmente abordam, evitando serem criticados por conta disso.
Origem no século XIX
Alguns autores trabalham com a ideia de que o ancestral das histórias em quadrinhos remontaria a arte rupestre na Pré-história, particularmente discordo plenamente disso. Tais pessoas defendem que aquelas pinturas já contavam uma narrativa, e o fato e histórias em quadrinhos serem uma narrativa gráfica, logo a arte rupestre seria seu ancestral. Ademais, os defensores desse argumento sugerem que na Idade Antiga, Medieval e Moderna também conteríamos exemplares de "histórias em quadrinhos". Mas isso é uma afirmação bastante fraca.
Histórias em quadrinhos são uma combinação de texto visual e escrito, havendo um formato para serem definidas (publicação em formato vertical ou horizontal, contendo quadros ou painéis, que demarcam uma sequência de acontecimentos, possuindo texto dentro de balões ou outros espaços, além de poder fazer uso de metalinguagem e onomatopeias), assim como, temáticas pelas quais são reconhecidas, além dos meios que são comercializadas.
Sendo assim, a origem propriamente das hqs surgiu no século XIX baseada no desenvolvimento de ilustrações publicadas em jornais e revistas, os quais contavam inclusive com traços cartunescos e de caricatura. Dessa forma, o ancestral propriamente da história em quadrinhos foi a narrativa Historie de Monsieur Jabot (1833) do ilustrador e escritor suíço Rudolf Töpffer (1799-1846), publicado em formato de livro ilustrado, o qual narra a história do personagem título em seu cotidiano. A obra apresenta traços cartunescos, tom satírico e está dividida em quadrinhos contendo texto no rodapé dos mesmos. (KUNZLE, 2007).
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| Uma página da história em quadrinhos Historie de Monsieur Jabot (1833). |
Após a publicação de Töpffer outros ilustradores e escritores europeus começaram a publicar livros ilustrados (não existia o termo quadrinhos na época ainda), porém, uma mudança significativa começou na década de 1840, quando começaram a surgir revistas satíricas que publicavam ilustrações engraçadas chamadas de cartoons, além de caricaturas e charges. A revista Punch (1841-1992/1996-2002) lançada no Reino Unido, foi a primeira revista desse estilo a se popularizar, influenciado a origem de várias outras, as quais popularmente ficaram conhecidas como "revistas punch". (CLARK & CLARK, 1991).
No caso, é preciso salientar que a Punch não necessariamente publicava histórias em quadrinhos, mas era mais focada em cartuns, caricaturas e charges políticas e sociais. Eventualmente algumas edições traziam quadrinhos. Contudo, uma revista desse estilo que passou a publicar tirinhas foi a Judy (1867-1907), um periódico satírico inglês, que eventualmente passou a publicar as tirinhas de Ally Sloper (1867), um atrapalhado e azarado trabalhador inglês. O personagem foi criado por Charles H. Ross e Émile de Tessier, mais tarde sendo desenhado e escrito por outros autores em outras revistas e jornais.
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| Uma página da tirinha de Aly Sloper de 1867. |
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| Página de capa de uma edição da Comic Cuts. |
Por sua vez, nos Estados Unidos, algumas tirinhas começaram a ganhar destaque no país. Uma delas foi The Little Bears (1893-1897) do cartunista Jimmy Swinnerton, publicadas no jornal The San Francisco Examiner. Sua tirinha foi uma das primeiras a fazer uso de personagens animais, já que normalmente utilizava-se apenas humanos.
O personagem chamado Mickey Dugan era um dos personagens das tirinhas Hogan's Alley (Beco do Hogan), tratando-se de um menino careca com traços chineses, que andava descalço, sendo morador de rua e usando uma túnica amarela. Quando a tirinha passou a ser impressa colorida no jornal, o personagem passou a ser popularmente chamado de "criança amarela" (yellow kid). Não obstante, Outcault criou o personagem como uma mistura de sátira e crítica social, já que a Nova York do final do século XIX, era uma das maiores cidades do mundo, contendo muitos moradores de ruas, pobres e imigrantes. Mickey Dugan em sua ingenuidade representava as crianças miseráveis da época. (CHUTE & DEVOKEN, 2012).
