Pesquisar neste blog

Comunicado

Comunico a todos que tiverem interesse de compartilhar meus artigos, textos, ensaios, monografias, etc., por favor, coloquem as devidas referências e a fonte de origem do material usado. Caso contrário, você estará cometendo plágio ou uso não autorizado de produção científica, o que consiste em crime de acordo com a Lei 9.610/98.

Desde já deixo esse alerta, pois embora o meu blog seja de acesso livre e gratuito, o material aqui postado pode ser compartilhado, copiado, impresso, etc., mas desde que seja devidamente dentro da lei.

Atenciosamente
Leandro Vilar

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Momento: Expressões da História - parte VII

"Entre a cruz e a espada"

Tal expressão refere-se quando um indivíduo se encontra em meio a um grande dilema, e necessita fazer uma escolha, a qual poderá acarretar em grandes e/ou dramáticas mudanças. Todavia, a origem desta expressão, remonta há alguns séculos, mas, infelizmente não consegui descobrir de que época propriamente ela data. A respeito do período, alguns sugerem que a expressão date dos fins da Idade Média, ou da Idade Moderna, em ambos os casos remetendo a Inquisição, contudo, outros apontam o período das Cruzadas que abarca o final do século XI e vai até meados do século XIII. Aqui tentarei esboçar de forma simples o contexto desta expressão.

Basicamente as Cruzadas em sua essência representaram a tentativa da Igreja Católica em não apenas conseguir novos fiéis, mas reconquistar a Terra Santa e barrar o avanço muçulmano para a Europa. Nesse contexto, estar "entre a cruz e a espada" significava fazer a seguinte decisão: ou você aceitava se converter ao cristianismo e ser salvo, ou você manteria sua religião e seria morto, já que o mesmo seria considerado um herético.

No caso da Inquisição, o contexto é parecido, porém existe outros fatos que ponderam tal argumento. A Inquisição foi criada em 1183 por decreto do papa Lúcio III em resposta as acusações e crimes de heresia que se espalhavam pelo sul da França, todavia, a Inquisição será forte e exercerá uma grande influência em três nações, "Itália" (a Itália não era uma nação unificada), Espanha e Portugal. As chamadas inquisições episcopais e papais perduraram pelos séculos seguintes, até serem regulamentadas no século XV em Roma, dando origem a Inquisição Romana, a qual não apenas será a sede do Tribunal do Santo Ofício, mas designara a regulamentação dos tribunais nas cidades-Estados italianas. No caso da Espanha, a Inquisição Espanhola foi instaurada em 1478 e em Portugal, a Inquisição Portuguesa foi instaurada em 1536. Oficialmente as Inquisições, como deve ser corretamente designadas, foram abolidas apenas no século XIX. As Inquisições não agiram sobre toda a Europa, mas tiveram influência e ação sobre a América Latina, já que Portugal e Espanha levaram inquisidores e instalaram tribunais no Novo Mundo.

 No caso da expressão, primeiramente devemos ver a imagem abaixo.

Escudo da Inquisição Espanhola.
Basicamente cada uma das três inquisições, possuía seus próprios escudos, insígnias, símbolos, etc., porém, era comum que em todos fossem representados a espada e a cruz, já que o ramo de oliveira retratado neste escudo, as vezes era substituído por um livro (Evangelhos, a Bíblia, etc), ou pela palma do martírio, e até mesmo coroas, flores-de-lis, e outros símbolos da heráldica papal e monárquica espanhola e portuguesa.

No caso deste escudo espanhol, a cruz simboliza a Igreja, logo a Inquisição era um órgão submetido a autoridade da Igreja, e este tinha como função investigar, julgar e castigar os crimes de heresia, e ao mesmo tempo zelar pela ordem e pela palavra de Deus. Quanto a espada, esta simboliza a justiça, a força, e até mesmo o poder, porém tal simbolismo é bem mais antigo. Quanto ao ramo de oliveira, simboliza a reconciliação e o perdão aos arrependidos.

Assim, estar "entre a cruz e a espada", era estar diante do julgamento de suas heresias, de estar diante do tribunal inquisitorial, onde teria-se que confessar seus crimes, se fosse culpado pagaria por estes, se fosse inocente seria absolvido. Porém em alguns, casos a absolvição, significava a absolvição da alma e não do corpo, por isso que algumas pessoas foram queimadas na fogueira.

"Bode expiatório"

O bode expiatório refere-se a uma prática antiga judaica que remonta a mais de dois mil anos. Durante a celebração do Yom Kipur (Dia da Expiação), os antigos judeus realizam entre várias celebrações e rezas o sacrifício de animais, no caso, participava-se da celebração um touro e dois bodes, onde o touro e um dos bodes eram sacrificados e queimados para Iavé (Deus), e o outro bode serviria de expiação para os pecados do povo de Israel. O sacerdote, contaria os pecados do seu povo com a mão estendida sobre a cabeça do bode, e após a confissão e as preces, o bode era solto, levando consigo os pecados e preces do povo israelita.

O bode expiatório, pintura de William Holman Hunt.
Nesse caso, a crucificação de Jesus Cristo é uma alusão a esta prática, onde Cristo morre para expiar os pecados da humanidade.

"Tal como o sacrifício de um só do bodes era um preço suficiente (porque aceitável) para o resgate de todo Israel, assim também a morte do Messias é um preço suficiente para pagar os pecados de todo o gênero humano, pois nada mais foi exigido. Os sofrimentos de Cristo nosso Salvador parecem estar aqui figurados, tão claramente como na oblação de Israel, ou em qualquer de seus outros simbolos no Antigo Testamento. Ele foi ao mesmo tempo o bode sacrificado e o bode expiatório. Ele foi oprimido, e ele foi afligido (Is 53, 7); ele não abriu a boca; foi levado como um cordeiro para a matança, e assim como um cordeiro fica diante do tosquiador, assim também ele não abriu a boca. Aqui ele é o bode sacrificado. Ele suportou nosos agravos, e levou nossas aflições (vers. 4). E também (vers. 6): O Senhor carregou com si as iniquidades de nós todos. Aqui ele é o bode expiatório. (HOBBES, 1979, pp. 285-286).

Referências Bibliográficas:
BETHENCOURT, Francisco. História das Inquisições: Portugal e Itália: séculos XV-XIX. São Paulo, Companhia das Letras, 2000. (Capitulo 3: a emblemática).
HOBBES, Thomas. Leviatã ou Matéria, forma e poder de um estado eclesiástico civil. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. 2a ed, São Paulo, Abril Cultural, 1979. (Coleção: Os pensadores) (Livro III: Capitulo XLI: Da missão de nosso abençoado Salvador, pp. 285-286).

Links relacionados:

Nenhum comentário: