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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Quem foi Marco Polo?


Alguns de vocês já devem ter ouvido falar deste homem, Marco Polo, um homem que ficou conhecido por viajar pela Ásia, desbravando terras longínquas, estranhas e fascinantes para os povos da Europa. Porém qual fora a sua verdadeira história? Geralmente quando perguntamos a alguém a respeito de Marco Polo, os que pouco sabem sobre seu respeito, dirão que fora um viajante que viajou pela Ásia, indo chegar na China, e escreveu um livro sobre suas viagens, onde fala de lendas e monstros que teria supostamente visto pelo caminho. De fato, tais afirmativas estão certas, porém a vida deste viajante da Idade Média e os relatos que ele deixou em seu livro, vão mais além do que a descrição de seres fantásticos e de exageros por sua parte. Marco, deixou um relato vivo, de quem realmente visitou tais lugares numa época que grande parte da Ásia, estava sob o domínio do Império Mongol, tendo sido Kublai Khan o último grande imperador mongol a reinar.

Sendo assim, nesse texto abordarei alguns fatos da vida e da pessoa de Marco, e de seu pai Nicolau e de seu tio Maffeo. Sendo que em outro futuro texto abordarei os relatos contidos em seu livro, a respeito de suas descrições. 

Marco nasceu por volta de 1254 na cidade-estado da Sereníssima República de Veneza. Nessa época, Veneza era uma das cidades mais prósperas, influentes e poderosas da Itália e da própria Europa, os venezianos em 1204, haviam patrocinado a Quarta Cruzada, a qual acabou terminando com a conquista de Constantinopla, capital do Império Bizantino, assim, surgiu o chamado Império Latino. Os bizantinos ainda continuaram a resistir com seu império transferindo a capital para Niceia, até que algumas décadas depois reconquistaram Constantinopla e puseram fim ao Império Latino dos venezianos, de qualquer forma, antes disso acontecer, Veneza havia prosperado, logo se tornou um importante centro para comerciantes de todo o mundo mediterrâneo. 


Mapa retratando o Império Latino, o Império de Niceia ou Império Bizantino; o Despotado de Épiro e o pequeno Império de Trebizonda.
Não se sabe a identidade de sua mãe, mas sabe-se que os Polos são uma família originária da Dalmácia, antiga região que compreendeu uma província do Império Romano, e hoje compreende partes dos territórios da Croácia, Bósnia e Herzegovina e Montenegro, no entanto, possivelmente por volta do ano de 1033, os Polos já se encontravam por Veneza. 

Enquanto a identidade de sua mãe é um mistério, seu pai, chamava-se Nicolau (Nicollò em italiano) e possuía dois irmãos, o mais velho se chamava Marco e o mais novo Maffeo. Marco, o Velho como era conhecido, possuía uma loja em Constantinopla e um entreposto comercial em Soudak na Crimeia. Marco, o Velho havia conseguido prosperar nesses dois locais, assim, Nicolau e Maffeo tiveram a ideia de irem trabalhar com o irmão mais velho. Eles deixaram Veneza em 1253, Nicolau não chegou a ver seu filho nascer, e de fato ele só iria conhecê-lo, quinze anos depois, quando retornaria de suas viagens pela Ásia. 

Mas antes que eu prossiga para falar a respeito de Marco, devo antes continuar a falar de seu pai e tios, para que possam entender os motivos que levaram os três posteriormente a empreenderem sua viagem até a China.

Os dois irmãos passaram alguns anos trabalhando com o irmão mais velho em Constantinopla, depois seguiram para o entreposto em Soudak, onde passaram mais algum tempo. Porém, Nicolau e Maffeo eram homens ambiciosos e curiosos, estavam fascinados com o que haviam conhecido e queriam descobrir mais a respeito daquele mundo tão estranho para eles. Nessa época, a Ásia era governada pelos tártaros, termo pelo qual os europeus se referiam aos mongóis, entretanto o império mongol desde a morte de Genghis Khan e Ogodei Khan, deixou de ser hegemônico, o império em si era dividido em várias regiões, onde havia khans locais que governavam tais províncias, e dentro das províncias haviam outras províncias. Entretanto, a fama dos imperadores era conhecida por todo o império. Porém o que chamava a atenção dos Polos não era apenas a curiosidade em si, mas a oportunidade de enriquecer, no império haviam muitas cidades ricas da Pérsia a China, assim, eles cogitavam a possibilidade de fazerem negócios nesses lugares e poderem voltar ricos para Veneza. 

