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Leandro Vilar

sexta-feira, 16 de março de 2018

200 anos da publicação de Frankenstein de Mary Shelley

Há 200 anos uma jovem britânica em companhia de seu marido poeta, e hospedados na casa de um escritor boêmio, foi desafiada a escrever uma história de terror. A imatura escritora redigiu em poucos dias o rascunho de uma história sinistra que falava da loucura de um médico que ousou ressuscitar os mortos. Nascia assim o clássico da literatura gótica e de ficção científica, Frankenstein, nome que se tornaria sinônimo de monstro, ganhando várias adaptações na cultura pop, e dois séculos depois, esse breve livro de menos de 200 páginas ainda influencia várias obras. Nesse breve texto comentei um pouco da origem desse peculiar livro, sua história e sua influência na cultura pop, a fim de celebrar seu bicentenário. Enquanto numa matéria parecida que escrevi sobre a inspiração do romane Drácula, indo falar sobre Vlad, o Impalador, em Frankenstein não tivemos alguém real para inspirar o médico louco e seu monstro. 

Sobre a autora:

Mary Wollstenocraft Godwin nasceu em 30 de agosto de 1797, em Londres. Herdou o nome da mãe, que também se chamava Mary Wollstenocraft (1759-1797). Seu pai era William Godwin (1756-1836). Mary e William naquele final de século, atuavam como escritores. Os dois já haviam se conhecido anos antes, mas seguiram caminhos diferentes. Mas além de serem escritores, Mary e William também se interessavam por filosofia e política. Mary escreveu algumas obras que hoje são consideradas por alguns estudiosos como de caráter feminista, por sua vez, William atuou como jornalista, mas escreveu sobre justiça, utilitarismo, anarquismo, e outros temas de política. Seu pensamento era considerado na época como radical. Todavia, Mary Godwin acabou adoecendo após o parto de sua filha, vindo a falecer dias depois. William Godwin casou-se novamente em 1801, com sua vizinha, Mary Jane Clairmont, que atuava como escritora e tradutora. Desse matrimônio, o casal gerou outros filhos. (MOREIRA, 2000, p. 5-8).


Retrato de Mary Shelley. Pintado por Richard Rotwell. 1840. 
A relação de Mary com sua madrasta não era estável, e as vezes conflituosa. Fora esse problema, William permitiu que seus filhos e filhas tivessem uma educação mais liberal para a época, estudando filosofia, política, história, literatura, ciências naturais. Assim, Mary cresceu nesse ambiente literário e intelectual, pois seu pai havia se tornando um filosófo político e costumava receber pensadores, estudiosos, militantes e políticos em casa. Entre 1812 e 1814, Mary viveu na Escócia com um casal de amigos de seu pai, devido a problemas em casa com sua madrasta. Mary na adolescência era descrita como uma jovem ativa, solitária, de pensamento ousado para a época, que gostava de ler muito. (MOREIRA, 2000, p. 9). 

No ano de 1814 Mary conheceu o jovem poeta Percy Bysshe Shelley (1792-1822) ainda na Escócia. Posteriormente, quando retornou para Londres, veio a descobrir que Shelley havia adentrado no círculo de amigos de seu pai. Shelley tornou-se amigo de William Godwin, além do fato que naquela época já era razoavelmente conhecido por seu trabalho literário, embora tivesse fama de ser um homem endividado e com problemas financeiros. Quando eles se conheceram, Shelley ainda estava casado e era pai de uma menina de um ano. Porém, a paixão que teve pela jovem Mary Godwin de seus 17 anos, foi avassaladora. O senhor Godwin foi contrário ao romance, mas num ato incosequente como Mary escreveria em um de seus diários, ela decidiu fugir com Shelley. 


Retrato de Percy Bysshe Shelley, pintado por Curran. 1819. 
Ainda em 1814, Percy mesmo casado, decidiu abandonar a esposa grávida, e partiu de Londres, em companhia de sua amante, Mary e da meia-irmã dela Claire Clairmont, que sabia falar francês fluentemente. Os três seguiram para Paris, numa aventura romântica inconsequente. Mary e sua irmã Claire relataram em seus diários as atribulações e perigosos que viveram durante seis semanas, vagando sem rumo pela França, Holanda, Alemanha e Suíça. Durante essa viagem na maior parte das vezes feita a pé ou em mulas, e com dificuldade, pois os três viajaram com pouco dinheiro, Mary conheceu as locações para seu futuro romance, Frankenstein, especialmente a estada na Suíça, e a navegação pelo Rio Reno, de onde partiram para a Alemanha, onde por sua vez conheceram o Castelo Frankenstein


