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Leandro Vilar

sábado, 9 de abril de 2011

Os Bizantinos

Por muito tempo a história do Império Bizantino ficou renegada pelos historiadores, os quais só voltaram a dá atenção a esse grande império a partir do século XIX. O império bizantino fora o legado direto do Império Romano, sua própria origem remonta ainda os tempos do império romanao, contudo sua duração fora bem maior da de seu pai. Enquanto o império romano durou 503 anos, o império bizantino durou cerca de 1123 anos (existe controvérsias acerca da data de origem deste império), sendo assim o império bizantino abrangiu todo o legado da Idade Média, algo curioso, já que somos acostumados a ver na escola que não houveram de certa forma impérios durante o período medieval, devido ao feudalismo, todavia, os bizantinos não adotaram o feudalismo, e se mantiveram como um baluarte entre o mundo cristão do ocidente europeu, o mundo cristão no limiar da Ásia, e a resistência cristã contra a expansão do islamismo no Oriente Médio. Assim contarei um pouco da história deste imponente e importante império.

Introdução

A origem do império bizantino, como alguns historiadores apontam, se inicia com a fundação de sua grande capital, a cidade de Constantinopla, mas antes de chegarmos a fundação desta cidade, devemos voltar alguns anos antes para compreender o que se passava no império romano para acontecer a fundação de tal cidade.

No século III da era cristã, o grande império romano se encontrava em crise, a chamada Crise do Século III ou do Terceiro Século. Iniciada ainda no século II, após a morte do imperador Marco Aurélio em 180, os imperadores que o sucederam não souberam estabilizar os problemas que se agravaram por mais de um século de más politicas administrativas, econômicas, sociais e legislativas, que desencadearam conflitos internos, perdas de território, revoltas, consipirações palacianas, corrupção, assassinato de imperadores. Em cem anos, cerca de 20 imperadores subiram ao trono neste período, muitos governaram por poucos meses, antes de serem destronados ou mortos.

Em meio a essa crise, o império afundava cada vez mais, o legado criado por César Augusto, o primeiro imperador ia se perdendo cada vez mais. A situação só começaria a mudar no ano de 284, quando assume o novo imperador romano, chamado Diocleciano (244-311). Diocleciano assumiu o trono determinado a por ordem na casa, a reviver a glória de outrora e a dá um novo destino para o império. Ele sabia que deveria tomar medidas drásticas e rápidas para resolver isso.

"O trono era, cada vez mais, o prêmio a ser conquistado pelo chefe militar mais forte, pelos generais ambiciosos que abundavam. Durante o século III havia quase que invariavelmente alguma província nas maõs de um usurpador e, na prática, o império dificilmente poderia ser considerado como uma comunidade unida". (RUNCIMAN, 1977, p. 13).

Roma sempre dependeu de suas legiões para efetuar as conquistas e manter o nexo nas províncias e suas fronteiras, com a fraqueza no poder dos imperadores, generais ambiciosos e poderosos, começaram a conspirar para destronar os imperadores fracos e eles próprios assumirem o trono, assim se deu o caótico século III na história romana. As legiões estavam indisciplinadas, o exército estava desmotivado, em algumas partes carecia de recursos, os impostos eram altos, mas eram cobrados de forma desorganizada e as vezes sem controle e fiscalização, favorecendo a corrupção. Partes das provincias foram tomadas pelos inimigos de Roma, em outras as terras estavam vagas, devido ao medo de ali se instalarem por falta de segurança, isso gerava uma crise financeira ao império o qual necessitava de recursos para manter suas conquistas e a defesa de suas terras, ao mesmo tempo, incitava a rebelião de governadores provinciais contra o governo central, e nestes casos muitos dos governadores possuiam suas próprios exércitos, que perigava na ameaça de uma guerra civil.

Em meio a esse conturbado momento, Diocleciano agiu com punhos de ferro para por ordem. De fato ele conseguiu resolver alguns dos problemas. Não me absterei a detalhá-los, já que o intuito é falar dos bizantinos.

"Diocleciano julgava o império demasiado extenso para ser governado por um único imperador. Desde os primeiros césares, fora considerada necessária a existência de um ministro do Exterior grego e outro latino. Diocleciano levou mais além essa divisão básica. Não criou dois impérios, mas determinou que ele deveria ter dois imperadores, cada qual residindo numa metade de sua área". (RUNCIMAN, 1977, p. 17).

Assim, Diocleciano se tornou em 286 o imperador ou augusto do Ocidente e Maximiano se tornou o augusto do Oriente. Contudo, posteriormente Diocleciano viu que ainda, isso não bastava para estabilizar a ordem no império, então ele criou mais dois cargos, logo abaixo do de augusto, o cargo de césar. Os césares possuiam responsabilidades públicas perante o governo e seriam também os sucessores dos augustos, assim, Diocleciano escolheu Constâncio Cloro como seu césar e Maximiano, escolhera Maxêncio. Tal governo que antes era uma diarquia, passara a ser uma tetrarquia, o governo dos "quatro imperadores".

Com a redivisão territorial do império em duas metades, em novas províncias e dioceses, Diocleciano também reestruturou os impostos a economia (mesmo tal reforma não tendo dado certo), reformulou o poder administrativo imperial e local, elegeu novos funcionários do Estado, novos prefeitos, cônsules, pretores, questores, reformulou o exército romano, ampliando o seu contigente para cerca de 500 mil guerreiros, recuperou terras antes abandonadas, como o sistema do dominato, e instaurou o culto ao imperador, o qual passou a ser identificado como um ser divino ou semidivino.

Diocleciano se abdicou do poder em 305, convencendo a contra gosto Maximiano. Diocleciano se abdicou alegando que já tinha feito o bastante pelo império, porém os imperadores que os sucederam se viram em uma guerra civil, onde cinco imperadores lutaram pelo poder. Constâncio Cloro (250-306), sucessor de Diocleciano governou por um ano, já que acabou morrendo em batalha na Bretanha, Galério o seu césar o sucedeu, e este por sua vez escolheu Severo como seu césar. No Oriente, Maxêncio governava ao lado de Lícinio, porém um quinto intregante entratria na luta, o filho de Constâncio, Constantino (272-337) (ver imagem). Depois de anos de conflitos, em 312, Constantino e Lícinio se tornam os únicos imperadores romanos, juntos eles formaram uma aliança que no final acabaria com o assassinato de Lícinio em 324, com isso Constantino unifica o império sob seu poder e é neste ponto da história que se inicia as origens do Império Bizantino.

A Nova Roma

Com a vitória sobre a frota de Lícinio em 324 no Helisponto, estreito que liga o Mar Egeu ao Mar de Mármara, Constantino estava a poucos quilômetros da cidade de Bizâncio, a qual viria a se tornar a nova capital do Império Romano do Oriente sob o nome de Constantinopla.

Bizâncio fora uma colônia grega fundada em 657 a.C pela cidade-estado de Mégara, tendo o rei Bizas ordenado a expedição, por isso o nome da cidade. A localização privilegiada de Bizâncio, diante do Estreito do Bósforo, rota que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e em seguida ao Mar Egeu, se mostrou um importante ponto estratégico comercial e militar, Bizâncio fora considerada por Alexandre, o Grande e seu pai, Felipe da Macedônia, "a porta para a Ásia". As mercadorias advindas da antiga Rota da Seda confluiam para aquela localidade, e por via contrária, as mercadorias vindas da Rússia, da Europa Oriental, dos Balcãs e da Grécia, também seguiam para lá.

Ter controle desta importante localidade era fundamental para se controlar o Oriente sob o dominio romano. Fato este que o imperador Constantino, o Grande distinguiu muito bem. Com isso no ano de 324, ele levou arquitetos, pedreiros, engenheiros, etc, para reconstruir, reformar e ampliar a cidade, as obras duraram seis anos, e finalmente em 11 de maio de 330 era fundada a Nova Roma, a qual viria a se chamar Constantinopla "a cidade de Constantino".

Com a fundação da nova capital, Constantino queria que Constantinopla fosse em vários aspectos semelhate a própria Roma, fato este que ele ordenou a construção de palácios, templos, prédios do governo, praças, arenas etc, afim de aproximar a nova capital ainda mais dos romanos que se mudaram para lá, já que o Senado em parte fora transferido para Constantinopla, e nem todos estavam satisfeitos em deixar a Itália e ir para uma terra distante próximo dos bárbaros da Ásia.

Mas, se por um lado a tentativa de tornar a nova capital a continuação da lendária Roma, Constantino acabou se deparando com outras mudanças que não poderiam ser mudadas tão facilmente. Bizâncio era uma cidade grega, e Constantinopla herdou essa tradição, não apenas ela, mas grande parte de todas as terras que se encontravam sob o julgo romano, desde a Ásia Menor ao Egito, falavam grego, herança helênica deixada e redefinida por Alexandre, o Grande, séculos antes. Sendo assim, a nova capital possuia uma grande influência dos conceitos arquitetônicos, artísticos, culturais e filosóficos dos gregos antigos, além disso, a nova capital era uma cidade cristã, Constantino havia sido o primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo, fato este que além de ordenar a construção de templos pagãos, ele ordenou a construção de igrejas cristãs.

"O império devia ter uma nova capital no Oriente, igual a Roma em tudo, exceto na antiguidade, e superior a ela pelo fato de ser, desde o início, uma cidade cristã. [...]. Ali todos os elementos que constituiam o império reformado fundir-se-iam naturalmente - Grécia, Roma e o Oriente Cristão". (RUNCIMAN, 1977, p. 22).

"Constantinopla foi fundada no litoral de língua grega e incorporou uma velha cidade grega. Mas Constantino fez ainda mais para acentuar seu helenismo. Sua capital deveria ser o centro da arte e da cultura. Construiu nela bibliotecas cheias de manuscritos gregos e povoou as ruas, praças e museus com tesouros artísticos vindos de todo o Oriente Grego. O cidadão de Constantinopla caminhando diariamente pela cidade jamais poderia esquecer a glória de sua herança helênica". (RUNCIMAN, 1977, p. 22).