"Soudak é a fronteira da estrada das peles. Além dela fica o país dos "Tártaros do Poente", os mongóis da Horda de Ouro, senhores da estepe russa. Seu soberano, Berké, foi o primeiro príncipe da linhagem de Genghis a aderir ao islamismo, falha séria aos olhos do Ocidente. Mas, os irmãos Polo não parecem se preocupar com isso". (YERASIMOS, 2009, pp. 12-13). 

Nicolau e Maffeo por volta de 1258 se encontravam nos domínios de Berké Khan e os próprios chegaram a serem convidados pelo soberano a comparecem em sua corte, de onde receberam permissão de comercializarem em suas terras. Porém a situação iria piorar para todos nos anos seguintes. Em 1259, o primo de Berké, Hulagu Khan, senhor do Ilkhanato, atacou e destruiu Bagdá, uma das principais cidades islâmicas da época. Hulagu era budista e sua esposa cristã nestoriana, o mesmo se encontrava empreendendo campanhas para se conquistar os sírios, bizantinos, e seguir para o sul, em direção a Terra Santa e o Egito. Hulagu promoveu um governo anteislâmico, e pelo fato de seu primo Berké ser muçulmano abominou os atos do primo, então os dois entraram em guerra. A guerra causada entre os dois soberanos mongóis, transtornou a região, tal fato forçou Nicolau e Maffeo a retardarem seu retorno para casa por alguns anos. 

Em 1261, o imperador bizantino Miguel Paleólogo, conseguiu com a ajuda dos genoveses, reconquistar Constantinopla, pondo um fim ao Império Latino, assim os venezianos perderam o controle de seus domínios na Ásia Menor, e os benefícios que esses traziam. Ao mesmo tempo, os exércitos de Hulagu e Berké se confrontavam na região do Cáucaso, rota de estradas que ligavam Constantinopla a outras cidades na Ásia Central. Pelo fato de tais terras estarem sob estado de guerra, Nicolau e Maffeo, não poderiam passar por elas, e ao mesmo tempo, seria perigoso retornar para Constantinopla, agora que os bizantinos e os genoveses à haviam retomado, restava aos dois permanecerem onde estavam. 

Os dois seguiram para a cidade de Bukhara nos domínios do Canato de Djagatai, hoje Uzbequistão. Bukhara era um importante ponto mercantil da Rota da SedaLá, eles permaneceram por cerca de três anos, até quem em 1265, tendo acabado os confrontos entre Berké e Hulagu, a ordem e a paz retomaram na região, embora que campanhas contra outros povos ainda se mantivessem. Ainda no mesmo ano, a cidade fora visitada por um embaixador de Hulagu e um embaixador de Kublai Khan, o então imperador mongol. A vida dos Polos mudaria a partir de então. 


Gravura medieval retratando a chegada de Nicolau e Maffeo Polo à cidade de Bukhara.
O embaixador de Kublai ficou curioso ao ouvir a respeito dos Polos, quando esse fora falar com Nicolau e Maffeo, lhe dissera que seu soberano era um homem poderoso, e que tinha conhecimento de descobrir o mundo. Nesse caso, o embaixador teria dito que Kublai nunca havia visto latinos, e ficaria contente de conhecer alguns. Não obstante, possivelmente, os dois tivessem algum prestígio ou fama pela região, afim de atrair o interesse do soberano oriental. 

Entretanto, outro possível fator que levou a tal interesse, reside no fato do motivo do retorno dos dois para Veneza. Kublai estava interessado no cristianismo e na Europa. 

Nicolau e Maffeo aceitaram o convite do embaixador e assim seguiram viagem para a China, eles levaram cerca de um ano, e no verão de 1266, se encontravam no palácio de verão do imperador. Lá, segundo os relatos de Nicolau e Maffeo contados para Marco posteriormente, eles foram bem recebidos e tratados pelo imperador e sua corte. 


