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Leandro Vilar

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Uma história sobre o banheiro

Hoje em dia o banheiro é um cômodo bastante familiar e tão comum que estranhamos quando numa residência ainda não exista banheiro ou este fica situado fora da casa. Ou quando chegamos a uma estação ou grande loja e não existe um banheiro para acesso público. Todavia, embora os banheiros existam a séculos, seu uso e presença é algo bem recente e somente começou a ser difundido no século XX, embora que em alguns países ainda existam residências sem banheiros. Entretanto é assombroso que somente há um pouco mais de cem anos é que o banheiro tornou-se algo comum, antes disso as pessoas fosse do mais pobre ao mais rico, em geral faziam uso de penicos. 

O presente texto procurou contar um pouco da história de como eram os banheiros no passado, isso quando eles existiam; como era a prática do banho e outros hábitos de higiene. No caso, o foco desse estudo se deu sobre a Europa, pois no Ocidente, foram os europeus que legaram a etiqueta e os padrões de higiene que ainda hoje utilizamos, além de ser na Europa o local que possuímos melhores descrições sobre isso. 

Os banheiros no passado: 

Se considerarmos banheiro como um espaço no qual o usamos para nos lavar, urinar e defecar, tal ambiente ainda demorou a ser construído e nem sempre foi algo regular. Em determinadas épocas havia banheiros apenas para banhar-se, e outros apenas para se fazer as necessidades fisiológicas. 

Porém, se considerarmos o banheiro apenas como local para evacuarmos nossa urina e fezes, isso é algo bem mais antigo. Vestígios arqueológicos encontrados na Índia, China, Mesopotâmia, Egito, Grécia e Roma Antiga, já revelam a existência de latrinas, os quais eram locais pequenos ou grandes, que serviam de uso público ou privado, onde basicamente existiam bancos de madeira ou de pedra, com buracos nos quais os dejetos eram liberados. Na Antiguidade e no Medievo, em outros locais da Europa, Ásia, África e até na América Central, o uso de latrinas existiu em dados momentos, mas não como algo regular ou obrigatório. 


A aparência de uma latrina não diferenciou muito ao longo dos séculos da Antiguidade à Idade Moderna. A grande mudança veio surgir com o vaso sanitário. 
Por exemplo, os romanos popularizaram as latrinas públicas em algumas cidades, assim como, os banhos públicos. Algo que hoje em dia causaria vergonha, pavor e escândalo em algumas pessoas, pois, nas latrinas não havia cabines como existem nos banheiros públicos atualmente. As pessoas defecavam e urinavam uma na frente da outra, e até aproveitavam para conversar entre si. Alguns escravos eram incumbidos de limparem o local e auxiliar os usuários a se limpar, fazendo uso de um tipo de esponja. Embora houvesse latrinas para homens e mulheres, mas as vezes, poderia ocorrer o fato de eles não respeitarem essa separação. Já os banhos públicos eram divididos para homens e mulheres, mas basicamente todo mundo ficava nu na frente do outro. (VILAR, 2014). 

Desenho representando como teria sido uma latrina pública na Roma Antiga. 
Os gregos, persas e egípcios não fizeram tanto emprego dessas práticas higiênicas públicas. Os bizantinosárabes e turcos em determinados épocas adotaram o uso de banhos públicos (mais divididos para homens e mulheres, como o banho turco que ainda existe), e as vezes faziam uso das latrinas também. Mas em geral a existência de latrinas não foi algo obrigatório mesmo nas residências mais abastadas entre diferentes culturas ao longo da História. 

Isso é importante destacar, pois existe a falsa impressão de que nos palácios, mansões e castelos sempre existiram latrinas. Mas não era bem assim. Nem sempre elas existiam e quando havia, não que dizer que todo mundo que ali morasse ou trabalhasse fizesse uso das latrinas. O uso de penicos ainda foi bastante comum até mesmo na primeira metade do século XX. As pessoas quando queriam urinar ou defecar, faziam uso de penicos que ficavam guardados sob a cama ou em outro lugar da residência. Depois de fazer suas necessidades, os dejetos eram levados para fora de casa e geralmente jogados no quintal, jardim ou na rua mesmo. Caso a pessoa vivesse próximo a um rio ou fonte de água corrente, atirava ali os excrementos. Tal hábito foi tão comum, que mesmo em cidades no século XIX, como Londres, Paris e Nova York, não era incomum você se deparar com restos de urina, fezes, vômito e catarro pelas ruas. E geralmente as pessoas que moravam em apartamentos, atiravam isso direto pela janela. (VILAR, 2011). 

Na Europa Ocidental a existência de latrinas públicas continuaram até mais ou menos o século VI ou VII, sobrevivendo ao fim do Império Romano. No lado sob domínio bizantino, eles duraram por mais tempo. Todavia, os banhos públicos ainda perduraram até os séculos XI, XII e XIII, dependendo do país; e as latrinas públicas continuaram a existir nos locais onde eram ofertados esses banhos. Porém, no século XIII em diante, eles foram definitivamente fechados em vários lugares. E as latrinas que ainda continuaram a existir, tornaram-se particulares e restritas a determinadas residências. 