Castelo Frankenstein, Hesse, Alemanha. 
Após alguns dias na Alemanha, eles seguiram para a Holanda, posteriormente no começo de 1815, o trio retornou para a Inglaterra. Mary estava grávida de uma menina, a qual nasceu prematuramente, vindo a falecer. Entre 1815 e 1816, Mary e Percy passaram por dificuldades financeiras. Shelley era cobrado por suas dívidas, além do fato que sua ex-esposa que foi abandonada e nem havia recebido o divórcio, cobrava uma atitude dele. Além disso, o pai de Mary e Claire não queria saber das filhas, as considerava irresponsáveis e de terem manchado a reputação da família. Em 1816 a situação dos Shelley voltou a melhorar. Mary engravidou novamente, dando a luz a um menino, chamado de William Shelley (1816-1819). Por sua vez, Claire Clarmont veio a conhecer o boêmio poeta George Gordon, Barão de Bryon (1788-1824). Mais conhecido como Lorde Bryon, homem notável por sua vida romântica que inclusive teria inspirado algumas histórias da sua versão de Don Juan; apaixonou-se pela jovem e bela Claire. Não se sabe ao certo como Claire conheceu Bryon, alguns relatos sugerem que eles já eram amantes há certo tempo. Outros apontam que se tornaram amantes na Suíça. Sendo um romance recente.

A origem de Frankenstein: 

A convite de Claire Clarimont e Lorde Bryon, Mary Shelley e Percy Shelley viajaram a Suíça, para passar um tempo em férias. Eles viajaram ainda no ano de 1816, chegando no mês de junho, época do verão no hemisfério norte. Ali, o casal e o filho pequeno alugaram uma casa vizinha de Lorde Bryon. Sobre isso, Maru escreveu a respeito da sua estada em Genebra. 

"No verão de 1816, visitamos a Suíça, e tornamo-nos vizinho de lorde Bryon. No início, passávamos nossas horas de lazer no lgao, ou caminhando por suas margens. Lorde Bryon, que escrevia o terceiro canto de Childe Harold, era o único entre nós a pôr suas ideias no papel. Ideias que, conforme ele as trazia diante de nó, revestidas com toda a luz e a harmonia da poesia, pareciam retratar como divinas as glórias do céu e da terra, cujas influências compartilhávamos com ele". (SHELLEY, 2011, p. 13).

Mary Shelley narra que apesar de ser verão na Suíça, naquele ano o verão foi bastante chuvoso, com isso, os dias ficavam frios, forçando-os a permanecerem a maior parte do tempo dentro de casa. Para passar a monotonia do tempo, o casal e lorde Bryon começaram a fazer um clube de leitura. Eles na ocasião liam contos e outras histórias de terror de origem alemã, que haviam chegado para eles, traduzidos ao francês. Logo, durante vários dias os Shelley e Bryon se puseram a ler e debater aquela literatura até que Bryon sugeriu uma competição, cada um deveria escrever uma história de fantasmas, o melhor conto ganharia um prêmio. A competição contou com quatro concorrentes, os Shelley, Bryon e John Polidori (1795-1821), escritor e médico pessoal de lorde Bryon. 

Mary conta que seu marido escreveu uma história de terror baseada na infância dele. Bryon escreveu um conto que acabou adaptando-o para o seu poema Mazeppa. Polidori escreveu a história de uma mulher amaldiçoada. Por sua vez, Mary estava em dúvida sobre o que escrever. Ela relatou o seguinte: 

"Eu, de minha parte, tentava pensar numa história - uma história capaz de fazer frente a àquela que nos inspiraram a empreender tal tarefa. Uma história que pudesse trazer à tona os medos secretos de nossa natureza e que despertasseum terror capaz de nos fazer estremecer - uma história que deixasse o leitor com medo de olhar ao seu redor, que enregelasse o sangue e acelerasse as batidas do coração". (SHELLEY, 2011, p. 14).

Diante dessa dúvida, Mary disse que tentou pensar em algo diferente, embora Bryon tenha sugerido uma história de fantasma, ela queria criar algo novo. Assim, ela conta que durante as conversas que tinha com o marido, Bryon e Polidori, eles debateram além de literatura, temas sobre filosofia e ciência. Mary não entra em detalhes quais filósofos foram debatidos, mas menciona o Dr. Darwin e seus estudos em medicina, anatomia e teoria da evolução. O tal doutor que ela se refere era Eramus Darwin (1731-1802), avô de Charles Darwin. Ela também menciona os estudos do galvanismo relacionados com estudos eletroquímicos, desenvolvido por Luigi Galvani (1737-1798). Em seus experimentos, Galvani sugeria que um corpo falecido poderia ser reanimado com impulsos elétricos adequados. Apesar de não ter conseguido reanimar totalmente um cadáver, seu trabalho foi um passo importante para entender o papel da eletricidade no sistema nervoso. (MOREIRA, 2000, p. 28). 