Gravura medieval retratando Kublai Khan, enquanto um de seus funcionários entregava uma tabuinha de ouro com a missão dada a Nicolau e Maffeo. Um fato interessante é que o autor dessa obra, desconhecia a aparência dos mongóis e dos chineses.


Após passarem alguns meses na corte de Kublai Khan o entretendo com as histórias a respeito da Europa e da Igreja Católica, o imperador decidiu fazer um pedido, ele estavam afim de construir laços de aliança com a Igreja Católica, como forma de se aproximar do Ocidente, já que o mesmo se apresentava como Senhor do Oriente, algo que seu avô Genghis, havia feito antes. Kublai pediu que uma carta fosse escrita, solicitando que Roma, enviasse cem sábios, para que pregassem a doutrina cristã e ensinassem as línguas e costumes europeus, assim, Kublai acreditava poder ligar ainda mais o Oriente ao Ocidente. Não obstante, além de solicitar a vinda de cem sábios, ele pediu que fosse trazido um pouco de óleo oferecido como oferenda no sepulcro de Jesus Cristo em Jerusalém, a caverna onde Cristo havia sido sepultado e de onde ressuscitou.

"Assim o fizeram e conclui-se da história que causaram uma impressão agradável a Cublai e o interessaram grandemente na civilização da cristandade. O imperador os fez portadores daquele pedido de uma centena de mestres e homens cultos, 'homens inteligentes, familiarizados com as Sete Artes, capazes de manter controvérsia e de provar claramente a idólatras e outras qualidade de gente que a Lei de Cristo era a melhor'" (WELLS, 1966, p. 115). 

Nicolau e Maffeo se sentiram muito honrados e prestigiados por serem os embaixadores e mediadores entre o imperador mongol e o papa. Assim, Kublai organizou a viagem de volta, deles e entregou duas tabuinhas de ouro que lhe concediam salvo-conduto e direito a qualquer coisa que lhe fosse necessária na viagem, sendo custeada pelo Tesouro Real. Os dois deixaram a China possivelmente ainda no final de 1266, acompanhados por uma comitiva e um embaixador chinês. No entanto, o embaixador acabou adoecendo posteriormente e desistiu da viagem, os dois irmãos, retornaram sós para casa, retornado para o Mediterrâneo em 1269

Ao retornarem, eles ficaram sabendo que o então papa Clemente IV estava morto e o conclave ainda não havia se decidido pela eleição de um novo papa. Então eles seguem para Veneza afim de reencontrar a família e aguardas a eleição do próximo papa. Ao retornarem para casa, Nicolau descobriu que sua esposa havia falecido, e seu filho Marco agora era um jovem rapaz de 15 anos que nunca havia conhecido o pai e tinha acabado de perder a mãe. De qualquer forma, se desconhece os fatos da vida privada durante este período. 

Dois anos se passaram, e um novo papa ainda não havia sido eleito, Nicolau ficou preocupado com essa demora, a qual poderia abalar a confiança do imperador mongol sobre eles, então decidiu consultar o legado romano Teobaldo Visconti, representante oficial da Igreja, enquanto um novo papa ainda não havia sido eleito. Dessa vez, Nicolau e Maffeo partiram em viagem na companhia de Marco, os três seguiram até São João do Acre, hoje na Síria. 

Lá eles falaram com o legado e lhe apresentaram a carta de Kublai Khan, no entanto Teobaldo ficou temeroso de aceitar as exigências deste tártaro. Os três decidem seguir viagem mesmo assim, deixam Acre e partem para Constantinopla e de la seguem até a Pequena Armênia ainda no ano de 1271. Entretanto, antes que pudessem viajar de vez para o leste, eles recebem a notícia que um novo papa havia sido finalmente eleito, este era nada menos que o próprio Teobaldo Visconti, eleito papa Gregório X.  

Nicolau e Maffeo entregando a carta de Kublai Khan ao papa Gregório X em 1271.

Ao saberem da notícia, eles retornaram para Acre e foram novamente falar com o legado, feito papa. Gregório X concordou em aceitar o pedido do imperador, no entanto ao invés de enviar cem sábios, disponibilizou apenas dois monges para tal missão. Embora, os Polos não tenham gostado disso, acabaram concordando. Os três seguiram com os dois monges até Jerusalém, pegaram o óleo benzido, e seguiram viagem para o leste. 

