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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Malagrida

Para muitos o Padre Gabriel Malagrida, fora um homem santo, que dedicou sua vida a cuidar e educar não apenas os indígenas como jesuíta, mas, zelou pelos escravos, pelos pobres, pelos sertanejos, ajudou a erguer escolas e igrejas, ao longo dos trinta anos que viveu no Brasil. Malagrida fora um homem devotado, respeitado e inquieto. Sua vida fora marcada de acordo com alguns por milagres, mas, seu fim fora injusto e trágico. Nas linhas a seguir falarei um pouco deste italiano que viu no Brasil a oportunidade de exercer sua fé, suas crenças, e tentar mudar a vida destas pessoas, um homem que ficou conhecido como o taumaturgo do BrasilGabriel Malagrida nasceu em 18 de setembro de 1689 na vila de Mannagio, região da Toscana. Filho de um médico, Malagrida, viveu sua infância em uma casa com boa situação, e um bom relacionamento com seus pais. Na sua biografia, quando criança, gostava de passear pelos bosques, campos, rios e colinas da região com seu pai, de fato, parte da vida de Malagrida já como missionário será vivida na peregrinação. 

De forte tradição católica a família Malagrida pôs o jovem Gabriel por volta de seus sete anos num colégio de padres. Malagrida estudou em diferentes colégios, até se formar em Milão. Durante sua vida como aluno, além de estudar teologia, ele teve uma profunda afeição pela filosofia, estudando desde os filósofos gregos clássicos aos filósofos escolásticos medievais.

No entanto algo marcou uma profunda diferença entre Malagrida com seus colegas de classe. Muitos queriam permanecer na Itália, e seguir vida nas igrejas, paróquias e mosteiros, porém ele tinha a intenção de realizar um trabalho voltado diretamente ao povo, a catequizar e levar a palavra de Deus e Cristo para as pessoas. Sendo assim, em 27 de setembro de 1711 Malagrida ingressa na Companhia de Jesus, partindo depois como missionário para o Novo Mundo.

Em 1721 ele deixa Gênova e parte para o Brasil, em direção ao Maranhão. Lá ele permanece por dois anos, catequizando os indígenas,
até ser transferido para o Pará onde passa a dá aulas em colégios. No ano seguinte, o padre retorna para o Maranhão e fica a frente da missão do Tobajaras, permanecendo ali até 1727. De 1727 até 1730, o padre Malagrida viveu entre o Maranhão e o Pará catequizando os indígenas, dando aulas de teologia e filosofia nos seminários, além de pregar em vilas, povoados e para o povo em si. Sua carreira sempre fora muito movimentada. No entanto a partir de 1735, Malagrida inicia sua peregrinação pelo Nordeste brasileiro, peregrinação esta que o levará a percorrer 14 mil km de pés descalço pelos sertões do nordeste, visitando todas as províncias que o formavam. Nessa sua longa viagem que durará até o ano de 1749, o padre terá contato com os escravos, indígenas destas regiões, pobres, mendigos, e conhecerá a vida árdua do sertanejo. Em suas viagens, ele passava algum tempo em vilas, povoados, levando a palavra de Deus para estas pessoas humildes e miseráveis, além de ajudar socialmente os mais necessitados, a ponto de até mesmo em alguns casos, ensinar-los a ler e escrever. Malagrida ao longo de suas viagens ajudou a fundar escolas, seminários, paróquias e igrejas. Foi durante a época de suas andanças que começaram a surgir as histórias de milagres atribuídos a sua pessoa. E nesse período o padre difundiu no Brasil o culto do Sagrado Coração de Jesus.

Em 1749 de volta ao Maranhão, ele decide partir para a metrópole portuguesa a fim de conse
guir donativos para seus trabalhos. Sendo assim ele se dirige para Portugal. Durante sua primeira viagem para Portugal dois incidentes marcariam a a fama de Malagrida como homem santo. O primeiro fora que os barris de água que o navio levava, acabaram vazando, só sobrando um, no entanto, a viagem já estava a quase meio caminho, e não havia como abastecer-se de água doce. No entanto o padre reunindo a tripulação pediu que cada homem tomasse apenas duas canecas de água por dia, e rezassem para Nossa Senhora todos os dias. De forma milagrosa tripulação conseguiu chegar a Portugal. No entanto antes de atracarem no porto de Lisboa, uma terrível tempestade assolou o mar, em meio a essa tormenta os homens se viram a beira da morte, porém, o padre Malagrida mantendo a calma, pediu que todos rezassem perante a imagem de Nossa Senhora na qual havia no navio. O navio adentrou o porto vindo de costas, tal visão fora tão impactante que o próprio rei D. João V (1689-1750) (ver foto) ficou impressionado com tal visão.

O padre Gabriel Malagrida fora bem recebido pelo rei e pela rainha, se tornando confidente de ambos, e tendo proferido a confissão o rei em seus últimos dias de vida. Em 1751, ele retorna para o Pará, e no mesmo
navio ia o irmão do Marquês de Pombal, Mendonça Furtado, o qual havia sido nomeado governador do Grão-Pará e Maranhão. No entanto a estadia de Malagrida fora curta, ainda no mesmo ano, ele recebeu uma carta da rainha D. Mariana Josefa, na qual pediu que o padre retornasse para Portugal, já que a mesma estava muito doente, e sentia que não viveria por muito mais tempo. Aceitando o pedido da rainha, e cumprindo com sua promessa de ser confidente da rainha no seu leito de morte, o padre retornar para Portugal, sendo esta sua última viagem, já que após viver 30 anos no Brasil, este não voltaria a pisar em terras brasileiras.