Mary Shelley (2011) conta que ficou pensando nessa história de cadáveres que poderiam ser reanimados. Em certa noite de novembro de 1816 quando foi dormir, ela teve pesadelo com isso. Sonhou com um homem em um quarto escuro, que havia dado vida a um monstro. O homem pensou que fosse apenas um sonho e foi dormir, apesar de estar apavorado. Mas ele foi despertado pela luz do dia a clarear o quarto. Então viu que uma horrenda criatura havia aberto as cortinas e o observava. Esse esboço geral como comentado por Shelley, deu origem a Victor Frankenstein e seu monstro. Assim, apresentando esse rascunho ao marido e lorde Bryon, Shelley foi incentivada a concluir a história. Percy sugeriu que ela escrevesse uma narrativa mais longa e melhor estruturada. Mary passou o ano de 1817 trabalhando no livro. Em 1818, dividido em três volumes e sob autoria anônima, Mary Shelley publicou Frankenstein ou o Prometeu Moderno


Frontispício do primeiro volume da edição original de Frankenstein (1818). 
O livro ganhou um sucesso inesperado. Somente na segunda edição lançada em 1823, Mary Shelley assinou sua obra. Inclusive antes disso, cogitaram que o autor do livro teria sido seu marido. Embora ele tenha escrito o prefácio. Mesmo que não constasse a autoria a Mary, tempos depois, Percy anunciou que o livro era de sua esposa de fato. No entanto, a edição definitiva do livro somente saiu em 1831, após a autora revisá-lo, realizar correções, alterações e acréscismos. As versões atuais que costumamos ler de Frankenstein são traduções da edição de 1831, que foi considerada como a versão definitiva pela própria autora. 

Sinopse: 

Escrito em forma de cartas, seguindo uma tradição da época, que concedia um olhar intimista sobre a obra, pois era como se o leitor realmente estivesse lendo os pensamentos dos personagens, além de que tal fato concederia a ideia que talvez se tratatasse de uma história real (CÔRREA, 2006, p. 59), o livro se passa no século XVIII, em data indeterminada. A história inclusive já começa próxima o final, com o médico Victor Frankenstein em um navio russo, procurando fugir do monstro que criou. Através das cartas escritas por Frankenstein e seus diálogos com o capitão Robert Walton vamos conhecendo o que ocorreu no passado do médico e qual era o grande temor que ele possuia. Além disso, em determinadas partes da narrativa a trama é descrita a partir da visão do monstro. 

Frankenstein ou o Prometeu Moderno trata-se de um romance gótico de ficção científica no qual o jovem Dr. Victor Frankenstein, residente em Genebra, na Suíça, vive obcecado em trazer os mortos de volta a vida, além de criar uma nova raça humana. Assim, num experimento bizarro e imoral ele cria um monstro feito de pedaços de vários cadáveres. A criatura tem a pele branca-amarelada, olhos amarelos, longos cabeços negros, mais de dois metros de altura e cicatrizes pelo corpo. O monstro não recebe nome na trama, apesar que no cinema se popularizou chamá-lo de Frankenstein, o sobrenome de seu criador. Victor consegue dar a vida a criatura através de um método inspirado no galvanismo (nos filmes se popularizou a versão do raio), embora tenha ficado extasiado com o êxito da sua criação, ele em seguida se arrepende e é tomado por um pavor descontrolado. 


Victor Frankenstein e o monstro. Frontispício da terceiro edição, lançada em 1831. Ilustração de Theodor von Holst. 
O monstro sem saber ao certo quem é, começa a indagar ao seu criador sobre seu propósito de vida. Victor aterrorizado, queima o laboratório, tentando matar a criatura, mas o monstro sobrevive. Nesse ponto se dar a jornada de fuga de Victor Frankenstein o qual é perseguido pelo monstro que criou. A criatura por sua vez começa a ganhar aspectos violentos e passa a almejar a vingança e o intuito de destruir a seu criador e a aqueles que ele amava. A história se desenvolve ao longo da Suíça, França, Inglaterra, Irlanda e Rússia. Excetuando-se a Rússia e a Irlanda, países que a autora não vistou, os demais países ela visitou e morou. Inclusive as descrições da paisagem suíça foram inspiradas em seus relatos pessoais, no tempo que passou no país. 

Frankenstein e a ciência:

Comecemos pela ciência. A sinopse da obra como citada anteriormente deixa claro que se trata de um romance gótico que abarca ficção científica, embora esse termo tenha surgido anos depois de Mary Shelley, hoje estudiosos da literatura reconhecem que podem se ver elementos de ficção científica no livro Frankenstein, pois temos um médico suíço que cria um monstro oriundo de distintos corpos, que são cortados e remendados para formar um novo espécime. As ações de Victor Frankenstein que na história se passam no século XVIII, são reflexos de um tempo onde a filosofia e a ciência eram repensados, e se tornavam motivadores para o progresso da sociedade e da humanidade. Paul Tillich comentou a respeito ao dizer que:


“o século dezoito tinha prazer em chamar a si mesmo de o ‘século filosófico’, não porque era produtor de grandes sistemas, mas porque buscava trazer cada aspecto da vida para dentro do domínio da filosofia, tanto na teoria como na prática. Assim, a razão no século dezoito era uma razão revolucionária. Não estava interessada em descrever o que é meramente pelo que é, mas pelo que proporciona de materiais para a reconstrução da sociedade em conformidade ao que é natural e racional”. (TILLICH, 1988, p. 26 apud RODRIGUES, 2007, p. 67). 