A viagem durou cerca de três anos e meio devido há desvios e problemas encontrados pelo caminho: eles tiveram que evitar seguirem pela Síria devido a uma invasão do sultão do Egito no país, o que os obrigou a viajar mais para o norte até a Armênia, foi a partir deste pequeno incidente, que os monges medrosos, acabaram abandonando a expedição, mesmo assim, os três continuaram a seguir em frente. Eles desceram pela Pérsia, mas tiveram que mudar novamente de caminho, já que desistiram de seguir viagem pelo mar, considerando perigosa devido aos piratas árabes e indianos, então seguiram até Bukhara, entretanto, antes de alcançarem o Himalaia, Marco acabou adoecendo no que hoje equivale a região norte do Afeganistão. Devido a sua doença, eles tiveram que ficar meses parados, até voltarem a prosseguir viagem em direção ao Turquestão chinês (hoje compreende a região mais ocidental da China, formada por desertos e montanhas), de lá eles tiveram que esperar cerca de um ano pela autorização do imperador para adentrarem as fronteiras, até que finalmente em 1275 chegaram a capital do império mongol, Pequim (anteriormente a capital ficava em Karakorum na Mongólia, mas Kublai por está mais familiarizado com a cultura chinesa, transferiu a capital). 

"Os três Polos partiram pelo caminho da Palestina e não pelo da Criméia, como na expedição anterior. Levaram consigo uma tábua de ouro e vários outros sinais ou indicações dados pelo Grande-Cã e que lhes devem ter grandemente facilitado a viagem. O Grande-Cã havia pedido um pouco de óleo de lâmpada do Santo Sepulcro de Jerusalém e assim aí foram eles primeiro. Depois pelo caminho da Cilícia, chegaram até a Armênia. Subiram assim para o norte, porque o sultão do Egito estava atacando os domínios de Ilkhan, por esse tempo. Dali, então, se dirigiram, pela Mesopotâmia, para Ormuz, no Golfo Pérsico, como se tivessem em vista uma viagem por mar. Encontraram-se em Ormuz com mercadores da Índia. Por quaisquer motivos, porém, não tomaram nenhum navios mas, pelo contrário, voltaram-se para o norte, atravessaram  os desertos persas e pela estrada de Balk, no Pamir, chegaram a Khasgar, de onde, por Khotan e pelo Lob-Nor (seguindo assim as pegadas de Yuan Chwang), atingiram o vala de Hwang-ho e, daí, Pequim". (WELLS, 1966, p. 116). 

"A chegada dos três Polo na China encontra Cublai e os mongóis presos a estruturas milenares do Império chinês e, consequentemente, pouco dispostos a aderirem ao cristianismo que, aliás, a presença de apenas três venezianos não tornava particularmente atrativo. Os Polo, que certamente duvidam disto, resignaram-se e integraram-se da melhor maneira na burocracia sino-mongol, aí permanecendo por dezesseis anos". (YERASIMOS, 2009, p. 15). 
Após cerca de três anos e meio de viagem, os Polos chegaram a corte de Kublai Khan em Pequim, onde passaram a trabalhar para o próprio como embaixadores e ocupando outros cargos do Estado, já que os mesmo permaneceram na China por mais de dezesseis anos. Marco Polo, realizou muitas viagens pelo sul da China a trabalho, além de também ter viajado pela Birmânia (também conhecida hoje como Myanmar) onde em seu livro narra as batalhas dos mongóis para conquistar a região, especialmente Pegu. Viajou pelo norte do Vietnã e por partes da Índia

Em muitas partes do livro, ele exalta a fauna, a flora, o povo e a riqueza da China e de outros locais próximos, as vezes exagerando em grandes medidas. Ele não apenas falou de monstros, mas de milhões de pessoas, milhões de vilas, milhões de toneladas de ouro, centenas de mosteiros budistas, enormes jardins de perder de vista etc. Por mas, que o seu livro não seja tido como uma fonte fiel, existem documentos imperiais de 1277 que falam de um funcionário chamado Polo, porém não especificam qual dois três eram. Marco Polo, diz em seu livro que fora governador da cidade de Yang-chow por três anos, nomeado pelo próprio imperador. 