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| Compilado do quadrinho The Yellow Kid em edição de 1897. |
O surgimento dos super-heróis nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos a história das histórias em quadrinhos costuma ser dividia em eras, sendo elas: Platina, Ouro, Prata, Bronze e Moderna. Cada um desses períodos tiveram algumas características específicas quanto a popularização de temas, censura, influências históricas e impacto cultural.
Sendo assim, o primeiro período é designado de Era de Platina (1890-1937) que consistiu na época de estabelecimento das histórias em quadrinhos nos EUA, sendo marcada principalmente pela tirinhas em jornais com um tom cômico, histórias simples e curtas. Porém, essas produções não costumavam ter um herói propriamente, apenas o protagonista ou protagonistas. (CLARK & CLARK, 1991).
A presença de heróis era mais comum em outro gênero literário, as chamadas revistas pulp, os quais eram periódicos mensais que publicavam coletâneas de contos ou novelas divididas por capítulos. Essas revistas as vezes continham apenas uma ilustração de capa para cada conto, sendo produzidas com papel barato. Não obstantes, esses periódicos que se tornaram bastante populares nos Estados Unidos entre 1900 e 1940, costumavam publicar narrativas de aventura, ficção científica, fantasia e terror. (SMITH, 2012).
Dessa forma, foram nas páginas das revistas pulp que os primeiros heróis do século XX da literatura estadunidense começaram a surgir como Tarzan (1912), John Carter (1912), Zorro (1919), Kull da Atlântida (1929), O Sombra (1930), Conan, o Bárbaro (1932), Doc Savage (1933), somente para citar alguns dos mais famosos que surgiram nessas revistas. (SMITH, 2012).
Porém, quando surgiram os heróis dos quadrinhos?
Esses começaram a aparecer no final da década de 1920, estrelando nomes como Buck Rogers (1928), um veterano da Primeira Guerra Mundial que ao inalar um misterioso gás, ficou cinco séculos em hibernação, despertando no século XXV, num mundo futurista com presença extraterrestre. O personagem foi criado por Philip Francis Nowlan para a revista pulp Amazing Stories, porém, o personagem rapidamente ficou popular e passou a ter narrativas publicadas em tirinhas de jornal já em 1929. (SMITH, 2012).
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| Uma tirinha de Buck Rogers datada de 1929. |
Por sua vez, o escritor Lee Falk criou dois personagens de quadrinhos famosos: Mandrake, o Mágico (1934) e o Fantasma (1936), cujas narrativas também eram publicadas em jornais, os quais acrescentaram elementos importantes para os heróis de quadrinhos: poderes e identidade secreta. No caso de Mandrake, ele era um ilusionista que tinha poderes mágicos. Já o Fantasma usava um traje roxo e máscara para ocultar sua identidade, embora ele não tivesse poderes ou habilidades sobre-humanas. (CLARK & CLARK, 1991).
Apesar da popularidade de Buck Rogers, Popeye, Dick Tracey, Flash Gordon, Mandrake e Fantasma, nenhum desses personagens eram considerados super-heróis (não para os padrões da época), pois o conceito surgiu propriamente poucos anos depois na Action Comics #1 de 1938, quando surgiu o Superman, personagem concebido por Jerry Siegel e Joe Shuster, que nos apresentaram um homem forte vestido com um traje azul, cueca, botas e capa vermelha, tendo super-força e outros poderes, além de ter uma identidade secreta e para completar mais tarde revelado que se tratava de um extraterrestre. Assim, Superman se tornou referência para os super-heróis e sua aparição deu início a Era de Ouro (1938-1956) dos quadrinhos nos Estados Unidos. (CLARK & CLARK, 1991).
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| Capa da edição 1 da Action Comics de 1938, estrelando o Superman. |
Assim, os dois personagens da DC Comics se tornaram pioneiros dos super-heróis e abriram caminho para o surgimento de vários outros personagens em diferentes revistas de quadrinhos como Namor (1939), Tocha-Humana (1939), Capitão Marvel/Shazam (1939), Aquaman (1940), Flash (1940), Lanterna Verde (1940), Capitão América (1941), Mulher-Maravilha (1941). Tais personagens surgiram no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), representando ideais de justiça, coragem, honra, valor e até patriotismo, especialmente a figura do Capitão América que serviu de propaganda militar no período.