Porém, a proibição das latrinas e banhos públicos se deveu por questões culturais e religiosas. Com a ascensão do moralismo cristão pela Europa ao longo da Idade Média, cogitou-se algo abominável as pessoas frequentarem tais locais públicos. Curiosamente apesar dessa reprovação da Igreja, os banhos públicos continuaram a existir por séculos em alguns países europeus. A grande crítica da Igreja não foi as latrinas em si, mas aos banhos públicos, onde as pessoas ficavam nuas ou seminuas. Com isso passou-se a proibir o banho regular e a se frequentar tais ambientes considerados antros de safadeza por incitar a luxúria e outros pecados. De fato, não foi um exagero dos religiosos, pois algumas casas de banho atuavam como prostíbulos também, ou realizavam banquetes e festas, nas quais homens e mulheres banhavam-se juntos e até tinham relações sexuais por ali mesmo. Alguns desses festejos até mesmo eram realizados em castelos ou palácios por nobres extravagantes. (LE GOFF; TRUONG, 2006, p. 55). 


"Mas o florescimento de uma prostituição organizada, sobretudo, para os jovens não se justifica apenas pelo facto de eles serem clientes. Os pobres, casados, frequentam os bordéis e os mais abastados têm os banhos, que proporcionam, ao mesmo tempo, os prazeres do banho, da mesa e da cama". (ROSSIAUD, 1989, p. 116). 

Entre os séculos XI e XIII os banhos públicos começaram a ser proibidos na Europa, por incitarem atos pecaminosos como gula, bebedeira, adultério, fornicação entre outros.  
Entretanto, a recomendação de não banhar-se regularmente para evitar ser tentado pelo "pecado da carne" e até mesmo evitar "contrair" doenças - pois durante o banho você removeria a camada de suor e gordura que "supostamente" protegeria de alguns tipos de doenças -, passou a ser defendida por clérigos e até médicos. A ponto de que mesmo em suas casas as pessoas tendiam a não se banhar de corpo completo, optando por apenas lavar os rostos, mãos, braços e os pés. O banho de corpo inteiro foi por algum tempo considerado ato indecoroso, devendo-se realizá-lo poucas vezes. (LE GOFF, 2005, p. 355-356). 

Pode parecer exagero isso, mas não foram apenas os clérigos que eram instruídos a não banhar-se com regularidade para não serem atiçados por "pensamentos libertinos", mas a população no geral também era instruída a não banhar-se regularmente. Todavia, não podemos cair no senso comum em achar que com tal censura religiosa, as pessoas deixaram de tomar banho com frequência. 


"Contrariamente à idéia consagrada, os homens da Idade Média não odiavam a nudez. É verdade que a Igreja a condenou. Mas o corpo nu permanece no centro de uma desvalorização e de uma promoção. O cristianismo rompe claramente com as práticas antigas, sobretudo as da ginástica - do grego gymnos, que quer dizer nu -, que os atletas exerciam despojados de toda roupa. Mas, a partir do momento em que o casamento se institui no horizonte da procriação, os casais são autorizados a dormirem nus, como atestam várias representações. Apesar disso, mesmo no estágio do casamento, o nu permanece uma situação perigosa. E a representação de cônjuges nus em um leito pode ser percebida como um sinal de luxúria. Apenas o contexto permite determinar se se trata de licença ou de obediência às leis do casamento e da procriação. Assim decaída, a nudez oscila entre a beleza e o pecado, a inocência e a malignidade". (LE GOFF; TRUONG, 2006, p. 140). 

Ou seja, a Igreja e a medicina no intuito de combater a luxúria, promoveram uma forte censura que não apenas acabou com os banhos e banheiros públicos, mas afetou a higiene pessoal da população no geral. Porém, não significa que as pessoas não tomassem banho como é dito em alguns blogs, sites e até reportagens por aí. O ato de tomar banho além de ser uma necessidade e prática cultural, também é uma escolha pessoal. Havia pessoas que tomavam banho mais regularmente do que outras. Generalizar como se em todo período medieval, ninguém gostava de tomar banho ou fosse proibido fazê-lo regularmente, é o cúmulo do absurdo. 

O surgimento do banheiro moderno:

Após a proibição dos banhos e latrinas públicos, as pessoas ficaram restritas a fazer sua higiene pessoal em seus lares, isso para as nações cristãs, pois em algumas nações islâmicas, ainda continuaram a existir banhos públicos. Os ricos tinham maior acesso a água e poderiam se fosse de sua escolha, banhar-se mais frequentemente, inclusive tendo os servos para auxiliá-los nisso e a disposição de sabão, sais de banho e outros produtos perfumados, geralmente óleos de fragrância, eram usados para ajudar na limpeza e a conceder bom odor, já que naquele tempo não era comum usar perfumes e nem existiam desodorantes. 