Outro fato curioso das narrativas de Marco Polo, diz respeito ao lendário reino de Prestes João, uma terra próspera e justa, governada por um rei cristão benevolente. Por mais, que possa parecer algo difícil de se acreditar em um "reino cristão" perdido por estas terras, nos séculos XV e XVI, viajantes e navegadores procuraram pela África e pela Ásia tal reino. 


Depois de anos vivendo na China, os três venezianos decidiram voltar para casa, porém o imperador relutou-se a deixá-los partir, ele gostava muito do trabalho dos três. Todavia, a solução veio quando um dos sobrinhos-netos de Kublai, Argon, khan da Pérsia, perdera sua esposa, e queria se casar novamente, mas apenas com uma mulher mongol da mesma tribo da de sua esposa. Assim, Kublai atendendo o pedido do sobrinho-neto, lhe enviou uma jovem princesa de dezessete anos, a qual seria escoltada por nobres chineses e pelos Polos, devido ao fato de serem viajantes experientes e homens de respeito e confiança do imperador. 

Com isso, eles deixaram a China de navio e seguiriam viagem por mar, mas a viagem levaria cerca de dois anos até chegar a Pérsia. Por causas não tão bem definidas, a expedição passou muito tempo parada na ilha de Sumatra, cerca de cinco meses, e no sul da Índia, para finalmente chegar a Pérsia. Depois de entregarem a princesa mongol para o filho de Argon, já que o mesmo havia falecido, os três partiram para Tabriz, depois para Trebizonda de onde pegaram um navio até Constantinopla, para finalmente chegarem por volta de 1295 a Veneza. 


Quando chegaram em casa, vestidos com roupas orientais e parecendo moribundos, sua família não os reconhecera de imediato, pensaram que fossem vagabundos ou impostores. Mas, quando os mesmos lhe mostraram o que traziam na bagagem, a qual estavam cheia de jóias, então os mesmos viram que não eram vagabundos, e de fato eram seus familiares.
Rota das viagens de Marco, Nicolau e Maffeo Polo. Nesse caso, o mapa não retrata os destinos realizados pelos três enquanto estavam servindo ao imperador, a não ser a última missão, de levar a princesa para a Pérsia.
Em 1298 Marco Polo usou parte de seu dinheiro e comprou algumas armas e contratou alguns mercenários, então ele foi participar da Batalha de Veneza contra Gênova, onde acabou sendo preso. Durante sua estada na prisão, ele ditou suas aventuras, para um escritor que ali conhecera, Rusticiano de Pisa. Ninguém sabe ao certo até hoje quem foi este homem, ele simplesmente foi conhecido por Marco na prisão e decidiu escrever suas aventuras. 

Marco fora libertado, voltou para Veneza, tornou-se membro do Grande Conselho da República e ficou rico como comerciante. Casou-se com a jovem Donata, e tivera três filhas, Fantina, Bellela e Moretta

A respeito do resto da vida de Marco, de seu pai e tio, nada se sabe. Ele morreu em 1324, rico, famoso, embora considerado mentiroso por muitos devido aos relatos de seu livro, O Livro das Maravilhas, o qual ficou conhecido popularmente como Il Milione (um milhão), nome dado devido aos exageros numéricos que Marco fizera em referência a várias coisas que viu na China. Tal fato, lhe rendeu o apelido de "Marco Milhão" (em italiano, Marco, il Milione). 

Curiosamente, embora alguns acreditassem em suas histórias e outros a ridicularizassem, no leito de morte, seus familiares pediram para que Marco como bom cristão confessa-se uma última vez, nesse caso, que ele disse-se que muito do que havia visto em seu livro, fora inventado por ele. Marco segundo relatos posteriores teria dito em seus 70 anos de idade que o que ele viu em 26 anos de sua vida, viajando pela Ásia: "Eu só disse a verdade... E apenas a metade do que vi". 


Igreja de São Lourenço de Veneza, local onde reside o túmulo de Marco Polo.

Porém qual foi a verdadeira contribuição de Marco Polo para a História? A sua verdadeira contribuição foram os seus relatos de viagem durante estes 26 anos que passou percorrendo a Ásia. Por outro lado há dois problemas pela frente em referência ao seu trabalho: o primeiro é o fato de que não se sabe ao certo se muitas das aventuras que ele contou, foram realmente vividas por ele, ou foram histórias de outras pessoas que ele ouvira, ou foram criadas por ele mesmo; o segundo ponto a ser questionado é o fato de que Marco Polo, em seus relatos cita algumas lendas, embora que não época fosse algo comum, mas posteriormente, as pessoas associaram estas lendas ao fato de que o livro de Polo era mera fantasia, mas na realidade, ele apenas retratou a mentalidade da época.