De fato, enxergamos no protagonista esse gênio do Setecentos, onde imbuído por questões pessoais ele se lança numa jornada de riscos e moralmente duvidosa e até profana como veremos adiante quando falar sobre religião e filosofia. Mas no tocante a ciência, a ideia de Mary Shelley na época não era tão original. Como dito, ela mesmo comentou que havia gente pensando em fazer reanimar cadáveres com base no galvanismo; além de que o subtítulo do livro, O Prometeu Moderno, era uma referência ao mito grego no qual o titã Prometeu criou a raça humana. No caso, quem sugeriu o subtítulo foi seu marido, Percy Shelley, por perceber em Victor Frankenstein um tipo de "novo prometeu", sendo esse oriundo da ciência e da filosofia. 

De qualquer forma, além dessa referência científica e da referência mitológica, havia também referência a alquimia. Desde o século XVI, pelo menos, alguns alquimistas também procuravam fórmulas para criar vida. Os chamados homúnculos que teoricamente seriam pequenos seres humanos criados a partir de elementos distintos, os quais nasceriam dentro de garrafas. Em seu livro, Shelley cita que Victor Frankenstein estudou alguns alquimistas como Paracelso, Cornélio Agripa e Alberto Magno, mas abandonou suas teorias, por considerá-las superticiosas e imprecisas. (ROCQUE; TEIXEIRA, 2001, p. 15). 


“Ao iniciar suas pesquisas o objetivo de Dr. Victor era o de encontrar os mais recônditos segredos físicos da medicina. Ele não desejava somente encontrar a pedra filosofal, ou o elixir da vida, mas principalmente criar um ser que sobrevivesse aos males físicos que afligiam a humanidade. Para isso ele trabalhava, objetivando não a melhoria de saúde da humanidade, ele desejava mais, o seu maior desejo era descobrir o segredo da vida, o ato de confeccionar em seu laboratório a vida”. (MOREIRA, 2000, p. 36-37). 

Em Frankenstein temos um jovem médico idealista, influenciando pela filosofia iluminista do progresso, da revolução, da ascensão da razão em detrimento dos dogmas religiosos, da busca pelo conhecimento, da busca pelo melhoramento social e comportamental, etc. somados a ideias alquimistas sobre vida, transmutação e criação artificial, além de pesquisas científicas ainda inconclusivas sobre medicina, física, matemática, biologia e química, onde tudo isso foi reunido na figura de um jovem introvertido, sonhador e obsessivo médico que buscava descobrir o segredo da vida.  

Victor Frankenstein como homem de seu tempo, baseava-se numa física mecanicista e na filosofia cartesiana, pensando o universo e a vida como mecanismos os quais se fossem descobertos suas peças e como elas funcionavam, poderiam ser compreendidos, copiados ou recriados. No próprio livro é mencionado que Victor se debruçou nos estudos de física e matemática, ciências exatas, onde procurou compreender essa mecânica universal, para depois passar a química e a biologia. Nesse ponto, seu monstro seria um ser humano mecanicamente pensado, não no sentido de um robô, mas na ideia de que o corpo humano era um sistema, uma máquina biológica. Tendo conhecimento disso, Frankenstein poderia criar sua própria máquina biológica, unindo as melhores peças, e assim através do galvanismo, usando-se eletroquímica, concederia a fagulha que ativaria o coração e o sistema nervoso, fazendo o corpo ser animado e ganhar vida. Nesse ponto, Frankenstein ignorava totalmente a ideia de alma. 

Em termos literários, Rocque e Teixeira (2001, p. 13) comentam que enquanto romances góticos anteriores a Frankenstein (1818), abordavam temas relacionados com maldições, assombrações, fantasmas, depravação moral, assassinatos, vinganças, suspense, terror e até designios celestes de punição, o que seria um reflexo de crenças religiosas, em Frankenstein o mal que causa problemas para o protagonista é oriundo de sua obsessão em criar vida. Ou seja, o protagonista através da ciência cria um monstro que passa a persegui-lo e buscar vingança. Além disso, Rocque e Teixeira (2001, p. 14) comentam que a trama é bem intimista focando-se no dilema, medo e arrependimento de Victor Frankenstein por sua criação, e na rejeição, amargura e ódio do monstro que foi abandonado por seu pai e passa a ser rejeitado pela sociedade.

Nesse sentido, a obra de Mary Shelley inaugura a ciência como meio para que atitudes loucas, obsessivas, desumanas, ambiciosas, inescrupulosas, etc. possam ganhar vida. Adiante voltarei a falar como a obra de Shelley influenciou outros autores e até mesmo debates sobre genética, eugenia, bioética, etc. 