Dessa forma, na década de 1940 as revistas em quadrinhos finalmente se popularizaram nos Estados Unidos, embora que na Europa elas já existissem anteriormente, algo visto também no Japão. Por sua vez, o Brasil também viu a popularização dos quadrinhos por esse período, como será apresentado mais adiante.
Contudo, a Era de Ouro chegou ao fim com a aprovação da Comics Code Autorithy (CCA) aprovada por senadores conservadores sob alegação que as hqs eram uma má influência para a juventude, tornando-se em delinquentes. Os defensores do CCA alegavam que as hqs influenciavam a violência, o desrespeito, a vadiagem, a indisciplina, a imoralidade etc., por conta disso, um programa de forte censura foi aprovado pelo congresso para regulamentar o conteúdo dos quadrinhos nos Estados Unidos. (CLARK & CLARK, 1991).
Com a aplicação dessa censura, narrativas de terror e violentas passaram a serem censuradas bastantes. Além disso, referências ao homossexualismo, ao socialismo, ao comunismo e outras religiões que não fossem o cristianismo, também foram censurados. A censura também incidia em narrativas em que policiais, juízes e autoridades públicas fossem retratados de forma satírica ou fossem desrespeitados. Afrontas ao patriotismo americano e teor sexual também foram vetados. As editoras de quadrinhos formaram um sindicato para combater o CCA, mas acabou não dando certo e algumas editoras quase faliram por conta disso.
Esses tempos de forte censura na década de 1950 levou ao início a Era de Prata (1956-1970), período em que as editoras de hqs americanas tiveram que se reinventar para driblar a censura, mas também para resgatar a popularidade dessa literatura. Assim, a nova leva de super-heróis começaram a trazer novidades fosse em trabalhar em equipes como a Liga da Justiça (1960) e Os Jovens Titãs (1964), mas principalmente no surgimento de super-heróis com traumas, problemas sociais, inseguranças, os quais em alguns casos também sofriam preconceitos. (CLARK & CLARK, 1991).
Dessa forma, alguns heróis notórios desse período com tais características foram o Quarteto Fantástico (1961) com suas desavenças, Homem-Aranha (1962) com seus dilemas de adolescente, Hulk (1962) e seu temor em perder o controle diante da fúria, Thor (1962) e sua punição por ter se tornado arrogante, os X-Men (1963) que eram perseguidos e até odiados por serem mutantes, Homem de Ferro (1963) e seus problemas como o alcoolismo, Doutor Estranho (1963) e sua arrogância como neurocirurgião, Os Vingadores (1963) combinando uma equipe distinta e com seus dilemas, o Demolidor (1964) e suas crises existencialistas, o Surfista Prateado (1966) e seu dilema moral em servir Galactus, todos produzidos pela Marvel Comics (antiga Timely Comics), a qual despontava nos anos 60 como editora inovadora no mercado de quadrinhos americanos.
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| Alguns dos principais super-heróis da Marvel surgidos na Era de Prata. |
Alguns desses heróis do período também passaram a expressar questões sociais e culturais da época, como a luta por direitos políticos, o crescimento do movimento negro, da segunda onda do feminismo, o surgimento do movimento LGBT, entre outras pautas sociais vigentes. Assim, surgiram super-heróis como os X-Men que reuniam várias questões dessas e o Pantera Negra (1966), primeiro super-herói negro a ganhar destaque no período, inspirado no movimento dos Panteras Negras.
Na década de 1970 teve início a Era de Bronze (1970-1985) marcada por narrativas mais adultas, encarecimento na publicação dos quadrinhos e o enfraquecimento da CCA, permitindo o retorno de narrativas mais violentas e com temas mais pesados. Assim, antigos heróis continuaram a existir nessa nova fase dos quadrinhos americanos, enquanto outros surgiram como Monstro do Pântano (1971) Luke Cage (1972), Motoqueiro Fantasma (1972), Blade (1973), Justiceiro (1974), Wolverine (1974), Miss Marvel (1977), V de Vingança (1982).