Ao longo da Idade Média e Moderna, o banho no lar era feito essencialmente numa grande tina. Cuja água poderia ser aquecida ou em temperatura ambiente. Embora que as pessoas não costumassem tomar banho nos meses frios. Os ricos ao banhar-se, possuíam regalias como poderem fazer suas refeições no banho e serem servidos por seus servos. 
Já as pessoas de menos posses, em geral banhavam-se compartilhando a mesma água com toda a família, prática que durou por séculos. As vezes a família elegia um dia da semana ou no mês para todo mundo tomar banho. Era o chamado "dia do banho". O pai era o primeiro a banhar-se, depois a mãe, depois os filhos do mais velho ao mais novo. Caso morassem outros parentes, a ordem alterava-se após a dona da casa e antes dos filhos mais velhos. Quando os mais novos iam se banhar, a água já estava suja. Todavia, o banho dependendo da época e do lugar, basicamente consistia em esfregar o corpo com as mãos, escovas e esponjas. Caso existisse sabão, ele era usado. Nos meses de frio o banho de corpo completo não era realizado. 

A partir do século XV, os banheiros em alguns países, começaram a se tornar algo mais importante, havendo a necessidade de as casas passarem a dispor desse espaço para a higiene. Antes disso ou eles não existiam, ou havia um pequeno recinto com uma latrina, sendo em geral um local desagradável. Mesmo em alguns palácios luxuosos da época do Antigo Regime, não havia banheiros, e quando existiam a quantidade era insuficiente para a quantidade de pessoas que viviam ali. 

Contamine (2009, p. 482-483) salienta que, por exemplo, na França do século XV, em algumas cidades as pessoas da burguesia, elite e nobreza começaram a demonstrar mais interesse em construir latrinas e fossas em suas residências. Embora a presença desses ambientes ainda fosse diminuta, o autor sublinha que o interesse para a importância de ter um local da casa reservado para as necessidades diárias começou a ganhar destaque. Contamine cita o caso de uma lei expedida pelo Parlamento de Ruão na França, em 1519, no qual exigia que as casas tivessem latrinas e fossas para manter a ordem e a boa higiene, pois, lembrando que nas casas onde isso não havia, as pessoas continuavam a fazer suas necessidades em penicos ou baldes e os dejetos eram jogados na rua, no mato, terrenos baldios ou em rios e córregos. E essa imundice multiplicada por centenas ou milhares de pessoas, tornava-se um problema de higiene pública. 

Todavia, esses banheiros do século XV e XVI, que começaram a surgir na França, Itália, Alemanha, Inglaterra, e depois em outros países, principalmente nas grandes cidades, eram essencialmente um cômodo pequeno para uma pessoa (as vezes em mansões, castelos e palácios, o cômodo era maior), possuindo espaço apenas para a latrina, que consistia ainda naquele tempo, em um assento de alvenaria com um buraco ao centro, onde se colocava um balde embaixo ou tinha um esgoto que conduzia o dejeto até uma fossa ou outro local para despejo.  


Um típico banheiro europeu encontrado em casas, castelos, palácios e outros prédios públicos entre o medievo e a modernidade até o século XVI. 
Nesses rústicos banheiros do século XV e XVI, não havia pias, espelhos, armários ou outros móveis. E necessariamente não havia a banheira também, já que essa ficava num cômodo próprio para isso, ou poderia ser transportada para diferentes locais da residência. Geralmente as pessoas tomavam banho. Os banheiros daquele tempo basicamente ainda conservavam os mesmos aspectos do período medieval, como sendo lugares frios, escuros e pouco ou nada confortáveis. 

A medida que as pessoas começaram a dar maior atenção aos banheiros, algo a partir do século XVII, passaram a surgir banheiros nos quais a latrina e a banheira estavam reunidos no mesmo local, sendo locais mais espaçosos, organizados e confortáveis. Mas isso era algo disponível apenas para uma pequena parcela da sociedade, e ainda assim, mesmo os ricos não tinham aderido totalmente ao uso destes banheiros. 

Além disso sublinha-se que termos como water closet, bathroom, bathhouse, washroom, casa de banho, quarto de banho, bagno, salle de bain, baño e badezimmer, os quais todos significam banheiro, originalmente referiam-se ao local onde tomava-se banho, que necessariamente não se tratava do mesmo espaço onde ficaria a latrina. Inclusive ela nem poderia existir. No entanto, convencionou-se usar essas palavras para designar o espaço de higiene, seja para tomar banho ou não. 

A invenção do vaso sanitário: 

Como dito anteriormente, o uso de latrinas perdurou por milênios. E se não fosse tal caso, as pessoas desenvolveram cadeiras com buracos no assento, as quais eram colocadas em algum cômodo da casa e sob essa colocava-se um penico ou balde. Assim a pessoa querendo defecar ou urinar, ao invés de ir na latrina ou caso essa não existisse, poderia fazer de forma mais confortável em qualquer outro canto da residência. O problema dessa forma é que embora fosse mais confortável no sentido no ato de se sentar, porém, não era algo agradável devido aos odores que ficavam no ar. Sendo necessário despejar o conteúdo o quanto antes. 