Frankenstein e a religião: 
Embora questões espirituais como fantasmas, maldições, assmbrações, demônios, etc. estejam de fora desse livro, ainda assim, Mary Shelley não deixa totalmente a parte preceitos religiosos. Na terceira edição de seu livro, a autora faz menção a uma citação de Paraíso Perdido (1667) de John Milton. Nesse longo poema que aborda a criação de Adão e Eva, a expulsão deles do Éden, o confronto entre Lúcifer e Deus, e a vingança do Anjo Caído contra a humanidade, Shelley cita o capítulo X, estrofes 743-745, onde Adão indaga a Deus, do porque Ele os criou. Apesar que Mary Shelley pelo que ela sugere, não recorreu a Bíblia na época que escrevia a primeira edição do livro, lá em 1817, nessa terceira edição, a qual foi a definitiva, onde contou com modificações e acréscismo a narrativa original, a autora apresenta essa indagação. Aqui nota-se um paralelo bem interessante, pois o monstro faz a mesma indagação que Adão fez a Deus. 



“A ambição do doutor Frankenstein em dar vida à sua criação coloca o dedo na ferida do histórico debate entre ciência e religião. Afinal, o cientista não estaria, em suas atividades, ocupando o lugar de Deus? Esta popular pergunta já está, por si só, no campo da relação de confronto entre ciência e religião”. (RODRIGUES, 2007, p. 70). 

No livro, Mary Shelley deixa de forma indireta essa visão de que Frankenstein estivesse querendo desafiar o próprio Deus. No caso ela chega a substituir o nome de Deus por "Natureza", "Mãe Natureza". A obsessão do médico não se limitava apenas em descobrir o mistério da vida o qual pertencia ao divino, mas também de criar curas para doenças e talvez até descobrir a imortalidade. Victor chegou ao ponto de dizer que caso seus experimentos dessem certo, ele talvez tornaria a humanidade livre do destino da morte biológica. O ser humano poderia perpetuar sua vida, talvez nem envelheceria. 

Além disso, há passagens no livro onde Frankenstein diz que buscava uma autopromação, sua descoberta seria um triunfo a ciência, a grande maravilha do século XVIII, o homem que descobriu como criar vida! Mas excetuando-se esse lado de desafiar Deus no quesito de criar vida, depois que Frankenstein se arrependeu de sua criação após olhar para o rosto da criatura que ele descreveu como sendo algo abominável, ele decidiu matar sua criação e fugiu. Mas depois que descobriu que o monstro sobreviveu, ele continuou a escapar dele. 

Neste caso, Frankenstein em suas conversas com o capitão Walton diz que cometeu terríveis erros, pois ousou ser aquilo que não deveria ser. Ele mesmo chega por um momento a pensar que estaria sendo amaldiçoado por sua ambição. Frankenstein se indagava se estaria sofrendo a punição por ter desafiado Deus. Além disso, seu monstro, no final do livro também faz referências ao cristianismo, citando a queda de Lúcifer. Nesse caso, o monstro se compara ao anjo caído, ao dizer que antes ele era puro, mas seus crimes o tornaram um demônio. 

Frankenstein e filosofia: 


Um terceiro elemento que abordaei nesse texto, diz respeito as questões filosóficas envolvidas na obra de Mary Shelley. O primeiro caso já foi comentado, que se tratava da filosofica mecanicista cartesiana, concebida pelo filósofo, físico e matemático francês René Descartes (1596-1650), um dos grandes nomes da filosofia moderna, defensor do Racionalismo e do Mecanicismo. 


“Quando em 1632, Descartes escreve “O Tratado do Homem”, ele afirmará que o corpo humano é uma criação artificial, à maneira dos relógios, das fontes artificiais e dos moinhos de vento, como os autômatos. Nesse conceito encontramos uma possibilidade de definirmos o que é Frankenstein. Com o tão conhecido: penso, logo existo, Descartes está reduzindo o ser a uma consciência pensante. O racionalismo do século XVII indica que o mundo obedece a leis simples, redutíveis às matemáticas, cognoscíveis apenas pelo raciocínio lógico. Se o homem é um conjunto de membros, chamado de corpo humano, sob o ponto de vista racional, ele é um monstro. Achamos uma outra possibilidade de definir Frankenstein. Com o racionalismo todo o Universo era razão. Somente Deus e o espírito humano não poderiam ser explicados de maneira quantitativa. O mundo passa ser visto com algo totalmente mecânico, feito de matéria em movimento. O Cartesianismo permitiu que o intelecto do homem se distanciasse de sua fé, um corpo sem alma, por que alma não é matéria, é o mesmo que um cadáver. E isso era a própria criatura do Dr. Victor. Um corpo sem alma, um cadáver, e o médico era um ser mecânico, alguém capaz de transcender a ordem das coisas”. (MOREIRA, 2000, p. 40). 


