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Leandro Vilar

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Momento: Expressões da História - parte I

Estarei iniciando com este artigo um momento no qual dedicarei a falar a respeito da origem de algumas expressões utilizadas por nós, seja formalmente ou coloquialmente. Sendo assim, decidi iniciar por uma das expressões mais conhecidas, creio que no mundo todo: "a justiça é cega". Quando se diz que "a justiça é cega" hoje remetemos o sentido desta expressão para nos referirmos a falta de justiça, a uma má ação em um julgamento, a falta de credibilidade, de verdade. Quando a justiça não age devidamente, e não pune os culpados e acaba punindo os inocentes, e tantas outros problemas que cogitamos como sendo erros judiciários.

No entanto, afinal de conta de onde veio tal expressão? Por que a justiça se tornou cega?

A resposta de tal questionamento se encontra na Grécia Antiga em meio a sua rica e vasta mitologia. Neste caso, vam
os falar um pouco de mitologia grega aqui. Na mitologia grega a justiça é personificada por duas deusas, sendo mãe e filha. A mãe se trata da deusa Têmis e a filha se chama Astréia. Mas, neste caso, a explicação da "cegueira" remete a Têmis.

Têmis era filha de Urano o deus do céu e de Gaia a deusa da terra. Sendo assim, ela
era uma titânida. Têmis fora consagrada como sendo a deusa das leis, do direito, da ordem e da justiça. Sendo invocada durante os julgamentos para auxiliar o veredito dos juízes. A deusa possui três características fundamentais: ela segura em uma das mãos uma balança e na outra uma espada. E a terceira característica seria o uso de uma venda que lhe tapa a visão. A balança e a espada são símbolos que personificavam a justiça para os antigos gregos. A balança personificava o equilíbrio e a igualdade; a espada representava a justiça pelo uso da força ou em outros casos, representava a penalidade. Enquanto balança seria o símbolo da redenção e do correto, a espada seria a pena dada aos crimes.E por fim o terceiro símbolo, a venda que lhe cobre os olhos, é o símbolo que deu origem a expressão "a justiça é cega". No entanto o sentido de Têmis utilizar uma venda, não era para atribuir sentenças erradas, mas, sim se tornar imparcial. A venda, significa que independente da classe social da pessoa, de sua etnia, de sua cultura, do local onde vivesse, etc. A justiça teria que ser igual para todos, não podendo favorecer quem fosse o mais rico ou o mais pobre, ou favorecer o mais forte ou o mais fraco. Aquele que estivesse errado, pagaria pelos seus crimes.

"Sua vida está por um fio"


Muitos já devem ter ouvido a expressão "sua vida está por um fio". Ou seja, quando uma pessoa se encontra em uma situação de grande risco e por pouco estava a beira de morrer, é comum alguns dizerem "por um fio você não morreu". Mas, afinal de onde vem tal expressão. E para sabermos a resposta novamente deveremos retornar para a mitologia grega.

Na mitologia grega as deusas do destino eram conhecidas como as Moiras ou as Parcas na versão romana. As Moiras eram três irmãs chamadas: Átropos, Cloto e Láquesis. Em algumas versões dizem que elas eram filhas de Nyx a deusa da noite ou eram filhas de Moros o deus da sorte e do destino. As irmãs eram representadas como mulheres velhas que trabalhavam como fiandeiras. Para os gregos antigos, a vida era representada por um fio. Sendo este fio tecido por Cloto, enrolado por Láquesis e cortado por Átropos. Quando o fio era cortado, a pessoa morria.

Sendo assim, a vida do homem era representada como um fio, uma linha, e nesta linha estava traçado o seu destino. E literalmente falando, a morte seria o fim da linha.

Sisifismo ou Trabalho de Sísifo

Sisifismo não é uma expressão, mas, sim um termo que designa um ciclo de tarefas ou trabalhos de caráter árduo ou não. Em outras palavras, chama-se sisifismo algo que se repete muitas e muitas vezes. Entretanto o caráter deste termo tende a expressar algo ruim. A expressão "trabalho de Sísifo" designa a realização de um árduo trabalho que hora se torna vicioso ou não dará em nada.