O povo de Constantinopla se consideravam romanos, no sentido da nacionalidade em referência a cidade, e não porque faziam parte do império (nessa época nem todas as províncias romanas detinham o direito da cidadania romana, assim nem todos que viviam sob o controle de Roma, poderiam se identificar como cidadão romano, mas apenas como súdito). A própria língua latina era pouco falada nesta parte do império, apenas a elite, certos políticos  sacerdotes e funcionários do alto escalão falavam latim, a maioria dos povos destas províncias falavam ou compreendiam um pouco o grego, além disso, falava-se o egípcio, o persa, o aramaico, árabe etc.

"O cidadão de Constantinopla tinha plena consciência da herança greco-romana, ma sua forma de ver a vida era, nos aspectos básicos, diferente. Experimentava menor satisfação no mundo, detendo-se de preferência nas coisas eternas. Esse estado de espirito tornava-o mais receptivo às idéias vindas do Oriente do que às oriundas do Ocidente. E a história do Império Bizantino é a história da infiltração das idéias orientais até colorirem as tradições da Grécia e Roma e da reação periódica a essa infiltração". (RUNCIMAN, 1977, p. 23).

O Império Bizantino

A história bizantina fora marcada pelos distintos governos das dinastias que reinaram sobre o império ao longo de mais de mil anos, assim, falarei um pouco de cada uma das dinastias de forma panorâmica, focando alguns pontos principais e mais importantes para a história do império, já que causaram mudanças bem significativas.

Dinastia Constantiniana (330-378)

Iniciada pelo próprio Constantino, o Grande perfaz o inicio do legado do Império Romano do Oriente. Depois do que já fora visto acerca de Constantino, ele passou os seus últimos anos de vida, procurando manter a ordem e a paz no império como todo, quando veio a morrer, seus três filhos, Constantino II, Constâncio II e Constante I assumiram o império, contudo os irmãos se digladiaram entre si pelo poder, e no fim Constâncio II saiu vitorioso. Após Constâncio II, mais três imperadores o sucederam, até o fim da dinastia.

Dinastia Teodosiana (379-457)

Em 378, o imperador Valente, augusto do Oriente fora morto em batalha contra os visigodos, os quais invadiram as terras do império, após serem expulsos pelos hunos, vindos das estepes da Mongólia. Tal data marca para alguns historiadores o inicio do período das invasões bárbaras  as quais pelos séculos seguintes ocorreriam por toda a Europa de forma não regular. Com a morte de Valente, Graciano, augusto do Ocidente escolhe o seu tio, o espanhol Teodósio (347-395). Teodósio parte para Constantinopla afim de assumir como novo regente do Oriente, dando inicio a nova dinastia reinante.
Teodósio (ver imagem) se mostrou um líder que sabia negociar. Ele conseguiu formar um pacto de paz com os godos que vinham atacando as províncias na região dos balcãs, e com os persas que atacavam as províncias mais orientais do império. Teodósio também realizou o Segundo Concílio Ecumênico ou Concílio de Constantinopla em 381 (o primeiro concílio fora realizado em Nicéia em 326 por Constantino), onde voltou a falar sobre as restrições que deveriam ser impostas aos pagãos e aos heréticos, e a debater questões sobre o arianismo, querela já confrontada no concílio anterior. Também fora neste concílio que o imperador votou a favor da unificação do mundo cristão, propondo que o cristianismo se torna-se a religião oficial de todo o império.

Anos que vieram, foram marcados por conflitos especialmente no Ocidente, que acabaram culminando com a morte de Graciano e seu sucessor Valentiniano II, e em 392, Teodósio, o Grande se tornara o único imperador, além deste fato ele também seria o último imperador romano a governa sozinho o império. Com sua morte, seus dois filhos, Honório e Arcádio assumem o poder.

Em 432, o imperador Teodósio II convocou na cidade de Éfeso o Terceiro Concílio Ecumênico ou Primeiro Concílio de Éfeso. Nesta reunião o imperador e duzentos e cinquenta bispos voltaram a criticar de forma fervorosa o arianismo, nestorianismo e o sabelianismo, ambos os foram doutrinas criadas por bispos, nos quais questionavam a essência de Jesus Cristo e outros de seus preceitos, isso fora visto como doutrinas cristãs heréticas, logo seus seguidores deveriam ser punidos e banidos do cristianismo.

Se por um lado a preocupação no momento recaía-se sobre a fé, não tardaria para a guerra tomar este lugar. Novos conflitos se sucederiam pelas décadas seguintes, especialmente no Ocidente, onde o governo se mostrava mais fraco. Invasões feitas pelos ostrogodos, visigodos e os hunos, já no século V, trariam medo e caos ao império romano. Átila, o Huno atacaria os romanos durante o seu reinado de 432-453, chegando a ameaçar tomar Roma, e também cercou Constantinopla, mas desistiu de conquistá-la devido a suas poderosas muralhas. De forma evidente, os meados do século V já demonstravam que Roma beirava o seu fim.

Em meio aos ataques dos hunos, os quais foram repelidos por hora de Constantinopla, mas ainda detinham o controle das terras no centro da Europa, ao norte do Danúbio (o Danúbio nasce hoje na atual Alemanha e deságua na Romênia). Roma e as províncias do Ocidente que foram mais duramente atacadas, agora também sofriam a ameaça de novos bárbaros vindos da Germânia (província romana), os vândalos. Contudo, em 451 se realizou o Quarto Concílio Ecumênico ou Concílio de Calcedônia, onde o imperador Marciano voltou a perseguir os nestorianos, os quais em parte haviam conquistado adeptos em Alexandria, especialmente o Bispo de Alexandria Eutiques. O imperador tinha a pretensão de erradicar uma caça a estes heréticos, prendê-los ou matá-los. Marciano era totalmente contra essas doutrinas monofisitas e queria pregar a dualidade de Jesus Cristo (divino e mortal) além de impor o conceito da Santíssima Trindade. Todos estes concílios que ocorreram e mais alguns que ocorreram são importantes para se compreender os passos que levaram ao Cisma do Oriente e a criação da Igreja Ortodoxa.

"O concílio de Calcedônia constituiu o ponto-chave da história do império no Egito e na Síria. O cristianismo monofisista adaptava-se ao temperamento oriental, e logo igrejas monofisistas, unidas a oposição a Calcedônia, espalhavam-se pelas províncias". (RUNCIMAN, 1977, p. 28).

Dinastia Leonina (457-518)

Com as crises geradas pelas invasões, o general Áspar um dos homens mais importantes do império nomeu o general Leão para assumir o trono do Oriente, esse se tornou o imperador Leão I o qual governou de 457 a 474. Para impedir que os bárbaros se apoderassem do Oriente, ele convocou as tropas asiáticas, formadas por mercenários e tropas das próprias províncias a fim de contornar estes problemas. Após a sua morte assumira Leão II, que veio a falecer em poucos meses, assim o pai de Leão II, Zenão (antigo comandante de Leão I) se tornava o novo imperador do Oriente.

Zenão começou a governar em 474, dois anos antes do último imperador romano do Ocidente, Rômulo Augústulo, que era apenas um garoto, for destronado pelo líder bárbaro Odoacro (434-493). Com a renuncia do jovem imperador, o Império Romano do Ocidente chegava ao fim, e a Itália seria governada pelos chamados reis bárbaros. No mesmo ano da abdicação, Odoacro pegou a coroa, o cetro e todo a vestimenta real do imperador a pôs em um baú e a enviou para Zenão, como forma de dizer que Roma agora estava em suas mãos. Zenão não tentou contrariar as ordens de Odoacro, o qual havia deixado o Oriente nas suas mãos.

Zenão I, havia se tornado o único governante do Império Romano do Oriente, o qual viria a se chamar Império Bizantino. Após a sua morte, sua esposa Ariadne nomeou Anastásio, um rico e influente homem de negócios, como novo imperador em 491.

Dinastia Justiniana (518-610)

"Com a morte de Anastásio, uma intriga sutil e vergonhosa colocou no trono um soldado ilírio analfabeto, Justino, que levou para a corte o seu sobrinho Justiniano- e dentro em pouco este desempenhava virtualmente o papel de regente". (RUNCIMAN, 1977, p. 28.

Justiniano, o Grande
Justino I morreu em 527, então seu sobrinho Justiniano I assumira o trono, sob o longo governo do novo imperador (527-565), Justiniano realizaria várias reformas politicas, administrativas, econômicas, legislativas, realizaria várias obras, perseguiria as doutrinas monofisistas, empreenderia campanhas militares para se reconquistar os antigos domínios no Ocidente.
"Duas ideias mestras inspiram a sua politica: a ideia imperial e a ideia cristã. Justiniano teve a ambição grandiosa de reconstituir em sua integridade o império romano desaparecido, e, com efeito, conseguiu reconquistar a maior parte das províncias perdidas no Ocidente, transformando uma vez ainda o Mediterrâneo em lago romano. Por outra parte, Justiniano quis ser a lei viva, a encarnação mais profunda do poder absoluto, o legislador impecável, e sua obra legislativa continuou, sem glória, a dos grandes jurisconsultos romanos". (DIEHL, 1961, p. 63-64).


"Sua personalidade apresenta traços fortes, porém contraditórios: trabalhador infatigável (o imperador que nunca dorme), dotado de inteligência lúcida, autoritário, orgulhoso, amante da glória, do fausto, do prestígio da púrpura, da ordem, vaidoso, ciumento, hesitante, mesquinho mas também piedoso". (GIORDANI, 1992, p. 67).

Imperatriz Teodora
A frenética ambição de Justiniano pôs em perigo a própria integridade do império bizantino. As despesas com as conquistas no Ocidente, fragilizaram a economia e as defesas no Oriente, além disso sua perseguição aos monofisistas pôs em jogo a reputação do imperador diante de uma revolta que se sucederia. Porém, Justiniano só não perdeu o trono devido a intervenção de sua esposa, a imperatriz Teodora (500-548). Como em outros momentos da história romana e bizantina, mulheres tiveram uma forte influência sobre a politica imperial, fossem elas, mães, esposas e irmãs dos imperadores, nesse caso Teodora, uma mulher de origens humildes (ela era filha de um domador de ursos de um circo, e logo fez carreira como atriz circense) se mostrou uma soberana de palavras decididas e até certo ponto bem convincentes  já que ajudou o marido a contornar certos problemas.