Essa tendência de quadrinhos voltados mais para um público juvenil e adulto marcou o início da Era Moderna (1985-presente), em que tivemos o surgimento de narrativas mais violentas, sombrias, complexas, que aprofundavam em dilemas morais, dramas psicológicos, além da popularização dos álbuns, graphic novels e edições de luxo. É a época do surgimento de narrativas como Watchmen (1986-1987), Hellblazer (1988), Sandman (1989), Spawn (1992), Hellboy (1993), Witchblade (1995). Autores como Alan Moore, Neil Gaiman, Frank Miller, George Pérez, Mike Mignolla, se destacaram nos anos 80 e 90 por suas narrativas mais densas, sombrias e voltadas para um público mais velho. (CHUTE & DEVOKEN, 2012).
O surgimento dos mangás
A palavra mangá teria surgido no final do século XVIII, baseada na palavra chinesa manhua ("esboço improvisado"), porém, em japonês, mangá naquele momento significava "desenho engraçado". Entretanto somente anos depois que a palavra começou a ganhar destaque. No ano de 1814 o pintor e desenhista Katsushika Hokusai (1760-1849), o qual trabalhava com o estilo ukiyo-e (XVII-XIX), criou naquele ano uma série de ilustrações as quais ele chamou de Hokusai Mangá ("Desenhos engraçados de Hokusai"). Tais desenhos foram publicados ao longo de 12 volumes pelo autor, e outros 3 volumes foram publicados postumamente, consistindo em centenas de ilustrações. (PETERSEN, 2011).
A partir da popularização da Japan Punch (1862-1887), o estilo cartunesco britânico, a sátira e o uso de balões com textos, se difundiu, levando artistas japoneses a passarem a adotar aquele estilo artístico, chamando-o de ponchi-e (punch gravuras). Anos depois já na década de 1870, começaram a surgir tirinhas e quadrinhos de autores japoneses. Por exemplo, data de 1874 a publicação de Eshibum Nipponchi (The Illustrated Newspaper Japan), escrito por Kanagaki Robun e desenhado por Kawanabe Kyosai. Que consistia num jornal aos moldes do modelo inglês, mas que apresentavam em algumas páginas, charges ou tirinhas com histórias curtas. Tal produção teria sido uma das primeiras formas de mangá propriamente falando, sendo o mangá usado para um viés cômico. Lembrando que em outros países as histórias em quadrinhos também tiveram início a partir das charges e tirinhas em jornais ou revistas, antes de se tornarem um gênero literário próprio. (PETERSEN, 2011).
Entre as décadas de 1900 e 1940 os mangás se estabeleceram definitivamente, mas conservando muitos traços do estilo inglês, francês e americano, inclusive algumas narrativas eram até cópias de histórias desses países. Além disso, as revistas de mangá possuíam poucas páginas, trazendo narrativas curtas que terminavam na mesma edição, além de serem geralmente coloridas.
Ademais, alguns dos personagens famosos desse período, eram animais falantes como Norakuro (1931), criado por Suiho Tagawa e publicado na revista de mangá Shonen Kurabu. O personagem era um gato preto inspirado no Gato Félix, assim, tratava-se de uma narrativa infantil cômica, apesar de que em algumas histórias tinhamos Norakuro participando de batalhas, reflexo dos tempos belicosos da época como a invasão japonesa da China.
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| Página colorida de uma edição de Norakuro, nos anos 30. |
Foi no período pós-guerra que os mangás começaram a se expandir, surgindo mais revistas, artistas e histórias, um dos nomes notáveis foi de Osamu Tezuka (1928-1989), homem que ajudou a popularizar os mangás no Ocidente, quando suas narrativas como A nova Ilha do Tesouro (1947), Kimba (1950-1954), Astro Boy (1952-1968) e Princess Knight (1953-1956) se tornaram animes e foram televisionados no exterior, levando outros países a terem mais conhecimento sobre os animes e mangás. (POWER, 2009).
Com a popularidade dos mangás de Tezuka, isso impulsionou o mercado de mangás nos anos 60 e 70, que passou a crescer junto ao mercado de animes, já que os mangás que faziam sucesso, eram rapidamente animados, assim, velhos e novos fãs passavam a consumir tais produtos em ambas as mídias. Dessa forma, nos anos 60 tivemos o surgimento de narrativas como Cyborg 009 (1964), Speed Racer (1966), Lupin III (1967), Ashita no Joe (1968), Rosa de Versalhes (1972). Parte dessa produção já era destinada a um público adolescente e adulto, especialmente Lupin III inspirado em filmes de espionagem e roubos, onde o astuto, engraçado e tarado ladrão, realizava seus roubos mirabolantes. (PETERSEN, 2011).