“A filosofia mecanicista na qual a criatura foi baseada, era uma nova filosofia que tinha na ciência experimental uma espécie de ativismo socio-econômico. Ao se substituir a busca pelo elixir da vida ou a busca pela pedra filosofal, o cientista deixa a alquimia para se comprometer com a química. E todo esse processo conduz a uma revolução científica, que se fundamentará no rigor do materialismo. A Natureza pode ser governada por outros princípios que não sejam intervencionados por outro ser, como Deus. Antes tínhamos o racionalismo dogmático, quando deus era o relojoeiro, o engenheiro, o construtor do Universo. No instante dessa revolução que se iniciou no século XVI, com o mecanicismo, teremos o racionalismo crítico, no lugar do outro. A ciência se torna empirista e os homens não podem mais só confiar na razão, ou nos seus pensamentos. Se o homem não precisa mais da intervenção divina para dominar a Natureza, ele pode então tornar-se seu mestre e desencadear uma outra revolução, a industrial. Está formado o quadro em que perfila toda a obra de Mary Shelley”. (MOREIRA, 2000, p. 40-41). 

"O mundo do pensador moderno seria, cada vez mais, um mundo mecanisticamente reduzido à matéria e ao movimento, descrito por leis rígidas e quantificáveis, onde o espírito vitalista e qualitativo do alquimista iria perdendo espaço até não encontrar mais lugar". (GOLDFARB-ALFONSO, 2001, p. 161).

Baseado nesse pensamento mecanicista que influenciou autora e personagem, Shelley concebeu Victor Frankenstein como herdeiro dessa revolução científica e filosófica também. Ele motivado por esse espírito investigador, questionador e criador, decidiu se apartar do mundo, da família e dos amigos, trancando-se em seu laboratório, em Genebra, onde passou um período indeterminado de tempo, absorto em seus estudos e experimentos, até criar sua obra-prima, ou o que deveria ter sido ela, pois a face desfigurada da criatura o tomou de pânico e medo, e ele caiu em desespero ao reconhecer não ter criado um "novo Adão", mas um monstro. 

Nesse ponto andentramos outros pensamentos filosóficos, dessa vez representados na figura do monstro de Frankenstein. Nesse caso, Maria João Pires (1985) realizou um estudo no qual observou elementos da filosofia de John Locke (1632-1704), especialmente de seu livro Ensaio sobre o entendimento humano (1689), uma das mais significativas produções desse filósofo inglês. No caso, Pires (1985) comenta que percebeu questões apontadas por Locke na obra de Mary Shelley, em dois momentos: no primeiro referente ao médico Victor Frankenstein o qual expressava as noções de investigação, espírito inventivo e criador, da necessidade de experimentação, de abstracionar o saber para poder pensá-lo fora dos limites físicos, de procurar desvendar os mistérios da natureza, etc. assim, Victor Frankenstein surge como um autêntico cientista empírico a seu ver, que expressa alguns dos elementos sugeridos por Locke. 

Por sua vez, Pires (1985) comenta que no caso do monstro esse embora ao ganhar vida apresenta a capacidade de raciocínio já formada e até mesmo a capacidade de fala operante, isso contraria a ideia de Locke de dizer que o ser humano nasce como uma tábula rasa ou um papel em branco, no sentido que nascemos apenas com nossas faculdades biológicas e instintivas, que são ligadas também as reações aos estímulos sensoriais do nosso corpo: frio, calor, claridade, escuridão, fome, sede, sono, cansaço, etc. Mas o monstro de Frankenstein apesar de ter a forma de um adulto com mais de dois metros de altura, milagrosamente detinha uma consciência também adulta. Apesar que Shelley não detalha como ela pensava a respeito disso. 

Nesse ponto a capacidade consciente e racional do monstro seria um fato de ele ser criatura humanoide viva, aqui baseado no princípio da filosofia cartesianisma, ou ele traria resquícios de memórias, saberes e comportamentos do cerébro usado para criá-lo? Apesar desses pontos a favor do cartesianismo, Pires (1985) observou que o fato do monstro apresenta incoerência para o mundo, fosse reflexo do pensamento lockiano. O monstro sabe pensar e falar, mas ele nasce de forma ingênua como se fosse uma criança. No início ele se comparta dessa forma insegura e deslocada do mundo, já que não nasceu de forma natural, mas foi algo criado por um cientista louco. 

No caso da ingenuidade e passividade do monstro, adentramos a filosofia de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), em seu livro Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (1755), onde Rousseau profere uma de suas frases mais conhecidas: "o homem nasce naturalmente bom, a sociedade o corrompe". Apesar de ter gerado controvérsias com sua ideia de "bom selvagem", e progresso civilizatório x degradação/desigualdade social, a ideia de que hipoteticamente todas as pessoas nascem boas, mas a criação e a convivência moldam seu caráter, ações e intenções, tornando-as passíveis de virarem pessoas más, não é totalmente equivocada. Há certa lógica nisso. Mas aqui não vem ao caso debatê-la. O que Shelley se aproveitou desse pensamento é a ideia de que o monstro de Frankenstein além de ingênuo, ele era uma boa pessoa. 