Na Idade Média e Moderna, além das latrinas, também se usavam cadeiras para se fazer as necessidades. Cadeiras assim continuaram a serem usadas mesmo no século XIX e começo do XX. No caso dessa foto temos um exemplar luxuoso.
Todavia, quando surgiu o vaso sanitário? Objeto que mudou a forma como evacuamos nossa urina e fezes. O vaso sanitário é uma "evolução" da latrina e seu protótipo surgiu no final do século XVI, especificamente em 1596 com o nobre britânico, Sir John Harrington (1560-1621), o qual era "afilhado" da rainha Elizabeth I. Harrington era escritor e tradutor e naquele tempo havia ganhado as graças da rainha, apesar que as perdeu posteriormente devido a alguns artigos sarcásticos e críticos que escreve sobre a corte e o governo. 

De qualquer forma, antes que isso acontecesse, em 1596 ele decidiu criar sua própria versão de latrina. A ideia de Harrington foi inventar um mecanismo que usasse água para carregar os dejetos através de um cano até uma fossa, esgoto ou outro local de despejo. A água seria armazenada numa caixa, e com o puxar de um mecanismo, o compartimento seria aberto e o conteúdo despejado no interior do vaso, levando os dejetos embora. A ideia de Harrington deu origem ao vaso sanitário com descarga. Ele inclusive escreveu um artigo intitulado A new discourse of a Stale Subject called the Metamorphosis of Ajax. Onde apresentava seu rascunho, mecanismo de descarga e como tudo funcionava. O nome "Ajax" que refere-se a dois heróis gregos, aqui era uma metáfora para a palavra jakes (gíria para banheiro naquela época). (BAXTER, 2004, p. 24). 


Sir John Harrington, o inventor do protótipo do vaso sanitário com descarga d'água. 
Um protótipo foi instalado em sua casa e depois outro foi dado de presente a rainha Elizabeth I. Porém, a ideia de Harrington e seu "Ajax" embora muito promissora, não foi levada para frente. Harrington acabou perdendo o interesse de desenvolver seu invento e até torná-lo algo rentável. Além dele, outras pessoas também não deram muita importância ao seu invento, tratando-o mais como uma curiosidade. Além disso, o invento de Harrington enfrentava o problema de que em muitas residências ainda naquele tempo não possuíam canos, fossas ou água encanada. Para instalar um vaso sanitário com descarga era necessário ter pelo menos um esgoto para onde conduzir os dejetos, mas isso em muitos casos nem existia. 

Assim a invenção de Harrington com o tempo foi quase que totalmente esquecida. Em 1775 o inventor e relojoeiro escocês, Alexander Cumming (1733-1814) inventou o cano curvado em formato de S (S-bend), uma simples invenção que fez uma grande diferença. Na época de Cumming, os poucos vasos sanitários baseados no modelo de Harrington que existiam, apresentavam um problema que ainda não havia sido resolvido: o mal-cheiro que sai da tubulação ligada ao vaso sanitário. Por mais que houvesse tampa, as vezes nem isso resolvia e o fedor conseguia escapar. (BAXTER, 2004, p. 26-27). 


Desenho apresentando o funcionamento do cano S criado por Cumming para o vasa sanitário. 
Ao colocar o cano S no sistema de tubulação do vaso sanitário, ele permitia criar um bolsão de água, o qual bloqueava que as partículas de mal-cheiro existente dentro do encanamento pudessem retornar até o vaso. O engenho pode parecer simples, mas foi revolucionário e até hoje é utilizado. Entretanto mesmo com tal invento isso não significou que o vaso sanitário tenha se tornado objeto regular nos banheiros de uma hora para outra, porém, começou a difundi-lo ainda mais. 

Em 1778, o inventor e chaveiro inglês, Joseph Bramah (1748-1814), trabalhava para uma companhia que construía banheiros. Na época já se instalavam vasos sanitários fazendo uso do invento concebido por Cumming poucos anos antes. Porém, um outro problema havia surgido: durante o inverno a água que permanecia residual no cano S, congelava e com isso acabava entupindo o vaso sanitário. O patrão de Bramah, Mr. Allen criou uma válvula para vedar o cano, evitando que a água congelasse. Porém, Bramah gostou da ideia e comprou os direitos da patente, aperfeiçoando o invento de Allen. Dessa forma, a válvula seria aberta no momento que você puxasse a descarga e voltaria a vedar o cano, evitando que qualquer cheiro que eventualmente passasse o bloqueio de água pudesse sair, mas também evitava que a água residual no cano congelasse. De posso dessa patente, Bramah seguiu mais um tempo trabalhando com a instalação de banheiros em casas em Londres. 


O esboço da versão do vasa sanitário de Joseph Bramah e seu intricado mecanismo para bombear água para a descarga e a válvula que protegia que a água do encanamento congelasse.
Porém, somente na segunda metade do século XIX é que o vaso sanitário começou a ser produzido industrialmente. Naquela época existiam diferentes modelos e empresas que concorriam para produzir seus próprios produtos. Em geral os vasos eram feitos de madeira e unidos ao mecanismo da descarga, sendo formado por várias peças; além de fazerem uso da caixa d'água externa, fixada na parede e fazendo uso da gravidade também para impulsionar a água até o interior do vaso. Todavia, entre esses inventores e empresários destacou-se Thomas Twyford (1849-1921), o qual a partir de 1885 começou a comercializar o vaso sanitário feito de cerâmica, que até hoje ainda é usado. Basicamente Twyford patentou o modelo básico que ainda hoje usamos para fabricar vasos sanitários. Embora que seu invento naquele tempo ainda fizesse uso da caixa d'água externa. (BAXTER, 2004, p. 27-28). 