Na mitologia grega havia um rei chamado Sísifo. Ele era conhecido por ser muito esperto, e tal esperteza seria sua benção e sua maldição. Neste caso vou fazer um breve resumo da sua história. Num dia Sísifo, avistou no
céu uma grande águia carregando em suas garras uma linda mulher. Ele constatou que tal águia era na verdade Zeus disfarçado, já que este animal era associado a ele. Quando o pai da tal moça veio lhe perguntar se ele sabia de algo, ele logo fez um acordo com este e delatou o rapto de Zeus. O deus ficou furioso e decidiu punir o rei por isso.

A punição escolhida fora a morte. Com isso Zeus enviou Tânatos o deus da morte. No entanto Sísifo fora mais esperto e enganou o deus lhe oferecendo um colar. Este colar era mágico, e com ele este conseguiu prender o deus da morte. Literalmente a morte estava presa. Assim o rei havia enganado a morte. Porém para a sua sorte isso não iria durar muito tempo. O deus dos mortos e do inferno, Hades, foi em busca de Tânatos e o encontrou. Hades o libertou e Sísifo fora morto. Sua alma fora levada para o inferno.

No entanto o sagaz Sísifo não desistiria de ludibriar a mo
rte novamente. No inferno ele fora falar com a rainha deste local, a esposa de Hades, a deusa Perséfone. Ele convenceu a deusa de permitir seu retorno ao mundo dos vivos para poder avisar sua esposa e filhos que realizassem seu funeral dignamente. A deusa comovida com sua lábia deixou o partir, mas, quando este voltou a vida, tratou de fugir com sua esposa e filhos. Sísifo havia enganado a morte pela segunda vez. Mas, por fim esta acabou chegando e sua sentença fora dada. O homem que enganara a morte duas vezes fora condenado a pagar por seu crime no Tártaro (a prisão infernal). O Tártaro era considerado o pior canto do inferno. Lá o rei fora condenado a carregar uma pedra montanha acima, mas, quando ele chegava perto do seu topo, a pedra caía de suas mãos voltando para o ponto de partida. E Sísifo descia para pegar a pedra e levá-la novamente para o topo, na tentativa de acabar com tal tormento. No entanto tal tormento duraria pela eternidade.
NOTA: Astreia é filha de Têmis com Zeus.
NOTA 2: A constelação de Libra/Balança, é personificada pela deusa Astréia que segura sua balança sobre os homens.
NOTA 3: A invenção da balança é 
consagrada ao deus Hermes. O qual era o mensageiro dos deuses, deus do comércio, dos comerciantes, dos ladrões, protetor das estradas e dos viajantes. Hermes criou a balança para tornar mais justo o comércio dos homens.
NOTA 4: Têmis hoje é a divindade que personifica o Direito. Sendo assim, em alguns prédios como tribunais, ou prédios do governo ligado ao Judiciário e Legislativo, é comum ver uma estátua
 sua.
NOTA 5: No desenho animado Hercules produzido pela Disney, em alguns momentos fica bem claro esta ideia de fio da vida, no qual é retratada na história.
NOTA 6: No jogo God of War II as Moiras são protagonistas d
a história. Pelo fato de o jogo ser inglês elas são chamadas de "Sister's of Fate" (As irmãs do destino).
NOTA 7: Na mitologia nórdica, as Moiras possuem um equivalente, as irmãs são chamadas de Nornas.

NOTA 8: A história de Sísifo expirou o ensaio filosófico, O mito de Sísifo de Albert Camus.
NOTA 9: No poema a Divina Comédia de Dante Alighieri, o castigo de Sísifo, de carregar ou empurrar uma pedra é retratado tanto no livro Inferno e Purgatório, como forma de se condenar o pecado da soberba.


Referência Bibliográfica:
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. São Paulo, Nova Cultural, 1998.

Links relacionados:
Momento: Expressões da História - parte II
Momento: Expressões da História - parte III
Momento: Expressões da História - parte IV
Momento: Expressões da História - parte V
Momento: Expressões da História - parte VI

Momento: Expressões da História - parte VII

Um comentário:

Jean Medeiros disse...

Jó 9, 24 A terra é entregue nas mãos do ímpio; ele cobre o rosto dos juízes; se não é ele, quem é, logo?