"Teodora tinha em comum com o esposo a ambição e o gosto pelo poder, mas dele diferia na visão politica e religiosa dos acontecimentos: aos planos ocidentais e ortodoxos de Justiniano, opunha sua concepção de um Império Oriental e suas convicções monofisitas". (GIORDANI, 1992, p. 48).

Todavia, o passado de Teodora ainda é sombrio, passado este contado especialmente pelo historiador Procópio de Cesareia que atacou vilmente a figura da imperatriz. Procópio fora um homem desiludido com o governo, tal vez isso pesou em seus relatos, fato este que Procópio não aceitava o fato de Teodora, a qual ele considerava ter sido além de atriz, uma amante de homens ricos e uma meretriz, ter assumido o trono.


"O historiador Procópio, em sua História Secreta, apresentamos um retrato muito vivo (mas não muito digno de fé) da vida tempestuosa da filha de um domador de ursos, a qual, na palavra de Diehl, 'divertiu, encantou e escandalizou Constantinopla'". (GIORDANI, 1992, p. 47).


O ano de 532 marca uma grande revolta, a Revolta de Nika, a qual eclode durante uma corrida de cavalos no hipódromo da capital. Nessa época as corridas de cavalos eram o principal evento esportivo do império, os jogos de gladiadores haviam há muito perdido sua glória devido a sua violência, algo que não condizia mas com uma sociedade cristã e voltada ao pacifismo. Além disso, os Jogos Olímpicos também haviam sido banidos pelo imperador Teodósio, o Grande o qual os decretou pagãos e heréticos, devido ao fato de serem realizados em honra dos deuses gregos, e os atletas competiam nus, atiçando a luxúria.

Sendo assim, o hipódromo se mostrava um local onde a plebe e os patrícios podiam se encontrar em raras ocasiões para desfrutar do espetáculo. A revolta se dera devido a motivos anteriores, já que devemos nos lembrar que o governo de Justino não fora um dos melhores e o novo imperador também até certo momento não mostrou uma boa politica.

"Provocada por motivos de ordem dinástica (os parentes de Anastásio não se conformavam com a subida ao trono da dinastia justiniana), de ordem politica (oposição à alta administração, especialmente contra o prefeito do Pretório, João da Capadócia e o famoso Triboriano) e de ordem religiosa (os monofisitas estavam descontentes com a ortodoxia de Justiniano), estourou uma terrível sedição". (GIORDANI, 1992, p. 48).

Com isso, após o término da corrida uma confusão se instaurou, a dúvida de quem havia sido o campeão, nessa época havia as equipes de corrida, nesse caso a equipe Azul e a equipe Verde, ambas eram adversárias, e ambas representavam distintos setores da sociedade rica e pobre, logo como não chegavam a um consenso sobre quem vencera, o imperador que assistia a corrida declarou que o seu cavalo havia sido o vencedor, isso levou a revolta da população e tal revolta deixou o estádio e se espalhou pela cidade, as pessoas entraram em confronto com os guardas e mortes começaram a ocorrer, Justiniano se viu encurralado e chegou a pensar em renunciar ao trono, porém sua esposa Teodora o convenceu a permanecer no trono e a agir rapidamente.

No campo das conquistas, Justiniano conseguiu apaziguar os conflitos contra os bárbaros no Ocidente, efetuando tratados de paz, reconquistando a Itália, parte da África (assim como era chamada as antigas possessões romanas naquele continente), parte da Espanha etc. Contudo ao mesmo tempo que suas campanhas se mostravam triunfantes no Ocidente, no Oriente os persas continuavam a atacar as províncias, e o repúdio pelas a perseguição ao monefisismo acarretava revoltas no Egito e na Síria. Além disso, problemas de ordem econômica, como já citados e outros problemas levaram o imperador a constantemente rever as leis e a elaborar novas leis.

A partir de 534 o imperador passou a decretar novas leis, chamadas de Novelae (Novelas), ele também ordenou a organização dos comentários dos grandes juristas e dos manuais de direito, para o ensino de Direito. Além de também reunir as constituições imperiais sob o nome de Codex Justinianus (Código de Justiniano). Com estas leis o imperador procurou reestruturar os problemas do império e ao mesmo tempo conciliar sua visão ortodoxa da Igreja algo que já vinha gerando problemas para este.

Contudo após a morte de Teodora em 548, poucos anos depois, Justiniano convocou o Quinto Concílio Ecumênico ou Segundo Concílio de Constantinopla em 553, aqui o imperador procurou empregar uma politica de amizade com os heréticos assim como ele se referia aos cristãos monofisitas, de perseguir e banir qualquer prática considerada pagã e a reafirmar a submissão do papado ao poder imperial, Justiniano de fato queria retomar o cesaropapismo iniciado com Constantino. Todavia sua politica da "boa vizinhança" não dera certo, e ele passou o resto de sua vida sendo acusado e denegrido pela oposição. 

"A politica religiosa de Justiniano conseguiu, pelo menos por algum tempo, colocar o imperador como ditador teológico, abrindo o precedente de cesaro-papismo para outros imperadores teólogos". (RUNCIMAN, 1977, p. 30).

Sua ambição por glória, que o levou a efetuar gastos em campanhas militares e construções grandiosas, deixou o Estado a beira da falência, contudo em meio a estas construções (fortalezas, muralhas, pontes, estradas, palácios), Justiniano realizou a construção da Basílica de Santa Sofia ou Hagia Sophia (Sagrada Sabedoria), a qual se tornou um simbolo monumental da cristandade ortodoxa, por sua beleza arquitetônica, pela arte de seus mosaicos, e pela ambição de um homem.

Justiniano não pode ter sido um dos melhores governantes bizantinos, mas de qualquer forma, ele entrara para a história como Justiniano, o Grande. Quando morreu aos 85 anos, seu sobrinho Justino II, o Jovem assumira o seu lugar.

Império Bizantino durante o reinado de Justiniano, o Grande. Em verde as conquistas realizadas pelo imperador

"Com a morte de Justiniano inicia-se um período que se estende até 610 e que é considerado pelos historiadores o mais triste da História Bizantina. 'A anarquia, a miséria, as calamidades se desencadearam em todo o império. As turbulências então reinantes levaram João de Éfeso, o historiador do reinado de Justino II, a dizer que o fim do mundo se aproximava'". (GIORDANI, 1992, p. 54 apud GÉNICOT, 1963).

Os anos que se sucederão, serão marcados por novos conflitos, os vândalos voltaram a atacar, os godos se rebelaram contra os bizantinos, os persas voltaram a pressionar no Oriente, a Itália era atacada pelos lombardos, e um novo povo atravessa o Danúbio e adentrava nas terras do império, os ávaros. Justino e sua esposa Sofia, a qual era sobrinha de Teodora, tentaram manter a estrutura feita por Justiniano, mas cada vez mais eles perceberam que o império começava a ruir, o território antes conquistado pelo seu tio ia se perdendo, o povo e o Senado se revoltavam. Justino poucos dias antes de morrer nomeara o general Tibério como seu sucessor em 578.

Tibério II como ficou conhecido, tentou apaziguar os problemas políticos e econômicos e confrontar os persas e os ávaros, mas no fim após um curto reinado, ele morreu e fracassou em se livrar dos ávaros, os quais haviam tomado a fronteira norte do império, permitindo que outro povo "bárbaro" entrasse nas terras bizantinas, os eslavos. Tibério fora sucedido pelo seu genro Maurício. O novo imperador governou por vinte anos, tendo conseguido derrotar por hora os persas e barrar o avanço dos ávaros, mas suas altas cobranças sobre o exército levaram a insatisfação deste, e no fim ele fora traído e assassinado, um general de nome Focas, assumira o poder, governando como um tirano.

Dinastia Heraclida (610-717)

O governo tirânico e pouco eficiente do imperador Focas, levou o império a um estado de anarquia e revolta civil, o império corroía-se por dentro. O fim parecia ser eminente, porém a salvação veio por mar. O outrora imperador Mauricio ainda possuía um homem leal a sua vontade, mesmo após a sua morte, este homem fora Heráclio, exarca de Cartago (governador desta província . Heráclio temendo que o império ruísse, envia uma poderosa frota comandada pelo seu filho Heráclio, o Jovem para Constantinopla. Uma guerra civil se instaurara na capital, a qual culminou com o assassinato do imperador Focas, e o Senado elegera Heráclio como novo imperador. Ao assumir o império o encontrou em péssimo estado.

"Encontrou o império em franca desintegração. Os persas estão em plena ofensiva: ocupam Antioquia (612), Damasco e Jerusalém (614), onde incendeiam o Santo Sepulcro e se apoderam das relíquias de Vera Cruz. Em 615 atravessam a Ásia Menor, apoderam-se de Calcedônia e instalam-se em Crisópolis (Scutari), em face de Constantinopla. Alexandria é ocupada e as provisões de trigo do Egito são cortadas". (GIORDANI, 1992, p. 59).


Para piorar a situação, a própria Constantinopla fora atacada e tomada pelos ávaros, porém o imperador conseguiu se manter no poder, e em 628 após inúmeras batalhas contra os persas, os bizantinos conseguem derrotar o Império Persa Sassânida. Heráclio conta com a ajuda de seus filhos ao longo dos seus 31 anos de governo. Sua vitória sobre os persas e ávaros ecoam pelo Ocidente e pelo Oriente, um soberano hindu lhe envia presentes, e o rei dos francos Dagoberto lhe envia saudações e presentes. Heráclio além de reorganizar o império decretou a lingua grega como idioma oficial do império e tentou empregar uma politica pacífica com os monofistas e o papado.

Após sua morte seus filhos assumiram, mas foram derrubados por Constante II o qual assume em 641. Nessa época um novo inimigo surgia, estes eram os árabes. O último grande profeta, Maomé (570-632) havia unificado as tribos árabes anos antes através da espada e da palavra de Alá, após sua morte, os árabes começaram a levar a cabo a pregação da nova religião, o islamismo. Se antes foram os persas que constantemente causaram problemas no Oriente, agora eram os árabes.