Diferente dos filmes e outras adaptações que normalmente monstram o monstro desde o início já agindo de forma violenta e assassina, no livro, o monstro demora a ganhar essas caracteríticas. Ele após deixar Genebra, vaga pela Suíça e chega a França, então passa meses como um clandestino, vagando pelos campos, vilas e cidades pequenas, sendo repudiado pela população por sua aparência bizarra. Nas conversas que o monstro tem com o Victor, percebe-se essa questão em pauta. O monstro dizendo que procurou começar a vida em outro lugar, desistir de procurar seu criador, mas por onde passou foi repudiado, agredido, perseguido e jurado de morte, aquilo o levou a nutrir sentimentos de raiva, apatia, aversão e finalmente desejar a vingança e o mal aos outros. Aqui percebemos como o monstro encarna a noção rousseniana do "bom selvagem" e acaba tornando-se mal, pois a "sociedade o corrompeu". 

Influências da obra de Frankenstein: 

Falar sobre as influências que a obra de Mary Shelley deixou como legado é algo bastante vasto, então optei em ser sucinto. Alguns livros que se inspiraram em alguns aspectos de Frankenstein, que foram lançados ainda no século XIX foram O médico e o monstro (1886) de Robert Louis Stevenson. Originalmente intitulado The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, esse romance gótico de suspense, terror e ficção científica traz de volta elementos como o médico louco, pesquisas científicas amorais, uso da ciência para criar monstruosidades. Outro autor que seguiu essas características foi H. G. Wells com seu livro A ilha do Dr. Moreau (1896), o protagonista se isola numa ilha tropical onde faz experimentos bizarros para criar humanoides a partir de manipulação genética de animais. Essa ideia do médico louco e do uso indevido da ciência se tornou recorrente na literatura, cinema, desenhos, quadrinhos, videogames, etc. 

Ainda no século XIX o livro Frankenstein foi adaptado para o teatro, mas somente em 1910 ele chegou ao cinema, através de uma produção feita pelo próprio Thomas Edison. Nesse curta metragem em preto branco e sem áudio, parte da história do romance era narrada de forma breve. 

O autor Charles Ogle interpretando o monstro de Frankenstein, no filme Frankenstein (1910), a primeira adaptação cinematográfica da obra de Mary Shelley. 
Embora o monstro tenha sido representado de forma diferente nas artes, ainda hoje é comum as pessoas pensarem nele como um cara grande, de passos lerdos, semblante fechado e assustador, pele verde e parafusos nos lados do pescoço. Tal imagem adveio do filme Frankenstein (1931), onde trazia o ator britânico Boris Karloff no papel do monstro. A maquiagem usada para conceder a Karloff o aspecto grotesco do monstro, tornou-se uma referência no cinema até hoje. Todavia, o filme embora não tenha sido uma adaptação fiel ao livro, pois o monstro não fala, não reflete sobre seus atos, é maligno desde o começo, o nome do Victor foi alterado para Henry, e ele ganhou um ajudante chamado Fritz (que posteriormente foi chamado em outros filmes de Igor). Apesar dessas diferenças o filme fez sucesso rendendo duas continuações A Noiva de Frankenstein (1935) e o Filho do Frankenstein (1939). Nesse caso, no livro o monstro pede para que Victor criasse uma esposa para ele, mas Victor desiste de fazer isso e destrói o corpo. A ideia foi aproveitada no cinema em alguns filmes e até em outras histórias literárias. 

Boris Karloff como o monstro no filme Frankenstein (1931). 
Além desses filmes de terror, vários outros foram feitos, mas nenhum adaptou arrisca a história do livro. Mesmo o filme Frankenstein de Mary Shelley (1994) traz alterações bastante significantes que destoam da narrativa original. Não obstante, além de ser um personagem de terror, o monstro que ficou conhecido como Frankenstein também tornou-se alvo de sátiras, tornando-se personagem de filmes, seriados e histórias de comédia como no seriado Os Monstros (The Munsters), exibido entre 1964-1966 nos Estados Unidos, consiste numa sátira aos filmes de terror. O protagonista Herman Monstro consiste numa sátira ao Frankenstein. Sendo apresentando de forma atrapalhada e bobo. Os Monstros receberam filmes, desenhos e quadrinhos, popularizando a versão cômica do Frankenstein, de vampiros, lobisomens, múmias, etc. 

O seriado Os Monstros (1964-1966) popularizou a versão cômica do monstro de Frankenstein. 
Nos últimos anos o seriado Penny Dreadful (2013-2016) exibido inicialmente nos Estados Unidos e Reino Unido, trazia uma história de terror e suspense na Londres do final do século XIX. A ideia foi reunir figuras conhecidas de romances góticos como Victor Frankenstein, Drácula, Dorian Gray, com outros elementos de terror da época. Neste caso, Victor Frankenstein é um médico que vive em Londres, escondido da criatura que havia criado e que ainda o persegue. Ele é um homem jovem, introvertido, desconfiado, apesar que não tenha desistido de prosseguir com seus experimentos bizarros. Nessa versão, o Victor também tem problemas com drogas. Porém, o destaque vai para o monstro, interpretado por Rory Kinnear que concedeu o lado humano visto no monstro na obra de Mary Shelley que foi descartado nos filmes de terror. 