Dessa forma, nos anos 80 tivemos o surgimento de mangás notáveis como Super Campões (1981), Dragon Ball (1984), Os Cavaleiros do Zodíaco (1985), City Hunter (1985), Jojo's Bizarre Adventure (1987), Berserk (1988), Ghost in the Shell (1989), entre outros. Por sua vez, nos anos 90 se destacaram mangás como Yu Yu Hakusho (1990), Alita (1990), Samurai X (1996), InuYasha (1996), Yu-Gi-Oh! (1996), Pokémon (1997), One Piece (1997) e Naruto (1999).
Os quadrinhos europeus: do jornal ao álbum
Quadrinhos já existiam no continente europeu desde o século XIX, contudo, o formato de álbum, utilizado para designar as revistas de quadrinhos começou a se formalizar no século XX, mas seguindo uma diferença das revistas anteriores publicadas na Inglaterra, França, Estados Unidos e no Brasil, que eram publicações periódicas e serializadas. Ou seja, tratavam-se de revistas que saíam regularmente a cada semana ou mês, além de algumas narrativas serem divididas em vários capítulos ao longo do ano.
Contudo, os álbuns de quadrinhos europeus começaram a adotar um formato de publicação diferente. Ao invés de serem lançados regularmente, algumas dessas revistas eram publicadas a cada seis meses ou doze meses, além disso, sua trama não era repartida em diferentes volumes, mas concentrada em um único volume, em alguns casos era o compilado de uma narrativa anterior publicada em jornais ou revistas.
O primeiro grande fenômeno europeu dos álbuns de quadrinhos foi As Aventuras de Tintim (1929) do cartunista belga Hergé (1907-1983), o qual lançou Tintim como uma tirinha publicada no jornal Le Petit Vingtième. Tintim é um jovem jornalista aventureiro que viaja pelo mundo para fazer suas matérias e conhecer outros países e povos, eventualmente ele se ver em meio a guerras, revoltas, conspirações etc. Sua primeira aventura intitulada Tintim no País dos Soviéticos (1929-1930), consistia numa série de tirinhas publicadas ao longo de quase um ano, mostrando uma crítica satírica de Hergé a União Soviética. De qualquer forma, a história fez sucesso e Hergé lançou ainda em 1930 toda a história completa em formato de álbum, apesar de ser ainda em preto e branco, por ser mais barato. (CLARK & CLARK, 1991).
Com a popularidade das tirinhas de Tintim, Hergé passou a publicar álbuns de suas histórias ao término de cada nova aventura, dessa forma, os álbuns eram publicados a cada um ou dois anos até 1941, quando ainda eram lançados em preto e branco. Por sua vez, a partir de 1943 eles passaram a serem publicados coloridos até o fim da vida de Hergé.
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| Capa em inglês do primeiro álbum de Tintim, em 1930. |
A prática de lançar narrativas serializadas e depois convertê-las para álbuns se manteve por décadas, como foi o caso de Lucky Luke (1946), criado pelo cartunista belga Morris (1923-2001), baseado na popularidade dos filmes de faroeste na Europa. Assim, seguindo o hábito da época, tais personagens costumavam surgir em tirinhas de jornais em preto e branco, que após a narrativa ser concluída, era publicada em formato de álbum. No caso de Lucky Luke ele surgiu nas páginas da revista em quadrinhos Spirou, a qual publicava tirinhas em preto e branco ou coloridas, de diversos autores. (CLARK & CLARK, 1991).
Lucky Luke mais tarde ganhou série animada e filmes animados, apresentando um caubói magrelo, despreocupado, mas sempre disposto a ajudar quem precisasse e combater os criminosos, sendo ele o pistoleiro mais rápido do Velho Oeste, desconfiado até da própria sombra.
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| Capa do álbum 1 de Lucky Luke, intitulada Arizona 1880. |
Tex consiste numa narrativa baseada no estereótipos dos caubóis e do Velho Oeste como Lucky Luke, mas a diferença é que suas histórias tinham traços mais realistas e um tom menos cômico regularmente. O personagem inicialmente era um fora da lei solitário (mais tarde ele se tornou um ranger), vagando pelo oeste americano em seu cavalo Dinamite, depois ele foi ganhando companheiros como Kit Carson, e a história foi crescendo, se tornando mais aventureira e com tons cômicos. O personagem virou um fenômeno na Itália, ganhando popularidade também no próprio Estados Unidos e em outros países como o Brasil, onde era conhecido como "Texas Kid").
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| Primeira aparição de Tex, em 1948. |
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| Os principais personagens das histórias de Astérix. |
Se no começo as tirinhas eram voltadas para um tom mais cômico e satírico, dirigida para o público adulto que lia jornais, depois sendo ampliada para crianças e adolescentes, temáticas mais sombrias e tensas, ficaram distantes das revistas em quadrinhos por muitos anos. Por exemplo, nos Estados Unidos, Brasil e Japão, entre as décadas de 1900 e 1950, o público-alvo de quadrinhos eram crianças e adolescentes, por conta disso, as tramas eram focadas na aventura, na ação sem violência explícita, na comédia, em narrativas simples.
O mesmo também era visto na Europa, porém, os quadrinistas europeus despontaram na produção de quadrinhos para o público adulto, abordando temas como desilusões amorosas, erotismo, revoltas, desemprego, marginalização, crises políticas, depressão, ansiedade, movimentos sociais, contracultura, impacto as guerras etc. Sendo assim, fortemente influenciado por uma perspectiva filosófica do Existencialismo e da Pós-modernidade, somados aos movimentos sociais liberais, os quadrinhos europeus alcançaram uma nova abordagem. (CASTALDI, 2010).
Na França o quadrinista Jean-Claude Forest (1930-1998) publicou sua mais famosa história, Barbarella (1962), que surgiu sem grande impacto na V Magazine. Porém, dois anos depois o editor Éric Losfield incentivou Forest a criar tirinhas da personagem, vendo potencial nela. Assim, Barbarella começou a ganhar suas histórias em revistas francesas. A personagem é uma agente especial que viaja por diferentes planetas, participando de missões secretas ou não. Barbarela é representada como uma mulher bela, sedutora e sensual, além de ser independente e empoderada para os padrões da época.
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| Capa do primeiro álbum de Barbarella, em 1964. |
O primeiro quadrinho que fez sucesso nessa onda de produções mais pesadas, nuas e cruas foi Diabolik (1962), criado pelas irmãs Angela e Luciana Giussani, as quais apresentaram um ladrão chamado Diabolik, que se vestia como um ninja e atuava com sua parceira e amante Eva Kant, cometendo crimes pela fictícia cidade de Clerville. Originalmente retratado como um criminoso egoísta, com o tempo Diabolik se tornou uma anti-herói, ganhando ainda mais fãs, e inspirando filmes, desenhos, jogos e romances. O personagem também contribuiu para inaugurar um formato de impressão novo para os quadrinhos italianos, revistas de bolso, que rapidamente se tornaram populares nos anos 60. (CASTALDI, 2010).
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| Diabolik e Eva se tornaram o marco dos quadrinhos adultos italianos. |
Assim, dois quadrinhos que imediatamente surfaram na popularidade e Diabolik foram Kriminal (1964) e Satanik (1964), ambos produzidos por Magnus e Max Bunker, dirigidos ao público adulto, contendo consumo de bebidas alcoólicas e de drogas, nudez, sexo, violência, problemas sociais, dilemas morais etc. Dessa forma, na série Kriminal somos apresentados ao criminoso e assassino Anthony Logan, conhecido pelo codinome de Kriminal, um assassino que se veste como uma caveira ou usa uma máscara de caveira. Inicialmente um vilão em suas narrativas, com o tempo se tornou um anti-herói também.