Em 680-681 o então imperador Constantino IV, Pogonato convocou o Sexto Concílio Ecumênico ou Terceiro Concilio de Constantinopla, neste concilio fora decretado que o monolitismo era herético e que Jesus Cristo possuia duas essências (divina e humana). Tal decisão serviu para por fim a politica de apaziguamento iniciada pelo imperador Heráclio e de seus filhos que tentaram "deixar de lado" tal assunto.

"Os imperadores da dinastia heraclida, embora fossem todos homens dotados, não estavam à altura da difícil tarefa de governar, naqueles tempos". (RUNCIMAN, 1977, p. 34).

Os imperadores que sucederam Constante II continuaram a travar interminantes guerras contra a expansão árabe, cada imperador que se mostrava fraco era derrubado pelo sucessor ou por qualquer um que quisesse lutar pelo trono, alguns monarcas foram traídos e assassinados ao longo do século VII, até que um poderoso general chamado Leão, o Isáurio tomou o poder e dera inicio a uma nova dinastia.

Dinastia Isáuria (717-820)

"A coroação de Leão III, o Isáurio, o maior general do Império, marcaria o inicio de uma reação. A nova dinastia, a dinastia isáurica, teira a missão de 'salvar o império dos sarracenos e transformá-los na melhor organização defensiava que a Cristandade já conheceu'". (GIORDANI, 1992, p. 62).


Sarraceno era uma palavra pela qual se utilizava na época para se referir aos árabes. Palavras como mouro e maometano, também eram sinônimos para este povo. Entre os anos de 717-718, Constantinopla fora sitiada por tropas árabes tanto por terra quanto por mar, mas a genialidade de Leão III como general e a revitalização de parte das defesas da cidade, ajudaram a capital a resistir a este terrível cerco. Historiadores da época apontam que centenas de navios árabes cruzaram o estreito em direção a capital bizantina.


Com a vitória sobre as forças árabes de Moslemah, Leão III e seu filho Constantino nos anos seguintes conseguiram retomar antigas possessões do império e a expulsar os árabes da Ásia Menor. Enquanto na politica externa, a preocupação do imperador era em parte recuperar o controle do Oriente e por para longe de suas fronteiras seus inimigos, na politica interna, ele tratou de reorganizar a administração do Estado, o exército, as finanças e o código legislativo, publicando a obra de direito chamada Écloga. Leão III redividiu as províncias do império as chamando de "tema", cada tema vivia sob um governo militar, diretamente subordinado a capital.


Todavia, um dos fatos que marcaram o governo de Leão III fora sua perseguição a adoração dos ídolos, ou seja, a adoração de imagens. Assim, em 726, o imperador decretou que era proibido o culto das imagens, com isso, pinturas, estátuas, mosaicos etc, qualquer ícone que representasse a figura de Cristo e dos santos passou a ser destruído  aqueles que não aceitaram o novo decreto tiveram que fugir para não morrer. Iniciava-se o movimento iconoclasta. Na Bíblia, Moíses condena o ato da adoração do idolo do bezerro de ouro, o qual era realizado por algumas pessoas de seu povo, ele abomina a prática de se adorar tal imagem como se fosse uma divindade. Em contra partida, o ato de adorar imagens era algo comum no paganismo, e pelo fato de Leão III ser um conservador abominou de forma radical tal prática.


Leão III morreu em 741, o seu filho assumiu o trono como Constantino V. O novo imperador dera continuidade a politica interna e externa do pai, Constantino conseguiu importantes vitórias sobre os árabes e sobre os búlgaros que ameaçavam as fronteiras norte. Além disso, ele como tendo sido um exímio diplomata, conseguiu importantes alianças, além de aperfeiçoar a politica financeira iniciada pelo pai. Contudo, Constantino também dera continuidade a politica iconoclasta de seu pai, seus principais alvos foram monges, os quais representavam os maiores adoradores de imagens. O imperador decretou a perseguição destes por todo o império, isso fez o papado se opor ao imperador.

"Os papas procuraram novos aliados nos francos, enquanto o império perdia seus últimos vínculos latinos e se tornava uma unidade exclusivamente de língua grega". (RUNCIMAN, 1977, p. 36).


O filho de Constantino V, Leão IV conservou as diretrizes politicas e religiosas do avô e do pai, contudo em seu curto governo de cinco anos ele veio a falecer em 780, o trono ficara para o jovem imperador Constantino VI, seu filho, o qual só possuía na época 10 anos. Devido a juventude do imperador, sua mãe a imperatriz Irene de Atenas, governou ao lado do filho por vários anos. A questão que se deve ser focada a respeito do governo de Irene diz respeito a sua tentativa de combater o movimento iconoclasta o qual ela se opunha.

"Irene era favorável ao culto das imagens. Assim é que em 784 a basilissa escreveu ao papa Adriano pedindo convocação de um Concílio ecumênico que restabelece-se aquele culto. O Concílio (o sétimo concílio ecumênico) reuniu-se em Nicéia em 787". (GIORDANI, 1992, p. 65).


O Sétimo Concílio Ecumênico ou Segundo Concílio de Nicéia conseguiu revitalizar o culto as imagens e por hora frear a fúria dos iconoclastas, isso contribuiu para que Constantinopla reatasse os laços de amizade com o papado. Se por um lado a imperatriz conseguiu este feito, por outro sua péssima politica administrativa levou o império a uma crise financeira e em 802, o ministro do Tesouro, Nicéforo realiza um Golpe de Estado e a destrona, ele próprio assume o trono.

A iconoclastia ficaria alguns anos "adormecida" novos problemas tomariam o império, contudo durante o reinado de Leão V (813-820) o novo imperador voltaria a decretar a iconoclastia e a retomar seus procedimentos de forma menos radical como fora vista anteriormente. Leão V fora assissando por um soldado de nome Miguel, chefe da guarda imperial. Miguel assumiu como imperador e iniciou uma nova dinastia.


Por fim um fato importante que se dera durante esta dinastia, fora a coroação de um novo imperador romano do ocidente. Em 25 de dezembro de 800, o rei dos francos Carlos Magno (747-814), da Dinastia Carolingia, fora coroado em Roma pelo papa Leão III, sacro imperador romano. Carlos Magno havia fundado um novo império, chamado Sacro Império Romano-Germânico (800-1806).

Dinastia Amória ou Frígia (820-867)

O novo basileu (titulo dado ao imperador bizantino) era oriundo de Amorion na Frígia (atualmente o território da antiga Frígia se encontra na Turquia), Miguel II era um homem grosseiro e ignorante, pouco sabia sobre politica e o ato de governar, além disso era um defensor do movimento iconoclasta. Os dois primeiros anos de seu reinado foram marcados por confrontos contra Tomás, o Eslavo, líder dos búlgaros, os quais contaram com o apoio do califa Mamum. Tomás sabiamente utilizou o descontentamento do povo bizantino afim de ganhar apoio contra o basileu, todavia, no final Miguel II conseguiu derrotar Tomás em 823. Seu governo que durou nove anos não fora marcado por grandes mudanças.

Miguel II fora sucedido por seu filho Teófilo o qual governou de 829-842. Teófilo diferente do pai era um homem culto e letrado, seu mestre era o famoso João, o Gramático. Teófilo sob a influência de seu pai e de seu mestre manteve a politica iconoclasta, principalmente na capital, onde de forma violenta passou a reprimir os iconodúlos (aqueles que se opõem a iconoclastia), em contra partida ele restaurou as finanças do Estado, inaugurou prédios, como um hospital, realizou outras obras, e promoveu as artes e a educação, fora tido como um patrono da cultura. Quando morreu em 842, seu sucessor, Miguel III ainda era jovem para governar, então sua mãe Teodora assumira o poder.

Teodora aboliu a iconoclastia, e passou a governar tendo como principal conselheiro Teoctisto. Todavia, enquanto o jovem principe Miguel III crescia, este era rondado pela influência de seu tio Bardas, irmão de sua mãe. Bardas era um homem ambicioso e tinha a pretensão de usurpar o trono, então assassinou Teoctisto, o que fez a basilissa (titulo dado a imperatriz bizantina) renunciar o poder em 856, Teodora se retirou junto com as filhas para um mosteiro onde viveu até o fim da vida. Miguel III assumiu o trono, mas demonstrou pouca responsabilidade com este, o imperador tinha uma má fama, que lhe atribuiu a alcunha de Miguel, o Beberrão. Enquanto o imperador alcoólatra mal governava o império, seu tio de forma escrupulosa tentava tomar o poder, porém tudo mudou, quando um escravo de Miguel, querido e respeitado por este, dera um Golpe de Estado, seu nome, Basílio.


Um último fato importante que marca o governo de Miguel III fora a desavença entre o Patriarcado de Constantinopla e o Papado de Roma. O então patriarca Inácio, fora destituído do seu cargo por Fócio, a quem lhe sucedeu, contudo o papa Nicolau I, não reconhecera Fócio como novo patriarca de Constantinopla, assim os dois entraram em desavença e o próprio Fócio ameaçou de excomungar o papa.

Dinastia Macedônia ou Dinastia Armênia (867-1056)


Basílio, oriundo da Macedônia (o imperador dizia que sua família era armênia), tramou a morte de Bardas, e assassinou o imperador Miguel III, assim o antes escravo, se tornara o novo imperador bizantino inaugurando uma nova dinastia e ao mesmo tempo uma era de prosperidade e glória para o império. Alguns historiadores apontam que de 867 até 1025, marcará o auge do império em vários aspectos, enquanto do ano de 1025 até 1056, marcará novamente sua decadência, assim veremos em dois momentos este período.


O imperador Basilio I (esquerda) e seu filho Leão VI.



"Na politica interna Basílio I revelou-se grande organizador. Executou reformas de caráter financeiro, judiciário e legislativo. Convém sublinhar esta última. Basílio I pretendia criar um código geral de direito greco-romano, adaptando e completando a obra legislativa de Justiniano". (GIORDANI, 1992, p. 68).


Todavia, um problema que imperador Basílio I tivera que se deparar fora a desavença gerada entre o patriarca Fócio e o papa Nicolau I, para se resolver isso, entre 869-870, convocou o Oitavo Concílio Ecumênico ou Quarto Concílio de Constantinopla, no qual ele destituiu Fócio do cargo e fez Inácio reassumi-lo, assim ele garantia fim a estas diversidades por hora. Contudo, anos depois em 879, Inácio veio a morrer, e Fócio com o apoio do novo papa, o papa João VIII reassumiu o posto de patriarca.

Na politica externa, Basilio empregou campanhas militares contra o decadente Califado Abássida, conseguindo assim retomar importantes possessões na Ásia Menor e na Judéia, conseguindo abrir passagem até a Mesopotâmia. Enquanto, o basileu ganhava novamente espaço no Oriente, no Ocidente, especialmente na Itália e suas cercanias, hordas de sarracenos atacavam as cidades italianas, Basilío I enviou tropas para combater e expulsar os sarracenos da Itália. Cidades como Cápua, Salerno, Nápoles e Benevento ficaram sobre a proteção bizantina.

"O Império reconquistava assim seu antigo prestígio e sua influência na Itália Meridional. Durante os últimos oito anos de seu reinado Basílio procurou consolidar e ampliar esse domínio no sul da península. O resultado dessa política foi a extensão da influência bizantina sobre os dinastas da Itália Meridional e Central, muitos dos quais, como o príncipe de Salerno, o bispo de Nápoles, o duque de Benevento, tornaram-se vassalos do Império". (GIORDANI, 1992, p. 69).

Quando morreu em 886 fora substituido por seu filho Leão VI, o Sábio. Leão, não soube ser um bom comandante como seu pai, em tão sob seu reinado, não houveram grandes exitos militares, fato este que acarretou na tomada de Tessalônica a segunda maior cidade do império, por piratas árabes de Creta em 901. Se por um lado, Leão VI não demonstrou tanta desenvoltura no campo militar, ele no campo legislativo dera continuidade ao trabalho iniciado por seu pai com a Basilica. As mudanças legais feitas por Leão VI, complementando o trabalho do pai, garantiu que a legislação da Basilica perdurasse até o fim do império, três séculos depois.


Além dos problemas territorias que acabaram levando o império a perder territórios para os búlgaros, árabes e posteriormente os russos, Leão VI tivera que cuidar de outro velho problema que já vinha pertubando desde a época de seu pai, o patriarca Fócio. Fócio havia sido tutor de Leão, fato este que consagrou o basileu com o titulo de filósofo pela Universidade Imperial de Constantinopla, e posteriormente a alcunha de o, Sábio. Depois de Justiniano, Leão fora o maior legislador do império.


Porém seu problema com o patriarcado se dera principalmente pelo fato de que o imperador se casou quatro vezes devido ao fato de que as três primeiras mulheres só lhe deram filhas, apenas a quarta lhe dera um filho, logo um herdeiro. Pelo fato de se casar quatro vezes, isso fora visto como um insulto pelo patriarcado que era conservador, e ao mesmo tempo, Fócio estava em conflito com outro patriarca influente, Nicolau, o Mistíco.


"Somente sua quarta esposa deu-lhe um filho. Leão conseguiu estabelecer a legitimidade desse filho, apesar da oposição eclesiástica, e, após sua morte, a prodigalidade matrimonial que havia mostrado fora condenada". (RUNCIMAN, 1977, p. 39).


Leão VI fora sucedido por seu irmão Alexandre, o qual se tornara co-imperador do filho de Leão, herdeiro por direito ao trono, mas devido ao fato de Constantino VII ser jovem para o trono, o seu tio é quem governava. Alexandre governa apenas por um ano, entre 912-193, então veio a falecer, em seu lugar é instaurado um Conselho Real, liderado pelo patriarca Nicolau, o Mistico  o conselho governa por um ano, então em 914 a mãe do jovem imperador Constantino VII, Porfirogêneto, a imperatriz Zoé assume o poder em 914. Para infortúnio da imperatriz, os búlgaros voltam a atacar o império e durante o reinado desta ela não consegue derrotá-los, então é destronada em 919 pelo almirante Romano Lecapeno.


Romano I como passou-se a chamar se mostrou um bom comandante militar e diplomata, conseguiu derrotar os búlgaros, combateu os árabes, recuperando antigos territórios e de forma pacífica conseguiu evitar uma guerra ainda pior contra os russos que vinham atacando as fronteiras norte. No fim, ele conseguira da estabilidade ao império. Ele veio a falecer em 944, quando fora sucedido pelo filho de Leão VI, Constantino VII o qual governou até 959, quando fora sucedido por seu filho Romano II.

"O reinado de de Constantino Porfirogêneto caracteriza-se por empreendimentos culturais, como a reorganização da Universidade Imperial com o recrutamento de professores entre os melhores intelectuais do Império". (GIORDANI, 1992, p. 71).


Sem realizar grandes conquistas como seu antecessor, Constantino VII, manteve a diplomacia de Romano I, algo que lhe garantiu boas alianças para o império, que fez crescer ainda mais o seu prestígio pela Europa.

Todavia, seu filho Romano II não se mostrou um bom governante. Quando assumira o trono era um adolescente irresponsável e leviano, não tinha o minimo interesse para as questões do Estado, as quais ficaram a cargo do estadista José Bringas, o qual instruiu os generais do império para importantes conquistas. O jovem imperador veio a falecer em 963, tendo deixado seus dois filhos, como herdeiros, Basilio II, com apenas seis anos e Constantino VIII com três anos. Contudo, a mãe destes ficaria responsável pela formalidade do governo, enquanto Bringas matinha o cargo de estadista. Porém um importante general do império, Nicéforo, usurpou o trono para si.


Nicéforo contava com o prestígio do exército, o qual lhe concedeu apoio para ser reconhecido como imperador, assim em 963 ele fora coroado oficialmente na Basílica de Santa Sofia. Nicéforo II, como passou a ser conhecido se casou com a imperatriz Teófano, viúva de Romano II, a fim de garantir a tutela dos verdadeiros herdeiros do trono. Seu governo durou seis anos, mas fora marcado por impopularidade por parte da população.


Nicéforo mesmo tendo recuperado importantes territórios como Chipre, Cilícia e Antioquia, fato que lhe concedera grande glória, já que até então tais territórios passaram décadas sob o governo árabe, cometera o erro de quebrar o pacto de paz com os búlgaros e tomar partido dos russos, os quais não se mostraram aliados de confiança, tais medidas somadas a outras, levaram ao seu assassinato. Em 969, em uma conspiração tramada pela imperatriz Teófano com a ajuda de seu primo João Tzimices, o qual assassinou Nicéforo e se proclamou imperador.


"João I (969-976) foi um general igualmente hábil, que conquistou metade da Bulgária, derrotou uma invasão russa e levou seus exércitos até as cercanias de Jerusalém e Bagdá. Sua morte deixou Basílio II como imperador supremo". (RUNCIMAN, 1977, p. 39).


João I procurou ser um lider popular, reduziu a cobrança de impostos, destribuiu comida, e até mesmo tentou se mostrar um rei bem devoto, ele ordenou que cunha-se moedas de ouro e prata como os seguintes dizeres em latim: Jesus Christius rex regnatium (Jesus Cristo, rei dos que reinam).

Em 976, após retornar de uma campanha vitoriosa na Síria, ficou gravemente doente e veio a falecer. Fora sucedido por Basílio II, o qual dera continuidade a expansão iniciada por João I, mas ao mesmo tempo tivera que enfrentar as ameaças de uma poderosa família bizantina, os Focas. Ao longo do reinado do antecessores de Basílio II poderosas famílias aristrocrastas como os Focas e os Escleros, enriqueceram muito e ganharam muita influência politica e militar, isso levou tais famílias a tentarem assumir o poder. Até então o imperador Basílio II contava com 18 anos quando assumira independentemente o trono.


"A vitória de Basilio foi devida, em grande parte à sorte, mas ele soube aproveitar-se dela para golpear fortemente a aristrocracia. Graças à sua energia, os aristocractas ficaram algum tempo sob controle" (RUNCIMAN, 1977, p. 39)

Com a vitória sobre os aristocratas, Basilio II dedicou vários anos em campanhas de conquista no Oriente, além de entre os anos de 996 a 1018, ele conseguiu subjugar os búlgaros, os quais várias décadas vinham causando prejuízos ao império. O imperador também procurou formar aliança com os khazares (povo hoje que compreende o atual Cazaquistão) e com os russos, através de um casamento arranjado entre sua irmã Ana e o príncipe Vladmir.

As vitórias sobre os búlgaros foram caras e custaram muito aos cofres do império, mas foram tão marcadas de glória que o imperador ganhou a alcunha de Basílio Bulgaróctno (o matador de búlgaros). Mesmo com as despesas militares, os saques e os tributos cobrados conseguiram pagar todas as contas do império, garantindo prosperidade ao Império Bizantino.


"No fim do reinado de Basilio o império atingira uma extensão e uma prosperidade que não conhecia desde os dias de Heráclio". (RUNCIMAN, 1977, p.39).


Basilio II morreu em 1025, Heráclio havia governado há quase quatrocentos anos, e desde aquela época o império não vivenciava um estado de glória, paz, prosperidade e progresso como este.
Em branco os domínios bizantinos durante o reinado de Basílio II.
Princesa Zoé
Ao morrer, o imperador fora sucedido por seu irmão Constantino VIII, será nessa época que se iniciará a decadência da Dinastia Macedônia, e mas uma vez de todo o império. Constantino VIII, quando assumiu o governo se mostrou com descaso a este e com preguiça aos assuntos políticos  governou por três anos, mas quando estava vendo que logo iria morrer, convocou suas três únicas filhas, ele não possuía herdeiros masculinos. Uma filha se chamava Eudócia, a qual se tornara uma monja, as outras duas eram Zoé e Teodora, as quais se detestavam. Teodora se negou a se casar com o marido que seu pai escolhera, assim Zoé se casara com um homem de sua escolha, Romano Argiro.


Esse período da história bizantina passou a ser chamado de o regime dos esposos e príncipes adotados, já que a basilissa Zoé escolhera os próximos monarcas. Romano III se mostrou um governante indolente, fraco e extravagante, ele governou de 1028-1034, e em circunstâncias misteriosas veio a falecer. A imperatriz Zoé se casou então com o seu amante chamado Miguel IV. Diferente de seu antecessor Miguel era um homem mais determinado e austero, mas de péssima saúde (ele sofria de epilepsia), governou apenas por sete anos, mas antes de morrer não havia deixado herdeiros masculinos, e escolheu seu sobrinho Miguel V como herdeiro. A imperatriz Zoé adotou Miguel V, Calafate (fabricante de velas) como seu protegido. Mas, o jovem garoto se mostrou um homem egoísta e ambicioso, e tentou se livrar de Zoé e de todos leais a basilissa e ao seu tio, mas por fim fora barrado pelo patriarca Alexis, um grande admirador da imperatriz e de seu pai, que executou um golpe depondo o mesquinho Miguel V, assim Zoé e sua irmã Teodora se tornaram monarcas conjuntas.

A inveja de Zoé por sua irmã a levou a tomar como marido um velho homem chamado Constantino Monômaco, o qual se tornou o basileu Constantino IX (1042-1054). Zoé veio a falecer em 1050 e seu marido quatro anos depois, tendo realizado algumas significativas campanhas para o império. Teodora governou de 1055-1056 conseguindo estabilizar o império neste curto tempo, ela deixou como sucessor um civil chamado Miguel VI que governou por poucos meses até se destronado por um militar chamado Isaac Commenos, o qua governou de 1058-1059, quando se abdica do trono por motivos ainda imprecisos, para seu ministro das finanças Constantino Ducas, o qual dera inicio a uma nova dinastia.

Porém um importante fato ocorrido ainda nos últimos anos desta dinastia fora o Grande Cisma do Oriente, iniciado em 1054, no final do governo de Constantino IX e continuou no governo de Miguel VI. Nesse ano a gota d'água entre as desavenças dos patriarcas de Constantinopla com os representantes do papado em território bizantino culminaram na separação total das duas igrejas. Os motivos são longos, mas pelo que fora mostrado aqui durante os concílios pode-se ter uma ideia dos motivos que levaram a essa separação, dando origem a Igreja Católica Apóstolica Romana, com sede em Roma e chefiada pelo papa, e a Igreja Católica Ortodoxa Grega, com sede em Constantinopla e chefiada pelo patriarca.

Dinastia Ducas (1059-1081)

Constantino Ducas (1059-1067) ou Constantino X pertencia à aristocracia urbana e seu reinado teve o caráter de reação contra o governo militar de Isaac. A redução sistemática das despesas militares (o que acarretou funestas consequências), o prestígio dado aos estudos, o restabelecimento da prática de venda de cargos, eis alguns traços da administração de Constantino X". (GIORDANI, 1992, p. 79).

Constantino deixou seus três filhos sob a tutela da mãe, a imperatriz Eudócia, a qual sete meses após a morte do marido se casou com Romano Diógenes, Romano IV (1067-1071). Romano tivera qu enfrenta duros conflitos pelo controle dos domínios bizantinos na Itália a qual era ameaçada principalmente pela invasão dos normados no sul da península, mesmo tendo sido um chefe militar, os exércitos imperiais estava debilitados, indisciplinados, os salários atrasados, e parte das tropas eram formadas por mercenários, tais problemas com o exército levaram o imperador a sofrer uma das maiores derrotas militares já vista na história do império, a Batalha de Mantziquerte (1071) contra as tropas turcas seljúcidas do sultão Alp Arslan. O próprio imperador fora mantido cativo e profundamente humilhado. Para se libertar, tivera que pagar um caro resgate e posteriormente tributos ao sultão, ao retornar para a capital fora destronado e banido para exílio onde morrera no mesmo ano.

O sucessor de Romano IV, fora Miguel VII filho de Constantino X, Miguel vivenciou um governo curto e desastroso, guerras, fome e peste assolaram seus sete anos de governo, desintegrando ainda mais a estrutura fragilizada do império. Em 1078, um general bizantino, Nicéforo Botaniates assume o poder de 1078-1081 como Nicéforo III, todavia o novo basileu não conseguiu conter os problemas que assolavam o império, e finalmente ele fora deposto pela família dos Commenos.

Dinastia dos Commenos (1081-1185)

Sob o governo dos Commenos o império se recuperaria de algumas crises, mas sofreria novas ameaças militares, e as dissidências do Cisma do Oriente anos antes, que acarretariam nessa época o inicio das Cruzadas.

Aleixo I (1081-1118) se tornou o novo regente bizantino. De forma hábil ele formou aliança através de casamento com a família Ducas, e se tornou o novo basileu, e será em seu governo que o império começará a reerguer-se.

"Sobrinho de Isaac I, era um aristocrata que tinha recebido uma cuidadosa educação humanística e teológica e havia prestado numerosos serviços ao Estado como militar. A todas estas qualidades aliavam-se habilidades políticas e diplomáticas". (GIORDANI, 1992, p. 81).

Aleixo tentou reorganizar o exército, se valendo de tropas mercenárias, no confisco de terras, tesouros da Igreja, na cobrança de novos impostos, a fim de reestruturar o exército em decadência, isso gerou impopularidade deste com o povo. Na politica externa, a fim de combater a ameaça do líder dos normandos na Itália Roberto de Guiscard (1025-1085), Aleixo formou uma forte aliança com a República de Veneza que garantiu reforços marítimos nas batalhas contra os normandos. Ao mesmo tempo para sorte do basileu, em 1085 o sultão Solimão fora derrotado em combate contra as forças do governador de Damasco, a derrota abalou a estrutura politica do Estado turco, a oportunidade do basileu de aproveitar tais problemas a fim de recuperar a Armênia, foram barradas pela invasão dos petchengues, povo vindo das estepes centrais da Ásia.

Os petchenegues era um povo nômade de origem turca, os quais se recusaram a se submeter ao cristianismo então invadiram o Danúbio e os Balcãs com terrivel ferocidade. Sem meios eminentes de vitória, Aleixo tentou promover tréguas, as quais foram rompidas posteriormente, sob a ameaça de Constantinopla ser citiada, mas em 1091 os bizantinos conquistam uma vitória sobre seus inimigos.

"Após a derrota dos petchengues, as fronteiras europeias foram ameaçadas por novas invasões, entre as quais a dos sérvios. Em 1095 o Império havia conseguido superar todos os perigos e se encontrava em estado de alerta permanente. Suas defesas entretanto eram precárias. Os efetivos reduzidos das tropas levavam o imperador continuamente a buscar auxílio no Ocidente. Mas é importante sublinhar que Aleixo pretendia, acima de tudo, recrutar cavaleiros ocidentais para lutarem como mercenários a favor do Império. Na esperança de facilitar esse recrutamento, Aleixo vinha procurando reaproximar-se da Santa Sé. Mas uma vez de mercenários, o Império ia receber uma verdadeira avalancha humana: os cruzados". (GIORDANI, 1992, p. 82).

Em 1095 o papa Urbino II reuniu vários nobres europeus e dera inicio a Era das Cruzadas, a Primeira Cruzada (1096-1099) inicialmente como um apelo de ajuda do basileu Aleixo I, se tornou uma necessidade ainda maior. O Império Bizantino havia deixado de ser o baluarte da cristandade no oriente e agora precisava definitivamente de ajuda, assim a Primeira Cruzada tinha o intuito de ajudar os cristãos ortodoxos, converter novos fiéis e recuperar os domínios da Terra Santa. Em 1099, após três anos de conflitos, os cruzados conseguem resgatar Jerusalém das mãos dos muçulmanos, e assim fundaram os Estados Latinos. Todavia as cruzadas só estavam apenas começando.

Aleixo, conseguiu retomar importantes territórios graças as campanhas dos cruzados, mas ao mesmo tempo a ameaça turca continuou e algumas desavenças com os cruzados também surgiram.

"Em agosto de 1118, na idade de 70 anos e após 37 anos de reinado, falecia Aleixo I tendo realizado, dentro de suas possibilidades, uma notável obra de restauração que por ser resumidanos seguintes itens: reconstituição das forças armadas (exército e marinha), afastamento do perigo de invasões que ameaçavam a capital e finalmente, recuperação das províncias perdidas durante as guerras civis". (GIORDANI, 1992, p. 83).

Aleixo I fora sucedido por seu filho João II (1118-1143) o qual de inicio sofrera com a conspiração de assassinato tramada por sua própria irmã Ana, a qual cobiçava o trono. Mesmo sobre a ameaça de sua irmã. João II se mostrou um dos mais respeitados e maiores imperadores bizantinos que já governaram. Ele realizou um governo com reformas religiosas e militares que beneficiaram todo o império, promoveu campanhas de conquistas contra os turcos, os normandos e os petchenegues, promoveu importantes acordos diplomáticos e comerciais com Veneza, Gênova e Pisa. O basileu focou mais os interesses e problemas orientais do que os problemas que assolavam o ocidente, causa da cobiça e da queda de muitos de seus antecessores. Seu governo só não fora mais próspero por que este veio a falecer ao ser atingido por uma flecha envenenada enquanto caçava, seu sucessor Manuel I (1143-1180), trouxe novos problemas para o império.

Não possuindo o dom de governar como seu pai, se mostrou um homem frivolo, ambicioso, sonhador, e curiosamente um homem culto, Manuel queria reacender a cultura, as artes a educação bizantina, mas seu erro fora pensar que poderia reviver a antiga glória do império, um sonho de um "império universal" assim como os romanos sonharam, como Constantino, o Grande e Justiniano, o Grande.

Um problema que tomou a preocupação do basileu fora o inicio da Segunda Cruzada (1147-1149) a qual levou os exércitos cruzados atravessarem Constantinopla a fim de combater as forças do sultão Imad ad-Din Zengi. O fracasso desta cruzada gerada por dissidências entre alemães e francos, levaram alguns dos lideres cruzados a apontarem a falta de apoio dos bizantinos, alegando que durante a Primeira Cruzada estes haviam se beneficiado de suas conquistas, tais rumores fez pairar uma possível invasão do exército cruzado a Constantinopla.