Propaganda em um jornal inglês, anunciando o "unitas", o vaso sanitário produzido por Thomas Twyford, descrito como confortável, eficiente e bastante higiênico. 
Embora a produção industrial do vaso sanitário tenha se iniciado ainda na segunda metade do século XIX, ele era até então um produto de luxo e ainda escasso. Muitos países no mundo não faziam uso dele. Somente no século XX é que o vaso sanitário se popularizou e se tornou item obrigatório nos banheiros, e novas tecnologias foram desenvolvidas como vasos que fornecem água quente, ou que possuem assentos acolchoados ou com aquecimento; caixas d'água acopladas a estrutura do vaso e não mais separadas, etc. 

Fazer a toalete: 

Hoje em dia não é mais comum usar essa expressão "fazer a toalete", mas até meados do século passado ainda podia-se ouvir essa expressão de origem francesa, que era utilizada principalmente pelas mulheres para se referir ao ato de se arrumar ou de se lavar, ou de se fazer ambas as coisas. A expressão remontaria a pelo menos o século XVIII, onde as madames da burguesia, elite e nobreza passaram a usar tal frase para designar o ato de ir se arrumar ou lavar-se. Mas quando fala em se lavar necessariamente não significava tomar banho, poderia apenas dizer respeito a lavar o rosto e as mãos. 

Na França do século XVIII, graças ao luxo das elites, os banheiros se tornaram locais mais requintados. Lembrando que desde o século XV em algumas regiões francesas já haviam leis determinando a obrigatoriedade de se construir banheiros nas casas, embora que necessariamente essas leis nem sempre foram obedecidas. A ponto que muitas residências, pobres ou ricas, não possuíam banheiros e nem latrinas. 

Os banheiros embora mais espaçosos (apenas nas casas mais abastadas), ainda conservavam as latrinas ou as cadeiras com penico, mas também traziam a banheira ou a tina para o mesmo espaço, além de possuir espelhos, penteadeiras, mesinhas com bacias com água, armários para guardar as toalhas e outros produtos de higiene. Estes banheiros inclusive poderiam ser revestidos de cerâmica, azulejos ou ladrilhos, dependendo do poder aquisitivo. Porém, engana-se que tais banheiros luxuosos eram algo regular. 

Mesmo suntuosos palácios como Versalhes, curiosamente não possuíam banheiros antes de 1768, ainda assim, em número insuficiente para a condição que milhares de pessoas viviam naquele complexo palaciano. Mas engana-se que foram apenas os franceses a não darem muito atenção a construir banheiros em seus palácios. No Brasil, os Palácios da Quinta da Boa Vista e de Petrópolis, os quais abrigaram as cortes dos imperadores D. Pedro I e D. Pedro II, não possuíam banheiros em pleno século XIX! Isso é reflexo de como o banheiro somente se tornou algo fundamental a partir do século XX. 

De qualquer forma, deixando de lado esse problema de que mesmo em residências ilustres não possuíam nem se quer uma latrina, quanto mais um banheiro em si, foram os franceses que inventaram um peculiar objeto higiênico, chamado de bidê. Tal objeto surgiu no século XVII em data incerta e não se sabe exatamente que o teria inventado, porém, no século seguinte ele já surgia como peça de higiene nos banheiros dos ricos. Entretanto é preciso sublinhar que o bidê daquele tempo era bem diferente do visto atualmente (embora bidês hoje em dia sejam coisa rara). 


Um requintado bidê francês do século XVIII. 
No século XVIII o bidê consistia numa bacia de cerâmica ou porcelana que servia como um luxuoso penico, sendo colocado em uma cadeira ou banco. Nesse caso, o bidê era usado para se urinar e defecar. Entretanto, ele também possuía outro uso: o de servir para a lavagem das partes íntimas. Geralmente as mulheres faziam mais uso dos bidês para poderem lavar sua genitália e bunda. Os homens faziam isso sem precisar do aparato. 


Pintura de autoria desconhecida, datada do século XIX, mostrando uma mulher lavando sua genitália num bidê. 
A imagem acima mostra como a prática de tomar banho de corpo inteiro não era regular, as pessoas preferiram lavar apenas determinadas partes do seus corpos, ao invés de banhar-se por inteiro. Por isso "fazer a toalete" naquele tempo referia-se a lavar-se e não tomar banho em si, já que a pessoa poderia simplesmente lavar apenas as mãos. 

Até o final do XVIII, o bidê passou a interessar o gosto higiênico de pessoas em outros países, aparecendo em seus banheiros. Todavia, o bidê como o vaso sanitário consistiam essencialmente naquele tempo, artigo de luxo. No final do século XIX, já com o desenvolvimento do fornecimento regular de água encanada, e até mesmo de água quente e fria, os bidês deixaram de serem peças móveis e passaram a serem fixos no chão ao a parede. Além disso, o seu uso mudou um pouco. As pessoas ainda o usavam para urinar, mas não mais para defecar. Além disso, graças ao fornecimento de água encanada, o bidê ganhou seu famoso esguicho, usado para lavagem. 