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| Exemplares de álbuns de Kriminal e Satanik. |
Um ano após o lançamento dos trbalhos de Magnus e Max Bunker, tivemos a revista Valentina (1965), criada pelo quadrinista italiano Guido Crepax (1933-2003), cuja narrativa apresentava uma fotógrafa com magra de cabelos curtos, mas sensual, que tinha sofrido anorexia durante a adolescência, além de carregar traumas não resolvidos, como também ter algumas paranoias. Inicialmente a personagem foi criada por Crepax para ser o potencial romântico de Neutron, narrativa publicada na revista Linus, porém, o público gostou do visual da personagem e sua vibe de mulher independente, nada frágil e depressiva (marcante no período dos anos 60), assim, Crepax decidiu criar uma própria narrativa para Valentina.
A personagem passou a representar ideias em voga no período como liberdade feminina, crise existencialista, movimento hippie, movimentos de contracultura, liberação de drogas, boêmia, pessimismo de vida etc. Ademais, várias das narrativas de Valentina mostram uma mescla de realidade e fantasia, em que a protagonista ora está numa festa, restaurante ou bar, e depois se ver em outra realidade, lugar secreto ou país. Essas mudanças de cenário faziam parte da construção da personagem, descrita como tendo alucinações e problemas psicológicos.
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| Edição reunindo as histórias de Valentina entre 1971 e 1972. |
As narrativas de Corto Maltese se baseiam em lugares reais, contendo descrições e menções a dados geográficos, históricos e sociais as vezes. Sua primeira aparição foi Uma balada do mar de salgado (1967-1969), que se estendeu por dois anos sendo publicadas nas revistas Le Soir e depois Pif Gadget. Apesar de Pratt ser italiano, ele fez carreira na França como quadrinista, assim, vários álbuns de Corto Maltese foram publicados por editoras francesas. De qualquer forma, o personagem se tornou famoso, rendendo filmes animados.
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| Capa do primeiro álbum, lançado em 1975. |
Enquanto Corto Maltese trouxe a atenção do público adulto para quadrinhos de aventura com aspectos menos fantásticos (embora estereotipados em várias ocasiões), o subgênero do fumetti neri também abriu espaço para a produção de quadrinhos eróticos.
Em várias revistas, a própria Valentina já aparecia em alguma pose sensual ou desnuda, algo marcante do período nos quadrinhos italianos, onde surgiu toda uma produção de quadrinhos eróticos, destacando-se o trabalho de Milo Manara, o qual ficou famoso mundialmente por desenhar belas mulheres sedutoras e com corpos estonteantes. Manara inclusive em várias revistas que escreveu, sempre deixa a protagonista ou outras personagens femininas aparecerem seminuas ou totalmente nuas. Além disso, ele possui revistas completamente eróticas, dedicadas ao nu artístico.
A popularidade de hqs para adultos na França e Itália dos anos 60 e 70 incentivou o desenvolvimento das graphic novels na Inglaterra e Estados Unidos nos anos 80, apresentando tramas nesse estilo para o público adulto, mas com o diferencial de que a arte, cores, papel e acabamento eram melhores do que a dos álbuns. (CHUTE & DEVOKEN, 2012).
O gibi no Brasil
O primeiro quadrinho brasileiro foi escrito pelo cartunista italiano Angelo Agostini (1843-1910), que morava no Brasil desde seus 16 anos. Sua narrativa intitulada As aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem a Corte, foi publicada em 30 de janeiro de 1869 na revista Vida Fluminense (1868-1875), a qual contava com publicações de charges e caricaturas, com isso, Agostini aproveitou para lançar um quadrinho sobre um caipira chamado Nhô Quim, que se mudava para a cidade grande, no caso, o Rio de Janeiro, então capital imperial do país. Assim, o quadrinho explorava a clássica história do matuto estranhando a cidade grande.
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| Uma página de As Aventuras de Nhô Quim (1869). |
Enquanto nos Estados Unidos, revistas de quadrinhos não tinham despontado ainda antes do final dos anos 1930, no Brasil, a realidade foi diferente. Os quadrinhos eram publicados em tirinhas de jornais e em revistas, mas ainda no começo do século XX, o Tico-Tico despontava como a primeira revista especificamente publicada para histórias em quadrinhos, o que coloca o Brasil entre os pioneiros na popularização das histórias em quadrinhos no mundo, ao lado de países como Inglaterra, França, Estados Unidos e Japão.