Com tais boatos que circundavam o império, Manuel I levou a reafirmar suas alianças, aliando-se a Conrado III de Veneza e ao sacro imperador Frederico Barbarossa. Ele empreendeu campanhas contra os sérvios e os húngaros entre 1161 e 1173, no intuito de dominar a Hungria e a Sérvia e reunificar as igrejas latinas e gregas. Seu sonho não parou por aí, sua ambição levou a tentar conquistar o Egito e a Frígia, campanhas mal fadadas, que levaram ao descontentamento politico, administrativo e fiscal, os acordos com as cidades italianas acabaram alguns se tornando dividas, e Constantinopla já não era mais um centro financeiro econômico como outrora, e suas derrotas acarretaram em uma Terceira Cruzada (1189-1192) que ocorreriam anos depois de sua morte.

Manuel I deixara seu filho de onze anos Aleixo II sob a tutela da mãe deste Maria da Antioquia  Porém os anos que vão de 1180-1183 serão marcados por terror. O jovem príncipe e sua mãe são assassinados pelo sobrinho de João Commeno, Andrônico, o qual não apenas usurpou o poder mas instaurou um governo de terror.

"A chegada de Andrônico a Constantinopla foi precedida de uma terrível revolta de populares contra todos os ocidentais que residiam na capital. O massacre dos latinos fora selvagem e geral. Ninguém fora poupado. Até os doentes foram degolados em seu leitos e os próprios mortos desenterrados de suas sepulturas". (GIORDANI, 1992, p. 86).


O atroz governo de Andronico (1183-1185) levou uma ruptura com o Ocidente, o qual vira neste ato uma traição do basileu, o qual chegou ao ponto e formar uma aliança com o poderoso sultão Saladino em 1185. Saladino seria o principal inimigo dos cruzados durante a Terceira Cruzada. A traição de Andronico fora posta a fim por um golpe de Estado dado por Isaac da nobre família dos Ângelos, parente distante do basileu, o qual inaugurou uma nova dinastia.

Dinastia dos Ângelos (1185-1204)

A ascensão de Isaac Ângelo, como Isaac II (1185-1195), esboçou a vitória da nobreza sobre a politica atroz de Andronico. Todavia, Isaac desempenhou uma péssima administração em seus dez primeiros anos de governo, ele elevou os impostos, vendeu cargos públicos, pagava mal os funcionários, isso levou ao descontentamento da população. No exterior, Isaac tomou a débil decisão de abandonar as terras que seus antecessores haviam conquistado nos Balcãs, tal decisão deixou aqueles territórios a mercê dos búlgaros e dos valáquios.

Para piorar a situação do basileu, este em 1188 havia assinado um tratado em Nuremberg com o sacro imperador Frederico Barbarossa, garantindo autorização para que as tropas do imperador e o próprio cruzassem as terras bizantinas em direção a Jerusalém durante a Terceira Cruzada (1189-1192), porém o basileu era aliado do sultão Saladino, inimigo mortal dos cruzados, Isaac II tentou voltar atrás com o tratado e proibir a passagem do exército de Barbarossa, contudo o sacro imperador, ameaçou de tomar Constantinopla se lhe fosse negada passagem, o basileu temendo perder o trono, deixou que os cruzados passassem.

A Terceira Cruzada se mostrou mal fadada, Barbarossa morrereu enquanto viajava para Jerusalém, os exércitos do rei Ricardo, Coração de Leão e Felipe Augusto foram derrotados, e retornaram para seus países, Ricardo morreu antes de retornar para a Inglaterra, e Felipe Augusto entrou em conflito com o irmão mais novo do rei Ricardo, João I. A Igreja acusou os bizantinos de não darem apoio aos cruzados, isso levou a estreitar-se ainda mais a desconfiança da Igreja com o basileu.

Isaac II fora destronado por seu irmão Aleixo III que dera um golpe de Estado em 1195. O novo basileu como seu irmão, acabou desgraçando o império, sua frivolidade levou a perda de territórios, a destruturação da marinha, do exército e da economia. Em 1202, o papa Inocêncio III temendo que os turcos conquistassem de vez o debilitado Império Bizantino ordenou a Quarta Cruzada (1202-1204), dessa vez o intuito não era atacar os turcos ou outros inimigos, mas tomar as rédeas do império bizantino.

Aleixo III covardemente abandonou o trono e fugiu com suas riquezas, seu irmão Isaac II assume a regência ao lado de seu filho Aleixo IV, contudo ambos governam apenas por um ano. Como não compriram com as exigências impostas pelos cruzados, Isaac fora preso, e acabou morrendo na cadeia, e Aleixo IV fora assassinado.

O império fora dividido entre a República de Veneza e os cruzados em um tratado feito em março de 1204. Em abril a capital fora invadida e saqueada, e em maio fora escolhido o conde Balduíno de Flandres como novo imperador.

"Será dificil exagerar o mal que causou à civilização européia o saque de Constantinopla. Os tesouros da cidade, os livros e as obras de arte preservados de séculos distantes foram dispersos e destruídos em sua maioria. O império, o grande bastião oriental do cristianismo fora anulado como potência. Sua organização centralizada caiu em ruínas. As províncias, para se salvarem, foram forçadas a aceitar a sujeição. As conquistas dos otomanos foram possíveis graças ao crime dos cruzados". (RUNCIMAN, 1977, p. 44).

Dinastia dos Lascáridas (Império de Nicéia) (1204-1261)

O outrora império bizantino agora se encontrava esfacelado, a cobiça veneziana e dos cruzados levaram a repartição dos territórios do império como pode ser visto no mapa abaixo. Constantinopla após séculos já não era mas a capital bizantina, tal função pertencia agora a cidade de Nicéia, reduto escolhido pelo basileu Teodoro Láscaris para dá continuidade ao legado bizantino. Todavia, mesmo Nicéia sendo designada como nova capital e Teodoro como novo regente, muitas das províncias não reconheceram a autoridade e a formalidade dos dois, assim alguns territórios se constituíram como pequenos Estados autônomos ou feudos. O feudalismo não fora uma prática difundida entre os bizantinos, mas passou a ser bem mais visível.

Mapa representando os territórios que se formaram após a fragmentação do Império Bizantino em 1204.
Teodoro, queria reunificar o império mas uma vez e para isso não medira esforços, em seu governo de 1204-1222 ele transformou Nicéia em uma potência militar e econômica, consolidou o domínio do Império de Nicéia sobre a Ásia Menor, enfrentou os turcos e os latinos, e tentou por fim ao cisma religioso que separava as duas igrejas, mesmo tendo fracassado neste último ponto, suas medidas contribuíram para o reerguimento do império bizantino. Teodoro deixara como sucessor seu genro João III Vatatzes (1222-1254), o qual também se mostrou como um bom governante, líder militar e diplomata. João III, incentivou a agricultura, a educação, intensificou os acordos comerciais, reestruturou a marinha e o exército, o que permitiu novas conquistas para o império. Entre 1244 e 1254 ele tentou reconquistar Constantinopla, mas fora impedido por uma poderosa ameaça que veio das distantes estepes da Ásia.

Atravessando milhares de quilômetros sobre o lombo de cavalos, os mongóis chegaram nos limites entre a Ásia e a Europa, liderados pelo lendário Genghis Khan (1162-1227) anos antes. Como o grande Khan veio a falecer antes de iniciar as campanhas na Europa, seus descendentes levaram à cabo sua ambição, assim os turcos-otomanos passaram algum tempo ocupados lutando contra os mongóis.

João III focou suas campanhas na Macedônia, conseguiu reconquistar a importante cidade de Tessalônica, e em 1252 já propunha um acordo pacifico com o papa Inocêncio IV visando a reocupação de Constantinopla e a unificação do império bizantino, contudo em 1254, os dois vieram a falecer antes de terem posto fim nas negociações, e o sucessor de João III, Teodoro II Láscaris o qual governara por apenas quatro anos, devido a problemas de saúde. Teodoro veio a falecer deixando como herdeiro seu filho João IV com apenas oito anos de idade, assim o trono fora usurpado por um importante nobre, Miguel Paleólogo.

Dinastia dos Paleólogos (1258-1453)

Quando Miguel VIII Paleólogo se tornou imperador, uma de suas primeiras medidas era retomar Constantinopla, e isso se fizera no ano de 1261. O basileu encontrou a outrora gloriosa cidade em plena decadência, o governo degradante dos imperadores latinos de 1204-1261, trouxeram a ruína e a miséria ao Império Latino. O basileu adentrou as ruas da cidade com cerca de 800 homens, e testemunhou as ruas cheias de pessoas padecendo de fome e doenças, casas estavam em ruínas, outras construções estavam depredadas, uma imundice consumia alas da cidade. O então regente, Balduíno II acabou abandonando Constantinopla a deixando à pura sorte de Miguel VIII.

Miguel VIII governou de 1258-1282, fora um governo longo mas incrivelmente precário. A tentativa de recuperar a cidade fora dificultada devido aos enormes gastos que faziam pesar os cofres quase vazios do império, além disso, as ameaças dos turcos-otomanos, dos mongóis e as desavenças entre as cidades italianas, a França, a Hungria e a Bulgária punham tudo em risco a reestruturação do já abalado império bizantino. O basileu tentou reafirmar os laços de aliança com o papado, tentando por fim ao cisma que já perdurava quase dois séculos, mas as desavenças entre o clero romano e o clero grego se mostrou algo terrivelmente difícil de se solucionar.

Ao morrer em 1282, seu filho Andronico II (1282-1328) assumia o trono com a dificil responsabilidade de manter-se no poder e manter a integridade de um império corrompido e que se esfacelava. Novos ataques vindos por parte dos turcos e dos mongóis abalaram as fronteiras orientais do império, a economia estava fragilizada, faltava segurança e comida em algumas regiões, revoltas civis começaram a eclodir, e desavenças entre a própria família Paleóloga enfraquecia a autoridade de Andronico II, e para piorar entre os anos de 1321-1328 o próprio basileu tivera que combater seu neto Andronico III que tentava lhe usurpar o trono, no fim Andronico II fora derrotado e destronado pelo próprio neto.

"Andronico III (1328-1341) teve como principal colaborador no governo o experiente João Cantacuzeno, que unia as qualidades de general, de diplomacia e de administrador. Na politica interna Andronico III realizou uma reforma judiciária, procurou reconstruir cidades arruinadas pelas guerras e fundou novas". (GIORDANI, 1992, p. 93).