O retorno dos banheiros públicos: 

Os banheiros públicos começaram seu retorno primeiro em Paris, ainda em fins do século XVIII. Consistindo em locais pequenos, de pouca privacidade, voltados na maior parte das vezes apenas para os homens, e malcheirosos (condição que ainda hoje persiste). Nesses banheiros na maior parte das vezes não havia vasos sanitários ou latrinas, apenas mictórios, e poderiam ser encontrados em praças, parques ou nas ruas. Também em muitos casos não existia descarga, o que contribuía para o fedor. Os banheiros de estações e prédios públicos eram maiores e mais organizados, apresentando também acomodações para atender as mulheres. No entanto, somente no século XIX é que os banheiros públicos começaram a se normalizar pela França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Estados Unidos e alguns países. Mas em geral esses banheiros basicamente estavam restritos as capitais ou grandes cidades. 


Fotografia de um banheiro público francês, na segunda metade do século XIX. 
Uma das grandes mudanças em banheiros públicos surgiu em meados do XIX com o sanitarista e encanador George Jennings (1810-1882), o qual inaugurou em Londres, no ano de 1851, banheiros públicos para atender os visitantes da Grande Exposição, evento que ocorreu entre maio e setembro daquele ano, exibindo avanços tecnológicos e científicos. Na ocasião, os banheiros eram pagos, custando apenas um penny, e eram voltados para o público masculino. Nestes banheiros haviam mictórios. Curiosamente naquela época não havia banheiros públicos em Londres ainda, então os banheiros montados por Jennings para a exposição, viraram um verdadeiro sucesso. Com isso Jennings começou a solicitar do governo o direito de construir mais banheiros públicos pela cidade, algo que se concretizou. 


Desenho de um banheiro público construído por George Jennings na segunda metade do século XIX. 
A partir do século XIX os banheiros públicos começaram a se tornar algo recorrente nas grandes cidades europeias e nos Estados Unidos, sendo depois levados para outros lugares das Américas. Embora que em África e Ásia, banheiros públicos de origem árabe e turca já existissem a bem mais tempo, e ainda hoje são populares nestes continentes em vários países, em especial pelo chamado vaso sanitário turco. Que consiste num buraco no chão, ligado a um encanamento. Ao invés da pessoa sentar-se em uma privada ou existir apenas o mictório, o que não permite o ato de defecar, além de ser incômodo para as mulheres urinar, os turcos desenvolveram um tipo de latrina, que tanto homens e mulheres pudessem usá-los, mas obrigando-se a ter que ficar de pé ou cocoras para isso. 


Um exemplo de vaso sanitário turco contemporâneo. Embora a fisionomia mude, o modelo basicamente é o mesmo desde a Idade Média. 
No Ocidente, excetuando-se a África e alguns países americanos, é difícil encontrar estes tipos de vasos sanitários em banheiros públicos. Embora eu mesmo já tenha se deparado com alguns destes ao visitar rodoviárias e estações de trem. Ou ir a antigos banheiros públicos, construídos a uns cinquenta anos atrás. Todavia, em países africanos e asiáticos como sublinhado anteriormente, a existência desses tipos de privadas ainda é comum. Mesmo em países tecnológicos como Japão e Coreia do Sul, ele são encontrados. 

O chuveiro: 

A ideia de usar um cano com duas aberturas, por onde se injetava água de um lado e na outra ponta a água seria liberada, é bem antiga. Condição essa que o chuveiro em si seria uma variação da torneira, só que maior, estando no alto, e usado para banhar-se. Sendo assim, desde a Antiguidade já existem relatos de chuveiros rudimentares usados por egípciosgregos e romanos nos banhos, embora não fosse algo tão comum assim. Além disso, não sabe quando o primeiro chuveiro teria sido inventado e por qual destes povos ele teria sido usado primeiro. 


Vaso de cerâmica grega, datado do século VI a.C. mostrando seis homens. Os dois no meio estão tomando banho de chuveiro. 
O chuveiro como hoje conhecemos, item indispensável num banheiro, é um invento surgido no século XVIII, mas somente popularizado no século XX. Quando o fornecimento de água encanada tornou-se regular. Antes disso foi bastante comum tomar banho em banheiras e tinas, ou usando-se baldes e bacias. Em 1767, o engenheiro hidráulico e inventor William Feetham criou em sua casa um chuveiro, que basicamente consistia numa caixa d´água em cima de uma armação feita de madeira. A água era despejada através de uma peneira, a qual liberava o conteúdo depois que uma válvula era ativada. Outro detalhe é que o invento de Feetham foi aperfeiçoado no século seguinte, tornando-se um chuveiro móvel, pois continha rodinhas. Apesar da invenção de Feetham ser bastante interessante, ele não conseguiu comercializá-la ainda no século XVIII.  