O ator Rory Kinnear como o monstro de Frankenstein, no seriado Penny Dreadful
Embora a versão do monstro de Frankenstein em Penny Dreadful, não tenha pele amarela, mais de dois metros de altura, e seja um monstro assassino, ainda assim, essa versão como eu disse, traz o lado humano da criatura visto no romance de Mary Shelley. A atuação de Kinnear em dados episódios transmite bem essa perplexidade que a criatura vivencia em ser rejeitado por sua aparência, em ser temido, repudiado ou ridicularizado. Embora não seja um assassino como no livro, ele mata algumas pessoas na história, mantém sua vingança ao seu criador, cobra que ele crie uma esposa, etc. Porém, o monstro é um homem solitário, sensível, amargurado, revoltado, que gosta de ler poesia, teatro, de ajudar e refletir sobre a sociedade. Ele tenta ser útil para ver se assim é recebido pelas pessoas, deixando-o de ser repudiado. Ele mesmo comenta que sua raiva e revolta se devem ao fato de ser estigmatizado pela sociedade. Nota-se aqui os elementos contidos no livro, vistos nessa adaptação. 

Porém, para fora do âmbito das artes, a obra de Frankenstein também sucitou outros debates de cunho científico, moral e filosófico. Anteriormente eu disse que questões sobre bioética e o uso indevido da ciência. A questões raciais, eugênicas e da manipulação genética que tiveram início no final do século XIX e se mantém até hoje suscitam perguntas as quais indagam os limites da ciência para que essa não transgrida a moral, a ética as leis. Ao longo do século XX experimentos com humanos ocorridos nas colônias alemãs na África, durante o governo nazista (1933-1945), durante a URSS entre as décadas de 1930 a 1950, nos Estados Unidos, envolvendo pesquisas sobre genética, mutação, reprodução, evolução, etc. com animais e pessoas, suscitaram debates acalorados sobre como proceder nesse campo. Até onde o progresso dessas ciências deve ir? Será que em nome do progresso se faz necessário transpor a legalidade e a ética? Victor Frankenstein obcecado por glória pessoal e por um desejo de ajudar a humanidade, transpõe essas barreiras e cria um monstro do qual se arrepende. 

NOTA: Harriet Shelley, primeira esposa de Percy Shelley, faleceu em 1816, afogando-se num rio, durante um passeio de barco. Na época cogitou-se a possibilidade de que ela poderia ter cometido suicídio, já que estaria depressiva e havia sido abandonada pelo marido, tendo ficado com dois filhos pequenos para criar. Percy que no período já vivia com Mary, rejeitou os dois filhos com Harriet, e esse foram criados pelo pai dela. 
NOTA 2: Mary Shelley relatou sua ousada viagem pela Europa, em um diário de viagem, publicado em 1817. 
NOTA 3: Mary Shelley teria perdido cinco filhos entre abortos espontâneos e bebês que morreram de forma prematura. O seu único filho com Percy, que sobreviveu, foi Percy Florence Shelley (1819-1889).
NOTA 4: Mary Shelley escreveu outros romances de caráter de ficção científica e histórica, escreveu relatos biogáficos sobre suas viagens, uma biografia sobre sua mãe, escritos sobre literatura, política, etc. Porém, ainda em vida ficou conhecida apenas pelo seu primeiro livro publicado, Frankenstein (1818), considerado sua obra prima. 200 anos depois ela ainda é conhecida principalmente por esse livro, embora não se deva renegar o resto da sua produção literária. 

Referências bibliográficas: 
CÔRREA, Lillan Cristina. O foco narrativo em Frankenstein. Revista Todas as Letras, n. 1, vol. 8, 2006, p. 58-65. 
GOLDFARB-ALFONSO, Ana Maria. Da alquimia à química. São Paulo, Editora Landy, 2001.
MOREIRA, Luana Alcides. Frankenstein de Mary Shelley. 2000. 53f. Monografia (Gradução em História) - Curso de História, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2000. 
PIRES, Maria João. Percursos lockeanos em Frankenstein de Mary Shelley.  
ROCQUE, Lucia de La; TEIXEIRA, Luiz Antonio. Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker: gênero e ciência na literatura. História, Ciências e Saúde - Manguinhos, vol. VIII, n. 1, mar-jun 2001, p. 10-34. 
RODRIGUES, Felipe Fanuel Xavier. O cientista e a religião: refletindo sobre ciência a partir da obra literária "Frankenstein", de Mary Shelley. Revista Eletrônica Correlatio, n. 11, julho 2007, 66-74. 
SHELLEY, Mary. Frankenstein ou o Prometeu Moderno. Tradução de Adriana Lisboa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2011. (Coleção Saraiva de Bolso). 

Referência da internet:
TODD, Lucy. O que explica o fascínio com Frankenstein, 200 anos após sua criação? Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/geral-42537245. 3 de janeiro de 2018. 

LINKS:  Frankenstein (1910)

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