Com sua morte, o império enfrentou uma coalizão de tentativas de tomada do poder. O herdeiro deixado possuía apenas nove anos, era o jovem João V, o qual se encontrava sob a tutela de sua mãe Ana de Savóia, todavia João Cantacuzeno não iria deixar uma mulher inexperiente e odiada a frente do poder, assim os anos que se sucedem de 1341 a 1347, marcam um período de conflitos internos, que levou ao ponto de príncipes de outras nações entrarem na disputa pelo trono bizantino.

Em 1348, fora reconhecido a soberania de dois imperadores, João V e João VI os quais governaram conjuntamente de forma estranha e caótica. Nessa época, a miséria era geral, a peste negra assolava a Europa, os turcos continuavam a conquistar mais territórios, e desavenças religiosas com os hesicatas traziam problemas constantes para o governo.

Em 1355, João VI fora destronado por Andronico IV, filho de João V, nesse periodo o seu pai viajou pela Europa a fim de pedir ajuda para socorrer o próprio império. Os bizantinos não possuíam forças para confrontar os turcos, os mongóis, os húngaros, os búlgaros, os sérvios etc.

"Não podendo contar com os povos cristãos dos Balcãs para defender o Império, João V apela para o Ocidente tentando novamente a união religiosa. De 1369 a 1371 o basileu viajou pelo Ocidente em busca de auxílio". (GIORDANI, 1992, p. 95).

A tentativa de uma nova aliança fracassara com a morte do papa Gregório XI, assim em um ato de desespero em 1374, o basileu propõe ao sultão Murad II um tratado de vassalagem, garantindo submissão a este. Dois anos depois, o basileu João V e seu filho e herdeiro Manuel II (Manuel IX) eram traídos por Andronico IV que os condenou a prisão. Andronico IV governou de forma desastrosa de 1376-1379, ele acabou sendo deposto e substituído por João VII, o qual se mantivera até 1390 no poder, quando veio a falecer. No mesmo ano, João V e Manuel II retornam do exílio.

Manuel II assume em 1391 a direção do império, seu pai havia morrido, e a árdua tarefa de manter o império residia em suas mãos. Durante seu reinado, o império era alvo constante dos ataques dos exércitos do sultão Bajazet, isso levou o basileu entre os anos de 1399 a 1403 viajar pela Europa em busca de ajuda, em 1396 Constantinopla havia sido cercada, mas fora salva graças aos venezianos, contudo anos depois em 1402, ela era alvo de um novo ataque, Bajazet pretendia realizar o ataque final, mas fora impedido devido ao ataque das tropas de Tamerlão, o Tártaro.

De 1402 a 1420, o império vivenciou um período de paz passageira, Bajazet estava ocupado enfrentando Tamerlão, o qual fora derrotado em 1413. E posteriormente com a morte de Bajazet, seus herdeiros começaram a lutar entre si pelo poder. Porém a partir de 1421, os turcos voltaram a trazer problemas para os bizantinos.

"Enquanto seu filho João VIII fazia uma viagem ao Ocidente (Veneza, Milão, Hungria) em busca de auxílio, Manuel II, já velho e sem coragem para a luta, fez um tratado com o sultão, transformando novamente Bizâncio em um estado vassalo dos otomanos (1424). Em julho do ano seguinte Manuel II morria com a idade de 77 anos, após 52 anos de reinado fértil em tragédias e em desastres". (GIORDANI, 1992, p. 98).

João VIII vivenciou um reinado no qual tudo apontava para o fim de seu império, seus possíveis aliados estavam em confronto entre si, Veneza e Gênova lutavam entre si em 1433, a tentativa de uma coalizão entre as igrejas no ano de 1439 fracassara mais uma vez. Em 1444, o papa Eugênio IV temendo o avanço das tropas turcas pelos balcãs envia um exército para a região, as tropas cristãs são derrotadas de forma vergonhosa na Batalha de Varna (Bulgária). Quatro anos depois um novo ataque fora feito, mas novamente os turcos saíram vitoriosos, e em 31 de outubro de 1448 o basileu João VIII veio a falecer, deixando o trono para seu irmão Constantino XI, o qual ficaria lembrado na história como tendo sido o último imperador bizantino.

Imperador Constantino XI
Constantino XI governaria apenas por quatro anos (1448-1453) viveria para ver o fim do império. Nessa época, parecia que o fim era inevitável, os cofres públicos do império estavam quebrados, o exército estava esfacelado, só havia poucos milhares de homens para a batalha, a marinha se resumia a oito navios de guerra, as muralhas estavam cheias de remendos após séculos de ataques, os possíveis aliados estavam em conflito ou temiam os turcos. As cidades italianas se digladiavam entre si, França e Inglaterra ainda vivenciavam a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), os espanhóis e portugueses lutavam para expulsar os mouros de suas terras, os russos combatiam desavenças internas e a ameaça dos canatos dos tártaros.

Sultão Mehmed II
Enfim, Constantinopla fora deixada a sua sorte. Em 1451 o então sultão otomano Mehmed II (1432-1481) dera inicio a sua campanha que culminaria na conquista do império bizantino, ele de forma hábil e sagaz cercou Constantinopla a deixando presa em um círculo que impedia a rota de fuga dos mesmos e a vinda de auxilio, Maomé II também tentou comprar os possíveis aliados dos bizantinos como Veneza e João Hunyade, depois ordenou a construção de uma fortaleza ao norte de Constantinopla, a fortaleza de Rumeli-Hissar, a qual serviria de ponto de ataque para conquista da capital. No ano seguinte ele organizou suas tropas na região para iniciar o ataque, seu exército contava com mais de 100 mil guerreiros, sendo que a tropa de elite contava com 10 mil janízaros, em Constantinopla havia cerca de 8 mil homens dispostos para a batalha, isso contando com o apoio dos estrangeiros que ali viviam, dos monges que passaram a lutar e dos homens capacitados para a batalha, assim no ano seguinte dera-se inicio ao cerco que durou 7 semanas.

Por mais de 50 dias, a cidade de Constantinopla fora bombardeada pelos barulhentos e poderosos canhões turcos que destroçavam as muralhas que por séculos guardaram a cidade e seu povo, o basileu Constantino XI tentou em vão promover o fim dos ataques, propondo um ato de rendição, o qual fora rejeitado pelo sultão Maomé II. Assim em 29 de maio de 1453, o ataque decisivo ocorrera, três frentes de batalha invadiram a cidade, e por três dias e noites, casas, prédios, templos foram saqueados, destruídos e incendiados  homens, mulheres e crianças foram assassinados ou tomados como escravos, o próprio imperador veio a morrer, ainda de forma misteriosa. Constantinopla era tomada pelo otomanos, e assim era decretado o fim do Império Bizantino.

A queda de Constantinopla marcara o fim e o inicio de uma nova era, o fim da Idade Média havia sido decretado, e o inicio da Idade Moderna começava, os turcos-otomanos ainda governariam por mais alguns séculos, a frente da Europa Oriental, da Ásia Menor e de parte do Oriente Médio, os europeus do Ocidente barrados pela muralha otomana, se aventurariam pelos mares em busca de novas terras, dando inicio ao período das Grandes Navegações.

NOTA: Mesmo após a conquista de Constantinopla em 1453, o nome da cidade ainda passou a ser usado pelos séculos seguintes até finalmente ser substituído pelo nome de Istambul, o qual conserva ainda hoje.
NOTA 2: Constantino XI Paleólogo também é chamado de Constantino Drageses, devido a familia de sua mãe de origem búlgara. Dois irmãos do imperador, Demétrio e Tomás sobreviveram a conquista.
NOTA 3: Durante a Quarta Cruzada (1202-1204) o Santo Sudário que se encontrava até então em Constantinopla fora levado pelos cruzados para a França.
NOTA 4: Tamerlão (1336-1405) fora o último grande conquistador de origem turco-mongol.
NOTA 5: O hesicata fora um movimento religioso que procurou através do "silêncio" alcançarem a graça de Deus. Tais membros se mostraram bem radicais em relação a politica religiosa do Estado.
NOTA 6: Após a conquista de Constantinopla, a Basílica de Santa Sofia fora convertida em mesquita, e assim permanecera por mais de quatro séculos. Atualmente a basílica é um museu.

Referências Bibliográficas:
RUNCIMAN, Steven. A civilização bizantina. 2a edição, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1977.
GIORDANI, Mario Curtis. História do Império Bizantino. 3a edição, Petrópolis, Vozes, 1992.
DIEHL, Charles. Os grandes problemas da história bizantina. São Paulo, Editora das Américas, 1961.

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4 comentários:

Catke disse...

Olá , será que você poderia me responder qual a relação que o império bizantino tem com o feudalismo ???
é para um trabalho e não consigo achar , URGENTEEEE

Leandro Raliv disse...

Não existe uma relação propriamente direta com o feudalismo, já que os bizantinos não adotaram propriamente o feudalismo. Houve pouca difusão deste modelo entre o império. Devo ressaltar que a monarquia bizantina, estava mais ligada aos costumes e aos preceitos das politicas orientais do que propriamente as politicas da Europa Ocidental. Além do mais, o sistema feudal, não fora homogêneo no continente europeu, ele abarcou mais alguns reinos do centro-oeste do continente.

Unknown disse...

Gente me ajudem por favor!!! Alguém poderia me responder...A relações de poder,cidadania e movimentos sociais no imperio bizantino? É urgente! Agradeço desde já ❤

Leandro Vilar disse...

Unknown não sei te dar essas respostas de forma clara. No Império Bizantino não houve feudalismo, pois o governo era centralizado em Constantinopla, apesar do imperador dispor de um aparelho burocrático administrativo eficiente para governar as províncias. A questão de cidadania não sei te dá mais detalhes, até onde ia a noção de cidadão para os estrangeiros, pois o império manteve escravos até certa época e depois os substitui por servos, apesar destes servos em alguns casos terem direitos distintos dos servos feudais. Quanto a movimentos sociais, conheço algumas revoltas como a Revolta de Nike contra Justiniano, e o movimento iconoclasta (embora este foi mais de âmbito religioso o que social). Vou procurar por algo aí te comunico.