Um chuveiro de 1810, com sua armação de bambu e rodinhas. 
Os primeiros chuveiros modernos como se observa pela foto acima, não eram muito práticos. Eram apertados, armazenavam pouca água, não tinha como dosar a intensidade da água; era necessário uma escada para poder reabastecê-lo. E embora eles fizessem uso de cortinas para evitar molhar o ambiente, também era algo desconfortável por você ficar esbarrando nelas. O curioso era eles serem móveis, podendo serem levados para outros cômodos da residência, pois naquele tempo as pessoas ainda tinham o hábito de tomar banho nos quartos ou em saletas. 

No século XIX outros inventores criaram seus modelos de chuveiro para tentar sanar tais problemas. Nos Estados Unidos a companhia Virginia Stool Shower na década de 1830, desenvolveu um chuveiro com pedal, no qual o usuário poderia dosar a potência da água. O problema que chuveiros com pedais e até alavancas já existiam, mas nada que fosse algo cômodo ou prático de ser utilizado. Mas tais inventos ainda continuaram a existir até meados do século. (BAXTER, 2004, p. 14).

Posteriormente os chuveiros passaram a ser fixados no chão, estando no banheiro e possuindo um ralo para recolher a água. Porém, eles pareciam mais gaiolas do que chuveiros como habitualmente conhecemos. 


Um modelo comum de chuveiro da segunda metade do século XIX, com sua estrutura de gaiola. A estrutura tinha três funções: uma de conduzir água para os chuveiros laterais; a segunda para servir de apoio para o banho, além de evitar que caso a pessoa escorrega-se, viesse a cair; e a terceira para se prender a cortina. 
Os chuveiros que conhecemos hoje em dia somente vão se formalizar no final do século XIX, quando em algumas grandes cidades o fornecimento de água encanada se tornou algo comum, além de haver também fornecimento de gás, permitindo usar-se aquecedores de água, e assim tomar banho quente sem a necessidade de ter que esquentar a água em panelas ou outros recipientes. Não obstante, as válvulas usadas para dosar a pressão da água já haviam sido desenvolvidas, já não requisitando mais o uso de pedais ou alavancas, pois bastava girar a torneira para isso. Além disso, os chuveiros também começaram a serem construídos em lugares como escolas, orfanatos, presídios, hotéis, clubes, balneários etc. (BAXTER, 2004, p. 14). 

Os banheiros no século XX: 


O visual de banheiro doméstico que hoje conhecemos, possuindo pia, vaso sanitário, banheira ou chuveiro, ou ambos, surgiu no final do século XIX a partir da década de 1890. 
Apesar da imagem acima retratar um banheiro baseado na decoração vitoriana do final do século XIX, engana-se quem achar que os problemas sanitários estavam resolvidos. Pelo contrário, eles ainda demorariam décadas para serem solucionados. 

Por mais que banheiros vinham sendo construídos desde o século XV, ainda em pleno século XX, muitas residências não possuíam banheiros. Nas primeiras décadas do século XX, não era incomum encontrar-se casas e apartamentos sem banheiros internos. No caso dos prédios mais antigos ou de cortiços, o banheiro era comunitário, sendo compartilhado por todos os inquilinos. Já nas casas, se estas fossem na cidade ainda teriam banheiros internos, mas se fossem situadas em distritos, na periferia ou na zona rural, o banheiro ou inexistiria ou seria fora da residência, estando ligado a uma fossa. Em muitos casos, mesmo os banheiros nas residências na cidade, eram ligados a fossas, pois o saneamento básico era precário em muitos países, mesmo em nações europeias, tendo demorado décadas para se formalizar. 

Sem contar que o próprio fornecimento regular de água encanada, também demorou a ser implementado em vários cantos do mundo. Fato esse que em muitas residências até meados do século XX, não dispunham de água encanada, o que obrigava as pessoas a continuarem tomar banho em banheiras, tinas ou em chuveiros improvisados, onde se usavam baldes ligados ao chuveiro. No caso das residências que possuíam caixas d'água e cisternas, poderia-se bombear água para os chuveiros e torneiras. 


Fotografia atual de um banheiro externo. 
Banheiros externos como esse da foto foram algo comum desde o século XIX em muitos países do mundo. Geralmente as pessoas podem ter lembranças disso quando iam para fazendas, sítios, chácaras, regiões de zona rural, onde não havia água encanada e nem energia elétrica. Porém, banheiros desse tipo não foram exclusivos a tais lugares. Mesmo nas cidades, em bairros pobres, favelas e comunidades carentes, houve o tempo que se encontravam esses banheiros nos quintais de casa. Eu mesmo nos anos de 1990 cheguei a ver alguns desses banheiros em viagens ao interior do Brasil. 

Todavia, alguns leitores poderão dizer que banheiros como esses são coisa do passado, já existem poucos, pois, o saneamento básico, o sanitarismo e a tecnologia progrediram muito no último século. De fato, isso é verdadeiro, entretanto, a falta de banheiros ou banheiros mal planejados ainda consiste num problema mundial de saúde. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) nas últimas décadas vem realizando regularmente estudos sobre as condições básicas de sanitarismo como ter acesso a água limpa e potável, saneamento básico e por incrível que pareça, ter acesso a banheiros. Se para muitos de nós o banheiro é algo tão comum e até banal, pois qualquer casa o possui, a realidade não é bem assim. Em 2014 a OMS emitiu um relatório sobre a falta de banheiros no mundo, calculando que cerca de 2,5 bilhões de pessoas não possuíam acesso regular a banheiros! 