Nessa época o governo de Portugal estava sob o controle do rei D. José I e seu primeiro-ministro o Marquês de Pombal. Malagrida
e Pombal acabariam se tornando quase que inimigos, principalmente por parte do marquês, que via nos jesuítas uma afronta para as mudanças de suas politicas estatais, já que estes gozavam de grande privilégio e autoridade na colônia. Em 1754 a rainha faleceu, e cumprindo com sua promessa, Malagrida fora seu confidente. No ano seguinte em 1 de novembro de 1755, Portugal fora abalada pelo terremoto mais forte conhecido em sua história, tal terremoto matou mais de 10 mil pessoas, e destruiu quase que completamente a cidade de Lisboa.

O terremoto de Lisboa, como ficou conhecido, consiste em um evento que ratifica a ideia de santidade de Malagrida. Nesse dia, como de costume, o padre levantou-se cedo e fora realizar sua missa das 7h às 8h, porém ele fizera algo diferente neste dia. De acordo com os relatos das pessoas que conviviam com este no seminário em Lisboa, o padre fazia jejum pela manhã só se alimentado a partir da hora do almoço, no entanto, neste dia, após a missa ele tomou café da manhã, e tratou de percorrer todo o seminário pedindo que as pessoas deixassem o prédio e fossem para a rua. Quando fora por volta da hora das 12h o terremoto assolou a cidade, e muitas construções desabaram, no entanto o padre conseguira salvar as pessoas que estavam ali com ele.

Nos dias seguintes, Pombal agiu de forma organizada e cruel para por ordem neste caos, e reconstruir a cidade. Nos anos seguinte ao terremoto, o padre Gabriel Malagrida um folheto sobre o incidente que gerou o terremoto, alegando que tal catástrofe fora enviada por Deus para castigar os homens por seus pecados. Pombal sendo um adepto do iluminismo se negou a ver o terremoto como sendo um ato divino, e acabou entrando em conflito com Malagrida por isso. O padre fora transferido para a cidade de Setúbal, onde continuou com suas atividades, porém acabou em 1758, atacando novamente a politica do marquês, focando sua crueldade no caso dos Távoras, os quais foram julgados e mortos de forma cruel. O marquês indignado, declarou a prisão de Malagrida e este fora transferido em 11 de janeiro de 1759 para Lisboa, onde passou o restante de sua vida na prisão da inquisição. Em 1759, Pombal dá sua cartada final e declara que todos os jesuítas sejam expulsos de Portugal e de suas colônias.

No entanto, Pombal pretendia condenar o padre Gabriel Malagrida por crime de lesa-majestade, porém o tribunal inquisitorial não via nas ações do padre motivos para condená-lo por este crime, e sentenciá-lo a morte. O processo do padre ficou rolando até o ano de 1761, até que Pombal injuriado pela demora do tribunal, decidi intervir, e põe um de seus irmãos como juiz responsável do tribunal, o qual acaba dando a pena de morte para Malagrida. Durante sua estadia na prisão, ele escreveu dois livros sendo que até hoje estes não foram publicados.

Em 21 de setembro de 1761 durante um auto-de-fé vários condenados foram executados, e dentre este o padre Malagrida, sua pena de morte foi ser garroteado. No entanto, na primeira tentativa de executá-lo a corda se rompeu, mas, então o carrasco trouxe uma outra corda e por fim lhe tirou a vida. Após sua morte, seu corpo fora queimado, e de acordo com alguns seu coração não fora consumido pelas chamas, a ponto de que depois de horas de esta no fogo ele ainda se mantinha intacto, então decidiram por seu coração em um barril e jogar-lo no mar.

Malagrida morrera aos 72 anos de forma injustiçada, e até hoje, muitos de seus simpatizantes e seguidores tentam no Vaticano que o papa o santifique.

NOTA: Malagrida além de supostamente ter curado algumas pessoas, ele também possuía o dom da vidência tendo previsto a morte de algumas pessoas, e devido a isso, ele teria previsto o terremoto em 1755.
NOTA 2: O padre Gabriel Malagrida é considerado junto a nomes como Padre Ibiapina, Padre Cícero e Antônio Conselheiro como tendo sido importantes homens da fé para a história do Brasil.
NOTA 3: Taumaturgo, é aquele que tem o dom de realizar milagres.
NOTA 4: A Companhia de Jesus foi criada em 1534 por Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e outros.

Referência da internet:http://www.arqnet.pt/dicionario/malagrida.html

Referência audiovisual:
FENZL, Andrea; BARBIERI, Renato. Malagrida. [documentário-vídeo]. Produção de Andrea Fenzl, direção de Renato Barbieri. São Paulo, Videografia Criação, 2001. 1 DVD/NSTC, 73 min. color. som.

Links relacionado:As Reformas Pombalinas


LINKS:
http://www.kodiakbachine.com/site/trimala.htm
http://www.paginaoriente.com/anoeclesiastico/scjesus.htm
http://www.ppcj.pt/Jesu%C3%ADtas-em-Portugal.aspx?ID=1
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/jesuitas/_private/hj.htm

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