A revista Tico-Tico foi concebida pelo desenhista Renato de Castro, inspirado em quadrinhos franceses, ingleses e americanos, fato esse que algumas narrativas eram adaptações de tramas estrangeiras como o caso de Chiquinho e seu cachorro Jagunço, ambos baseados na tirinha Buster Brown (1902) de Richard F. Outcault, o criador de The Yellow Kid. Apesar disso, a revista contou com tramas originais, o próprio Angelo Agostini trabalhou por algum tempo nela já no fim da vida. Não obstante, a Tico-Tico ajudou a popularizar os quadrinhos nas grandes cidades brasileiras, além de ser uma publicação dirigida ao público infanto-juvenil, diferente de outros países, em que geralmente as tirinhas desse período eram voltadas para os adultos.
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| Uma edição de 1921 da revista Tico-Tico com As Aventuras de Chiquinho. |
Os anos 1930 e 1940 também marcaram o surgimento de outras revistas de quadrinhos no Brasil, algumas eram edições suplementares de jornais e revistas, que aproveitavam o sucesso desse formato na época. Assim, além de personagens infantis como os citados anteriormente, algumas das grandes editoras começaram a comprar os direitos de outros personagens como Flash Gordon, Fantasma, Mandrake, além de fazer adaptações em quadrinhos de clássicos literários diversos. (CARDOSO, 2011).
Contudo, uma revista em quadrinhos que se destacou nesse período foi O Gibi (1939-1950), publicada pelo Grupo Globo, a revista utilizava uma gíria da época, em que gibi era empregado para se referir a meninos negros, num sentido parecido a "moleque". Impressa em papel de jornal, mas sendo colorida, O Gibi teve uma ampla tiragem quase que diária ao longo de duas décadas, ajudando a popularizar a palavra gibi como sinônimo de história em quadrinhos, algo ainda hoje mantido, ao mesmo tempo que espalhou a ideia de que hqs eram apenas voltadas para crianças, já que o principal público-alvo desse periódico era realmente o público infantil. A popularidade da revista foi tamanha que edições especiais semanais e mensais passaram a serem publicadas também, com formato maior e melhor acabamento. (GONÇALO JR, 2004).
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| Uma edição de 1939 da Gibi estampando uma história de O Fantasma. |
Apesar da popularização das revistas em quadrinho no Brasil, jornais ainda continuaram a publicar tirinhas, uma das mais famosas foi A Turma da Mônica (1959) de Maurício de Sousa, a qual se tornou revista a partir de 1970, sendo até hoje publicada, virando a hq brasileira mais famosa no exterior, tendo rendido filmes, desenhos e jogos.
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| Primeira edição da Turma da Mônica em 1970. |
BIBE-LUYTEN, Sonia M. O que é história em quadrinhos. São Paulo, Editora Brasiliense, 1985.
CARDOSO, Athos E. A Idade de Ouro dos Quadrinhos no Brasil Entretenimento, Propaganda, Ideologia e Civismo durante a II GM. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Recife, PE – 2 a 6 de setembro de 2011.
CARDOSO, Athos E. Aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora: os primeiros quadrinhos brasileiros 1869-1883. Brasília: Senado Federal, 2013.
CHUTE, Hillary; DEVOKEN, Marianne. Comic books and graphic novels. In: GLOVER, David; MCCRACKEN, Scott (eds.). The Cambridge Companion to Popular Fiction. Cambridge, Cambridge University Press, 2012, p. 175-194.
CLARK, Alan; CLARK, Laurel. Comics An Illustrad History. London, Greenwood, 1991.
GONÇALO JÚNIOR. A Guerra dos Gibis - a formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-1964. São Paulo, Companhia das Letras, 2004.
KUNZLE, David. Father of the Comic Strip: Rodolphe Töpffer. Jackson, University Press of Mississippi, 2007.
PETERSEN, Robert S. Comics, Manga, and Graphic Novels: a history of graphic novels. Santa Barbara, ABC-CLIO, 2011.
POWER, Natsu Onoda. God of Comics: Osamu Tezuka and creation of post World War II manga. Jackson, University Press of Mississipi, 2009.
SMITH, Eren. Pulp sensations. In: GLOVER, David; MCCRACKEN, Scott (eds.). The Cambridge Companion to Popular Fiction. Cambridge, Cambridge University Press, 2012, p. 141-158.
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