A maior parte desse problema se concentra na Ásia, especialmente em países superpopulosos como Índia, China e Indonésia, e depois em outras nações pobres. Posteriormente, alguns países africanos vêm logo atrás na lista. Mas apesar da Ásia e África liderarem quanto a falta de banheiros, não significa que nos outros continentes, problemas similares não existam. A ONU e a OMS também apontaram que mesmo em países americanos e europeus, encontram-se cidades carentes pela falta de saneamento básico e residências que ainda fazem bastante uso de fossas para seus banheiros, além da condição de cidades as quais despejam o esgoto de forma irregular. 

Para tentar chamar atenção do mundo sobre a necessidade de ter banheiros, saneamento básico, sistema de esgoto adequado, cuidados mínimos com a higiene, a ONU em 2003 criou o Dia Mundial do Banheiro (World Toilet Day), como marco para se debater anualmente os problemas de higiene que acometem a população mundial. 
19 de novembro se comemora o Dia Mundial do Banheiro. As vezes também chamado de Dia do Vaso Sanitário. 

NOTA:
No filme O Físico (2013), que é adaptação do livro homônimo, cuja história se passa no século XI, há algumas cenas que se passam num banho público na Inglaterra. 
NOTA 2: No livro O Germinal (1885) de Émile Zola, em cuja obra o autor retratou a vida de mineradores numa cidade francesa, relata como as famílias tomavam pouco banho e faziam uso do procedimento da tina, onde o pai começava a se banhar e por fim, os filhos mais pequenos. A história do livro ocorre no século XIX, sendo baseada em relatos reais pesquisados e testemunhados por Zola, que procurou escrever um romance realista. Tal fato mostra como essa prática do "dia do banho" no lar perdurou por séculos. 
NOTA 3: O sabão é uma invenção asiática remontando há milhares de anos, embora haja dúvidas onde ele teria surgido primeiro. Todavia, ao longo da Idade Média na Europa, o uso de sabão era raro, pois sua produção era escassa e poucas pessoas sabiam fazê-lo, e em geral ele era branco ou cinza e não tinha odor. Apenas na Idade Moderna por volta do século XVIII em diante, foi que sua produção se tornou fabril. 
NOTA 4: Cadeiras com buraco no meio para serem usadas no intuito de se fazer as necessidades, ainda existem, mas normalmente tratam-se de cadeiras de rodas usadas por pessoas idosas ou com algum tipo de deficiência física, que torna difícil o mesmo dirigir-se até o banheiro. 
NOTA 5: Alguns costumam dizer que George Jennings inventou os banheiros públicos modernos, mas isso é um erro. Pois estes já existiam na França e na Alemanha. Provavelmente Jennings foi o primeiro a taxar os banheiros públicos.
NOTA 6: O chuveiro elétrico foi inventado no Brasil pelo engenheiro Francisco Canho nos anos de 1930. Mas somente na década seguinte começaram a serem comercializados. 
NOTA 7: O uso de papel para se limpar remonta a China antiga, onde existem relatos de que pessoas mais abastadas em alguns casos usavam folhas de papel. Porém, isso era algo bem raro. Todavia, por volta do século XVIII, quando o papel havia se tornado um item mais barato devido a popularização da prensa, as pessoas começaram a usar folhas de jornal, revistas e livros para se limpar também. O papel higiênico somente foi inventado no século XIX, quando passou a ser produzido pelos americanos e ingleses, para este fim específico. 

Referências bibliográficas: 
BAXTER, Joseph. The essential bathroom book. Chichester, Summersdale Publisher, 2004. 
CONTAMINE, Philippe. Séculos XIV-XV. In: DUBY, Georges (org.). História da Vida Privada 2: Da Europa feudal a Renascença. Tradução de Maria Lúcia Machado. São Paulo, Editora Schwarcz, 2009, p. 439-527. 
LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Tradução de José Rivair de Macedo. Bauru, Edusc, 2005. 
LE GOFF, Jacques; TRUONG, Nicolas. Uma história do corpo na Idade Média. Tradução de Marcos Flamínio Peres. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2006. 
ROSSIAUD, Jacques. O citadino e a vida na cidade. In: LE GOFF, Jacques (dir.). O homem medieval. Lisboa, Editora Presença, 1989. 

Referências na internet: 
VILAR, Leandro. Cidades infernais. 2011. Disponível em: http://seguindopassoshistoria.blogspot.com/2011/12/cidades-infernais_01.html
VILAR, Leandro. Os banhos públicos na Roma Antiga. 2014. Disponível em: http://seguindopassoshistoria.blogspot.com/2014/01/os-banhos-publicos-na-roma-antiga.html
ONU: Há mais pessoas com celulares do que com banheiros no mundo. Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/mundo/onu-ha-mais-pessoas-com-celular-que-com-banheiro-no-mundo,65f5d7c8739c9410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

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