Contudo mesmo diante destas duas questões pode-se dizer, que o seu trabalho foi de grande importância para época. Ele fez um excelente e exímio relato geográfico de sua viagem, detalhou montanhas, rios, lagos, desertos, florestas, cidades, sociedades, costumes, etc., por onde passou. Os relatos de Marco Polo foram uma das fontes as quais os europeus da época tinham a respeito das paisagens, dos lugares, das culturas e dos povos que habitavam a Ásia. Mesmo sendo uma obra questionada por nós, foi a principal forma de se conhecer a história destes povos, por algum tempo.

NOTA: Marco Polo teria vivido cerca de 70 anos, e quando retornou para Veneza, contava com seus 41 anos. Todavia, após sua saída da prisão, nada mais consta dele na história conhecida até então. 
NOTA 2: Marco Polo chamava Pequim de Cambaluc, o norte da China de Cathay e o sul da China de Manzi. Não se sabe ao certo o porque destes nomes, possivelmente deva ser o nome dado em algum dialeto mongol ou tártaro. Todavia, alguns autores póstumos, passaram a utilizar em suas obras tais palavras para se referir a tais lugares. 
NOTA 3: Marco Polo, foi um dos primeiros europeus a fazer menção ao Japão, mas o mesmo não o chegou a visitá-lo. Contudo ele é considerado o primeiro europeu a escrever sobre Sumatra. 
NOTA 4: Cristóvão Colombo em sua viagem em 1492, levava consigo um exemplar do livro de Marco Polo, Colombo acreditava nas descrições de Polo a respeito da costa da China, e logo acreditava poder chegar até lá cruzando o Atlântico. 
NOTA 5: No jogo Uncharted 2: Among Thieves, o aventureiro Nathan Drake, viaja pela Ásia, afim de comprovar algumas supostas lendas mencionadas por Marco Polo em seu livro. Drake acredita que Marco, havia guardado a localização de um grande segredo. 
NOTA 6: No jogo Assassin's Creed: Revelations, Nicolau e Maffeo são citados na história, tendo sido responsáveis por esconderem as chaves da Biblioteca de Altaïr a pedido deste. As chaves foram escondidas em Constantinopla.  
NOTA 7: Marco Polo era um poliglota, sabia falar persa, mongol, chinês e talvez um pouco de cantonês (língua falada na região do Cantão, hoje no sudeste da China). Além dessas línguas, ele talvez também soubesse algumas palavras em outras línguas, pois o mesmo visitou a Índia, o Sri Lanka, e algumas ilhas da atual Indonésia.  
NOTA 8: O aeroporto de Veneza se chama oficialmente Aeroporto Internacional Marco Polo
NOTA 9: Marco Polo é uma série original da Netflix, lançada em dezembro de 2014. A trama mistura acontecimentos históricos com ficção, com a proposta de contar como foi os primeiros anos de Marco a serviço de Kublai Khan.


Referência bibliográfica:
POLO, Marco. O Livro das Maravilhas: a descrição do mundo. Tradução de Elói Braga Júnior, introdução e notas de Stéphane Yerasimos. Porto Alegre, L&PM, 2009. 
WELLS, H. G. História Universal - volume 3. Tradução de Anísio Teixeira, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1966. (Capitulo XXXII, pp. 113-118).

Links relacionados:
As viagens de Marco Polo
Os Mongóis
Os Bizantinos

3 comentários:

aragonez disse...

Estou lendo O Livro das Maravilhas. curioso,fantástico

Mônica Howl disse...

comecei a me interessar por esses assuntos jogando Uncharted.

Leandro Raliv disse...

Ainda não tive a oportunidade de jogar nenhum jogo da série Uncharted, mas ainda lendo algumas coisas a respeito. A série lembra muito Tomb Raider, todavia, lembre-se que em grande parte, ambas as séries são baseadas mais em lendas do que em fatos históricos.